Notas iniciais
É tão engraçado voltar a postar histórias aqui quando eu já me acostumei com outras plataformas, mas tô amando essa nostalgia

Pov. Jessica:

–Ela é filha dele?...- Trish questionou depois que expliquei todo o acontecido, observando a garota de longe, como se ainda não conseguisse acreditar nisso, assenti. — Ela é mais forte que ele, não é mesmo?

–o fato de ela ter conseguido me controlar prova que é — Respondi caminhando até minha mesa, havia encontrado uma garrafa de uísque ainda fechada, abri-a e tomei um gole que me saciasse no momento, minha amiga observava cada movimento meu, suspirei e me encostei em minha mesa — e eu pensando que estava livre...- Murmurei, olhando para a garrafa em minha mão.

Ouvimos a porta se abrindo e Malcom entrou, vindo até nós, ofegante como se tivesse corrido uma maratona pra chegar

–Eu recebi sua mensagem, qual é a emergência? — ele questionou afobado, levei ele até a porta do meu quarto, ele olhou a garotinha adormecida na cama e logo voltou seu olhar pra mim, como se perguntasse se eu havia enlouquecido. — Essa garota maluca me mandou pro outro lado da cidade — Berrou, o puxei pra longe do quarto, para que não acordasse Charlie. — O que ela ainda estava fazendo aqui?

Expliquei em cada detalhe o que havia acontecido e o pouco que ela havia me falado, sua expressão mudou de raiva para medo, ele olhou pra Trish como se procurasse um tipo de conforto, ela devolveu o olhar e olhou pra mim como se perguntava o que devíamos fazer agora.

–Ela disse que ele era um bom pai...- Murmurei olhando para o chão, talvez fosse porque ele foi abandonado pelos pais quando criança que havia tentado oferecer a garota algo diferente do que teve. – Como um psicopata pode ser um bom pai? — A retórica estava nítida em seu tom indignado

–Ele era um ótimo pai, ele ao menos tentava ser! — Uma voz de fora do grupo afirmou com raiva fazendo com que voltássemos nossos olhares para ela, que segurava o braço recentemente ferido, a faixa estava ensopada de sangue — ele cuidava de mim...

Ela veio até mim aos poucos, provavelmente aquela ação lhe tirava muita energia que não tinha, ela puxou algo do bolso de sua jaqueta e me entregou, era um envelope já aberto, tirei o conteúdo que havia dentro, era uma carta — testamento, conhecia uma quando via graças a alguns clientes. Aparentemente, aquele cretino era precavido. – Leia seu último pedido, em voz alta — ela comandou indo até a cozinha com a mesma dificuldade que havia chegado até mim. — AGORA Jessica

"Aqui também lhe faço um último pedido, minha princesa, encontre Jessica Jones, já que diante das circunstâncias ela se torna sua responsável legal, sua tutora. Você estará mais segura com ela do que estaria sozinha ou comigo, de seu pai, boa noite pequena Purple"

Ao terminar de ler subi minha visão para as pessoas a minha frente, ambos me olhavam sem cor, ele havia arranjado uma maneira de se manter em minha vida através da própria filha, nem depois de morto ele deixava de ser filho da puta.

–Como você vive só de uísque? — a garota perguntou vindo até o ambiente em que estávamos, se apoiando no batente da porta. — cabelo de vassoura, vá ao mercado, compre algumas coisas pra comer e chá — Malcolm saiu rapidamente obedecendo ao comando, o olhar da menina seguiu até a caixa sobre o sofá. — Você trouxe um kit de sutura, Walker, ótimo...

A garota mostrou o braço direito enfaixado por mim, a faixa parecia estar se mantendo no lugar apenas devido ao sangue que a cobria. — Dê um jeito nisso, Jessica é uma ótima detetive quando se trata de cuidados médicos — Mencionou se sentando no sofá, seu olhar pedia que eu fosse ficar ao seu lado, o que fiz, hesitantemente, eu ainda não confiava totalmente naquela garota. A loira não demorou muito para desenfaixar o braço da garota. — Quem fez isso com você? — Indagou, claramente assombrada com o estado da ferida.

–Uma vadiazinha, há alguns anos atrás — sua expressão assumiu um ar nostálgico, misturado com uma raiva quase palpável.

Pov. Charlie

Flashback On:

Eu estudava em um internato e era a menor criança da minha escola, a mais frágil por assim dizer, então era um alvo fácil para qualquer um, principalmente um grupo específico de garotas mais velhas, Jane era uma delas, ela havia estado em reformatórios a vida inteira, vinha de uma família extremamente fudida e descontava sua raiva do mundo em mim, na época eu não sabia o porquê, acho que nunca vou saber.

Naquele dia em específico, uma coragem estúpida me acometeu, porque ela havia ferido meu único amigo, decidi não fugir mais dela, mas ela também foi estúpida, me seguiu até os fundos da escola e cortou meu braço com um caco de vidro sujo.

PARE AGORA — Gritei, eu estava morrendo de dor, eu podia sentir cada milímetro do meu braço ser rasgado, e inesperadamente ela parou, o vidro ainda sobre minha pele, sangrando. — Afaste — se — Quando ela se afastou assustada, suas capangas se prepararam pra me atacar, movimentei minha mão e levantei o vidro manchado apontando na direção delas, era a única defesa disponível — não se aproximem de mim, nunca mais

Desesperada, corri pra enfermaria, a enfermeira suturou a ferida e perguntou quem havia feito aquilo, eu não sei porque, mas eu não disse uma palavra, eu não quis que Jane fosse mandada pra outro reformatório, mas eu também não deixaria barato. Eu fui mandada pra casa por alguns dias, meu pai já estava me esperando com um sorriso no rosto, ele me abraçou e disse com orgulho:

Eu sabia que você é poderosa, minha pequena Purple, venha eu vou ensiná — la a usar suas habilidadesEle me ajudou, eu só tinha 8 anos, mas meu pai me ajudou a compreender e controlar tudo, ele me ajudou a dar um jeito em cada pessoa que me oprimiu algum dia.

Flashback Off:

A mulher de cabelos negros me olhava com um olhar compreensivo, ela comprimiu os lábios e eu fechei os olhos ao sentir a agulha da sutura continuar a perfurar minha pele, aqueles seriam os últimos pontos e dava graças por isso.

–Ande logo com isso, Walker — exclamei com dor, olhando pra moça loira que fechava a ferida em meu braço, que começava na parte de trás do bíceps e continuava até muito perto das veias em meu braço, voltei a olhar Jessica, ao meu lado, sabia exatamente o que se passava em sua mente enquanto ela observava o processo da sutura. — Eu estou vivendo na sua casa

Ela me olhou com curiosidade estanpada em seu rosto, eu ri um pouco, pela primeira vez em um bom tempo. — A casa foi um dos bens que ficou comigo, mas eu não posso viver sozinha, não no estado que estou — falei, meu olhar foi novamente a Trish, que começava a colocar uma nova faixa sobre meu braço. — obrigada Trish...

–Você quer que eu vá morar com você? — Meneei a cabeça, respondendo. — Se isso não atrapalhar seu trabalho — Meu olhar voltou a ela uma última vez. — Considere como outro pedido de meu pai...

Notas finais
Alguém consegue se lembrar o que diabos estava fazendo nos últimos três meses de 2016 e nos três primeiros de 2017? Eu particularmente estava escrevendo essa história e questionando seriamente minha sexualidade, louco não? Beijos, JF.