A Nossa Historia
23 Capítulo 23
Desde a sua última visita à casa de Marcus a vida de Bryana virou uma loucura total. Bryana já estava cansada de procurar Marcus e ele nunca estar disponível para ela. Não era justo, afinal fazia tudo o que ele queria, agradava-o da melhor maneira que podia. Ele era um ingrato, isso sim. Ficava furiosa por saber que Evie sempre lhe falava que Marcus havia saído com Amy para os lugares. Não era justo ser a namorada dele e ser tratada como a segunda opção.
Marcus não conseguia entender o que se passava com Bryana. Em certos momentos ela parecia estar bem, mas depois começava a passar mal e tinha de ir para casa. A sua mudança de humor repentina o assustava. Ela estava se tornando um verdadeiro mistério. Preferia evitar alguns dos encontros, pois temia que a sua mente o confundisse cada vez mais.
Para a sua sorte, os ensaios lhe serviam como válvula de escape para todos os problemas. Aprendera a amar aquele mundo fantástico, todas as aulas e ensaios que tivera lhe serviriam para eventos futuros. Ainda tinha de montar o roteiro para o filme que o levou até aquela escola.
Poderia escolher entre Constantin Stanislavski e Bertold Brecht. Gostava muito da forma como Margareth lhe explicara sobre o método de cada um deles. O que mais apreciou logo de cara era o de Stanislavski. O método de Stanislavski é a emoção especifica do personagem onde o ator deve buscar, por todos os meios, sentir as emoções como o personagem sente. Lembrava-se claramente de uma das citações que Margareth fizera à respeito de Stanislavski.
“Todos os nossos atos, mesmo os mais simples, aqueles que estamos acostumados em nosso cotidiano, são desligados quando surgimos na ribalta, diante de uma platéia de mil pessoas. Isso é porque é necessário se corrigir e aprender novamente a andar, sentar ou deitar. É necessário a autoreeducação para, no palco, olhar e ver, escutar e ouvir”
**********
Margareth havia dado uma pausa no ensaio. Estavam todos cansados e logo mais fariam a última passagem para os acertos finais. Todos os outros alunos conseguiam notar o quão preocupado Marcus estava. Precisava falar com alguém antes que acabasse pirando. Aproximou-se de Amy que estava sentada no chão da sala recompondo-se.
— Amy, tem um minuto? — quis saber Marcus agitado.
— O que aconteceu? — indagou ela preocupada. Nunca o vira assim.
— Você já viu os cortes que tem no pulso da Bryana?
— Cortes? Que tipo de cortes?
— Não sei Amy. Não faço a mínima ideia do que possa ser. Nenhuma garota faria se não fosse algo tão sério. Não gosto de pensar que ela possa estar fazendo algo para chamar atenção. — Marcus passava a mão pelo cabelo preocupado.
— Marcus, eu sei que ela não gosta de mim, mas se puder descobrir do que se trata ficarei feliz em ajudar. Nunca desejei o mal para ela. Sei que de alguma um dia poderei ajudá-la.
— Ajudarei sim. Espero que ela colabore.
Depois da aula, Marcus decidiu levar Bryana até o parque. Naquele momento muitas famílias estariam se divertindo e relaxando. Caminhavam em silêncio. Notava o quanto ela mexia nas mãos com frequência e sempre com uma segunda pele de mangas compridas.
Já não poderia mais evitar a conversa, tentaria saber um pouco mais sobre os seus pais, familiares, só assim se sentiria confortável para tocar no assunto.
— Você nunca me falou sobre a sua mãe, Bryana. — lembrou ele tentando chegar no assunto que tanto desejava.
Ela sorriu nervosa. Não se sentia bem falando sobre sua mãe para as outras pessoas. Nunca era um assunto fácil de lidar.
— Nunca falei porque não achei necessário.
— Quero saber um pouco mais sobre ela. Quem sabe assim me sinto à vontade para visitá-la algum dia.
— Por que essa vontade de querer falar sobre a minha mãe, Marcus?
— Sempre conto sobre a minha família quando me pergunta, só fiquei curioso. É normal.
Ele lhe deu um beijo que não foi possível resistir.
— Tudo bem... Minha mãe foi uma modelo que veio ao fracasso depois que descobriu que estava grávida. Seu corpo nunca mais foi o mesmo. Sentia-se culpada por não recuperar as medidas de antes. — ela se esforçava para lembrar com mais detalhes toda a história que sua mãe sempre insistia em lhe contar — Poucos trabalhos lhe foram oferecidos depois da gravidez. — seus olhos se enchiam de lágrimas — Era a mais linda de todas as modelos, mas todo o sonho logo foi se desfazendo.
— O que aconteceu? — questionou ele.
— A depressão tomou conta, não saía de casa. Os remédios cada vez mais fortes e a nossa relação cada vez mais fria. — com o olhar perdido ela continuou — Sempre me diz o quanto eu tenho que ser perfeita e magra. Ela é rigorosa comigo.
— Isso tem haver com os cortes que vi no seu pulso? — Indagou Marcus.
— Um pouco. Passei um tempo na clinica de reabilitação, mas nos últimos meses tem sido tão difícil, não consigo evitar. Há uma pressão muito grande em ser perfeita, tenho de estar mais magra até a apresentação de encerramento do ano.
— Não mesmo, Bryana. Você tem de parar com isso ou irá acabar se matando. Você tem amigos que te adoram e querem te ajudar. Você irá se tratar.
Foi tudo o que Marcus disse antes de ir embora. As informações que coletara fora o suficiente para deixá-lo transtornado e confuso. Agora era a sua vez de ajudar quem mais precisava.
**********
Um novo dia começava. Todas as preocupações estavam sendo deixadas de lado. O que era bom. Era o dia em que as suas vidas voltariam a ser mais tranquilas. Seria apenas uma aula reflexiva e nada mais. Logo poderiam apenas se preocupar em deixar os figurinos prontos para o grande evento. Todos os alunos já estavam ocupando os seus lugares de costume.
— Bom dia turma! — cumprimentava Margareth animada — Antes de começar a nossa aula de hoje quero compartilhar pensamentos de artistas de uma companhia teatral. Todos nós sabemos que encontramos muitas dificuldades no ramo artístico e que muitas vezes grupos iniciantes não são tão valorizados quanto todos desejamos, mas pesquisei um pouco mais a fundo sobre algumas companhias teatrais ao redor do mundo e essa me chamou a atenção. O currículo deles é bem vasto. Cada projeto é realizado com amor, dedicação, parceria e muita positividade.
— Qual companhia é essa, Margareth? — Perguntou Amy curiosa.
— A companhia teatral Os Hermenêuticos. É do Brasil.
— Uma companhia brasileira? Isso deve ser interessante demais. — Começou Amy — Gosto de saber um pouco da cultura de outros países, mas a do Brasil é de longe a que mais admiro. A diversidade entre eles é grande demais. Inspirador na verdade.
Margareth entregava folhas e mais folhas para cada um de seus alunos. Nelas continham mais informações a respeito da formação da companhia, quem eram os membros e as funções que exerciam. Era incrível a quantidade de trabalhos realizados.
— Para começarmos bem a nossa aula de hoje lerei um depoimento assim escolherei alguns alunos para também lerem. — Margareth sentou-se de frente para a turma. Todos estavam curiosos para conhecer a forma de pensar da companhia — Esse depoimento é do Eduardo Dias. “Ser artista é criar o novo, imaginar e agir. Esta é a palavra AÇÃO. As pessoas possuem um turbilhão de idéias, vontade e sonhos. Mas o artista é o ser sem medo, transformador e inovador que move a histórica cultura de qualquer sociedade. Corajoso que luta sem conhecer seu oponente, que realiza suas vontades e que não para de sonhar por ser do sonho a composição primordial e vital de sua vida.”
— Quem vai ler o próximo? — indagou Margareth escolhendo atenciosamente sua próxima vitima — É o da Ângela Maria. Demetria?
Ela assentiu concordando.
— “Pra mim, ser artista é complicado! Não é a coisa mais fácil do mundo chegar no palco e simplesmente! E fazer bonito! Nada na vida é fácil, ou vem de graça. Exige preparo, estudo e principalmente dedicação. A gente se doa, pelo nosso grupo, pelo espetáculo, e pelo público que irá assistir. Muita gente acha que é só conquistar o nosso espaço, e na verdade antes de encarar a realidade, eu também pensei muito assim... E não é não!
Ser reconhecido nesse mundão da arte é algo que não se consegue de um dia pro outro, e olha que eu já conheci muita gente que está no ramo a mais tempo que eu!
Se eu saio na rua, e digo que sou atriz, logo perguntam: Mas você é reconhecida? Já fez algum trabalho na televisão? Você ganha alguma coisa?
De todas as perguntas, a maioria recebe um “não” logo de cara. E se me perguntam se ganho algo, eu digo: Amor!
Porque ser artista é amar, amar a “profissão”, amar estar no palco, amar a arte, amar o teatro, amar se doar... Amar um personagem qualquer! Amar alguém que não tem nada a ver comigo. Porque eu amo colocar o figurino, e olhar pro personagem com afeto, dizer, nossa “Como essa fulana é bonita, fofa, meiga, carinhosa, lacradora, vingativa, poderosa”... seja o que for. Porque eu amo olhar as pessoas sentadas na platéia com os olhinhos cheios d’água, emocionados, curiosos, na adrenalina da história, totalmente concentrados no que está se passando, porque eu amo ver que alguém levou alguma mensagem dali, seja ela negativa ou positiva.
Porque o ator não é só ator, se ele está no horário nobre da globo. Se ele tem fãs, e é mundialmente conhecido. Se ele ganha salários caríssimos, e vive em eventos badalados, vigiados pela mídia.
A gente não recebe, não tem um salário fixo na conta bancária, muito menos sai de carro todos os dias, ou vive intensamente nas emissoras por aí. Mas nós somos atores por puro amor, nós nos sacrificamos por amor, e somos felizes mesmo com os 3,50 da condução no bolso, e apenas.
Ser artista, pra mim, se resume em uma palavra: AMOR!”
— Não imaginava que ser artista no Brasil pudesse mais complicado. — murmurou Helena — Achei incrível esse depoimento, afinal estamos correndo atrás dos nossos sonhos e saber que algumas pessoas fazem por amor, se torna gratificante. Elas pensam no bem que estão fazendo para as pessoas que vão apreciá-las em cima de um palco.
— Sim, esse mundo tão perfeito dos artistas exige muito amor. Não sei o que mudou a respeito dessa profissão para alguns de vocês, mas se um dia realmente desejarem seguir em frente, lembrem-se de tudo o que vivemos, do quanto foi bom o tempo que passamos juntos e do que ainda poderemos passar.
Pelo modo que Margareth falava todo mundo sabia que havia algo por trás. Existia tantas companhias espalhadas pelo mundo e ela escolhera logo uma brasileira. O que ela estaria tramando por trás de toda aquela conversa?
**********
O dia tão esperado havia chegado. Não eram necessários mais ensaios. Agora só lhes restavam a paciência e a concentração. Aos poucos cada um dos casais escolhidos foi chegando ao camarim, arrumaram o seu espaço para depois ser feita a maquiagem. Nenhum tipo de conversa era realizada entre os membros. Respeitavam o dia de evento.
Amy chegou apressada com Demetria, pois ainda precisavam ajudar Margareth com os últimos ajustes. Ao chegarem ao palco, as luzes estavam passando pelos ajustes necessários. Logo Margareth se juntou à meninas.
— Fico tão feliz que estejam aqui meninas. Estou ficando louca com tanta coisa para ser ajustada. — desabafou Margareth.
— Não precisa ficar assim. Juntos somos mais forte e está tudo lindo como sempre. O festival vai ser um sucesso. Tudo isso aqui mostra a sua paixão pela arte. — disse Demetria tentou tranquilizar a mulher.
— Alguma noticia do Patrick? — quis saber Amy.
— Consegui falar com ele de madrugada e disse que viria. Contou com todas as palavras que será homem o suficiente para assumir os seus compromissos. — disse Margareth esperançosa.
— Assim espero. — desejou Amy.
As garotas ajudaram Margareth a dar o toque final. Estava tudo perfeito. Quando o festival realmente começasse não haveria mais palavras para definir o que sentirão.
O silêncio no camarim reinava. Demetria e Amy perceberam que Bryana tentava ocultar os cortes com maquiagem. Logo ocuparam os seus lugares e começaram a cuidar da maquiagem e o cabelo. A magia começava a nascer logo nos primeiros traços a serem feitos em seus rostos. As cores que as iluminavam e traziam um ar de alegria. Sua maquiagem e cabelo estavam ficando impecáveis, do jeito que ela tanto gostava. Sorria para si mesma diante do espelho. Sentia-se orgulhosa do que via. Não via apenas uma garota, mas sim uma bela mulher que iria mexer com os sentidos de todos enquanto dançava.
Amy já estava devidamente vestida. Seu figurino era todo trabalhado no brilho. Era um body preto e branco que delineavam ainda mais as suas curvas. Meia arrastão branca que não iria aparecer quando todas as luzes se acendessem. Um verdadeiro encanto. Ela decidiu ficar nos corredores repassando alguns passos da coreografia. Já que ela iria fazer a abertura não poderia esquecer nada. Tinha que estar preparada para qualquer novidade.
Notou quando os rapazes passaram correndo em direção ao camarim para se trocarem. Pensaram que fosse alguma garota de outra escola. Por isso não deram tanta atenção.
— Olá bonitão!
Marcus parou subitamente ao reconhecer a voz.
— Amy? Como você está... — não havia como continuar.
— Linda, maravilhosa, estonteante... — ela se aproximou provocando-o tocando o seu peito — Sexy!
Ele estava ficando vermelho. Colocou a mão na cintura dela trazendo-a para mais perto de si. Não era justo ela fazer tal brincadeira. Estava ficando maluco.
— Sim Amy, você está maravilhosa, estonteante, linda e sexy. Se não fossemos amigos...
— Isso não impede de darmos uns beijos, passar a noite juntos como se o mundo fosse acabar amanhã — murmurou ela.
— Serio?
— Não — começou a rir afastando-se dele — Somos amigos, Marcus. Vai se preparar, daqui a pouco o show começa.
Margareth anunciou a primeira atração da noite. Sentia todo o seu corpo tremer de nervosismo e ansiedade. Era o grande momento pelo qual esperava.
A coreografia de abertura foi um verdadeiro sucesso. O público estava delirando com a performance de Amy. Assovios e elogios eram dirigidos a ela e a Margareth. As outras escolas participantes mostravam o quão profissional estavam sendo em relação ao festival. Não permitiam que houvesse nenhum tipo de conversa entre os alunos. Uma regra muito rígida era imposta. Alguns se sentiam ofendidos, mas só lhes restava obedecer.
Faltava apenas três coreografias a serem apresentadas.
— Amiga! — Exclamou Demetria animada — Daqui a pouco é a sua vez de se apresentar...
— Claro... — Respondeu Amy em desanimo — Minha vez.
— Pensei que estivesse animada com o festival.
Amy respirou fundo.
— Eu estaria se o meu par estivesse presente.
Demetria abriu a boca, mas não emitiu som algum. Como é que ela não fora capaz de perceber a ausência de Patrick.
— Fica calma, mas vou dar um jeito nisso. Pode confiar em mim.
Demetria já havia sumido por completo pelos bastidores. Por um único momento Amy desejou ter o poder de ler mentes. O que ela estaria aprontando? O que Demetria seria capaz de fazer para ajudá-la a realizar a apresentação?
A música anterior já havia acabado e o publico aplaudia com calor e amor. Gritavam sem parar, pediam por mais. O coração de Amy só faltava pular para fora de seu corpo, sua respiração já estava entrecortada pelo medo. Não lhe restava tanto tempo como imaginava, teria de assumir a coreografia solo e improvisar o quanto pudesse.
— Amy — chamava Demetria ofegante — Assuma a sua posição no placo e não mude nada. Encontrei a solução para o seu problema.
— O que você fez? — indagou Amy preocupada.
— Só faça como tudo foi ensaiado.
— Tomara que o Patrick não esqueça nada.
Demetria pensou em lhe contar toda a verdade sobre a solução que encontrara, mas acreditava que seria melhor que fosse uma surpresa. Uma surpresa agradável.
Ela respirou fundo antes de caminhar até o palco. Era hora de mostrar todo o seu esforço e determinação. Um silêncio até então desconhecido tomou conta do local, mostrava o quanto o público era respeitador. Era do jeito que Amy gostava de iniciar as suas coreografias, pois assim sentia o quanto os deixava empolgados de acordo com a evolução de sua dança.
As luzes do palco ficaram mais intensas. O azul e o vermelho predominavam o centro. Em seus perfeitos passos de bailarina, Amy circulava pelo espaço. O toque da primeira nota ela já estava de costas, não demorou para que seus dedos se entrelaçassem aos de seu parceiro.
— Eu juro que te mato, Patrick — disse ela entre dentes.
Ao ficar frente a frente com o seu parceiro o rosto da jovem se suavizou, iluminou-se completamente.
— Marcus?
— Oi princesa. — ele sorriu sinceramente. Um sorriso que ela nunca havia comtemplado.
Alguns movimentos foram sendo executados com maestria. Até parecia que não havia conversa entre eles.
— Por que está aqui?
— O show precisa continuar. Agora se concentre, baby.
Marcus a conduzia com elegância pelo palco. O toque de suas mãos no corpo de Amy era quente e urgente. Como se estivesse apenas eles ali. Ninguém que os observasse com os olhos cheios de entusiasmo, na expectativa do que poderia vir a seguir. A sintonia e a magia aconteciam quando estavam juntos. No palco todos os sonhos e vontades poderiam se tornar reais.
Ao fim de todas as apresentações todas as outras escolas e grupos participantes foram muito bem aplaudidos e foram convidados a realizarem outras apresentações naquele espaço. O teatro da escola Margareth Grahan sempre estaria aberta para novos talentos.
— O que acham de irem para a minha casa? Podemos relaxar um pouco. — sugeriu Gregory animado.
Todos o olharam cheio de dúvidas, mas aos poucos foram cedendo à proposta. Era mais que merecido.
— Isso meus amores, você precisam se divertir um pouco. Agradeço por tanta dedicação. — incentivou Margareth.
Aos poucos todos se despediram de Margareth e foram agrupados nos carros disponíveis. A animação tomava conta de todos eles. Cantavam músicas alegres para que a viagem se tornasse breve. A mansão toda iluminada chamava a atenção.
Todos estavam reunidos na beira da piscina. Gregory decidiu que seria legal ter os amigos em casa pelo menos uma noite. Principalmente depois de terem se esforçado tanto para que o festival fosse um sucesso. Essa fora a melhor ideia que tivera em anos, afinal olhar para a sua casa repleta de amigos era gratificante.
Trouxeram o violão para Marcus e sem se dar conta começou a dedilhar a música que não saía de sua cabeça. Ora observava Amy ora disfarçava. Quem sabe assim seria a melhor forma de chegar ao coração de Amy. Logo os olhares estavam direcionados a ele. Agradecia mentalmente a Evie por ter lhe apresentado a música “Obvious” da boyband “Westlife”.
“We started as friends
But something happened inside me
Now I'm reading into everything
There's no sign you really like me, baby
You don't ever notice when I'm turning on my charm
Or wonder why I'm always where you are
I've made it obvious
I done everything but sing it
I've crushed on you so long
But on and on you get me wrong
I'm not so good with words
And since you never noticed
The way that we belong
I'll say it in a love song
I've heard you talk about
(Heard you talk about)
How you want someone just like me
(Just like me)
Every time I ask you out
(Time I asked you out)
We never move pass friendly, no no”
— Que música linda! — exclamou Helena encantada — Serve como declaração de alguém muito apaixonado.
Marcus riu fraco. Sentia que iria explodir em algum momento de tanto que sentia sua pele esquentar. Sabia que Amy olhava em sua direção e que disfarçava toda vez que ele devolvia o olhar. Era difícil entender o que estava acontecendo entre eles
Gregory tinha tudo sob controle. Servia comes e bebes à vontade. Amy e Demetria não queriam chegar tarde em casa. Ficaram mais alguns minutos e depois começaram a se despedir de cada um deles. Marcus conseguiu encontrar a chance perfeita para sair dali. Não pela recepção do amigo, mas precisava que assim fosse.
— Obrigado por tudo Gregory. Precisava relaxar um pouco depois da apresentação. — despedia-se Amy — Depois nos falamos.
— Estava linda.
— Vamos? A Demetria não está aguentando ficar em pé de tanto cansaço. — brincou Marcus.
Caminharam até o carro tentando manter Demetria acordada. Parecia em vão. Durante o retorno para casa não houve conversas. Demetria se apagou depois de cinco minutos.
— Por que cantou aquela música? —indagou Amy curiosa.
— Era o que eu queria dizer para a minha garota. Ainda não consegui ter um momento com ela.
Ela riu por contragosto.
— Como você é lento. Tem que contar a ela tudo o que sente. Desse jeito fica parecendo uma menininha assustada. Sério, eu não pensava que você fosse assim.
— Para com isso, Amy. Estou ficando constrangido.
Nada mais disseram até que deixassem Demetria em casa. Infelizmente a casa de Amy não ficava tão longe. Era triste pensar no quanto a noite estava acabando para eles.
— Aqui é o seu destino final, minha princesa.
— Por que você sempre me dá um apelido fofo, Marcus? — Amy estava curiosa.
— Porque combina com você.
— Interessante essa sua teoria. Até segunda.
Ela se despediu com um beijo no rosto.
Marcus aguardou até que ela estivesse dentro de casa para finalmente dar partida em seu carro. Sentia-se mais leve ao conseguir cantar a música. Estava esperançoso que ela não esquecesse a letra e finalmente enxergasse qual era a sua intenção. A esperança ainda existia dentro dele e jamais desistiria.
***********
A casa estava um verdadeiro silêncio. Do jeito que ela gostava. Entrou no quarto de sua mãe para saber se algo de diferente havia acontecido com ela. Ingrid dormia profundamente. Desde os últimos acontecimentos Amy passara a prestar mais atenção em sua mãe. Certificava-se de que Bernard não tivera coragem de machucá-la. Era uma preocupação a menos.
Depois de tomar um banho e colocar uma roupa confortável, Amy ficou deitada por horas sem conseguir dormir. Não sabia decifrar o que estava acontecendo com ela. A música não saía de sua cabeça. Amy virava de um lado para o outro e não conseguia dormir. Pela primeira vez, Marcus conseguiu deixá-la atordoada. Ele não poderia povoar seus pensamentos. Não era o certo. Logo pegaria no sono e não se lembraria de mais nada.
Fale com o autor