A New Smile - A Nova Visão de uma História Antiga
1 A New Smile
Notas iniciais
Pov. Jessica:
Havia se passado um mês desde a morte do canalha, algumas coisas mudaram, Malcolm tem me ajudado com a parte prática do negócio de investigação enquanto Trish me ajudou financeiramente, com a promessa de que eu passaria a beber menos, e como uma mulher de palavra, eu estou...tentando, mas voltando a história...
Estava finalmente voltando de mais um caso idiota de um marido safado traindo a esposa com alguma ninfeta e tudo que mais queria era abrir a garrafa de uísque que estava no armário e beber até conseguir dormir sem me lembrar da cara daquele infeliz. Mas como sempre, a vida é uma fudida e notei que minha porta estava entreaberta, ainda que estivesse inteira.
E mais uma vez, a porta está aberta
Reclamei em meus pensamentos, já estava se tornando irritante Malcolm esquecer a porta destrancada ou aberta, pois entrava em desespero ou simplesmente estava cansado ou desatento demais para fechar ao sair ou entrar no meu apartamento.
-Malcolm — chamei empurrando a porta e entrando, deixando minha bolsa com minha garrafa térmica no chão. — ele não está, mandei ele passear — Ouvi em resposta, uma voz feminina — Queria uma conversa em particular, venha até mim, Jessica Jones
Novamente senti aquela sensação de quando Kilgrave me controlava, aquela impotência, minha força de vontade sendo empurrada para o canto de minha mente,"impossível...", era o que minha consciência gritava enquanto meus pés se moviam contra a minha vontade até o meu escritório.
-Codinome Investigações, é um tanto brega, mas eu gostei — Falou a garota de cabelos castanhos sentada na minha cadeira, ela sorriu ao me ver, um sorriso que naquele rosto adolescente parecia um tanto inocente, seus pés apoiados na mesa. — sente — se, temos contas a acertar
Obedeci, me sentindo totalmente enojada comigo mesma, era doloroso saber que quando eu tinha certeza que finalmente havia me livrado de qualquer tipo de controle, que tinha me tornado imune a essa habilidade tenebrosa, alguém era capaz de fazer o mesmo que Kilgrave.
-Qual o seu problema comigo? — ela riu e movimentou um pouco as mãos em um movimento em arco, levitando uma garrafa de uísque. — Direta, dá pra ver porque ele gostava tanto de você! Uísque? — ela perguntou me dando o copo, tomei em um gole, o gosto da bebida barata rasgando minha garganta como sempre, a menina parecia observar cada movimento meu — Acho que já sabe porque eu estou aqui não é mesmo, Jessie
Seu tom mudou um pouco e seu sorriso morreu quando me chamou pelo apelido, e eu só conhecia uma pessoa que chamava meu nome nesse tom e meu espanto foi imediato. Me amaldiçoando por não ter percebido o quanto seu olhar e gestos eram similares aos dele, talvez fosse porque seus olhos não eram castanhos e monstruosamente frios como os dele, mas verdes e um tanto calorosos, como se pedisse ajuda sem que ela mesma percebesse.
-Eu achei que era impossível...- Foi a única coisa que consegui pronunciar, me faltavam palavras, algo que é muito raro pra mim, seu sorriso voltou, não tão inocente, havia escárnio e maldade ali, mostrando o quanto eles eram semelhantes, apesar de não serem a mesma pessoa.
-Tão impossível quanto meu pai ter mandado você matá-lo? — ela indagou com uma raiva palpável na voz, tirando suas pernas da mesa, erguendo o corpo esguio, suas mãos apoiadas na mesa por um instante — Tão impossível quanto meu pai ser enterrado com um nome mundano, hã? Você sabe o quanto estragou minha vida? — Suas mãos se fecharam mostrando sua raiva, e o copo que estava na mesa simplesmente voou e atingiu a parede com um som alto dos estilhaços — sabe a dor que eu passei?
Seus gritos me lembravam os dele, fortes, dolorosos, com o arranhar rouco em sua garganta e o sotaque forte rolando pela língua, ela era realmente a filha de Kilgrave. — Seu pai fez coisas horríveis com pessoas inocentes — exclamei com um misto de raiva e medo na voz, eu não tinha ideia do que ela era capaz, mas sentia que logo descobriria. — O que fiz foi necessário.
-Necessário?- ela levantou a mão esquerda e eu comecei a sentir uma leve pressão no pescoço, que foi aumentando conforme ela levantava mais a mão com um olhar cheio de lágrimas, e por mais que houvesse raiva ali, havia tanta dor.
-Ele só fez aquilo por sua culpa, você o deixou pra morrer depois daquele acidente, e mesmo depois de tudo você não tinha o direito de matá-lo, você tirou meu pai de mim! — Sua voz estava embargada em uma tristeza compreensível enquanto ela me levitava aumentando ainda mais a pressão no meu pescoço — Por mais que não pareça ele era um bom pai, ele era o melhor pai, depois de você deixá-lo para morrer como um vira — lata.
As lágrimas escorriam por seu rosto com uma velocidade impressionante.
-Ele me mandava uma mensagem toda noite pra avisar que estava bem, pra perguntar sobre a escola e naquela noite ele me mandou uma mensagem falando pra esperar no cais em um lugar mais distante, eu esperei até ver a notícia de sua morte, eu chorei, eu choro...
Como se estivesse fora de controle, sua outra mão se movimentou e jogou a garrafa ainda cheia pela metade de uísque contra a própria mesa, os cacos lhe acertando o corpo, coberto por uma jaqueta que parecia de couro legítimo e uma camisa social (porra, ela até mesmo se vestia como ele). Foi quando a pressão afrouxou e eu consegui finalmente voltar a respirar, massageando meu pescoço
-Merda — Reclamou tirando um caco grande do seu braço, onde parecia já haver uma ferida, me levantei e fui até ela, vendo-a se retrair quando cheguei perto o suficiente para tocá-la. — Eu só quero ver a porra do ferimento. — Falei puxando seu braço e rasgando o que restava da manga, ela abriu a boca, provavelmente para me xingar, mas eu tava pouco me fudendo pra isso. O ferimento havia sido bem feio pra falar a verdade, sangrava bastante, e pra piorar havia cortado na diagonal através de uma cicatriz que já existia, em meio a algumas menores, o que caralhos tinha acontecido com essa garota? Suspirei, eu sinceramente não perguntaria.
-Fique aí, acho que tenho algumas coisas pra cuidar disso — Falei, me levantando e seguindo até a cozinha, sabia que Trish havia arranjado um kit de primeiros socorros para mim, já que vivia reclamando ter de trazer coisas para cuidar das feridas que eu adquiria em meu corpo. Não demorei a voltar ao escritório com a caixa, jogando-a em cima da mesa e pegando o álcool, a garota estava sentada em minha cadeira de novo, o braço estendido e a cabeça apoiada no braço que possuía feridas menores, seu rosto estava pálido, será que essa garota não sentia dor? — Sabe, você tentou me matar, mas nem ao menos me deu um nome pra te chamar — Comentei abrindo a garrafa de álcool e depositando o conteúdo em uma gaze para limpar o ferimento.
-Charlotte, mas ele sempre me chamava de Purple...- Não pude deixar de sorrir um pouco ao ouvir o apelido carinhoso, pois me lembrava de meu pai quando eu era criança ainda. Me abaixei e comecei a passar a gaze contra a sua pele, lhe despertando um grito alto que a fez fechar os olhos e contrair o nariz, sua outra mão se fechando e as pernas se contraindo. — FILHA DE UMA PUTA
Ela claramente sente dor...
Pensei segurando minha vontade de rir de sua expressão, no fim, Charlotte era realmente filha dele, até na maneira de expressar dor, com isso em mente, cobri o ferimento e enfaixei seu braço, ela tratou de cuidar dos outros ferimentos com cuidado, alegando que preferia que eu não encostasse mais em qualquer machucado seu.
-OK, Charlie, você precisa dormir um pouco, perdeu um pouco de sangue demais pra se manter em pé. — Disse, a ajudando a se levantar e a apoiando em mim, mesmo que contra a sua vontade. — Você fica comigo até eu dormir? — ela questionou sussurrando, assenti e a levei até o meu quarto facilmente, a morena se deitou e em poucos minutos estava dormindo, compreensivamente, a perda de sangue realmente tira qualquer energia ou resistência de uma pessoa, quando tive certeza de que ela estava dormindo, me levantei e fui até a cozinha, puxando meu celular do bolso de trás da minha calça e disquei um número, procurando alguma outra garrafa de bebida que tivesse sobrado. Quando a resposta veio do outro lado da linha, deixei com que o ar enchesse meus pulmões antes de falar.
-Trish, preciso que você venha rápido, e traga um kit de sutura...
Notas finais
Beijos, JF.
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