A Nova Era Imperial
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O homem de preto já estava prestes a subir a enorme escada e ir em direção ao seu quarto, quando o telefone da residência tocou, José Alfredo não conseguia imaginar quem ligaria uma hora daquela, mas sem hesitar, atendeu o aparelho.
– Alô? Quem é? – disse o comendador impondo o seu jeito rústico. Ele ouviu a resposta vinda do outro lado da linha e se manteve atento.
– Como? Pegaram ele na fronteira do Brasil com o Paraguai? Olhe lá vocês, não deixem esse crápula fugir de jeito nenhum, quero esse desgraçado vivo. – dizia José Alfredo firmemente.
Era a polícia que havia ligado para o Comendador informando que Maurílio foi preso por fiscais da alfândega ao tentar sair do Brasil e por pouco não chegar ao Paraguai, o filho de Silviano estava desaparecido desde quando José Alfredo denunciou o cassino clandestino que ele e o pai mantinham a tempos. Foi em uma dessas partidas dos jogos de azar, que os pais de Ísis fizeram uma enorme dívida e ficaram reféns da figura de Fabrício Melgaço, o nome enigmático, que não passava de uma ferramenta para lavarem dinheiro, e que ainda pretendiam, ao tomarem o poder da Império, envolver a empresa nos negócios ilícitos.
Após a denúncia e o conhecimento da polícia se concretizarem, a mesma, invadiu o local botando tudo para baixo, durante a confusão, Maurílio conseguiu sair pelos fundos, enquanto Silviano não aguentou a pressão e acabou infartando, veio falecer dias depois, no hospital.
José Alfredo digeriu a informação e disse vibrante:
– Maria Marta precisa saber disso, e precisa agora! – o homem de preto já estava indo em frente, empolgado para contar a notícia á Imperatriz, quando deu meia volta e foi até a sala de jantar, selecionou com os olhos um dos vinhos que estava exposto na adega, o pegou, e passou a mão em duas taças. Chegou confiante na porta do quarto da esposa e jurou para que ela ainda estivesse acordada, hesitou, mas enfim deu dois toques na porta.
Maria Marta estava com as costas apoiadas na cabeceira da cama e lendo, esse era o motivo de estar usando os óculos de descanso. Ouviu as batidas na porta, fechou o livro, deixou os óculos no criado-mudo e arrastou a longa camisola escura em direção á saída do quarto. Ao abrir a estrutura de madeira, a Imperatriz se surpreende com a imagem que vê: José Alfredo, segurando uma garrafa de vinho e duas taças. Ela pensou estar presenciando uma miragem e até passou pela sua mente, fechar a porta na cara daquele cangaceiro que tanto a vez sofrer, porém resolveu intimá-lo:
– O que você faz aqui uma hora dessas, homem de Deus? – disse a mulher dos olhos claros.
– Vim te trazer uma novidade. – José Alfredo estava entusiasmado. – Prenderam o Maurílio na divisa do Brasil com o Paraguai, agora aquele desgraçado vai pagar por tudo. – o Comendador conclui.
– Ah é? Fico satisfeita com o fato de que ainda há polícia nesse país cumprindo com o seu dever... E fico ainda mais satisfeita por aquele nojento finalmente pagar tudo o que me fez. – ela não esconde a sensação de alívio. - Mas o que significa o vinho e as taças? Posso saber? – Marta o questiona.
– Eu pensei que a gente podia comemorar... – responde o Comendador.
– Pois achou errado! Francamente, José Alfredo, comemorar isso? A gente deveria agradecer, e outra, se eu beber vinho agora, espantarei o sono. – disse a Imperatriz quase fechando a porta.
– Só uma taça vai? – insiste o homem de preto a impedindo de concluir a ação.
Maria Marta viu que era causa perdida recusar o convite, e fez sinal para que o homem entrasse em seus aposentos. Os dois se sentaram na grande e confortável cama. José Alfredo abriu a garrafa de vinho, e despejou aquele líquido de cor ardente nas taças de cristal, e depois ofereceu uma delas á esposa.
Gole vai, gole vem, o Comendador serve a si e a mulher novamente, juntos, relembraram histórias do passado e gargalhavam, até que José Alfredo, desastrado do jeito que só ele conseguia ser, deixou cair vinho de sua taça na camisola de Marta.
– Olha o que você fez, seu jagunço! – a Imperatriz se irrita.
– Não foi a minha intenção, mas já que foi sem querer... – José Alfredo derrubou vinho de novo em Marta, mas dessa vez foi proposital e justo no decote da esposa.
A Imperatriz sentiu um arrepio, e quando foi se pronunciar, o homem de preto colocou o dedo indicador em sua boca, fazendo sinal para que ela ficasse em silêncio. José Alfredo, gentilmente, limpou o vinho no decote da mulher com os lábios, após concluir a ação, Marta o puxou para um beijo, começou calmo mas logo se tornou uma chama na medida em que o casal imperial alternava entre chupões e mordidas.
– Não... – disse Marta, quase sem voz, resultado do fôlego que acabara de perder.
– Agora vai ser diferente. – Afirmou José Alfredo olhando nos olhos dela.
Eles se abraçaram, como há muito tempo não faziam, um poderia sentir, facilmente, os movimentos cardíacos do outro. Até que o Comendador a deitou de bruços sobre a cama, ele percorreu as costas de Marta, abrindo a camisola que se fechava atrás, derrubou o vinho ali, novamente, e fez a mesma coisa que havia feito no decote, momentos antes. A Imperatriz estremeceu, sentou na cama e José Alfredo a ajudou tirar a camisola, entre beijos e amassos na imensidão daquele quarto, logo ele também se desfez das roupas negras que usara.
Procurando uma posição confortável, Maria Marta se sentou no colo do marido, eles tinham uma perna intercalando a outra, num encaixe perfeito, José Alfredo ainda não havia desistido do vinho, e o apreciava junto á pele da esposa, a Imperatriz não conseguia definir se estava lambuzada de vinho ou de prazer, só demonstrava o que estava sentindo arranhando as costas do marido e mordendo o pescoço do mesmo, cada gemido seu era sufocado pelos lábios do Comendador.
De repente, José Alfredo pára os movimentos, e ainda dentro da mulher, ofegante, diz:
– Marta, eu te amo.
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