A Mulher da Casa ao Lado
1 Capítulo 1: O Recomeço em Forks
Notas iniciais
A chuva fina de Forks era a mesma. Um véu cinzento que cobria as velhas árvores de pinho e lavava o asfalto, trazendo de volta aquele cheiro peculiar de terra molhada e floresta densa que Bella achou que nunca mais sentiria. Há quinze anos, Forks havia sido sua fuga, e agora era seu retorno. Cooper, seu Golden Retriever de pelagem dourada e olhar paciente, abanou o rabo uma única vez ao seu lado, como se endossasse a decisão dela.
Bella desceu da picape, as chaves da casa antiga pesando na mão. A pintura descascada da varanda e as janelas embaçadas pareciam sorrir para ela, um convite silencioso de um passado que ela nunca realmente havia deixado para trás.
— Vamos começar a mudança, garotão? — Bella convidou Cooper com um leve sorriso.
O Golden latiu como resposta. Ela abriu a porta, revelando um interior já mobiliado com o que parecia ser uma vida completamente nova. Seus móveis antigos tinham ficado para trás; ali, apenas suas roupas e objetos pessoais esperavam para encontrar seu lugar em um cenário que era ao mesmo tempo familiar e estranhamente novo. O sentimento era como começar do zero.
Mal havia conseguido arrastar a primeira caixa da mudança para dentro quando uma voz familiar chamou da calçada.
— Então, doutora Bella, pronta para desenterrar as memórias? — O som grave de seu pai, Charlie, preencheu o ar.
Bella abriu um sorriso ao vê-lo na varanda. Cooper, que tinha se virado ao ouvir a voz, saltou sobre Charlie, abanando o rabo freneticamente.
— Cooper parece mais animado que você de estar de volta — Charlie comentou, rindo e afagando o cachorro.
O comentário de Charlie ressoou com uma nostalgia suave. Não era o mesmo filhote de quinze anos atrás, mas a presença de um cão em Forks novamente parecia trazer a Charlie uma familiaridade reconfortante.
— Oi, pai — Bella respondeu, indo ao encontro dele para um abraço. — Só me adaptando de novo. E sim, Cooper sempre foi o otimista da casa.
Eles conversaram por um tempo na varanda, Charlie perguntando sobre a viagem de Bella e sobre os planos para a clínica. Bella o atualizou, sentindo o conforto familiar de sua presença e as perguntas previsíveis sobre a vida adulta. Ele não demorou muito, prometendo voltar para ajudar com o resto das caixas ou para levar um jantar.
Com a partida de Charlie, a casa antiga mergulhou em um silêncio que Bella conhecia bem. Ela começou a desempacotar as caixas, cada peça de roupa e cada objeto pessoal cuidadosamente colocado nos armários e gavetas dos móveis novos e impecáveis. O cheiro de madeira recém-tratada se misturava ao cheiro úmido do lado de fora, criando uma estranha sinfonia de novo e velho.
Cooper a seguia de cômodo em cômodo, sua cauda balançando suavemente, uma presença constante e acolhedora.
A noite caiu cedo em Forks, trazendo consigo a escuridão densa e o som ininterrupto da chuva contra as janelas. Bella e Cooper se aninharam na sala, no novo sofá, assistindo a um filme qualquer na televisão. O conforto da rotina simples era uma âncora, mas em alguns momentos, a vastidão da casa e a quietude do ambiente traziam uma solidão sutil, quase um sussurro.
Bella se perguntou o que a vida em Forks realmente guardava para ela dessa vez, e se aquele sentimento de recomeçar do zero seria de fato um novo começo, ou apenas um eco distante.
Do outro lado da cerca viva, na casa vizinha, Alice estava terminando o dever de casa de biologia, jogada no sofá com Luna aos seus pés.
O som de uma picape se aproximando da casa ao lado a fez levantar e ir até a janela. A casa estava vazia há meses, uma parte silenciosa da paisagem de sua infância.
Pela janela embaçada pela garoa, Alice viu uma mulher alta e loira sair da picape, seguida por um Golden Retriever enorme e de pelagem dourada que parecia um urso de pelúcia gigante.
Uma nova vizinha, e com um cachorro.
Alice sentiu uma mistura de curiosidade e uma pontinha de aborrecimento. A última coisa que ela precisava era um cachorro barulhento ao lado, perturbando a tranquilidade de Luna.
Observou a mulher abrir a porta da casa, e por um instante, a luz da sala acesa revelou um interior já mobiliado e organizado. Não era uma casa vazia como ela esperava.
A mulher parecia cansada, mas havia algo em seu jeito calmo de interagir com o cachorro que chamou a atenção de Alice. Ela não parecia com os outros adultos que Alice conhecia em Forks.
— Luna, olhe só — Alice sussurrou, acariciando a cabeça de sua Border Collie, que latiu uma vez, em um latido de alerta baixo, e depois se aninhou mais perto.
Alice ponderou sobre a nova vizinha. Talvez não fosse tão ruim. Mas ela teria que deixar claro que seu quintal era território de Luna.
Um apito agudo vindo do celular sobre a mesa de centro a tirou de seus pensamentos. Ela o pegou, e a tela acendeu com uma mensagem de Rosalie:
“Você não vai acreditar no que o Edward me contou sobre o novo garoto do time de basquete! Ele é um gato!"
Alice revirou os olhos, mas um pequeno sorriso se formou em seus lábios. Edward e Rosalie sempre compartilhavam as últimas fofocas. Ela digitou rapidamente:
“Outro? O que ele tem de tão especial além de ser "gato"? Edward sempre exagera.”
A resposta de Rosalie veio quase instantaneamente:
“Ah, mas esse é diferente! O Edward disse que ele tem um sorriso que derrete o gelo de Forks e que até faz a chuva parar pra admirar! E ele é novo na cidade! Veio do Texas, o nome dele é Emmett! Temos que dar uma olhada, tipo, ontem!”
Alice riu, imaginando a empolgação de Rosalie.
Ela sabia que no dia seguinte teria que se juntar a Edward e Rosalie na "missão" de avistar Emmett, de alguma forma esbarrar nele nos corredores da escola e, obviamente, conseguir puxar conversa.
Com o pensamento fixo no dia de amanhã e na "caçada" ao novo garoto, Alice finalmente guardou seu material de biologia. O cheiro de chuva e pinho continuava a entrar pela janela aberta. Luna levantou a cabeça, farejando o ar. Era quase 18 horas.
Alice se espreguiçou e rumou para a cozinha. Sua mãe, enfermeira no hospital de Forks, chegaria em breve do plantão, exausta, e esperaria o jantar pronto.
Alice ligou o fogão com a familiaridade de quem fazia aquilo diariamente. Não era apenas um dever; cozinhar era uma de suas paixões, um hobby que a ajudava a relaxar e a impressionar sua mãe, que mal tinha tempo para si mesma.
Por serem apenas as duas na residência, Alice assumia essa responsabilidade com carinho, garantindo que a mãe tivesse um prato quente após longos turnos. Pegou os ingredientes na geladeira — frango, brócolis, algumas batatas — e começou a picar os legumes com destreza.
O som rítmico da faca na tábua de corte preencheu a cozinha, misturando-se ao burburinho suave do arroz cozinhando na panela.
Em pouco tempo, o cheiro de alho refogado e ervas frescas começou a se espalhar pela casa, um aroma reconfortante que prometia uma refeição deliciosa.
A vida em Forks, em sua casa familiar, seguia seu ritmo constante e previsível. Ela apenas não sabia que, a poucos metros dali, esse ritmo estava prestes a mudar.
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