A Nossa Historia
22 Capítulo 22
Margareth estava ficando maluca com tantos detalhes a serem acertados antes das últimas semanas que antecediam o festival. Não sabia mais como lidar com a ausência de alguns alunos. Não havia justificativas que a acalmassem. Patrick era um deles. Mesmo depois de ter rompido o breve relacionamento com Amy ainda compareceu a cinco ensaios e parecia disposto a realizar a apresentação, mas na altura do campeonato em que estava já era de ficar preocupada. Tinha de contar com a ajuda de algumas pessoas para que o andamento das coreografias de Amy perdesse elementos importantes.
Chegar na escola para fazer ensaio e não encontrar o seu par era desesperador demais. Por mais que pudesse colaborar com a execução das outras duplas, Amy sentia que ficava para trás. Quando ouvia a vinheta ser trocada por outra seu coração se despedaçava. Não era justo que ela fosse prejudica.
Alguém via a situação com maldade.
— Cadê o seu parceiro? — Indagou Bryana.
— Não estou pra você, Bryana.
— Nossa! Quanta grosseria. Só estava querendo ajudar.
— Sua ajuda não é a que eu mais desejo nesse momento.
Bryana sorria vitoriosa.
— Tomara que ele não apareça e a sua dança se torne um fiasco. Quem sabe assim você deixa esse lugar.
A vontade de Amy era de arrancar os cabelos de Bryana naquele exato momento. Não era fácil ter que agüentar tudo. Pediria para Margareth trocar a música, pois assim conseguiria fazer um solo. Aguardaria apenas mais alguns dias antes de tomar a decisão. Tentaria dar um voto de confiança Patrick poderia surgir das cinzas em algum momento. Seria a saída mais fácil no momento.
Dias e mais dias se passaram e ninguém tinha noticias de Patrick. Amy já não sabia mais se teria coragem de participar do festival, pois o seu par estava mais ausente do que tudo. Precisava ensaiar enquanto tinha tempo, mesmo que tivesse que fazer tudo sozinha. À principio, Margareth concordara com o fato de Amy mudar a música para facilitar a sua presença no festival, mas ainda assim queria que fosse com a música anterior.
Havia mais sentido com a escolha anterior, sonhara com alguns passos que foram colocados durante a coreografia e agora tudo parecia perdido. Não era desta forma que Margareth gostava de conduzir o seu trabalho. Infelizmente o festival estava saindo de seu controle. Quando foi que permitira que essa bagunça acontecesse?
Em pleno sábado a escola estava fechada para os alunos, exceto algum deles decidisse invadir o local. Assim seria melhor, pois ficaria em paz e despreocupada. Desde as sete horas da manhã, Amy estava se empenhando na coreografia nova. Tinha de deixar tudo preparado. Surpresas poderiam acontecer. Em meio ao desenvolvimento de alguns passos bem elaborados o celular da jovem começou a tocar. Odiava quando era interrompida.
— Amy, onde você está? Estou quase a meia hora te chamando na frente da sua casa.
— Não estou em casa.
— Onde você está?
— Na escola.
Não demorou para que Marcus logo aparecesse na escola entrando pelos portões dos fundos. Como é que ele conseguia sorrir enquanto ela estava um desastre?
— O que está fazendo sua doida? — Questionou ele com a voz afetada.
— Tentando ensaiar... Estou com medo de dar tudo errado, do Patrick abandonar tudo sem ao menos dar uma justificativa plausível.
— Só vi algumas vezes o ensaio de vocês, posso tentar te ajudar no que puder. Não garanto que sou o bailarino perfeito, mas...
— Mas?
— Sou tudo o que você precisa neste exato momento.
Ela sabia que não poderia recusar a ajuda de seu bom amigo. A forma como ele havia dito de fato a deixara constrangida. Já foi tirando a sua jaqueta preta enquanto ela estava boquiaberta com a situação em que havia ficado.
A música foi colocada no último volume. Marcus sabia que a coreografia começava um de costas para o outro. Sentia-se mais alto do que era. A música de verdade demorava alguns segundos até ser iniciada. A introdução mostrava um dos primeiros encontros do casal. Em seus olhares havia um brilho desconhecido. Não sabia se era pela música ou por quem estava ali. Na primeira nota do violão, Marcus teve de tocar o corpo de Amy como um verdadeiro amante. Bailaram como se o mundo fosse acabar naquele momento. O bater dos corações era descompassados, mas nunca perdiam o olhar entre eles. Cada giro, cada movimento realizado durante a coreografia mostrava o quanto o casal estava em sintonia, que o sentimento ali demonstrado era real e não apenas encenação.
Em nenhum momento ele se sentiu perdido. A conduziu de modo impecável, carregado de sentimento e profissionalismo que tanto Patrick deixou a desejar. Era diferente a sensação de poder ajudar quem tanto admirava.
Marcus e Amy estavam ofegantes ao termino da música. Seus rostos continuavam próximos. Suas mãos entrelaçadas que parecia não serem capazes de se soltarem. Ela notara o quanto seu coração estava acelerado e não apenas pelo ensaio realizado. Conhecia a sensação que a dominava ali por completo. Não iria permitir sentir nada por outra pessoa. Só se machucava. AMIGOS... Seriam apenas amigos.
— Obrigado... Por me ajudar.
Amy ia se afastar de Marcus quando ele a puxou ainda com mais força. Sua mão a tocava com vontade, com desejo. Já não havia como negar o que sentia. Ele decidiu brincar um pouco com os sentidos da jovem. Dava leves mordidas em seu pescoço. Tinha de brincar ou acabaria beijando-a descontroladamente.
— Marcus... Não... Para — Disse ela se afastando — O que deu em você?
— Me desculpa, estou deixando os meus sentimentos me conduzirem ultimamente. Me sinto tão perdido.
Ela afastou-se para guardar os seus pertences.
— Não confunda a nossa amizade com algo maior, Marcus. Não quero ter que perder um amigo tão especial. Você tem um relacionamento com a Bryana. Não machuque o coração dela.
Agora deveria ser o momento em que ele deveria lhe contar tudo sobre os seus sentimentos, mas ao contrário do que ele mesmo desejava começou a caminhar em direção à saída.
— Aonde vai? — Sua voz o atingia as costas. Respirou fundo e voltou a atenção para ela.
— Não sei... Só não quero te magoar ou te deixar confusa. Eu não estou feliz com a Bryana... — Contou ele de uma vez — E sabe por quê? Porque o meu coração bate apenas por outra pessoa. Essa moça é muito complicada, por um momento pensei que você pudesse me ajudar a tirá-la da cabeça.
Amy ouvia atentamente.
— Marcus, somos amigos. Poderia ter me contado antes, mas eu não sou o tipo de pessoa que quer saber de relacionamento. Só quero saber da minha arte no momento. Você sabe melhor do que ninguém o quanto fiquei aliviada por afastar o Patrick da minha vida.
— O erro foi meu em fazer essas brincadeiras acreditando que você se renderia. Não custava nada tentar.
Com a sobrancelha arqueada ela continuou.
— Infelizmente essa não é a primeira vez — Disse ela friamente.
— Não vai se repetir.
Não desejando sair dali, Marcus fez o que era certo, retirou-se sem se despedir. Foi ele quem cometeu o erro, mas não queria que ela se sentisse mal. Foi para casa. Tinha que esquecer Amy, como ela mesma disse, Bryana e ele tinham um relacionamento. Mas que tipo de relacionamento ele estava tendo se não havia cumplicidade e sinceridade entre eles?
**********
Já era o fim de tarde quando todos os amigos de Marcus apareceram na mansão para atender o seu chamado tão especial. Todos estavam bem felizes por sinal. Desconfiavam que aquela noite seria diferente.
— O que é que você quer? Quer um beijinho?
Brincavam todos.
— Preciso da companhia de vocês para irmos numa balada. Preciso esquecer algumas coisas que aconteceram entre Amy e eu.
— Mark, qual é? Vai pra balada só para se ferrar ainda mais. A Bryana vai ficar louca se descobrir. — Disse Gregory simplesmente.
— Tô nem ai. — Marcus deu de ombros — É bom que ela veja quem eu sou de verdade. Disse que seria diferente, mas não com ela. Todo esse nosso envolvimento é uma farsa. Vocês sabem. Estou cansado de conseguir ficar sozinho com a Amy e não conseguir falar o que sinto por ela. — Desabafava ele — O que mais eu tenho que fazer para que ela note que sou um babaca que a ama? Fui cafajeste anos atrás, passei alguns anos no exterior pra tentar melhorar, mas quando volto sou tomado pelo sentimento mais poderoso que existe no mundo.
Bruno balançava a cabeça como quem não quisesse acreditar no que acabou de ouvir.
— Essa garota te mudou completamente! Mas se você quiser, podemos falar para ela o que você sente. — Sugeriu Bruno animado.
— Não! Tenho que fazer isso sozinho... em algum momento.
A campainha tocara e no mesmo instante todos ficaram em silêncio ouvindo Evie atender a visita inesperada.
— Ainda bem que você veio... A casa está tranquila, Amy.
Porra! Ferrou tudo!” Pensou ele.
— Agora sorria como se não tivesse acontecido nada, Marcus — Recomendou Leonardo.
As jovens riam de um comentário maldoso feito por elas mesmas. Evie, sem saber o que tinha acontecido comentou que os rapazes estavam com Marcus na sala. Nada mais justo do que cumprimentá-los.
— Olá meninos.
— Oi — Responderam em uníssono.
Esperaram até que as garotas fossem para o quarto antes de comentarem qualquer coisa.
— Okay! Sou a favor de irmos para a noitada.
Dito isso se encaminharam para fora de casa. A noite era uma verdadeira criança.
**********
Na boate os rapazes cantavam e dançavam todas as músicas na intenção de tornarem aquela noite inesquecível. Depois de estarem mais enturmados foram sentar-se à mesa. Todas as luzes coloridas os deixavam extasiados. Várias moças praticamente se atiravam aos braços de Marcus, mas infelizmente ele não conseguia deixar de pensar em Amy. Poderia haver alguma saída. Procurava alguma que fosse loira, assim facilitaria as coisas. No bar, sentada com um vestido azul escuro, ela se insinuava para Marcus. Já sabia o que ela desejava.
Tentou manter uma conversava descontraída enquanto seus amigos apenas os observavam. Não demorou para que a moça se rendesse aos encantos de Marcus. Ele não queria saber de bebidas alcoólicas ao contrario dela.
As próximas horas resultaram em combinação muito louca de cerveja e tequila. A moça estava descontrolada, Marcus só queria ir para casa. E assim o fez, colocou a moça no carro e dirigiu de volta para a mansão. Rezava para que ninguém estivesse acordado, assim não precisaria responder as perguntas constrangedoras que fariam.
Já passava mais das três horas da manhã e Marcus ainda não havia chegado em casa. Evie já estava acostumada com essa atitude do irmão. A moça falava alto demais.
— Ai gatinho, não consigo mais me controlar — Disse a acompanhante de Marcus eufórica.
— Claro que aguenta.
Ao passarem pela porta da sala, notou que Evie e Amy os encaravam. Sua irmã não aprovava, mas não tinha como interferir. Marcus já tinha feito merda.
— A noite está boa, maninho? — Esbravejou Evie.
— Evie, hoje não.
— Hoje sim... — Amy a interrompeu.
— Deixa ele, amiga.
A fim de evitar qualquer discussão, Marcus levou a moça para o quarto de hospedes. Nada seria feito em seu quarto. Não mancharia a sua honra no quarto. Nunca levava nenhuma de suas conquistas amorosas para o seu espaço de descanso.
Evie começou a chorar desesperadamente. Parecia que o seu mundo havia acabado completamente. Não havia explicação para o que estava acontecendo. Era melhor que Amy não descobrisse a verdade ou poderia acabar com a amizade que se fortalecia com Evie.
— Juro que não consigo entender o que se passa na sua cabeça, Evie. Não precisa chorar só porque o seu irmão trouxe uma moça para casa. Antes uma desconhecida do que a louca da Bryana. — Murmurou Amy prestando atenção no seriado.
— O problema é outro. Não queria ver meu irmão se envolvendo com várias pessoas. Eu queria que uma velha amiga nossa fosse sua namorada. — Falou ela simplesmente.
— Não se preocupe, logo mais ele cai na realidade. Ele deve estar perdendo uma garota tão boa.
— A melhor.
Poucos minutos depois Evie já havia ido para o quarto. Estava cansada enquanto Amy continuou vendo o seriado sozinha. Sozinha até começar a ouvir os passos que vinham da escada. Conhecia o peso daquelas passadas.
— Cadê a Evie? — Perguntou Marcus.
— Dormindo. Chorou, assistiu um pouco para esquecer a visita ilustre e foi pra cama.
Ao saber que a irmã havia chorado, ele se sentiu péssimo. Não queria magoar a irmã, mas estava se tornando difícil conquistar Amy, já não sabia mais o que fazer. Sentia-se perdido. Tudo o que fazia parecia levá-lo para um poço sem fundo.
— Cuidado com as coisas que faz para não deixar a sua irmã magoada. Ele te ama e quer te ver feliz. Ela me contou da sua velha amiga, do quanto deseja que vocês tenham um bom relacionamento. — Amy estava curiosa. Queria ajudar de alguma forma — O que falta para que ela saiba dos seus sentimentos por ela?
Ele sorriu de canto.
— Não é um segredo, Amy. Só não consigo contar a verdade quando estamos juntos. Perco as palavras quando estou com ela.
Uma ideia passou rapidamente em sua mente.
— Tudo bem, já que sou atriz tentarei te ajudar. Eu serei essa moça que você gosta e diga tudo o que sente. Ouvirei atentamente.
— Tem certeza?
— Confia.
Marcus tremia de nervosismo. Respirou fundo reunindo toda a coragem que existia em si. Seria um passo muito importante a ser dado, enfrentaria os seus medos.
— Antes de abrir o meu coração pra você quero que saiba o quanto te admiro por ser essa pessoa maravilhosa... — Ele procurava as palavras — Com tantas garotas no mundo fui logo me apaixonar por você, pela pessoa mais incrível, criativa, sensível, mas com um coração enorme. Começamos como amigos, mas algo aconteceu dentro de mim. Me pego pensando em você vinte e quatro horas por dia... No seu sorriso, no seu jeito de olhar para mim. Não queria me apaixonar, mas foi inevitável Amy... não sou bom com as palavras.
Amy ficou extasiada e num impulso segurou sua mão com força.
— Está se saindo bem, continue.
— Não gosto quando outras pessoas te olham. Eu te amo... Simples assim.
Os olhos dela brilhavam.
— Se eu fosse ela teria me rendido. Minha armadura teria caído completamente. Suas palavras me tocaram por tamanha sinceridade na voz e no seu olhar.
“É porque eu me declarei pra você” Pensou ele.
— Preciso descansar. —Disse ela subindo as escadas.
— Boa madrugada.
**********
Dias e dias foram se passando e tudo parecia estar sob controle na escola e na vida dos alunos. Ninguém reclamava à respeito de nada. Nem todos ficavam tão desesperados quanto Amy e Margareth, afinal todo o trabalho ficava sob as suas responsabilidades. Quem é que poderia imaginar o tanto de trabalho que ainda tinha de ser feito.
O dia estava agradável demais para ficar em casa. Pelo menos era assim que Bryana pensava. Jovem e bela ainda tinha muito o que aproveitar de sua vida. Não era fácil, mas já que tinha capacidade, iria investir. O dia pedia algo leve e colorido, já que a sua intenção era fazer uma breve visita aos Lancasters. Em sua mente torcia para que Evie não estivesse em casa, pois ela sempre a atrapalhava e mostrava o quão insatisfeita estava com a nova namorada do irmão.
Quanto mais pensava em ficar em casa, mais irritada ficava. Infelizmente ninguém a entenderia. Não deixava que as pessoas descobrissem como era sua vida além do que ela permitia. Bryana sempre foi muito reservada, exceto quando o assunto era rapazes. Só ai ela de mostrava quem era de verdade, mas sempre tinha algo a ser escondido.
Para aliviar todo o estresse do dia agitado que estava tendo em casa, Bryana resolvera ir até a casa de Marcus. Sentia que a sua tarde seria muito importante, afinal nada poderia atrapalhá-la. Dirigiu tranquilamente até o local desejado.
Marcus estava fazendo um relatório para seu pai junto com Evie. Pareciam tão concentrado. Nem mesmo a campainha foi o suficiente para tirá-los da concentração. A empregada da casa atendeu a porta e anunciou a jovem.
— Oi Marcus! — disse ela sedutora — Como você está meu querido?
Era estranho vê-la agir dessa forma. O que ela poderia estar aprontando?
— Oi, Bryana. Não a esperava por aqui. Posso te ajudar em algo?
— Podemos sair um pouco. Faz alguns dias que não temos um tempo só para nós dois.
Pensou em recusar o convite, mas sentiu um aperto ao ver que ela estava realmente precisando de um tempo longe de casa e de pessoas que a importunava. Entendia e respeitava. Estava certa em cobrar-lhe um pouco de atenção, afinal Amy passara a ocupar parte do seu dia. Sorrindo Marcus a direcionou para fora da casa. Seria bom passar um tempo com ela. Só não entendia o porquê dela estar usando uma segunda pele sendo que estava muito quente. Notou que estava um pouco mais magra do que era quando a conheceu. Seria uma nova dieta maluca na qual estava fazendo? Preferiu guardar esses pensamentos para si.
A levou para caminhar um pouco na praça, foram para o campinho. Prestavam atenção a tudo o que acontecia ao seu redor. Marcus se mostrava mais atencioso do que nunca. Estava preocupado com Bryana. Fazia muito calor e ela se recusava a tirar a segunda pele.
— Por que você não tira essa roupa. Está muito quente. —Murmurou Marcus incomodado.
Bryana revirou os olhos.
— Estou bem... Acho melhor eu ir para casa.
Bryana não se despediu de Marcus e o deixou boquiaberto. O que ele havia falado de errado? Não conseguia entender a cabeça das mulheres. Já que ficou sozinho decidiu voltar para casa. Havia muito trabalho a ser feito.
**********
Horas depois Bryana novamente estava em casa cuidando dos seus deveres. A mãe de Bryana se aproximou despreocupada e segura de si. Não gostava de ser surpreendida.
— Como foi o dia com o seu namorado? — quis saber Sandy.
— Normal, mãe.
— Você tem que continuar emagrecendo ou nenhum rapaz irá te querer.
Bryana revirava os olhos. Já estava cansada de ouvir sua mãe falar sobre perfeição. Não era nada saudável forçar o vomito depois das refeições. Às vezes ela só queria ter uma família normal como a de qualquer outra garota. Sempre que se olhava no espelho, se sentia especial e bonita, mas logo vinha sua mãe e a fazia mudar de opinião.
Sandy sempre tivera um vasto histórico a respeito de competições e prêmios que ganhara ao longo de sua carreira artística. Não era fácil ter uma mãe tão influente. Conhecia pessoas importantes, renomadas e para elas era um “exemplo” a ser seguido. Jamais que a sua filha se tornaria uma perdedora diante de qualquer outra pessoa. Nascera para ser uma verdadeira ganhadora.
— Não se preocupe minha mãe. Farei tudo o que for necessário para agradar o Marcus. Tenho que ser perfeita.
Sandy sorriu vitoriosa. A vida de Bryana lhe pertencia. Não iria permitir que a sua filha cometesse o mesmo erro que ela quando era mais nova.
**********
A noite estava tranquila na casa dos Jones. O ambiente estava mais leve, mais gostoso. Há tempos que Amy não se sentia bem em casa, mas naquela noite não queria saber de nada, exceto ficar em casa. Já tinha muitos compromissos ao longo do dia e em algum momento era necessário que parasse e dedicasse um tempo para si. Havia apenas o som da televisão ligada em uma programação qualquer, um copo de chá gelado com gotas descendo ao redor e o silêncio que tanto admiravam.
Ingrid e Amy estavam começando a ter uma relação mais saudável. Ainda não se sentiam seguras para falarem à respeito de seus sentimentos ou o que quer que fosse.
— Onde o Bernard está? — Perguntou Amy quebrando o silêncio sem tirar a atenção do livro.
— Não sei, desde cedo está fora de casa. Não precisa se preocupar.
Ela deu de ombros e prosseguiu com a leitura. Bernard não era sua preocupação e sim o que ele poderia fazer. Sabia como era o seu comportamento depois que passava o dia fora de casa. Mesmo que sua mãe havia lhe pedido para não se preocupar, era impossível para Amy controlar esse sentimento. Na última vez sua mãe havia apanhado do cafajeste. O mesmo erro não poderia ser cometido novamente.
O barulho da porta batendo com força as arrancou de duas atividades.O andar desajustado e pesado denunciava que Bernard estava bêbado. Passou por elas sem dizer nada. Não gostou de ver que a relação entre mãe e filha estava indo bem. Ficou alguns minutos na cozinha e o barulho de pratos e copos foi grande. Bernard saiu da cozinha furioso. Faltava algo para que ele.
— Sua vagabunda! — gritava Bernard furioso — O que você fez o dia todo?
Amy nunca vira sua mãe ficar tão assustada com a forma que Bernard lhe dirigia.
— Quem você pensa que é para sair ofendendo a minha mãe? — vociferava Amy — Não foi assim que a sua mãe te ensinou a tratar uma mulher.
Ele a olhou com irônia.
— Resolveu defender a mamãe? Já é tarde, querida. Durante esses anos você se mostrou uma filha ingrata e fria, recusou a atenção que ela queria lhe dar. — murmurou ele.
— Não Bernard. Nunca fui ingrata ao contrário sempre me preocupei com ela, mas você é um filho da mãe que nunca enxergou o que estava à sua frente.
A garota apenas sentia o seu rosto arder. Infelizmente levara mais um tapa de Bernard, mas não ficaria por aquilo. O fim dele estaria mais perto do que previa.
— E você? — virou a atenção para Ingrid que permanecia calada — Imunda, desgraçada. Por que é que eu ainda insisto em ficar nessa casa? Você nunca foi mulher o suficiente para mim.
Deu-lhe um tapa violento que a deixou desnorteada. Amy não sabia o que fazer, mas Bernard não continuaria a bater em sua mãe. Ele se retirou e não voltou mais para perturbá-las.
— Mãe, eu sinto muito. — sussurrou Amy com as lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Está tudo bem...
**********
No dia seguinte Amy não sentia vontade de ir para a escola. Não podia deixar a sua mãe sozinha com Bernard. Ele lhe fizera muito mal na noite anterior. A ofendeu com as palavras mais frias e sujas que conhecia. Tinha de dar todo o suporte para ela. Infelizmente Ingrid não conseguira dormir com Bernard lhe falando barbaridades ao longo da noite.
Amy ao ir para a cozinha preparar o café da manhã estranhou ao ver sua mãe sentada estática olhando para o vazio.
— Mãe? — sussurrou Amy ao tocar-lhe o ombro.
— Oi filha, me desculpa. Estou tão perdida no tempo. Não consegui a noite toda. — disse ela simplesmente — Estou tão cansada.
— Descansa um pouco enquanto o Bernard não está. — recomendou a filha.
— Tenho medo que ele faça algo de ruim. — contou a mulher cobrindo o rosto com as mãos.
— Confia em mim, pode descansar.
— E a escola?
— Não me sinto bem te deixando aqui. É o mínimo que posso fazer.
Pega de surpresa, Ingrid deu um abraço caloroso em forma de agradecimento. Sentia-se péssima por fazer sua filha sofrer através de suas atitudes e palavras. Amy tinha um coração puro e não guardava rancor. Só agora notara o quanto o amor de sua filha era tão importante. Ninguém mais importava a não ser ela. Ouvindo o conselho da filha, Ingrid se retirou e foi para o quarto. Seu corpo e mente precisava de descanso.
**********
O ensaio foi marcado para o começo da tarde, pois Margareth tinha um compromisso inadiável para a noite. Todos os seus casais estavam aguardando apenas o momento para deixar a música dominar o ambiente e tornar tudo mais leve. Já era o segundo dia consecutivo que Amy não comparecia e não dava sinal de vida nas redes sociais. Algo tinha que estar errado.
Demetria, Helena e Marcus já não sabiam mais o que fazer. Sentiam-se angustiados. Como é que Amy tinha a loucura de faltar nos ensaios? O festival estava se aproximando, não teriam como adiar mais.
— Alguém tem noticias da Amy? Precisava ensaiar a coreografia dela. — Murmurou Marcus depois de tanto esperar pela chegada da colega.
— Estranho, ela nunca foi de faltar. — Murmurou Helena — Algo deve ter acontecido.
Marcus começou a pensar que poderia ter algo relacionado com a sua aproximação invasiva no último ensaio. Já não sabia mais o que fazer, onde encontrar Amy. Não era tão difícil perdê-la de vista.
— Como é que ninguém sabe onde a Amy está? — Indagava Marcus desesperado — Como uma garota pode sumir sem deixar pistas? Demetria já tentou o celular dela?
— Tentei tudo, mas foi em vão.
Uma intuição tomava conta de Marcus, sabia que faltava algum lugar para que fosse vasculhado. Onde mais Amy poderia ter se metido? Tinha de haver um lugar que servisse como o seu refugio, sua válvula de escape. Como um maluco sem direção, Marcus retirou o carro da mansão. Suas esperanças ainda estavam vivas e em algum momento teria as respostas que tanto desejava.
A escuridão que se instalava na escola era de dar arrepios, mas o bater do seu coração denunciava que o medo não faria parte daquele momento. Havia um objetivo.
— Amy? — Chamava a voz na escuridão.
— O que é? — Perguntou ela irritada.
— Está tudo bem? Precisa de alguma ajuda com a coreografia?
Ela respirou fundo. Sentia todo o seu corpo doer diante do esforço que fizera.
— Preciso! As faltas do Patrick estão me prejudicando bastante.
Marcus andou pela sala espelhada para guardar a sua mochila. Caminhou mais um pouco para acender as luzes, precisavam da sala bem iluminada.
— Não acenda, por favor! — Pediu Amy num sussurro.
Marcus se espantara com o que vira. Não conseguia acreditar no que seus olhos viam. Se aproximou rapidamente ao ver que Amy tentava se esconder.
— Quem fez isso com você? — Perguntou Marcus preocupado tocando levemente o rosto dela.
— Podemos ensaiar? Por favor — Implorava Amy segurando-lhe sua mão. Ela não queria falar do lhe acontecera. Não se sentia bem em fazer tal coisa.
— Não vamos ensaiar enquanto não me disser... Eu quero te ajudar. Confie em mim.
Os lábios de Amy se entreabriram na tentativa de aliviar toda a dor. Não saiu uma única palavra que pudesse ajudá-la. Tinha alguém em que confiava bem diante de si, mas precisava ser corajosa.
— Estou ficando preocupado com você! Preciso saber o que aconteceu Amy. Permita que eu te ajude.
— Estou bem, Marcus! Consigo ensaiar sem problemas. — Tentara se levantar com muito esforço, mas não fora o suficiente para sair dali.
Marcus já não sabia o que fazer para arrancar a verdade daquela garota. Em seu olhar notava o quanto ela se controlava para não colocar toda a sua dor para fora. Marcus queria esperar e respeitar o momento, mas ela estava machucada e queria ajudar enquanto ainda lhe restava tempo. Em seu coração Marcus tinha a esperança de que logo Amy lhe contaria tudo.
A respiração de Amy estava cada vez mais pesada. Suas lágrimas rolavam sob o seu rosto machucado. Os soluços se tornavam intensos.
— Foi o meu padrasto... — Começou ela — Ele chegou em casa bêbado. Quebrou um monte de coisas lá em casa, bateu na minha mãe por ela não fazer o que ele queria e acabou por... — Doía lembrar as cenas de tortura que vivenciara.
— Calma, respira fundo. Tenho o tempo todo para te ouvir.
— Ele tentou abusar de mim. Quando ele entrou no meu quarto furioso com aquele olhar de desejo imundo para comigo fiquei assustada. Mesmo que nós nunca nos demos bem, ele nunca chegou a ir tão longe. Recebi um soco no rosto que me deixou desnorteada por um tempo, só conseguia ouvir os gritos da minha mãe pedindo para que ele não fizesse nada. Enquanto estava ali no chão tentando encontrar forças ele bateu ainda mais nela quase esquecendo que eu estava ali. Mas ao ver que eu estava de pé novamente um soco e um chute nas minhas costelas me derrubaram com força no chão, estilhaços de vidro espalhados no chão entraram com força contra a minha pele. Reuni o pouco da força que ainda restava e lutei para me levantar, peguei um dos vasos mais pesados que tinha e taquei nele. Com a embriaguez pesada Bernard ficou desacordado. O tempo suficiente para que minha mãe e eu saíssemos de casa.
Marcus se controlava diante da revelação.
— Precisa denunciar esse cara, Amy. Ele não pode sair por ai. Ele oferece riscos. Vou te levar para a minha casa. Precisa cuidar desses ferimentos.
— Não precisa se preocupar comigo, Marcus. Posso me virar sozinha.
Ele sorriu levemente.
— Amy, você vai ser cuidada pela minha família, querendo ou não. Não sabemos o que o Bernard pode querer aprontar novamente com você. — Disse ele levantando-se estendendo-lhe a mão. Notou que ela hesitou, mas tinha que confiar nele — Vai tudo ficar bem, Amy. Eu prometo.
— Não conte para ninguém o que aconteceu, falarei com a Margareth que irei ensaiar de noite. Apenas ela merece saber a verdade.
— Como quiser.
Marcus a guiou até o carro do lado de fora da escola. A ajudara a colocar a mochila no banco de trás do carro. Era triste ver como aquela que fazia o seu dia brilhar estava frágil. Não era dessa forma que ele gostava de vê-la. Seu sorriso sempre o animava, transformava tudo, mas agora ela precisava do seu apoio e faria tudo para que Amy se sentisse bem.
Depois de verificar se ela estava bem com o cinto de segurança, Marcus assumiu o seu lugar no carro. Com o olhar perdido na estrada, a jovem se perguntava como sua mãe poderia estar, não queria que ela continuasse sofrendo nas mãos de Bernard. Pela primeira vez em anos vira o quanto a sua atitude havia mudado. Não esperava que ela pudesse se colocar entre o “marido” e a filha.
Todo o cuidado necessário era exercido por Marcus. Enquanto dirigia para a mansão, notara que ela chorara baixinho como quem estivesse com medo de demonstrar a dor que sentia, da preocupação que a cercava. Se sua família não tivesse sido destruída nada daquilo estaria acontecendo. Não demorou para que adentrasse a grande entrada principal que os levariam até a casa principal.
O silêncio entre eles reinava e era respeitado.
Ao passar pela grande porta da sala, Evie que estava ocupada fazendo os trabalhos do colégio ficou chocada com o que vira. Passara por sua mente que talvez Bryana pudesse estar envolvida com o estado de sua amiga.
— Amiga! — Exclamou Evie com medo de abraçar e machucar ainda mais Amy.
— Evie, que bom te ver.
— O que aconteceu pra ela estar desse jeito?
— É uma longa história, Evie. Agora chame a mamãe e traga o kit de primeiros socorros.
Evie saira correndo à procura de sua mãe. Não demorou para que a mulher acompanhasse sua filha já com o kit de primeiro socorros em mãos. Estella ficou chocada ao ver o estado em que Amy se encontrava. Não perguntaria nada até que eles mesmos desejassem lhe contar a verdade.
Estella era cuidadosa ao limpar os poucos cortes que tinham no rosto de Amy. Marcus ficara ao seu lado segurando sua mão. Aquele gesto fez o coração de sua mãe se encher de alegria e ternura. Sabia o quanto aquela garota era importante na vida de seu filho.
— Vou ao meu quarto pegar alguns hidratantes. Marcus cuide bem dela enquanto estarei ausente.
Amy permanecera calada até aquele momento. Marcus fora quem tivera de contar o ocorrido aos seus pais. A jovem lutava para não chorar ainda mais.
— Desculpa por dar tanto trabalho. Se eu pudesse estaria na minha casa.
Marcus tocou o seu rosto levemente obrigando-a a olhar em seus olhos azuis.
— Não pense assim. Você não está dando trabalho. Meus pais não são loucos de deixar uma garota sozinha em casa correndo o risco de ser estuprada pelo padrasto.
Ela o abraçara. Estar com as pessoas daquela família lhe trazia segurança e conforto.
— Obrigado por me ajudar tanto. Nunca esquecerei do que está fazendo por mim Marcus. Sempre terei uma divida com você. Talvez nunca possa pagar.
— Só em saber que você está aqui já é o suficiente para que o meu coração se acalme. Não existe divida entre nós, minha querida.
Logo Estella retornou trazendo alguns frascos com os hidratantes que ela usava para quando se machucava nas aulas de tênis.
— Mãe, deixa a Amy dormir no quarto comigo. Eu vou cuidar dela. Minha amiga não pode ficar sozinha no quarto de hospedes. — Pedia Evie.
— Tudo bem pra você, Amy? — Questionou Estella.
— Perfeito. A Evie é uma ótima companhia.
— Antes de tudo a Amy precisa tomar um banho para relaxar. Um banho morno a fará se sentir melhor.
— Agradeço por tudo, Estella. Você me trata como uma filha. Seria bom receber esse carinho da minha mãe, pelo menos uma vez.
— Sua mãe te ama, só não gosta de demonstrar, minha querida.
Amy abraçou a mulher. Sentia o cheiro do seu perfume adocicado. Um anjo materno em sua vida. Só tinha a agradecer a cada uma das pessoas que a ajudava a todo o momento. Afastaram-se e Estela fora até closet pegar algo.
Estella dera uma roupa mais confortável para Amy e mostrou-lhe a direção do banheiro. Precisava relaxar antes de o remédio fazer o seu efeito por completo. Olhava para seu filho e notava o quanto havia mudado desde que entrara na escola de artes cênicas. Tornara-se mais responsável, mais presente na vida das pessoas. O orgulho que sentia como mãe era imenso. O amadurecimento de Marcus chegou antes do que ela acreditava ser capaz. Só não gostava muito da jovem com quem ele estava se relacionando. Não havia o ar de simplicidade que Amy possuía.
Depois de estar devidamente pronta para uma noite de descanso, Evie acompanhou sua amiga até seu quarto. Durante alguns minutos conversaram sobre tudo e sobre nada. Evie não queria saber dos detalhes do acontecimento, respeitaria o silêncio da jovem. Era assim que a confiança se manteria intacta. Quem antes fala com clareza logo foi lutando contra a vontade de fechar os olhos, mas então já não havia como continuar insistindo em algo impossível.
Evie notou o quanto a respiração de Amy estava entrecortada, mas finalmente poderia descansar e dormir sem preocupar-se com Bernard andando pela casa. Marcus adentrou o quarto sem fazer barulho.
— Marcus sai do meu quarto. Já disse que eu vou cuidar da sua amiga — Evie pigarreou — Da nossa amiga.
— O remédio está fazendo efeito, a respiração dela está ficando cada vez mais leve. — Notou ele enquanto passava a mãos delicadamente pelo rosto dela. — Ela é uma guerreira! Lutou pela própria vida.
Evie apenas observava o irmão sendo cuidadoso.
— Ela é uma guerreira, sim. — Um breve silêncio se formou entre eles. Evie não queria quebrar o encanto de seu irmão — Marcus?
Evie o fez lhe dar atenção.
— Por que você não termina o namoro com a Bryana? Vai esperar que mais atrocidades aconteçam com a Amy para finalmente abrir o seu coração? Está na hora de alguém fazê-la feliz. Eu quero que seja você, meu irmão.
— Preciso tomar a decisão com calma, Evie.
— Detestaria vê-la com outra pessoa que não seja você.
— Só tente ser paciente. No final tudo vai se resolver. — Disse ele esperançoso.
— Eu espero que sim, Mark. A Bryana merece alguém que goste dela como ela é. Desde o primeiro dia de aula, você sempre me conta como se sente quando vê a Amy dançando, atuando ou simplesmente conversando. Não sei como descrever essa amizade que cresceu e se fortaleceu entre vocês, mas sei que é especial demais. Ou a Amy seja a minha cunhada daqui a alguns anos ou simplesmente mude de opção sexual.
Ele riu baixo.
— Isso é uma ameaça?
Ela ergueu a sobrancelha desafiadora.
— O que você acha?
— Trato feito.
— Agora é sério, sai do meu quarto. Preciso descansar um pouco.
— Acho que todos nós precisamos.
Dito isso Marcus despediu-se de sua irmã e foi para o seu quarto. A sensação de ter Amy em sua casa. Poderia cuidar cada vez mais dela como sempre imaginou. Poderia mantê-la em seus braços sem que as pessoas pudessem repreendê-lo. Tinha de encontrar coragem para contar-lhe sobre o que sentia.
**********
Marcus não conseguira dormir a noite toda. Quando pensava que estava embarcando no sono profundo, a dúvida surgia o atormentava por horas. Ora sentia vontade de ir até o quarto de sua irmã, só para certificar-se de que Amy estava bem e segura.
Um novo da começava e em sua mente brilhante, Marcus planejava um dia bem divertido. Depois de tomar café com sua família, retornou para o quarto e ligou para os seus amigos. Evie sempre aceitava participar de todas as ideias malucas do irmão. Sentia-se importante em ajudá-lo, principalmente se o motivasse a falar sobre os seus sentimentos para Amy.
Depois de tudo organizados pelos empregados da casa, Marcus deu o resto do dia livre para eles. Seria responsável para deixar tudo organizado quando os amigos fossem para suas respectivas casas.
— Vem Amy! Aproveita essa tarde ensolarada comigo. Um dia na piscina a fará se sentir melhor. — Chamava Evie apontando para a cadeira livre — Não precisa ter medo, os meninos não vão falar nada.
Marcus se aproximara tocando sem seu ombro.
— Amy, não precisa se preocupar, o Bruno e o Gregory são confiáveis. Eles gostam muito de você.
— Obrigado, só não sabia mesmo como lidar com a primeira impressão que causaria neles. — Disse ela cautelosa.
Marcus tocou em seu rosto como um verdadeiro amante à espera de um beijo surpreendente.
— Assim como eu, eles nunca esqueceram da primeira vez em que te viram. Todos nós ficamos incrédulos com o seu talento, com a perfeição em que se movimentava pela sala. Nos sentimos motivados a continuar com o nosso projeto, jamais que ele falariam do seu estado. Sabem te respeitar acima de tudo.
— Ah Marcus... — Ela o abraçou com vontade como nunca abraçou qualquer outra pessoa.
Não viram quando os rapazes se aproximaram.
— Que cena mais melosa. — Murmurou Gregory — Vão para um quarto.
— Até parece que a minha amiga vai querer o meu irmão.
Amy ria.
— Ainda estou aqui, meus queridos. Escuto tudo o que estão falando.
— Desculpa. — Disseram em uníssono.
Bruno fez sinal para que deixassem as meninas à vontade. Logo depois chegaria mais alguns amigos que nem Evie nem seus pais conheciam direito. Logo a casa ficou ainda mais animada, com muita conversa e música agradável. Em determinados momentos, Marcus se perdia olhando para Amy. Gostava de vê-la bem e interagindo. Evie não queria deixar a amiga sozinha por um único momento tanto que pediu para que a acompanhasse até a cozinha. Iria preparar um lanche e ia depois até o quarto, pois precisava dar um retoque no visual. Afinal um dos amigos de seu irmão não parava de observá-la com atenção e admiração.
Alguns amigos de Marcus pediram para que ele pegasse mais refrigerante. Ficou surpreso ao ver Amy sentada na bancada lendo concentrada. Aproximou-se abraçando-a levemente. Ele não percebeu que desta vez o seu abraço causara um arrepio repentino na jovem.
— Cadê a malvada da minha irmã que te abandonou?
— Está ocupada. Precisou me deixar sozinha.
— Ela te adora, Amy. Minha irmã quer roubar a minha amiga. Como está se sentindo?
— Bem melhor. O carinho da sua família me faz bem.
— Só o da minha família? — Indagou ele curioso.
A área era de risco. Amy sabia muito bem. Olhava atentamente as suas expressões. Ele estava ansioso pela resposta. No fundo sabia que poderia ser positiva apenas notando o brilho no olhar da mesma.
— O seu também Marcus. Não sei o que seria de mim sem o seu apoio e carinho. Obrigado anjo.
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