Na manhã seguinte, Regina encontra toda a tripulação reunida em torno de uma tábua comprida e larga, que em algum momento foi convertida em mesa ao ser equilibrada sobre dois barris, como uma família grande e mais do que ligeiramente desajustada, compartilhando a primeira refeição do dia.

Snow parece ser a cozinheira oficial da vez, enquanto os demais se encontram entretidos em atividades diversas ao redor da mesa naquela pequena cozinha improvisada. Grumpy e Henry jogam cartas sob os olhos atentos do menino que Regina agora sabe ser o filho caçula de Charming e Snow.

Ao seu lado, Victor lê um livro enquanto bebe um líquido fumegante em uma caneca rústica enquanto, do outro lado da mesa, Ruby e Hook conversam em sussurros, a forma como a única mão dele repousa na perna dela, entregando muito mais do que Regina gostaria de saber sobre a relação dos dois.

Sentada à extremidade oposta da mesa, Emma é a primeira a notar sua presença, sua colher parando no meio do caminho até a boca, enquanto seu olhar aguarda em antecipação o que a ex-prefeita tem a anunciar — o que Regina pretende fazer sem grandes delongas, mas não sem antes deixar que um suspiro dramático anuncie sua presença aos demais.

"Eu queria que vocês soubessem que depois de refletir bastante a respeito, acredito ter encontrado uma saída." Sua postura é rígida e ela não olha diretamente para ninguém em particular durante a sua declaração.

"Bem amor, gostaria de compartilhar seu plano brilhante?" Hook pergunta com curiosidade, mas também regozijo, recebendo uma cotovelada não tão sutil de Ruby por debaixo da mesa. Seu sorriso vacila, mas sua mensagem não falha.

"Não se trata de nada engenhoso, então sinto muito se isso serve como desapontamento a você pirata, mas a verdade é que só há uma coisa que pode nos tirar da situação em que nos encontramos, e essa coisa claramente é: Magia."

"Sua magia." Ruby avalia sem esconder suas suspeitas, o que Regina prefere ignorar, apesar de manter-se ciente dos menores movimentos do lobo.

"Com a ajuda da minha magia, sim, pretendo abrir um portal para que todos nós possamos fugir para outra terra. Uma que, espero eu, não tenha sido infectada por estas criaturas vis.”

"Você saberia uma coisa ou duas sobre criaturas vis, não é?" O comentário de Grumpy é cheio de despeito, o que irrita Regina, mas não suficientemente para distraí-la de sua tarefa. Ao invés disso, ela apenas revira os olhos para a presença do anão — ou, mais provavelmente, sua existência.

"Para realizar este plano, vou precisar voltar à Storybrooke. Lá pretendo coletar os itens necessários para abrir o portal." Ela explica racionalmente. A falta de resposta, no entanto, obriga-a a acrescentar. "Esta é, na minha perspectiva, a nossa única chance."

A reação do grupo está bem longe do que Regina esperava.

Em verdade ela já imaginava que, qual fosse seu plano, as pessoas ali reunidas não iriam confiar nele – e por sua vez nela – ao menos não assim tão prontamente. Mas, dada a alternativa, Regina esperava no mínimo uma expressão de alívio ou esperança. Mesmo com todas as suas diferenças e um passado compartilhado, ela ainda está afinal de contas, literalmente oferecendo a todos uma saída.

O que se tem em realidade é um silêncio atordoante e reticências. Ambos transmitidos através do intercâmbio de vários olhares desconfiados.

"Olha, isso é tudo o que posso oferecer. Mas se vocês preferem ficar aqui vivendo dessa forma... É problema de vocês." Regina perde a paciência, cruzando os braços na frente do peito em sinal claro de sua irritação.

"Não é isso, Regina." Emma oferece uma tentativa rasa de esclarecimento. "É só que... Bem, esta não é a primeira vez que alguém nos faz esta oferta."

"Oh." Isso pega Regina de surpresa, sua indignação dando lugar à confusão. "Então por que vocês ainda estão aqui?"

"Porque fomos traídos pela pessoa que ofereceu." Emma responde, admitindo a verdade amarga.

"Eu deveria ter ouvido meus instintos e nunca confiado naquele crocodilo maldito." Hook murmura ressentido virando sua garrafa de uma só vez e de repente Regina pode imaginar exatamente o que aconteceu.

Se já existiu uma pessoa em quem nunca se deve confiar, esta foi Rumplestiltskin, uma lição que ela aprendeu a um custo elevado em seu passado. E uma lição a qual, aparentemente, também aprenderem os demais presentes neste navio.

Regina não pode conter sua reação diante de tamanha ingenuidade.

"O que ele propôs a vocês? Um acordo?" Ela zomba sem sequer calcular como o tópico em questão ou o seu tom possam provocar a sensibilidade alheia.

"Foi muito mais complicado do que isso, ok?" É tudo o que Emma está disposta a revelar. Mas a troca de olhares entre ela e Hook não passa despercebida por Regina. "De qualquer forma, encurtando a história, ele abriu o maldito portal e fugiu enquanto nós ainda estamos presos aqui."

"Pois é, então, perdoe-nos se nós não queremos cometer os mesmos erros novamente, irmã." Grumpy resmunga ao mastigar o que parece ser um pedaço muito dormido de pão.

"O que faz você pensar que será capaz de abrir esse portal, afinal?" Pergunta Whale, o que Regina recebe como uma ofensa, mas antes que ela possa responder, Henry sai em sua defesa.

"Ela ainda tem magia. Eu vi com meus próprios olhos." Ele assegura a todos. Suas palavras, no entanto, tem um impacto distinto; lembrando a todos a ameaça que Regina ainda representa.

"Como isso é possível?" Snow fala pela primeira vez e Regina não tem certeza do que ela quer dizer e tampouco consegue ler sua expressão. Como se os anos que passaram tivessem transformado a Snow que ela conhecia em uma completa estranha.

Mais do que isso, Regina não pode deixar de notar que em comparação a todos no pequeno grupo de sobreviventes, Snow parece ter sido a mais atingida, o que Regina tem certeza, tem a ver com a ausência de Charming.

Ela só não sabe exatamente de que forma.

"Se você tem seus poderes, então o que mais você precisa?" Ruby questiona intrigada.

"Criação de portais não é assim tão simples, tampouco viajar através deles, especialmente com um grupo tão grande. Eu não sei que meios Rumplestiltskin usou a fim de escapar, mas a última vez que fiz isso, eu tive de lançar uma maldição para fazê-lo." Regina explica pungente. "Desta vez, eu espero encontrar uma saída menos drástica."

"Por acaso seu plano envolve algum sacrifício humano?" Emma levanta a mão como uma aluna na sala de aula. Sua pergunta tão ridícula como é, infelizmente, bastante relevante.

"Não." Regina responde secamente.

"Então conte comigo." A loira responde bem-humorada. "Então Storybrooke, huh? Você tem uma lista de coisas que precisa?"

"Eu não preciso de uma lista." Regina assegura-lhe confiante. "Mas, dadas às mudanças no ambiente, eu não iria recusar um guia."

"Mais como uma escolta." Grumpy lança-lhe um olhar mesquinho que é imediatamente devolvido na mesma moeda.

"Bem, eu estou fora. Eu não colocaria minha vida em risco pela Rainha Má, mesmo que ainda fosse um mero vassalo." Whale declara estoicamente.

"Por que não fico surpresa?" Emma observa e revira os olhos, colocando um sorriso nos lábios de Regina. Um sorriso quase imperceptível, isto é. "Eu vou. Guardar a rainha e talvez até obter alguns mantimentos. Parece divertido."

"Emma, não!" A voz de Snow de repente sobressai entre as demais e até mesmo o menino que se manteve em silêncio observando toda a discussão até o momento parece alarmado por isso. Snow, no entanto, escolhe ignorar as reações ao seu rompante. "Uma coisa foi você ir atrás de Henry para se certificar de que ele voltaria. Mas voltar a Storybrooke, em qualquer circunstância, está fora de cogitação."

Emma está prestes a responder quando Snow acrescenta o último golpe. "Preciso lembrá-la do que aconteceu da última vez?"

Todos os olhos estão sobre a ex-xerife, esperando sua reação, e Regina consegue enxergar Emma travando seu maxilar em uma tentativa forçada de manter a compostura.

Com um tom imperativo, Emma instrui seu filho. "Henry, leve Evan lá pra cima."

Apesar de frustrado, Henry obedece, puxando Evan por seu capuz em seu caminho para fora. "Vamos Evan... Hora de retirar nossas tropas."

O menino não demonstra qualquer resistência, silenciosamente atendendo ao comando dado, mas seus grandes olhos verdes parecem colados à figura de Regina até ele sair do cômodo.

Uma vez que a saída deles tenha ocorrido, Emma deixa escapar o que esteve segurando, seu tom incisivo e sério.

"Mãe, nós já conversamos sobre isso."

"Emma, eu não vou ter essa discussão novamente."

"Ficar para sempre neste navio não é uma opção! Você sabe disso!" Snow acena com a cabeça em desacordo e Emma tenta chegar perto dela, como se seu toque fosse o suficiente para trazer Snow de volta à razão.

Sentindo suas intenções, Snow dá um passo para trás. "É muito perigoso. Eu não posso admitir isso."

"Mãe..." A voz de Emma é quase um sussurro, como se lhe doesse dizer isso em voz alta. "Eu sinto muito, mas você sabe que esta pode muito bem ser a nossa única chance."

Snow olha sua filha então, com os olhos cheios de lágrimas não derramadas. Neste instante, Regina não pode deixar de sentir como se estivesse invadindo um momento muito particular entre mãe e filha, o que, pelos olhares nos rostos de todos, é um sentimento compartilhado.

Ao mesmo tempo, nenhum deles parece surpreso com a exibição, o que faz com que Regina suspeite que esta não seja a primeira vez que semelhante discussão acontece.

"Eu não posso perder você também. Não depois do que aconteceu com o seu pai." As palavras de Snow são cheias de tormento, seu rosto vermelho agora com lágrimas escorrendo livremente.

Emma toca o rosto da mãe com suavidade, oferecendo o pouco de conforto que ela pode. "Eu não posso prometer que você não vai. Mas você sabe que não vou desistir sem lutar."

Em seguida, a loira envolve sua mãe em um abraço apertado, acariciando suas costas, enquanto o rosto de Snow desaparece em seu ombro. Seus soluços ainda mais evidentes, dada a falta de movimento proporcionada pelos demais presentes.

É assim que Regina descobre a primeira das muitas tragédias que tomaram parte durante seu tempo no exílio.

A história de como Snow White perdeu seu príncipe encantado, mais uma vez, só que desta vez, para nunca mais tê-lo novamente em seus braços.

Ou foi o que Regina acreditou a princípio.

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"Feliz agora?" A voz encontra Regina em um estado contemplativo no convés principal, observando a influência constante do mar.

Ela não se preocupa em virar-se em sua direção, a identidade do proprietário da voz revelada por seu sotaque pesado, bem como seu odor peculiar.

Regina tem quase certeza de que há esta altura rum deve correr nas veias de Hook ao invés de sangue. "Como?"

"Eu estou falando sobre a pequena cena que testemunhamos a pouco lá embaixo." Apoiando os braços no corrimão, Hook curva seu corpo, permitindo que seus olhos fiquem no nível do horizonte, antes de elaborar. "Snow White de luto pela perda de seu verdadeiro amor."

"E o que exatamente você está insinuando?" Regina o desafia, uma sobrancelha erguida e um cinismo profundo marcando suas palavras.

"Não se faça de tímida comigo, amor. Não lhe cai bem." Ele se vira em sua direção, tentando tocar o queixo de Regina, a fim de forçar seus olhos a encontrarem os dele, mas recebe um tapa em sua mão pela simples tentativa.

"Eu não tenho certeza do que você espera de ouvir de mim." Regina bufa, indignada.

"Eu também não." Ele dá de ombros, simplesmente, seus cabelos escuros sendo bagunçados pelo vento. "Eu acho que eu queria saber como é o sentimento. Você sabe, de ter sua vingança realizada. A minha, como você já ouviu falar, escapou através de um portal.”

"Não é da sua conta." Regina o rejeita friamente, mas Hook não desiste facilmente.

"Vamos lá, amor. Apenas me diga: Você está feliz? Talvez eufórica? Tenho que dizer, você sabe bem como manter as aparências. Alguém de fora mal poderia notar."

Regina não lhe oferece uma resposta e se ela aguardasse mais um instante, Hook poderia pensar que ela tinha decidido ignorá-lo completamente. Depois de alguns momentos, contudo, ela se pega perguntando. "O que aconteceu exatamente?"

"Você quer os detalhes suculentos? Isso é um novo nível de monstruosidade você sabe, até mesmo pelos meus padrões." Regina não dignifica Hook com uma resposta adequada então e com medo de perder a oportunidade, ele opta por soltar o verbo.

"Foi cerca de quatro invernos atrás, talvez. O pequeno ainda estava em fraldas, pelo que me lembro. Essa foi a principal razão pela qual Snow acabou por ficar para trás no Jolly naquele dia. Algo a ver com a alimentação do miúdo com... Bem, naquela época Swan ainda estava à procura de sobreviventes de modo vez ou outra nós formávamos um grupo e voltávamos à cidade. Foi assim que o médico acabou aqui com a gente. E o cachorro do Grilo também."

Regina se pergunta o que pode ter acontecido com Archie, mas decide não interromper a narrativa de Hook.

"De qualquer forma, eu estava me sentindo um pouco indisposto naquela manhã e acabei ficando para trás, de modo que eu também não estava lá quando aconteceu. Mas Red me contou tudo. Eles estavam prestes a voltar. Não houvera quaisquer sobreviventes naquele dia, mas um punhado de produtos enlatados havia sido encontrado, o que acabou sendo melhor do que a encomenda. Foi quando Charming decidiu entrar em uma loja para tentar encontrar alguma fórmula para bebês. Ruby foi deixada de guarda e ele e Emma entraram juntos. Foi quando, sem aviso, o telhado desmoronou e um monte daquelas criaturas veio abaixo com ele. Emma ficou presa sob alguns destroços e Charming não iria deixá-la para trás. Eles conseguiram escapar. Ele só notou a mordida em sua chegada. Whale sugeriu que o prendêssemos nas celas do porão. Ele verificou a mordida, e disse que se tivesse sido em sua mão, braço ou perna, ele poderia ter tentado algo. Talvez uma amputação. Mas o companheiro não teve essa sorte. Snow passou suas últimas horas de vida ao seu lado. E então ele se transformou. Um monstro. Assim como todos os outros."

Hook suspira pesadamente, apesar de seus melhores esforços, incapaz de esconder o quanto a história afetou a ele também. A fim de manter a fachada, ele oferece a Regina um sorriso que nunca alcança seus olhos. "Então, isso é tudo. Creio que era exatamente o que você queria, não é Vossa Majestade?"

Regina balança a cabeça em seguida, a figura de Daniel borrada em sua mente, vivo, mas não realmente, um coração que nunca foi seu batendo dentro de seu peito. Regina havia sentido e nunca poderia esquecer o que sentiu quando ela finalmente arrancou-lhe, depois de suas dolorosas súplicas. Não houvera sequer um último suspiro. Porque Daniel já estava morto.

Assim, antes que Hook tenha a chance de cometer o mesmo erro outra vez, ela faz questão de lhe dizer a verdade.

"Eu nunca-- Isso não foi obra minha." A mera sugestão incita seu desgosto. "Ninguém deveria ter de pôr fim à vida de um ente querido com as próprias mãos."

"Neste caso, amor, não se sinta agravada. Nenhum final foi colocado em qualquer vida, eu lhe garanto. Embora neste momento eu não esteja muito certo de que possamos realmente chamar isso de uma vida.”

Os olhos de Regina, austeros e atônitos, procuram Hook em um piscar de olhos. "O que você está dizendo?"

"Que se você está procurando pelo que restou do verdadeiro amor, você ainda pode encontrá-lo na barriga do meu navio."

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Ela não tem muito o que levar. Storybrooke não é tão longe assim, um par de horas no máximo, e viajar com uma bagagem leve parece ser a forma mais segura. Regina tenta dizer a Emma que ela é capaz de gerenciar tudo com sua magia, mas por alguma razão a xerife parece se opor fortemente a isso.

Sendo este o caso, Regina acaba carregando um pequeno saco com duas garrafas de água, alguns alimentos insossos, uma faca emprestada da coleção de Ruby e uma 38 com quatro balas.

Emma viaja com uma bagagem semelhante e a única diferença é a sua espada que não é exatamente prática, mas um tanto quanto intimidante.

Elas decidem partir quando o Sol está nascendo na manhã seguinte e a despedida é desconfortável e sombria. Henry tenta argumentar com Emma uma última vez, implorando-lhe que o deixe participar de sua pequena expedição, mas ela permanece firme, dizendo-lhe que o perigo é muito grande e que é necessário que o garoto fique para cuidar de sua família.

Henry não recebe bem os argumentos, aceitando o abraço de Emma com uma expressão solene e desaparecendo de vista, uma vez que as duas se encontram na pequena embarcação.

Snow não oferece mais qualquer objeção, mas tampouco esconde sua insatisfação. Evan é o único sorrindo, mas, provavelmente porque ele é jovem demais para entender que esta pode ser a última vez que ele está vendo sua irmã mais velha.

Com um beijo no topo de seus cabelos loiros, Emma diz adeus sussurrando algo apenas para seus ouvidos. Em seguida, ela abraça Snow que recebe os braços da filha rigidamente.

À distância, Regina apenas observa a cena.

Os demais acenam ao se despedir e a última coisa Regina ouve é a voz de Ruby gritando enquanto o pequeno barco combate as ondas a caminho de terra.

"Acabe com eles, Emma!"

O silêncio que as rodeia é muito pesado e pela primeira vez Regina sente-se compelida a quebrá-lo.

"Henry pareceu bastante descontente com a sua decisão." Ela fala casualmente enquanto alisa as calças que está usando (item que ela fez questão de conjurar, muito obrigada).

"Bem, se você quer saber, estou quase certa de que você ficou com os melhores anos".

Regina não argumenta, apesar de palavras como cólica infantil e diarreia explosiva surgirem em sua mente. Ao invés disso, ela tenta uma abordagem diferente.

"Ele não mudou muito. Na verdade, eu me atreveria a dizer que ele usa a mesma carranca desde os 8 meses de idade. "

A mera alusão a um Henry bebê faz Emma sorrir. "Você quer dizer a careta de muppet".

Em seguida, outro pensamento parece permear sua mente e obscurecê-la mais uma vez. "A verdade é que todos nós perdemos coisas demais para continuarmos os mesmos. Essa praga ou maldição pode trazer os mortos à vida, mas eles não são os únicos afetados por ela. Eu diria que mudanças foram inevitáveis. Para todos nós."

Regina não responde imediatamente, absorvendo as palavras de Emma e o significado por trás delas. Quando ela fala, sua voz é sombria e surpreendentemente sincera.

"Eu sinto muito pelo que aconteceu com David."

A menção de seu nome é suficiente para fazer Emma adotar uma expressão austera, o tema, de forma inequívoca, ainda por demais sensível a ela. Regina respeita sua reação, dizendo nada mais, é recompensada com uma última frase antes que o silêncio impenetrável as cerquem novamente.

"Apenas certifique-se de que, se por acaso eu for mordida, eu permaneça morta.", Diz Emma, sem enfrentar Regina diretamente, sua voz resoluta. "Eu não tenho a menor intenção em compartilhar o mesmo destino do meu pai."

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Continua...

Notas finais
A quem ainda lê, desculpe a demora. Esse capítulo se deve em especial aqueles que insistiram na continuação dessa história. Cada palavra deixada foi um incentivo. Obrigada.