A Mulher da Casa ao Lado

2 Capítulo 2: Um Encontro Inesperado e Um Conflito Canino


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Peço desculpas pela demora, mas vamos continuar essa linda história! Boa Leitura!

A manhã em Forks trouxe a mesma garoa persistente, mas Bella acordou com uma energia renovada. O primeiro dia oficial de trabalho na clínica veterinária do pai dela se aproximava, mas ainda não era hoje; ela tinha o dia livre para terminar de se organizar, conforme havia alinhado com Charlie para se adaptar antes de começarem a trabalhar juntos. E ainda havia algumas caixas para desempacotar – as últimas, as mais teimosas, cheias de itens diversos que nunca pareciam ter um lugar.

Com uma caneca de café na mão, ela e Cooper exploravam o quintal, o Golden, farejando cada canto do terreno novo com entusiasmo. Bella riu, observando o rabo de Cooper balançar como um pêndulo desgovernado. Ela o amava, mas ele era um curioso incorrigível.

Bella sorriu. A casa estava cheia de novas possibilidades, um contraste bem-vindo com a vida que deixara para trás. Enquanto Cooper investigava um novo cheiro perto da cerca viva, passando o focinho por entre os arbustos densos e farejando o que havia do outro lado, Bella caminhou até a varanda e observou a fachada.

A pintura descascada nas janelas e nas beiradas do telhado era um lembrete sutil de que, embora o interior estivesse renovado, o exterior ainda carregava as marcas do tempo. Ela pensou que talvez fosse um bom projeto para o fim de semana, um jeito de deixar sua nova marca ali, talvez começando pelas janelas ou pela porta de entrada, que clamava por um tom mais vibrante. Seria bom ter um projeto manual, algo para aliviar a mente.

De volta à sala, ela se viu analisando a disposição dos móveis recém-entregues. O sofá, embora confortável e de um tom neutro, parecia um pouco desalinhado em relação à lareira, e a estante nova pedia livros e fotos para preencher seus vazios. Não eram problemas urgentes, claro, mas a mente de Bella, acostumada à precisão da veterinária, já mapeava pequenos ajustes.

Era o tipo de detalhe que a ancorava na realidade de sua nova vida em Forks, fazendo-a sentir que estava realmente se instalando.

Seu celular vibrou no bolso, e ela o pegou, esperando talvez uma mensagem de Charlie. Era de Jacob. Seu melhor amigo, que, aliás, também morava em Forks e tinha sido um pilar de apoio nos últimos anos.

A mensagem era breve, perguntando se ela já estava livre e se poderiam se encontrar mais tarde. Bella sorriu ao pensar nele. A presença de Jacob era outra certeza em sua vida, um porto seguro nesta cidade de recomeços. Ela decidiu responder mais tarde, preferindo terminar de esvaziar mais uma caixa antes de se perder na conversa.

Foi nesse momento, absorta em planejar onde penduraria um quadro ou como moveria o tapete para centralizá-lo, que o latido de Cooper, antes distante e curioso, explodiu em uma série de latidos agudos e frenéticos, misturados a rosnados furiosos e o que soava como um latido agudo de protesto de um cão menor.

Uma voz feminina, clara e visivelmente irritada, ecoou do quintal vizinho.

Bella largou a caneca no balcão com um baque surdo e correu para a porta dos fundos. Seu coração acelerou. Sabia que Cooper era grande e geralmente amigável, mas a forma como os sons se intensificaram dizia que ele havia, de fato, invadido o território alheio. Ao sair para a varanda, ela viu a cena: Cooper estava no meio do gramado vizinho, com as orelhas levantadas e o rabo balançando freneticamente, parecendo mais confuso do que ameaçador, enquanto uma Border Collie preta e branca de porte médio latia sem parar para ele, os pelos da nuca eriçados.

Ao lado da pequena fúria canina, uma figura se destacava. Era uma garota baixa, de cabelos curtos e pretos, com olhos que brilhavam com uma mistura de fúria e exasperação. Ela vestia jeans e um moletom, as mãos na cintura, e parecia prestes a explodir.

— Mas que diabos?! — A voz da garota ressoou, alta e cortante, antes mesmo que Bella pudesse abrir a boca. Os olhos dela, escuros e intensos, se fixaram em Bella com uma fúria contida.

Bella sentiu o rosto esquentar, a vergonha misturada à irritação pela situação.

— Ei, ei, ei, Cooper! — Bella chamou, a voz firme, já dando um passo à frente. Ela correu até o Golden Retriever, que, ao ouvir seu comando e ver sua aproximação, imediatamente parou de balançar o rabo e olhou para ela com uma expressão de "fui pego". Bella se abaixou, agarrando-o pela coleira para contê-lo.

Seus olhos se levantaram para os da garota, que agora a observava. A fúria inicial nos orbes escuros da vizinha diminuiu, substituída por uma curiosidade tão intensa quanto o susto que ela acabara de levar.

Por um instante, o tempo pareceu esticar-se.

O olhar de Alice percorreu o rosto de Bella, demorando-se em seus olhos, antes de encontrar os dela novamente.

Havia algo ali, uma intensidade suave, quase magnética, que Bella não soube decifrar. Não era mais raiva, nem apenas surpresa, mas uma espécie de reconhecimento silencioso, uma faísca tênue que atravessou a distância entre elas. Foi um vislumbre fugaz, que durou apenas um segundo, antes que a irritação voltasse a velar a expressão da garota.

E, de fato, a voz aguda de Alice cortou o ar, pondo fim àquele momento estranho de silêncio carregado.

— Será que você pode controlar seu cachorro enorme?! Ele está assustando a Luna! — Alice exclamou, os olhos ainda faiscando, apontando para Cooper com uma mão. Ela avançou um passo, a cada palavra, a irritação crescendo em seu tom, com as feições cerradas em uma careta de impaciência. Luna, ao seu lado, latia em concordância, como se endossasse cada sílaba da reclamação da dona.

Bella respirou fundo, soltando o ar lentamente, tentando manter a calma diante da vizinha visivelmente aborrecida. Com Cooper firmemente seguro pela coleira, ela deu um pequeno sorriso apologético.

— Oi, sou Bella Swan — ela começou, a voz um pouco mais suave do que esperava, estendendo a mão livre em um gesto de cumprimento, apesar da situação. — E sinto muito pelo Cooper. Ele é muito curioso e acabou passando para o seu lado sem querer. Ele não é agressivo, juro.



Alice observou a mão estendida da mulher à sua frente. Aquela que ela mesma havia notado de longe, a mulher alta e loira da picape. Alta, sim. Mas "loira"... Alice franziu a testa, os olhos fixos nos cabelos de Bella. Era um loiro visivelmente tingido, cortado na altura do queixo, e não parecia combinar com a seriedade quase melancólica dos olhos da mulher. Aquele vislumbre fugaz de segundos atrás, quando a raiva dela pareceu derreter em algo inexplicável, voltava à mente de Alice. Luna, ainda rosnando baixinho aos seus pés, era um lembrete do intruso canino, mas por um instante, Alice quase se esqueceu da Border Collie.

Bella Swan. O nome soou estranho, mas familiar na sua mente. A mulher parecia genuinamente envergonhada, os olhos castanhos expressando um pedido de desculpas sincero enquanto segurava firmemente o monstro peludo pela coleira. Alice notou como Cooper, que parecia um urso comparado a Luna, estava submisso sob o toque de Bella. Isso a surpreendeu. Ela esperava uma vizinha distante e talvez desinteressada, não alguém com essa intensidade nos olhos e essa aura de... de algo que ela não conseguia definir. A irritação, que antes fervia, começou a arrefecer, substituída por aquela mesma curiosidade. Edward e Rosalie falavam de "novidades" na escola, de garotos, mas a "novidade" ao lado de sua casa era infinitamente mais intrigante.

A mão de Bella ainda estava estendida, aguardando. Alice hesitou por um milésimo de segundo, balançada entre a necessidade de manter a guarda e uma estranha vontade de conhecer mais sobre aquela que invadira seu quintal – e de alguma forma, seus pensamentos.

A mão de Bella permaneceu no ar, e Alice fez questão de ignorá-la por completo. Ela não estava ali para apertar mãos ou fazer amizade. Estava ali para proteger o território de Luna.

— Curioso? A Luna estava quase tendo um ataque cardíaco! Seu "curioso" quase virou o quintal de cabeça para baixo! — Alice rebateu, a voz carregada de ironia e ainda com um tom de repreensão. Ela cruzou os braços, mantendo a distância e o olhar firme sobre Bella, antes de desviar rapidamente para Cooper, que agora parecia uma estátua ao lado da dona.

Bella respirou fundo novamente, os ombros levemente caídos em resignação.

— Eu realmente sinto muito por isso — Bella respondeu — Ele... ele nunca fez algo assim antes. É que acabamos de nos mudar e...

Enquanto Bella falava, sua mão subiu instintivamente para o cabelo, empurrando uma mecha rebelde para trás da orelha. Foi um gesto pequeno, quase imperceptível, mas para Alice, que observava cada movimento da recém-chegada, foi como um holofote. O loiro artificial do cabelo contrastava com a pele clara de Bella, e o movimento revelou a delicadeza de seu pescoço.

A voz de Bella, baixa e aveludada, com uma doçura subjacente que Alice não esperava, fez o corpo inteiro de Alice estremecer. Não foi um arrepio de frio, ou de raiva. Foi uma sensação que partiu do peito e se espalhou, uma vibração estranha e inegável que a pegou desprevenida. Por um instante, Alice se esqueceu de Luna, do quintal invadido, da própria irritação. Ela se viu apenas observando os lábios de Bella se moverem, absorvendo cada palavra, mesmo que o conteúdo fosse uma repetição de desculpas. Era diferente. Tudo nela era diferente do que Alice esperava.

Alice balançou a cabeça, forçando-se a sair daquele transe inesperado. Era ridículo. Aquela mulher estava invadindo seu espaço, e ela estava ali, quase hipnotizada pela voz dela. O cheiro de chuva e pinho pairava no ar, e o latido irritado de Luna a trouxe de volta à realidade.

— Olha, não importa o motivo. O que importa é que seu cachorro enorme não entre mais aqui! Luna já é nervosa com estranhos, e ele... ele é um gigante! — Alice cortou Bella, sua voz recuperando o tom impaciente. Ela gesticulou para Cooper, que parecia inocente, observando tudo. — Mantenha-o no seu quintal. Por favor.

Sem esperar por uma resposta, Alice se virou abruptamente, dando as costas a Bella. Ela agarrou a guia de Luna e puxou a Border Collie de volta para dentro de casa, fechando a porta com um estalo que ecoou no silêncio que se seguiu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.