Notas iniciais
Eu ia postar esse capítulo só no final da semana, mas não consegui esperar. É um dos meus favoritos, e espero que seja seu também.

Um fato que poucos conhecem: Regina odeia silêncios.

Em especial os longos, onde a ausência de palavras se arrasta como um animal no deserto prestes a dar seu último suspiro.

Trata-se, aos seus olhos, de uma fraqueza que ela prefere não revelar e que quase passa despercebida pelos que a cercam, especialmente em virtude da sua completa intolerância a trivialidades e conversa fiada. Gente que fala pelos cotovelos sem nunca chegar a ponto algum é algo que a irrita em proporções alarmantes e ela nunca teve paciência para estupidez também.

Entretanto, nada disso muda o fato de que ela odeia longos silêncios.

Longos silêncios a levam de volta à intermináveis horas de castigo por se comportar como uma menina e não como uma dama, jantares em família na companhia de seus pais onde o único som a ser ouvido era o tilintar dos talheres em contato com a louça.

Longos silêncios a lembram dos incontáveis períodos em que ela passou sozinha nos estábulos para nunca mais ouvir a voz de Daniel. E as noites tortuosas em que Leopold visitava seus aposentos e optava por pernoitar enquanto Regina permanecia acordada e alerta, os olhos presos na escuridão e o terror imobilizando seus membros. Incapaz de dormir ou mesmo de respirar quando o menor deslize poderia muito bem acordá-lo, obrigando-a a atender suas necessidades de marido mais uma vez.

Longos silêncios a lembram de uma mansão vazia em Storybrooke, antes da chegada de Henry e depois, com sua partida.

E agora, longos silêncios também a fazem recordar todos os anos em que esteve confinada em sua prisão, em companhia apenas de suas assombrações mais íntimas.

Então, sim, a verdade é que Regina não suporta longos silêncios.

E assim sendo, mesmo após tentativas vãs em controlar seus impulsos e revelar o que pode muito bem ser uma de suas maiores vulnerabilidades, Regina falha miseravelmente quando sua voz preenche os espaços vazios entre ela, Emma e o bosque que as rodeiam.

"Isso seria muito mais prático se tivéssemos um carro."

Emma não parece surpreendida pela observação de Regina, respondendo sem interromper o ritmo de sua caminhada. "Eles fazem muito barulho. Atraem atenção indesejada. Além disso, eu não tenho certeza de que ainda haja alguma reserva de combustível em Storybrooke."

"Não precisava ser um carro. Cavalos serviriam." Regina insiste, protegendo sua visão da luz solar com uma das mãos, enquanto tenta ter um vislumbre da direção tomada por Emma.

"Nós comemos o último há cerca de seis meses." Emma admite resignada.

"Oh."

Emma pára de repente, o rosnar das criaturas, agora familiar às duas, anunciando sua presença não muito longe dali. Na verdade, não demora a que pelo menos dois possam ser vistos. Emma imediatamente pega sua espada, empunhando-a com um movimento ágil e silencioso.

Então ela se volta na direção de Regina e sussurra o mais baixo possível. "Fique atrás de mim. Mas mantenha-se alerta."

Regina, cuja mão já está em busca da arma que lhe foi entregue, obedece a suas instruções sem tirar os olhos de ex-xerife.

Emma se aproxima das criaturas calmamente, mas um passo distraído sobre um galho qualquer, os alerta quanto a sua presença.

Tudo acontece muito rapidamente. Com a espada em mãos e uma única manobra, Emma dá um fim aos dois seres. Regina não pode deixar de notar então suas mãos encharcadas de suor, ainda que apenas por testemunhar a cena.

Depois de decepar as cabeças, Emma as perfura com sua espada uma última vez, certificando-se de que eles não são mais uma ameaça. Algo no chão, no entanto, parece captar a sua atenção por mais tempo.

"O que houve?" Regina pergunta ao se aproximar de Emma, procurando manter a voz baixa e assim evitando chamar a atenção indesejada de outros.

Mas Emma não precisa falar nada, os olhos castanhos de Regina encontrando sua resposta uma vez que ela chega perto o suficiente.

Sob uma das botas de Emma, manchada de sangue e coberta por uma espessa camada de poeira, encontra-se o que restou de uma placa de sinalização na qual ainda pode-se ler:

Bem-vindo ao Storybrooke

.::.

Temendo que qualquer diálogo atraia uma horda, Regina consegue selar seus lábios enquanto as duas continuam a sua jornada, mesmo sentindo-se desconfortável.

Percebendo sua inquietude, é a vez de Emma quebrar o silêncio, e se ela faz isso como um gesto de bondade ou apenas porque a sensação está incomodando a ela também, Regina não é capaz de dizer.

"Você nunca me falou sobre seu plano. Os detalhes dele, quer dizer." Emma afirma quando elas estão no meio do caminho para a cidade, sua espada ainda pingando com o sangue dos alvos mais recentes.

Regina – tendo sua atenção dividida entre seus arredores e a confiança de que nem mesmo magia será capaz de salvar seu trench coat destas abomináveis manchas de sangue e algo que ela não ousa imaginar o que seja — não responde de imediato, de modo que Emma insiste, sem esconder sua impaciência.

"Qual é o nosso alvo, afinal?"

"Feijões mágicos."

Sua resposta faz Emma parar onde está. "Sério?"

"Sim." Regina responde com seriedade, sem titubear.

"Regina, isso não é possível. A única pessoa que tinha acesso aos feijões era o Anton e última vez em que o vi, ele disse que tinham sido roubados.”

Regina ergue uma sobrancelha e a expressão no rosto de Emma vai de cética a surpresa em tempo recorde. "Foi você quem os roubou?!"

"Não os feijões propriamente, apenas os brotos. Mas sim, fui eu."

"Eu não posso acreditar nisso!" Emma exclama com total descrença marcando suas feições.

"Agora, vamos querida, você não acha realmente que tenha sido meu feito mais impressionante, não é mesmo?" Regina argumenta, sem entender por que a loira parece tão perplexa.

"Todo esse tempo, e você tinha a solução bem debaixo da manga?"

"O que vocês teriam descoberto antes, se não tivessem escolhido me trancar em um calabouço e jogar a chave fora."

O comentário de Regina mais do que rapidamente põe um fim à indignação de Emma.

O assunto em questão, mais um para a lista de coisas que nenhuma das duas deseja discutir.

"É só isso então? Tudo o que você precisa são alguns feijões?"

"Como eu já disse, eu só tenho os brotos, por isso teremos que cultivá-los antes de poder utilizá-los. E, considerando suas propriedades mágicas, eu diria que ajudaria muito ter em mãos alguns ingredientes para ajudar no processo, o que espero, possamos encontrar na antiga loja de penhores do Gold."

Emma não parece muito otimista. "Eu não estaria tão certa quanto a isso. O lugar já estava destruído da última vez em que estivemos na cidade e isso já tem um tempo. Mas de qualquer forma, o que faz você pensar que os brotos ainda estão onde você os escondeu?"

"Porque apenas uma pessoa tinha o conhecimento de sua existência e acesso a eles." Regina responde tentando não deixar transparecer o aborrecimento provocado pelo questionamento de Emma.

"E onde é isso?"

"Em uma câmara secreta."

"Como a do Harry Potter?" Emma faz uma careta, ao que Regina responde vagamente.

"Não exatamente."

.::.

A Storybrooke com a qual Regina se depara não é nada senão destroços e abandono. A simples visão da cidade em semelhante estado lhe provoca náuseas.

As duas estão em pé, atrás da carcaça de um velho caminhão de Correios que parece ter sido nocauteado e incendiado (não necessariamente nesta ordem). Emma está supervisionando seus arredores, procurando quaisquer perigos potenciais, enquanto Regina apenas consegue observar a caótica paisagem.

Mesmo com todos os anos em que ela reinou sobre a Floresta Encantada, esta cidade sempre foi o seu verdadeiro reino. O único lugar que Regina já teve como lar.

E agora não há quase nada em seu lugar.

Com uma expressão vazia, Regina absorve todo o dano e destruição. Ao seu lado, finalmente percebendo seu choque, Emma expressa sua solicitude. À sua maneira, isto é.

"Certo. Você não tinha visto ainda." Ela comenta sem jeito, mas não parece minimamente chocada. Regina tem que se lembrar de que esta é a vida de Emma agora. E que tem sido assim já há algum tempo.

"Como as coisas chegaram a este ponto?"

"Aconteceu após a barreira que protegia a cidade ser levantada. A princípio tivemos alguns casos isolados, e as pessoas ainda falavam em resistir juntas e manter a cidade segura. Então, uma vez que a barreira deixou de existir, Storybrooke tornou-se um alvo fácil e foi merda pra todo lado. A população entrou em pânico e saiu queimando edifícios inteiros e saqueando lojas para fazer suas próprias provisões. Você pode imaginar como isso acabou."

"Parece terrível."

"E foi. Mas assim é a natureza humana, não é?" Emma dá de ombros, sem qualquer vestígio de emoção e Regina se volta em sua direção com um olhar inquisitivo.

"Mas vocês conseguiram escapar."

"Conseguimos. Mas não imediatamente." Emma recorda com um olhar distante que parece nublar suas feições. "Snow queria ficar e guiar as pessoas para um refúgio seguro ou algo assim. Ela pensou que era seu dever enquanto... governante."

Emma diz a palavra com cuidado, incerteza quanto a reação de Regina para um título ela sempre reivindicou. Regina, por sua vez, não manifesta qualquer reação, de modo que Emma continua sua narrativa.

"Nós quase conseguimos. Havia uma fazenda nos arredores da cidade e nós encontramos refúgio lá. Durou poucos meses. Nós recebíamos sobreviventes, oferecíamos abrigo, comida, segurança. As coisas ainda estavam ruins, mas não tanto sabe? Nós realmente acreditamos que poderíamos recomeçar lá."

"O que aconteceu?"

"O que sempre acontece. Alguns zumbis conseguiram invadir o terreno e contaminaram algumas pessoas. Elas se transformaram e infectaram outras pessoas. Logo nós tínhamos uma horda. Um número grande demais para combater. Fomos forçados a desistir do lugar e pegar a estrada. Não foi fácil. Minha mãe já estava grávida na época e nós perdemos um monte de gente boa pelo caminho. Granny, Archie, todos os outros anões, menos o Leroy. Foi o Neal quem teve a ideia de procurar abrigo no Jolly Roger."

A menção de Neal parece perturbar Emma, porque em breve ela está encerrando a história. "E por fim foi isso o que fizemos."

Antes que Regina possa perguntar algo mais, a loira joga a mochila sobre um de seus ombros e anuncia. "É melhor irmos andando. A loja do Gold não está longe."

Percebendo ter tocado em um ponto sensível, Regina segue Emma sem mais averiguações. Mesmo que um monte de perguntas continue, por ora, sem resposta.

.::.

A loja de Gold encontra-se de fato caindo aos pedaços, mas ainda assim Regina consegue encontrar a maioria dos ingredientes que está procurando. Quanto ao restante, eles terão que improvisar.

De acordo com ela, não seria a primeira vez e a maneira como Regina parece subitamente animada pela simples perspectiva de fazer algum tipo de magia, é provavelmente algo que deveria preocupar Emma.

Contudo, o máximo que ocorre a Emma é como ao ver a expressão no rosto de Regina, ela não pode deixar de lembrar de algumas crianças que conheceu em seus tempos de escola, crianças que ficavam extremamente animadas com experimentos nas aulas de química e a possibilidade de explodir alguma coisa. Tipo uma CDF de carteirinha, pensamento este que ela tem o bom senso de guardar para si.

De qualquer forma, assim que as duas saem do que restou da loja de Gold, com um sorriso ainda residindo no canto de seus lábios, Regina anuncia.

"Agora nós precisamos apenas fazer uma pequena visita ao cemitério."

O que absolutamente não é o que Emma espera ouvir.

"Como é que é?"

"É a localização do lugar que mencionei anteriormente."

"Você quer dizer a sua câmara secreta de Voldemort?" Emma faz uma careta. "É sério isso?"

"Você faz parecer ridículo." Regina diz, dificilmente contendo seu aborrecimento.

"Eu? Você é a pessoa sugerindo que a gente vá ao cemitério. Fala sério, Regina! Tudo o que fizemos até agora é tentar ficar longe dessa cambada de zumbis e agora você quer ir bater à porta deles?"

Emma não faz o menor esforço para esconder sua exasperação, ao que Regina refuta, mas não sem antes ponderar por alguns instantes.

"Nós não temos que bater em sua porta." Ela diz, oferecendo um vislumbre de alívio para Emma, embora este não dure muito tempo. "Não quando podemos invadir discretamente."

"Bem, esse é um plano excelente, exceto pelo fato de ser incrivelmente estúpido."

"Pois bem, eu a desafio a propor outro plano." Regina cruza os braços na frente do peito e ergue uma sobrancelha.

Emma pensa e pensa e pensa. Apenas para chegar à conclusão alguma além da certeza de que está prestes a se enfiar em um beco sem saída – isso e uma longa lista de palavras de baixo calão que Regina muito provavelmente desaprovaria.

"Tudo bem." Ela cede a contragosto. "Mas se eu morrer, vou fazer questão de voltar e te levar comigo. O que provavelmente vai acontecer no sentido mais literal possível."

.::.

O cemitério, como Emma já esperava, encontra-se infestado de criaturas.

O que torna esta uma missão suicida. O que Emma faz questão de deixar bem claro para Regina. De novo e de novo e de novo.

É quase o suficiente para que Regina redescubra todo um novo apreço por silêncios.

"Se você não calar a boca, eu vou te esfaquear e jogar seus restos mortais para as criaturas como distração enquanto entro no mausoléu." Regina afirma sem emoção e Emma não consegue determinar se esta se trata de uma ameaça séria ou não.

"Pra falar a verdade esse é um plano melhor do que tentar invadir silenciosamente o cemitério rezando para não sermos pegas."

O olhar que Emma recebe parece definitivamente sério.

"Talvez nós devêssemos esperar até a noite.” Regina sugere ignorando o último comentário.

"Nah. Eles não respondem à luz. Acho que é tudo sobre cheiros e sons para eles. Como pessoas cegas. Ou mais precisamente pessoas cegas, mortas e com tendências canibais.”

"Neste caso, uma distração pode realmente funcionar."

"Sabe, eu 'tava só brincando. Não tenho a menor intenção de deixar você me esfaquear." Emma esclarece por via das dúvidas.

Regina revira os olhos com tamanha intensidade que deve ser doloroso. E pela expressão em seu rosto, realmente é.

"Eu estava me referindo a outra coisa." Regina diz e, em seguida, respira profundamente reunindo o pouco de paciência que ainda lhe resta a fim de fazer o que precisa ser feito. "Você disse que eles são atraídos por tudo o que é vivo. Nós poderíamos usar isso."

"Talvez. Mas você mesma viu. Não há nada vivo por aqui além de você e eu."

"Sim Emma, mas nós temos magia. Talvez possamos encantar algo e fazer parecer que está vivo e disponível.”

"Você quer dizer tipo criar um patrono?" Emma pergunta maravilhada por semelhante possibilidade.

"Por que todas as suas referências mágicas vêm de Harry Potter?" Regina pergunta indignada, mas não espera por uma resposta. "Não! Se o que você diz sobre essas criaturas é verdade, eu não acho que um mero fantasma seria suficiente para atrair sua atenção. Nós precisaríamos de algo mais substancial."

Os olhos de Emma acendem com uma faísca de compreensão, mas, em seguida, a ficha cai. "Você está falando sobre o coelho eu capturei mais cedo, não é?"

"Você tem alguma outra sugestão?"

"Que droga... Eu estava realmente a fim de comer um churrasquinho." Emma reclama, mas não mostra qualquer intenção em se opor. Esta parece ser, afinal, a única opção restante. Ela então pergunta com visível desconforto. "Você por acaso é capaz de trazê-lo de volta à vida?"

"É claro que não!" A falta de entendimento que Emma tem sobre o mundo mágico não deixa de agravar Regina e ela tem que constantemente lembrar a si mesma de que isso não é culpa de Emma. Afinal, a loira nunca teve alguém como Rumple para ensiná-la. O que pode muito bem ter sido a sua grande sorte.

"Eu poderia encantá-lo e assim movê-lo como se estivesse vivo, de modo a atrair a atenção das criaturas. Preferencialmente para bem longe de nós, e deixando o caminho para meu mausoléu livre."

"Isso pode realmente funcionar. Mas por garantia, mantenha a faca de Ruby em mãos. E só use a arma como um último recurso. Tiros fazem muito alarde e geralmente só atraem mais dessas coisas. Além disso, melhor não contarmos com um retorno sem munição nenhuma."

Regina assente e Emma lhe entrega o coelho. Não demora a que o “animal” esteja cruzando o terreno e o movimento capture a atenção dos zumbis que se arrastam atrás dele.

Emma não pode conter um sorriso imenso e quando ela olha para Regina, vê que a ex-prefeita está sorrindo também.

É de uma beleza rara.

O fato de o plano ter funcionado, isto é.

"Vamos." Ela diz a fim de escapar qualquer que seja a linha de pensamento que sua mente acaba de esbarrar acidentalmente.

Elas estão quase lá quando Emma pisa em solo instável e cai em um buraco que estava encoberto pelo mato. Regina está poucos passos adiante quando percebe que Emma já não está em seu encalço.

"Emma?", ela sussurra tentando descobrir onde a inconveniente xerife se meteu, mas sem deixar que os zumbis notem sua presença. "Emma!"

Regina dá meia volta e está prestes a cair no mesmo buraco quando ouve um sussurro agitado. "Cuidado!"

Ao ver Emma sentada em uma pilha de terra dentro de uma cova bastante profunda, Regina perde a cabeça. "Sua idiota! O que você acha que está fazendo? Saia daí imediatamente!"

Em algum lugar ao longo do terreno, um coelho cai inanimado.

"Você não acha que eu já teria feito isso se pudesse? Meu tornozelo está doendo como um filho da puta. Acho que torci feio. E essa é a melhor das hipóteses."

"Tudo bem." Regina tenta recuperar seu equilíbrio. "Eu vou tirar você daí usando mágica."

Alguns zumbis destroem os restos do coelho e logo só há uma mancha de sangue onde ele estava. Eles começam a debandar novamente. Um deles percebe Regina.

"Não!" Emma se opõe com veemência. "Você não pode! Nós vamos precisar dos seus poderes. Não os desperdice comigo. Basta tentar encontrar uma corda ou algo assim."

"Nós não temos tempo pra isso! E magia não se desperdiça, não funciona desse jeito. Me deixe tirar você daí."

"Não Regina! As coisas mudaram, você não entende!" Emma responde impaciente e não muito longe vem a criatura que primeiro notou Regina. Seguida por outras. "Vamos tentar fazer isso à moda antiga então. Me dá sua mão."

Regina se ajoelha a beira do buraco e lhe estende a mão. Desajeitadamente, Emma tenta se levantar sem colocar qualquer peso extra em seu tornozelo machucado.

Embora a ex-prefeita seja mais forte do que Emma tinha antecipado, ela ainda não é forte o suficiente para suspendê-la sozinha.

"Eu não posso. Você é muito pesada. Deixe-me usar meus poderes."

"Regina, não! Tem que existir alguma outra forma."

"Existe sim. Se você não quer que eu use a minha mágica, então use a sua própria."

"Eu não tenho nenhuma mágica." Emma insiste teimosamente, fazendo com que Regina se recorde de Snow, no auge de seus quatorze anos, se recusando a ter aulas de equitação devido ao seu medo de cavalos.

Ela também lembra de como um pouco de teimosia de sua parte finalmente foi o suficiente para mover sua enteada e vencer sua obstinação.

“Do que você está falando? Emma, você é fruto de amor verdadeiro, a força mais poderosa que existe. A magia que existe em você é mais do que suficiente." Regina olha para cima e percebe que elas foram vistas. Perfeito. "Agora é melhor você encontrar uma maneira de acessar isso dentro de você, porque aquelas coisas estão vindo."

"Eu estou dizendo a você, Regina eu não posso! Vá em frente, corra até o mausoléu e pegue os feijões! Você é a nossa única saída! Eu não vou colocar isso em risco por minha causa!"

"Mas e quanto a você?"

"Eu vou achar uma saída. É o que eu sempre faço. Agora vá!"

Regina hesita então, preparada para seguir as instruções de Emma, mas pensa novamente.

As duas podem ouvir os grunhidos ao passo em que as criaturas lentamente, mas sem trégua, se dirigem a caminho de sua próxima refeição.

"Não! Emma, apenas me dê sua mão!” Emma não parece segura, mas dada a falta de opções obedece as instruções de Regina.

Assim, Regina a puxa novamente, com toda a força, só que desta vez algo mais vem à tona.

O que quer que seja, Emma sente uma vibração se espalhar pelo seu corpo em uma onda quente, como se estivesse a se recuperar de uma dormência, mas dos pés à cabeça. Ela quer protestar, mas em breve está fora do buraco, seu corpo cobrindo o de Regina.

Com os olhos verdes arregalados, Emma encontra uma expressão semelhante no rosto de Regina, a proximidade entre os dois corpos estranha e inesperada.

"Você não deveria ter usado seus poderes." Emma diz sem fôlego, embora sua voz não tenha qualquer indício de censura, apenas assombro.

"Eu não usei." Regina responde sinceramente, incapaz de fugir de seus olhos, e tampouco capaz de expressar em voz alta as palavras que vêm à sua mente.

Foi você.

.::.

Continua...

Notas finais
Que tal? =P