A Nossa Historia
4 Capitulo 4
A realidade logo chegou a Amy. Seu despertador tocava desesperadamente, sua cabeça doia e aquele barulho irritante não a ajudava em nada. Saiu tateando seus pertences até encontrar o pequeno aparelho. A luz do sol incomodava seus olhos, desta vez a sua vontade de ficar na cama era ainda maior. Não queria sair do seu conforto, o mundo lá fora a assustava demais. Sair de seu quarto poderia ser chato demais. Não havia nada a ser feito naquela manhã, poderia aproveitar seu tempo livre para organizar seu quarto ou poderia voltar a dormir.
A preguiça não fazia parte dela. Não poderia ter esse capricho. Com um pouco de esforço, Amy levantou-se de sua cama. Pegara uma roupa confortável em seu guarda roupa, afinal o cansaço na noite anterior falou alto demais. Mesmo enquanto tomava seu banho, Amy não conseguia parar de pensar na proposta de Marcus. Poderia ser um bom começo de uma nova amizade.
Não demorou para que ela saisse totalmente renovada, mas não esperava que alguém estivesse esperando por ela em seu quarto. O que era bom havia acabado de se tornar um fiasco maior ainda.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela rispida.
— Isso é jeito de cumprimentar o seu namorado?
— Donnie, entenda de uma vez por todas... nós terminamos. Não quero nada com você, se toca.
Donnie se aproximou ainda mais dela tocando sua perna exposta.
— Amor, você sabe que eu errei e que eu sempre te quis. Nunca haverá homem o suficiente para você. — Ele contava vantagens sobre si mesmo enquanto tentava arrancar um beijo da garota.
Amy o empurrou com força.
— Nem que a minha vida dependesse de você. — Murmurou Amy firme. — Agora faz o favor se sair da minha casa.
— Acha mesmo que eu vou sair assim? Sem ao menos tentar fazer algo com você? — Indagou ele com a voz embargada de sensualidade — Eu quero tocar nesse corpo feminino que me deixa excitado e que mexe com a minha cabeça.
— Não ouse a se aproximar de mim ou acabrá se machucando.
— Eu gosto de correr riscos, principalmente quando o risco é você.
Não havia como escapar de Donnie naquele momento. Seu toque era urgente contra o corpo dela, sua força era ainda maior do que conhecera. O que ela mais desejava era reunir forças para pegar ou conseguir realizar algum movimento que o parasse naquele exato momento. Amy saira tateando seus objetos, mas não se contentara com nenhum deles, não fariam estrago algum. Com uma das pernas livres ela o acertou em sua área sensivel fazendo-o cair ofegante no chão.
— Eu disse para não tocar em mim, seu imbecil. — Gritou ela de raiva.
Pegou sua bolsa com facilidade e saiu correndo de sua casa o mais rápido que pode. Para a sua sorte havia um táxi livre. Pediu para que o motorista a levasse para bem longe dali. De preferência que a deixasse bem no centro da cidade, ali poderia ser um bom lugar para encontrar com Marcus. Ainda não conseguia acreditar que Donnie tivera a audácia de ir até a sua casa para tocá-la daquela forma. Que imbecil. Odiava ser vista dessa forma por qualquer garoto. Gostava de ser respeitada por todos.
Não conseguia colocar em sua cabeça a coragem que tivera para namorar com Donnie. Valia ressaltar que ele era bonito demais, tinha lá as suas qualidades, mas de uns tempos para cá ele havia se tornado uma espécie de tarado. Paquerava todas as meninas, não importava a idade ou quem era os seus pais. Se fosse garota já estava no papo. Seu dia só piorava, alguma mágica poderia acontecer.
Amy ficou por um tempo distraída mexendo em seu celular, não se dera conta de que alguém estava se aproximando. Esperava que Marcus lhe desse algum sinal de vida, precisava saber onde iriam se encontrar.
— Isso é um assalto — Disse alguém numa voz grave.
— Por favor, pode levar tudo, mas não me machuque.
Ao virar o rosto para identificar quem era, Amy sentiu uma raiva crescer dentro de si. Não conseguia acreditar que Marcus foi capaz de fazer uma brincadeira tão sem graça.
— Desculpa se te assustei.
— Se me assustou? Isso é sério? Eu quase tive um ataque cardíaco. Nunca mais brinque desse jeito.
— Tudo bem... mas você não pode ficar dando bandeira desse jeito também. — Reclamou ele divertido — Se eu fosse um tarado iria te sequestrar.
Amy revirou os olhos incrédula. O mundo realmente havia acordado bagunçado. Não era possivel.
— Olha... acho melhor você se controlar antes que eu acabe dando uma porrada, meu dia já começou ao avesso. Não estou a fim de brincadeiras, desde muito antes não estou para brincadeiras.
Marcus ficou espantado com a seriedade da garota. Nunca viu uma garota tão séria como ela.
— Vamos comer? — Perguntou ele animado.
— Ainda não é meio dia. — Lembrou ela olhando no celular.
— E você tem hora para ir no banheiro?
Amy fechou a cara. Marcus não tinha noção do que falava. Respirar fundo ajudava a aliviar todo aquele estresse. Pelo menos Marcus poderia ser uma pessoa engraçada que a faria rir de algum jeito. Logo começaram a caminhar em direção a um bom restaurante que ele conhecia. Amy tivera a oportunidade de estar naquele restaurante algumas vezes, mas estas em ocasiões especiais quando se tratava de conseguir patrocinio para os espetáculos da escola, sempre com pessoas sérias.
— Me diga que já veio nesse restaurante, garota. — Brincou ele com a voz afetada.
Foi impossível não rir diante de tal modulação na voz.
— Sim, mas não com pessoas engraçadas. — Respondeu ela simplesmente.
— Eu não sou engraçado!
— Me fez rir, pelo menos. Era disso que eu precisava no momento.
— Vou fingir que acredito, gata! — Brincou ele com os olhos semicerrados — As pessoas quase não gostam quando faço brincadeiras, me acham infantil demais.
Amy o fitava encantada.
— Sempre gostei de pessoas divertidas, que me fazem rir.
— Senhorita Amy, acho que é o começo de uma grande amizade entre nós. Eu realmente quero ser o seu amigo.
— Conquiste a minha confiança.
Marcus riu docemente.
— Tudo bem! Vamos almoçar primeiro, você me conta o que quiser da sua vida e depois te levo a algum lugar legal, pode ser?
Amy apenas assentiu.
O maitre logo surgiu os conduzindo a uma mesa. Não havia como Amy disfarçar o seu nervosismo. Passara por tantas coisas na sua vida que encontrar Marcus parecia um sonho. Havia algo nele que a deixava bem, mesmo que por pouco tempo de conhecimento entre si. Aquele ambiente favorecia boas conversas, novas influências, amizades sendo construidas.
— Vamos falar sobre você...
Amy o olhou assustada. Essa conversa não poderia começar tão brevemente.
— Oi? — Indagou ela desentendida.
— Calma, quero só saber algumas coisas sobre você
— Exemplo?
Ele pareceu pensar um pouco para formular a sua pergunta. Se concentar nunca pareceu tão fácil para ele, não conseguia parar de encarar a forma como Amy passava a lingua pelos lábios.
— Eu... não sei... o que você gosta de ouvir?
— Ah depende do meu humor. Não tenho tantas exigências. Prefiro algo que preencha a minha alma, o meu ser.
— Gostei da sua definição de gosto musical. Nunca parei para pensar dessa forma.
Amy sorriu encantada.
— E você?
Marcus ergueu a sobrancelha.
— Amy, você vai me achar um patético. Acontece que eu sou apaixonado por músicas clássicas, gosto dos sucessos dos anos 70, 80 e 90.
— Você não é patético, só tem um gosto muito diferente para alguém da sua idade. Falo por experiência própria, ninguém entende o significado dessas músicas.
— É isso o que eu penso. As melhores músicas foram esquecidas pelas pessoas.
— Não exatamente esquecidas. Até agora você era a única luz num mundo onde tudo era escuridão, mas encontrou mais luz e logo seremos um mundo repleto de luzes. Amo músicas antigas, me sinto bem quando escuto algo do gênero.
— Olha só! — Gargalhou Marcus — Então nesse exato momento converso com uma veterana.
— Quase isso — Afirmou ela.
Marcus fez um sinal para que o garçom anotasse o pedido deles.
— Pode pedir o que quiser, Amy.
Ela apenas assentiu.
Esperaram até que garçom se retirasse. Amy tinha uma capacidade muito grande de ficar corada. Como se não bastasse, Marcus não deixava de manter contato visual com ela. Não conseguia entender o porquê de seu coração bater tão forte naquele momento. Fizera uma promessa a si mesma de não se deixar levar pelas pessoas a ponto de criar algum tipo de sentimento mais forte do que a amizade. Não tinha tempo para se dedicar a qualquer outra pessoa que não fosse ela mesma.
Marcus sabia que aquela garota em sua frente não era como qualquer outra garota que havia conhecido em outros tempos. Amy tinha uma simplicidade, um senso de humor que o deixava encantado cada vez que a olhava em seus olhos.
O garçom voltou trazendo o pedido deles.
— Por que você está me olhando assim, Marcus? — Perguntou ela estranhamente.
— Não sei... seus olhos escondem algum mistério do qual eu ainda vou descobrir.
— Nem tente, pois não tenho mistérios, apenas histórias a serem compartilhadas.
Ele começou a aplaudi-la. Havia firmeza na sua voz. Uma atitude que a destacava cada vez mais.
— Impressionante! Me senti como se tivesse levado um tapa na cara.
— Não pense assim, por favor! Eu sou uma pessoa que não leva jeito com as palavras.
— Calma, não estou dizendo que levei de forma ofensiva. Tem muita vitalidade nas suas palavras, e gosto disso numa mulher.
Amy ficou desconcertada com o elogio. Ele era direto, não perdia tempo quando queria conquistar as pessoas.
— Tudo bem. Acho melhor termos foco ou acabarei falando o que não quero.
— Como quiser... — Ele se lembrava de algo — O que aconteceu com você ontem? Saiu da aula chorando.
— Uma longa história de familia. Descobri que o meu padrasto bateu na minha minha mãe, isso me deixou revoltada. Minha mãe não merece passar por isso, e ela não queria me contar.
Marcus ficou boquiaberto com a confissão. Era uma situação fora do comum, não sabia como lidar com as palavras naquele momento. Marcus detestava pessoas que batiam em mulheres e se enfurecia com facilidade. Ela ficou assustada ao ver a expressão dele séria. Não imaginava que ele poderia ficar furioso.
— Tudo bem? — Perguntou ela tocando a mão dele — Fica calmo, por favor.
— Você não entende! Isso é errado. Mulher nenhuma deve sofrer por um homem.
— Preciso que você fique calmo ou irei embora e nunca mais falo com você. — Ameaçou a garota — Quero o seu bem.
Marcus se concentrou naquela voz doce e calma. A sua respiração foi se acalmando, voltando ao seu ritmo normal.
— Você não é normal! — Brincou Amy.
— Eu sei... e é por isso que você gosta de mim.
Ela ergueu a sobrancelha contrariando-o.
— Não mesmo. Acho que podemos ir para algum outro lugar. Já faz um certo tempo que comemos. — Reparou Amy sorridente.
Marcus riu.
— Concordo. É por isso que o garçom não para de nos olhar, estamos ocupando o lugar de outros clientes.
Pagaram a conta e sairam do restaurante.
O dia estava agradável demais para ser encerrado daquele jeito. Marcus estava tornando-o cada vez melhor. Seu dia estava completamente iluminado. Uma sensação de bem estar e alivio a preenchia cada vez mais. Nunca se sentira tão bem em toda a sua vida.
— O que faremos agora? — Quis saber ele.
— Não sei... pensei em ficarmos andando ou quem sabe irmos para o campinho que tem aqui perto.
E juntos caminharam para o campinho da cidade. Era um lugar calmo com bastante vegetação que agradava Amy, flores davam seu toque de beleza e formosura. Ali, ela se revelou uma etrna criança. Corria, pulava e dançava. Marcus não conseguia entender o que estava acontecendo dentro dele, seu coração acelerava sempre que a encarava demais. Poderia lutar contra esse sentimento enquanto havia tempo.
Amy se movia com graça e beleza pelo campo, seu modo de rir o contagiou por inteiro. Uma risada gostosa de se ouvir.
— O que você está fazendo sua doida?
— Estou pensando na coreografia que tenho de planejar para uma apresentação da escola.
— É tão complicado pensar...
— Depende da pessoa que está tentando pensar. Quando há paixão no que gosta de fazer tudo é fácil e prazeroso de praticar.
— Entendi, Amy! — Exclamou Marcus se sentando na grama enquanto a observava dançar.
Amy deixou o seu celular com ele, enquanto tentava praticar alguns passos novos. No começo estava sem harmônia, sem sentimento o que o fazia rir sem parar, pois ela ficava com raiva e tentava cada vez mais. A música era uma de suas preferidas, foi com ela que ganhara a bolsa de estudos na escola de artes cênicas. Era ela estar em um lugar tranquilo para que a sua mente viajasse por completo. Gostava da sensação que o vento lhe causava ao tocar sua pele exposta enquanto dançava, tudo ao seu redor se transformava como se ela fosse um elemento da natureza, havia uma toque de sensibilidade, encanto e magia que lhe deixava bem.
A natureza era perfeita. Lembrava das vezes em que estava com o seu pai e juntos criavam o seu mundo maravilhoso e perfeito. Corriam e se escondiam atrás das árvores, mas nunca demoravam a se reencontrar novamente. Viviam intensamente cada loucura, cada sonho. Bom, talvez ela estivesse vivendo os sonhos por ele.
Depois de tanta insistência em praticar, Amy sentou-se ao lado de Marcus.Olhavam para o vasto campo que se estendiam sob os olhos deles.
— O que você pensa da vida, Amy?
Ela não compreendia a pergunta feita.
— Como assim?
— Metas, objetivos...
— Gosto de viver cada dia como se fosse o último, não faço tantos planejamentos, pois tenho medo de me decepcionar com tantas expectativas.
— Por que? Não pensa em ter um relacionamento? Ter uma familia?
— Podemos mudar de assunto? — Rebateu ela animada.
Marcus ignorou, mas ela escondia algo dele. Ele não a obrigaria a contar tudo sobre a sua vida, mas era estranho. Muitas garotas gostavam de falar a respeito de qualquer relacionamento que pudesse vir a calhar.
— Tudo bem... — Deu-se por vencido — Seus pais devem estar orgulhosos por terem uma filha como você!
— Sim, eles estão orgulhosos.
Amy deitou-se na grama e permaneceu com os olhos fechados. Por um minuto queria esquecer toda a sua realidade, masnem Marcus conseguia ajudá-la. Um dia, se ele merecer contaria tudo a seu respeito, mas ainda era muito cedo para confiar. Não por ele, mas Amy não se sentiria tão à vontade em contar-lhe toda a história da sua vida.
— E você Marcus? É tão quieto assim ou gosta mesmo de observar o que as pessoas fazem?
— Um pouco de cada coisa, eu acho. Gosto de me surpreender com a vida e com as pessoas.
— Depois eu que sou a misteriosa! — Ironizou Amy.
— Cala a boca, garota!
— Então venha fazer, seu bobo. — Alertou a garota firme.
Marcus se virou contra ela e começou a lhe dar cocégas. Ela se contorcia toda, implorava para que ele parasse mas nada adiantava. Aquela brincadeira estava deixando-a sem ar.
— Para por favor!
— Você venceu! — Declarou ele divertido.
Antes que ela pudesse pensar em algo para conversar seu celular começou a tocar desesperadamente.
— Alô?
— Amy, você pode vir até a escola? A Megan se machucou e só você é quem sabe as marcações da coreografia.
— Posso sim. — Ela olhava seriamente para Marcus — Daqui a poucos minutos chego ai.
E desligou. A expressão séria que ela havia feito deixou Marcus assustado.
— O que houve?
— Tenho ensaio agora. A garota que era a principal na coreografia se machucou, querem que eu a substitua.
— Tinha que ser tão boa a ponto de me deixar sozinho aqui? E se eu for estuprado?
Amy riu.
— Acho que você pode vir comigo. Se quiser, é claro. A professora de dança permite que de vez em quando algumas pessoas assitam aos ensaios, desde que você se comporte bem.
— Não quero atrapalhar. — Disse ele desanimado.
— Vamos logo,seu idiota!
Amy corria em direção a saida do campinho. Não demorou até que ele a alcançasse. Os dois se sentiam livres, conseguiam fazer um ao outro sorrir. Foram andando tranquilamente até a escola. Ainda precisavam esperar algumas garotas que iriam se atrasar, assim eles ganhariam tempo até chegar. No caminho até a escola, Marcus conseguiu levar alguns tombos de tão distraído que estava, o lado positivo era que ele acabava fazendo piada sobre a sua situação.
Ao chegar na escola, Amy correu para se trocar enquanto ele ia diretamente para a sala. As garotas presentes logo começaram a ficar assannhadas ao verem Marcus. Helena, uma das amigas de Amy revirou os olhos incrédula.
— Posso ajudá-lo? — Perguntou Helena simpática.
— Vou apenas assistir a aula. Estou com a Amy. — Respondeu ele simplesmente.
— Tudo bem... Cadê ela?
— Foi se trocar.
Algumas pessoas interpretaram a resposta dele de forma errada. Achavam que eles estavam namorando, sendo que ainda estavam se aprofundando numa amizade e essas conclusões precipitadas acabava com qualquer pessoa.
— Cheguei pessoal. Podemos começar com os ensaios.
Helena puxou Amy discretamente para uma conversa rápida.
— Quem é aquele gato?
— É o Marcus, um dos alunos novos da minha turma. — Respondeu ela simplesmente sem dar a importância de reparar o quanto ele era atraente.
— Amiga, vocês estão tendo um caso? —Perguntou Helena divertida.
Amy corou imediatamente.
— Não. O Donnie ainda está no meu pé pra voltarmos, mas não serei burra novamente em dar alguma chance para ele.
— Se você não quiser, vai ter alguém que queira o Marcus e eu não estou falando de mim.
— Vamos deixar essa conversa pra depois. Precisamos ensaiar.
Helena deu um piscadela e abraçou a amiga. Enquanto algumas meninas se alongavam o máximo que podiam, ela observava atentamente Marcus. O olhar dele era de encantamento.
Logo cada uma das garotas foram tomando as suas posições mediante a marcações realizadas antes. Helena e Amy estavam bem no centro, a atenção voltada para elas. Eram as que mais se destacavam dentre as outras garotas. Isso é, elas se empenhavam para serem lembradas. Todo o esforço tinha de valer a pena.
Um doce toque de violão preencheu o ambiente e as batidas mais fortes pareciam explodir a sala. Amy e Helena conseguiam provovar apenas com o olhar. Ambas eram donas de olhares intensos que deixariam qualquer homem de queixo caído. Seus movimentos eram graciosos, porém sensuais demais. A forma como o conjunto de garotas se moviam estava bem sincronizado, um nível de dança elevadissimo.
Helena deu um toque em Amy e juntas perceberam o quão surpreso Marcus estava. Talvez fosse muita informação para um dia só. Dança não era algo que ele dominasse, mas apreciava quem tinha o dominio da arte e aquelas garotas pareciam serem tão intimas. Ele conseguia se sentir envolvido na dança mesmo só enquanto as observava.
— Caramba! — Exclamou ele admirado — Vocês dançam muito.
— Nós treinamos para aperfeiçoar aquilo que amamos. — Comentou Helena empolgada — Infelizmente a coreografia não está toda pronta, teremos de mudar muitas coisas.
— Vocês garotas são tão indecisas. Eu não mudaria nada.
— Falar é fácil — Questionou Bryana — Quero ver você conseguir fazer tudo isso. — Olhava fixamente para Marcus — Se quiser, eu posso te ajudar numa dança sensual.
— Me desculpem meninas, mas eu não sei dançar tão bem quanto vocês. Um dia quem sabe, eu arrisco algo, mas não hoje nem agora.
Helena não conseguia acreditar em como Bryana fora capaz de se jogar para Marcus, mal se conheciam. Aquilo era estranho demais.
— Estão liberadas! — Exclamou Helena — Posso falar com você Marcus enquanto a Amy se troca?
Ele apenas assentiu positivamente. Esperaram até que eles estivesem sozinhos na sala.
— O que foi? — Perguntou ele curioso.
— Está interessado na Amy?
Marcus pigarreou com a pergunta.
— Não sei ainda. Ela é diferente de todas as meninas que conheci.
— Cuidado para não magoá-la se é isso que pretende.
— Obrigado! Mas irei com calma. Não quero que ela se sinta mal com a minha aproximação. Já percebi que ela só me vê como amigo e nada mais.
— Dê um tempo a ela, talvez ela não esteja percebendo os seus sinais. Ser amigo dela pode ser melhor do que não a ter.
— Agradeço mais uma vez.
Marcus colocou as mãos no bolso ao ouvir a voz de Amy se aproximar. Tinha de mudar a sua expressão para não deixá-la mal. O que sentia por ela ainda era novo e confuso dentro de si, como se a conhecesse de outras vidas. Uma sensação inexplicável. Só em vê-la sorrir seu coração só faltava pular para fora.
— Podemos ir?
— Claro, Amy. Foi um prazer conhecê-la Helena. Até qualquer outro dia.
Marcus estendeu o braço para que Amy se segurasse nele. Queria sentir o corpo daquela garota próximo ao seu. Não queria que ela se sentisse mal, mas o ato de bom moço, educado e respeitador poderia ser um bom alicerce para fazer parte da vida de Amy Jones. Ser alguém na vida daquela garota já significava algo.
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