A Morte E A Sonhadora
8 Capítulo 08 - Livrando-me do Sobrenatural
Notas iniciais
_Hey, vamos ao parque? Eu vou muito pouco lá, só fui uma vez para consolar uma amiga minha_ Perguntei enquanto enganchava meu braço no dele.
Tínhamos acabado de sair do meu prédio. Passeávamos como um casal de namorados, muito próximos um do outro. Sei que não somos isso, mas eu posso sonhar.
_Aonde permanece?_ Eu olhei para ele com a sobrancelha arqueada_ Onde está?_ Corrigiu-se quando notou meu olhar maldoso.
_Bem, é perto da biblioteca. Na verdade, é praticamente na frente dela. Dizem que antigamente, quando a biblioteca ainda prestava e era toda novinha e cheia de organização, eram feitas feiras de livros na praça. A biblioteca ganhava muitos livros em bom estado, alguns nem eram publicados e sim escritos por autores anônimos, como eu e você, davam para a biblioteca dando a oportunidade de leitura para outras pessoas. Esses livros desaparecem depois de certo tempo, como são feitos pelos próprios escritores então não usam o material correto para que aquele livro dure por muito tempo. Não sei por que pararam de fazer isso..._ Pensei como seria fácil a minha vida se voltassem a fazer isso.
_Quando ocorria isso?_ Ele não me obedecia, continuava com a mesma linguagem arcaica e sem pé nem beira.
_Perto de 1800. Eu sei por que tem várias fotos de pessoas que doaram seus livros e as vezes eu dava uma olhada..._ Parei de falar por um momento por notar que o diário começou a vibrar, de novo_ Com licença.
Entrei dentro de uma lanchonete que tinha perto, a mesma que eu pegava o meu café da manhã sem café. Entrei no banheiro e me tranquei lá dentro. Quando abri a bolsa vi o diário tremendo como um celular, e isso me assustava demais. Peguei-o e notei que ele estava quente, não fervendo, mas ainda assim quente. Abri na primeira página só para ver o NML que estava gravado ali, mas vi algo diferente.
“NML, o bruxo da Morte
Leitura de 1800”
Abri na próxima página e notei que não havia o dia em que Helena e Agnes morreram, nem a família Pappenheimer e nem Joana d’Arc(Se bem que essa ultima eu até gostei que não tivesse mais). Estava escrito outra data e já não estava mais em Portugal, e não havia voltado para a Alemanhã.
“07 de Maio de 1800, Brasil
Finalmente cheguei ao Brasil, sinto que é aqui onde ela irá nascer. Ouvi falar sobre uma feira de livros em uma praça em que podemos dar livros com escritores anônimos. Seria uma doação para uma biblioteca da cidade, de uma família bruxa que veio do Canadá por estarem conseguindo matar verdadeiros bruxos. O Canadá sempre foi assim, difícil se misturar. A Inglaterra não é assim por que temos um bruxo infiltrado na corte. Ele não é o bruxo mais legal e simpático, mas nos protege e isso conta.
MordeOssos diz que, normalmente, quando um bruxo encontra sua prometida, ela se torna uma bruxa da mesma categoria que você. Se eu conseguir encontrar minha prometida ela irá se tornar a bruxa da morte, apenas se nos casarmos. O que significa que se ela desejar outro eu estarei muito encrencado e é provável que eu morra em depressão. Por isso que muitos recomendam encontrar nossas prometidas quando ainda são crianças, é mais fácil de interromper qualquer relação a mais que amizade. Normalmente as prometidas são excluídas da sociedade, é uma forma de proteção para serem exclusivas dos seus bruxos. É estranho e muitas vezes leva as prometidas ao suicídio, e então os bruxos morrem. Apenas homens têm prometidas, as mulheres não por terem humanos demais. Elas são excluídas também por serem atraídas ao sobrenatural, o que deixa a sociedade em que moram entediante. Algumas fogem de casa, mas quando isso acontece fica mais difícil de as encontrar.
Tenho que estudar muito sobre essas coisas por que sinto que minha prometida está próxima. Talvez demore mais alguns séculos até que ela nasça, mas estou no país correto e na cidade correta. Impossível de se errar, ela nasce no Brasil por ser um lugar calmo e sem muitas guerras, o que se enquadra com o que eu penso todos os dias”.
Parei de ler, o diário voltou a tremer como se dissesse "Ainda não acabou, falta mais um pouco". Eu ignorei, cansei de ler esse diário. Estou tentando ter um momento com um homem, talvez único em todo o planeta, que tem algum interesse por mim. Não vou estragar isso por causa de um simples diário, que pode nem ser verdadeiro, que talvez seja um desses livros de escritores anônimos e seja fictício.
Destranquei a porta e sai como se nada tivesse acontecendo. Vi Náthan quietinho em um canto, ele estava encostado na parede do restaurante, mas olhava para outro lado. Virei o rosto e notei que havia uma família se mudando, corri tentando não chamar a atenção dele e alcancei o caminhão. Suspirei e joguei o diário dentro do caminhão, lá no fundo, e corri de volta para onde Náthan estava.
_Voltei_ Sorri para ele, mas ele não parecia feliz com isso.
_Aborrece pronunciar-me nessa linguagem, não vou mais articular nesse modo que você quer Alana_ Náthan se irritou comigo e devo admitir: Isso me assustou.
_Você prometeu!_ Fiz carinha de choro e jurava ver angústia nos seus olhos, mas logo depois vi algo que me deixou chocada: O vazio.
_Há coisas que prometemos sem ponderar_ Ele falou devagar_ Habitue-se_ Ele piscou os olhos meio que confuso, parecia não estar acreditando no que falava.
Ele voltou a andar, dando as costas para mim como se eu fosse um nada. Meio que não reconheci o homem que havia me ajudado quando estava cega. Talvez tudo aquilo tenha sido o que chamam de caridade, ou boa ação. Ele devia ter aprontado alguma coisa e estava tentando recompensar. Tentei alcança-lo, mas ele andava rápido demais.
_Por que você está falando comigo desse jeito? Por que tão rude? Ou melhor, por que arcaico?_ Parei na frente dele para impedir que ele ande.
Estávamos no meio do parque, o mesmo que consolei Sophia, mas ele sabe desviar do assunto quando quer. Ou ignorar alguém quando quer, no meu caso. Por isso eu estou tentando entender ele, agora, e uma das coisas que mais me aborrece é o fato de sua linguagem ser arcaica em pleno século XXI.
_Lembra-me o meu passado pronunciar-me arcaicamente_ Ele ficou cabisbaixo e seu olhar percorria o parque, mas não me encarou em momento algum.
_Como é o seu passado?_ Me aproximei mais dele, talvez seja por isso que ele ficou irritado.
Segurei firme em seus ombros e o chacoalhei um pouco para que ele olhasse para mim. Bem lentamente seu olhar passou por cada objeto do parque e, finalmente, se focou em mim. Vi o medo nos seus olhos e a insegurança. Ele não gosta do seu passado, isso estava muito claro, mas não precisava esconder isso de mim! Nós acabamos de conversar sobre amenidades e ele até disse que eu poderia considerá-lo meu amigo... E agora ele está fugindo do assunto como se eu não devesse saber? Acho que isso não é uma atitude de um amigo, eu confessei para ele tudo sobre a biblioteca!
Eu esperei para ouvir alguma palavra, nem que fosse um único som. Mas nada, ele ficou parado olhando para mim, parecia ter uma luta interna decidindo se contava ou não para mim sobre alguma coisa. Se eu estou com raiva? Não, mas estou magoada por ele não confiar em mim. E talvez com ciúmes imaginando que Náthan não deveria ser solteiro e só estava sendo legal com a vizinha que ficou cega e...
_Você não disse onde morava_ Me lembrei e rapidamente me afastei dele_ Onde você mora?_ Dei um passo para trás_ Por que essa fala tão estranha? Como conseguiu sair do meu apartamento e deixar a chave dentro?_ Ponderei melhor minhas perguntas e falei pausadamente_ Quem é você?
_Alana, isso é caricato..._ Ele revirou os olhos e eu me senti louca por um momento.
_Fale algo que eu entenda! Não quero saber de frases vagas, coisas arcaicas, não quero mistério. Eu quero saber! Diga de uma vez as respostas para todas essas perguntas ou então suma da minha vida_ Falei de uma vez só, estava completamente irritada e me sentia sem ar.
_Isso é inexequível_ Seus olhos pareciam amargurados e eu tinha certeza que ele lutava contra algo dentro de si, mas algo em seu rosto parecia que ele não sentia absolutamente nada sobre isso.
Fechei meus olhos e passei as minhas mãos pelo meu rosto. Eu lembro dessas palavras, tive que estuda-las na aula de português. Era um trabalho individual sobre palavras difíceis. Eu me lembro de alguma coisa... Caricato é um adjetivo, e significa ridículo. Inexequível é algo impossível de ser realizado. Então ele não vai falar? Não vai nem me dar uma pista, nada?
_Então está bem. Parece que qualquer tipo de relacionamento entre nós também é inexequível.
Ignorei seus chamados para que eu voltasse ou compreendesse seu lado e corri para qualquer lugar, quero apenas fugir da realidade e acordar em algum lugar mais calmo e sem todos esses mistérios. Não podia ir pra casa, ele me encontraria lá, tenho certeza. Não iria para a casa da minha mãe, não desejo cometer suicídio ainda. A minha irmã está fora de questão, nunca esteve na minha lista de PPTOM (Pessoas Para Todos Os Momentos). O Náthan não podia por eu estar querendo fugir dele, se bem que, pensando bem, ele está no topo da minha lista. A biblioteca fechada e... Julia mora no final da rua.
Notas finais
Maria Beatriz
Djessica Millage
Ichigojamu
Emi Dias
Vic Joy
Daughter of Apollo
Sarah Mean
KelliNayara
Julia Bostick
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