A New Chance
3 Capítulo 03 - Eu Disse Que Sabia Me Controlar
Notas iniciais
Regina dirigia em silêncio.
Emma estava em silêncio.
O maldito silêncio predominava no carro.
Aquilo estava ficando incomodo, tanto Emma como Regina queriam acabar com aquilo, mesmo que fosse para falar sobre o tempo, mas ambas tinham medo de que talvez uma conversa não acabasse de uma forma muito amigável, por isso, optavam por silêncio.
O silêncio foi interrompido pelo toque do celular de Regina que estava no meio de suas pernas. Seus olhos arregalaram quando viu o nome do ex marido, ele raramente ligava, ficou com medo de que fosse algo com Henry e atendeu rapidamente.
"Alô?" Regina atendeu o telefone pelo viva voz, tão assustada que recebeu um olhar mais assustado ainda de Emma.
"Mamãe?" Henry falava com a voz manhosa do outro lado da linha.
"Oi meu amor. O que aconteceu?" Regina tentava parecer tranquila, mas ouvir Henry chorando do outro lado da linha apertava seu coração.
"Eu tive um pesadelo, aí eu disse pro papai que precisava falar com você. Mamãe eu tô com medo!" Henry falava em meio a soluços e Regina pode ouvir Victoria tentando acalmá-lo do outro lado da linha.
"Meu amor, está tudo bem. Você já acordou e viu que tudo ficou no sonho. Não tem nada aí e tia Victoria está aí com você." Conforme Regina ia falando pode perceber o choro do menino cessando e então ela continuou.
"Eu preciso que você faça um favor para mamãe, você pode fazer?" Regina perguntou e logo pode ouvir Henry resmungando algo que sim e então ela ouviu o riso admirado de Emma ao seu lado, que acompanhava atentamente aquele diálogo.
"Talvez a Sophia tenha ficado com medo também, aí você precisa dormir tranquilo, porque assim a Sophia fica mais calma. Mas para isso você precisa parar de chorar." Regina falava tentando mudar o foco do menino que tinha voltado a resmungar chorando.
"Mas Sophia está na barriga ainda.." Henry falou completamente atento a situação e Regina sorriu por sua tática ter dado certo.
"Mas ela sente. Você consegue me ajudar?" Regina perguntou e logo ouviu um "sim" animado de seu filho.
"Ok, então fique bem. Te amo! Deixa eu falar com a tia Victoria?" Regina pediu e logo seu filho passou o telefone para a esposa de seu pai. Regina pediu desculpas pela hora, mas Victoria não se importou, ela gostava muito de Henry e só havia ligado para Regina, pois tanto ela, como Daniel tentaram de tudo para acalmá-lo. Regina desligou e respirou fundo.
"Não sabia que você tinha filho." Emma falou quebrando o silêncio que havia se instalado novamente.
"Tenho, Henry." Regina respondeu sorrindo verdadeiramente, pois era assim que seu filho a fazia sentir, verdadeira.
"Ele é uma graça. Digo, pelo menos o que eu ouvi, tem quantos anos?" Emma perguntou encantada com tudo que tinha presenciado.
"Tem oito e é muito especial. Na verdade vai fazer oito daqui um mês!" Regina respondeu orgulhosa lembrando-se do menino.
"Ele mora com o pai?" Emma estava curiosa, mas era uma curiosidade sem maldade.
"Não, mora comigo, mas esse é o final de semana do pai. Na verdade eu e Daniel meio que temos guarda compartilhada, sempre que ele pede para levar Henry para passear eu deixo, nós não temos problemas com isso." Regina falou dando de ombros e Emma apenas assentiu.
"Não sabia que você tinha separado." Emma falou mais para si mesma, mas Regina ouviu.
"Acontece, faz uns quatro anos. Mas somos amigos." Regina falou com um pesar que não passou desapercebido por Emma.
"Desculpe, não quis me intrometer na sua vida. Foi só um comentário aleatório." Emma falou preocupada, mas estava sendo sincera.
"Tudo bem. Não tenho problema em falar disso. E você? Tem filhos?" Regina perguntou mais para manter o papo do que por curiosidade.
"Na verdade, eu não posso ter filhos.." Emma falou num tom triste.
"Oh, me desculpe, eu não sabia!" Regina tirou a atenção do trânsito e se virou para Emma. Pode perceber uma tristeza enorme diante daqueles olhos verdes.
"Tudo bem! Você não é a primeira que me pergunta." Emma sorriu fraco e deu de ombros.
"Chegamos! Está entregue sã e salva!" Regina falou sorrindo, por vários motivos, mas principalmente por aquele clima estranho ter ido embora.
"Muito obrigada pela carona e nós não nos matamos!" Emma falou sorrindo.
"Eu disse que sabia me controlar." Regina falou num tom de brincadeira.
"Regina, posso te pedir um favor?" Emma falou com cuidado e desviando os olhos da morena.
"Claro!" Regina respondeu prontamente.
"Me dá vinte minutos da sua atenção?" Emma falou praticamente implorando com aquela imensidão verde.
"Como?" Regina estava confusa diante daquela pergunta que tinha várias interpretações.
"Eu preciso te contar uma coisa, mas eu preciso de calma para contar. Você pode descer?" Emma apesar de parecer sem graça, tinha um sembante era de desespero.
Regina respirou fundo, desviou o olhar de Emma, olhou para fora, voltou seu olhar para Emma que a encarava com expectativa, voltou seu olhar para suas mãos que agarravam com força o volante, respirou fundo mais uma vez, e sorriu para Emma que sabia que tinha ganho seus vinte minutos. As duas desceram do carro em silêncio, Regina por estar imersa em seus pensamentos com medo daquela conversa e Emma por estar travando uma batalha interna com a conversa que teria com Regina. Ela estava prestes a contar tudo sobre sua vida, aliás essa conversa estava adiada por dez anos, Emma se arrependia até o ultimo minuto de nunca ter contado sobre sua vida para Regina que tantas vezes pareceu aberta a ouvi-la.
Entraram no apartamento de Emma em silêncio, Regina capturava cada detalhe daquela extensa sala, com dois ambientes, móveis refinados e cristais espalhados decorando alguns móveis.
Passou os olhos rapidamente pelo mural de fotos, todo trabalhado em madeira antiga e se demorou por lá, olhando as fotos. Tinha Emma em vários momentos, na maioria das fotos ela estava sozinha em frente a algum ponto turístico espalhado pelo mundo. Uma fotografia chamou atenção de Regina que parou e sorriu diante da foto.
"Essa é minha família. Na verdade é minha família com a família de Ingrid. Foi no aniversário da minha avó, faz alguns anos." Emma falou sorrindo e Regina pode perceber o brilho naquela imensidão verde.
"Você fala tão emocionada da sua família." Regina constatou sorrindo também.
"Sim, eles são tudo de mais importante para mim. Eu tento esconder o máximo os meus monstros, para que eles não sofram." Emma falou com a voz embargada e sentiu seus olhos se enchendo de água.
"Emma, o que você tem para me dizer?" Regina perguntava tentado permanecer impessoal, pois sabia que com a volta de Emma para sua vida, sofreria tudo que tinha sofrido no passado.
Emma nada disse, apenas puxou Regina pelas mãos entrelaçando seus dedos aos dela e a conduziu para a sacada extensa de seu apartamento. Sentaram em uma das poltronas, que cabia as duas juntas, uma de frente para outra. Emma não soltou a mão de Regina em momento algum e a morena pode sentir o quão fria elas estavam.
"Emma, você não precisa fazer isso se não quiser." Regina falou apertando a mão fria e úmida de suor de Emma.
"Não... Eu preciso sim. Eu não posso deixar você entrar na minha vida de novo, bagunçar sua vida com minhas loucuras e simplesmente te deixar apreensiva sem explicações. Porque eu sei que eu não vou conseguir estar a alguns passos de você e simplesmente não te tocar.." Emma falava calma e Regina fez menção de interrompê-la pelo que havia acabado de ouvir, mas Emma se adiantou e continuou.
"Eu só preciso saber se você quer ouvir. Eu só quero te contar para te dar uma satisfação por tudo aquilo que te fiz passar alguns anos atrás." Emma falou mantendo seu tom calmo enquanto Regina sentia-se cada vez mais nervosa.
"Emma, eu já disse que você não precisa fazer isso. Hoje não faz mais diferença. Mas se vai te fazer melhor contar, eu te ouço." Regina estava sendo sincera, pois para ela Emma era passado, uma passado dolorido, mas que ela conseguiu deixar esquecido há alguns anos.
"Ok, eu só espero que depois de ouvir tudo, você não queira fugir e nunca mais me ver." Emma falou por fim e pode perceber Regina desconfortável na cadeira. Mas ela não se intimidou e resolveu contar tudo de uma vez.
Fale com o autor