A Morte E A Sonhadora
6 Capítulo 06 - Pressentimento Materno
Notas iniciais
Acordei meio tonta e muito lerda. O primeiro pensamento que tive foi de voltar a dormir, mas então me lembrei de Morfeu... Espera, por que lembrei de Morfeu? Nem gosto de mitologia grega... Eu nem me interesso por mitologia grega, acho meio desnecessário já que nada disso realmente existiu. Mas se pensar bem, Percy Jackson é legal e usa mitologia grega. E minha gata se chama Atenas, mas é em homenagem a Annabeth!
E então me lembrei de Náthan e do que ele havia dito sobre eu ir para os braços de Morfeu. Sua linguagem arcaica e super estranha da qual eu entendi poucas palavras e que ri na maioria das vezes. Senti Atenas mordendo o meu pé, chutei a gatinha de leve para fora da cama. Não queria acordar agora. Mas logo senti de novo mordidinhas no meu pé, e fiquei chutando a coitada da Atenas para fora da cama até decidir que ela é persistente demais e eu preciso acordar.
Minha visão tinha voltado ao normal e pude ver que o quarto estava mais arrumado que o costume. Fiz minha higiene pessoal e odiei o quanto a minha cara ficou amassada. A porta estava trancada, mas a chave estava dentro. O que eu estranhei, já que estava sozinha ali, e é impossível passar aquela chave por baixo da porta e não existia chave-reserva.
Verifiquei no meu celular se havia algum e-mail e infelizmente havia um da minha mãe. Preparei-me mentalmente para os insultos que viriam a seguir, mesmo que indiretos sabia da existência deles. Abri o e-mail e comecei a ler.
“Alana,
Por que não responde meus e-mails? Até parece que não teve educação nenhuma, isso por que saiu de casa cedo demais! Eu queria saber se você ainda tem suas fotos de quando era bebê, eu preciso delas e não vou aceitar um não como resposta! Soube que aquela biblioteca velha em que está trabalhando começou as reformas hoje, então não tem desculpa para não enviar as fotos por correio. Espero que estejamos entendidas e que me responda pelo menos uma vez.
Mamãe”.
Essa foi curta. Tenho que agradecer a minha mãe, eu iria para a biblioteca agora. Esqueci completamente que as reformas começariam hoje, as entrevistas vão acontecer logo depois e até eu terei que ser avaliada! Não consigo acreditar que a Jenny não teve a capacidade mental de fazer relatórios sobre cada um, seria muito mais fácil e menos constrangedor. Julia me contou que vão começar a revistar nossas mochilas para que não roubemos nenhum livro.
Mas sinceramente, todo mundo lê esses malditos livros dentro da biblioteca já que não tem nada pra fazer lá além de ver a corrida de aranhas ou baratas sendo devoradas por um bicho que eu não sei o nome, por isso eu tenho medo da prateleira onze (Eu e todo mundo que já tentou limpar aquela prateleira).
Se bem que eu, tecnicamente, roubei sim um livro da biblioteca. Mas, tecnicamente, eu não o roubei já que não tem a ficha dele. Só que, tecnicamente, eu o achei na biblioteca e é provável que seja novo lá e por isso não tenha ficha, ou então é velho e esqueceram de fazer uma nova ficha. Então, tecnicamente, eu cometi sim um furto. Se bem que, tecnicamente... Ah, esquece! Essa analogia toda está me deixando com dor de cabeça.
Abri a porta pronta para sair de casa, vestia uma legging preta e uma camiseta lilás com detalhes brancos, um tênis simples preto e meu cabelo estavam preso em um rabo de cavalo. Tranquei a porta e quando virei dei de cara com um homem lindo e esbarrei nele, deixando as fotos caírem. Fiquei atordoada com sua presença, não é todo dia que aparece alguém estilo Mystic Falls na minha porta. Em Mystic Falls não existe feiura, nem boniteza, só maravilhas únicas.
Seus cabelos eram desfiados e pareciam comportados, lisos e sedosos castanhos claros. Seus olhos davam a impressão de serem vermelhos, mas eram castanhos madeira. Uma pele pálida quase doentia, mas que combinava bastante com ele. Não havia uma imperfeição em seu rosto, nem olheiras, nem espinhas, vermelhidões... Nada! Um meio sorriso se formou em seus lábios finos... Desde quando eu fico analisando tanto assim uma pessoa? Ah, desde que essa pessoa aparente ser de Mystic Falls.
_Passa-te bem?_ Sua voz é doce, calma, preocupada e me arrepiava.
Náthan, sem dúvidas é ele. Posso descobrir tanto pela voz quanto pela linguagem. Seu rosto parecia divertido e seus olhos me analisavam cautelosamente. Mas eu jurava que seus olhos tinham um toque de vermelho, ou era todo vermelho. Só que logo depois assumia um tom castanho madeira que me deixava doida! Odeio ter incerteza das coisas... Ah!
_Sim, estou melhor... Minha visão voltou_ Dei um meio sorriso envergonhado.
Ele se abaixou e pegou as fotos. Analisou-as e deu um pequeno sorriso.
_Tão pequenina_ Entregou as fotos na minha mão depois de analisá-las_ És tu?
Peguei as fotos da sua mão e fiquei vermelha ao ver que era de mim, quando bebê, tomando banho. Pensei em dizer que não, que era uma sobrinha, irmã, até mesmo a minha vizinha. Mas eu não consegui mentir para aqueles olhos vermelhos-castanhos madeira.
_Sim_ Sorri e tive certeza que estava corada_ Eu vou mandar pra minha mãe. Ela precisa disso.
_Logicamente, também adoraria possuir fotos de uma infante tão delicada_ Corei com o elogio.
Não me diga que se um cara com olhos vermelhos-castanhos madeira te desse esse elogio você não coraria.
_Tenho que ir. Preciso passar no correio para enviar as fotos. Minha mãe me mata se eu não fizer isso_ Brinquei com a realidade.
_Te ressuscito_ Ele deu um ultimo sorriso e deu as costas para mim descendo a escada.
_Obrigada_ Agradeci para o nada.
Entrei no elevador e toquei o botão T. O elevador é velho e me dá medo, fazia cada rangido que parecia uma peça se quebrando. Estava distraída quando ocorreu um baque muito forte, que me fez cair no chão e as luzes se apagaram. O elevador havia parado. Eu vou esperar aqui, deitada no elevador, até que o mesmo despenque. As cordas são velhas, não vai demorar muito pra que ele caia.
Senti algo se enroscando em mim, algo asqueroso e frio. Isso me impossibilitou qualquer movimento, ficou enroscado em mim e me apertava cada vez mais. Até mesmo parecia uma cobra, senti que mexia na minha bolsa e procurava por alguma coisa. Parecia estar extremamente irritado, procurava freneticamente alguma coisa dentro da minha bolsa e jurava que o meu celular havia quebrado.
_Onde está?_Pude jurar que a coisa sibilou isso para mim.
_Onde está o que?_ Estava assombrada, não havia ninguém no elevador e agora estava sendo esmagada enquanto revistavam a minha bolsa.
_ O diário! Onde está o diário_ Minha vista se acostumou com o escuro o suficiente para eu ver uma boca enorme escancarada com três colunas de dentes afiados
_Não sei do que está falando_ Não entregaria o diário pra uma coisinha insignificante como essa... Que de insignificante não tem nada.
_Sabe-se muito bem do que falo. O diário de NML, “Cruciatu Antequam Mors”. Dê-me ele!
Antes de me dar a chance de falar qualquer palavra, a coisa estranguladora fugiu pela entrada de ar, pude ver isso mesmo no escuro. Suspirei e continuei deitada no chão me sentindo cansada e dolorida. Havia doído o aperto daquela coisa. Massageei meu pescocinho que estava dolorido como se tivesse quebrado, nem duvido disso. A porta do elevador se abriu e revelou-se Náthan.
_Que acontece?_ Ele parecia assustado.
_Não sei_ Eu disse quase fracamente, tentei me levantar, mas não consegui_ Eu desci de elevador e fui atacada por alguma coisa que me estrangulou.
_ Que seria “coisa”? _ Ele me olhou meio preocupado e entrou no elevador junto comigo.
_Não sei_ Quase choraminguei. Na verdade, vou retirar o "meio".
Apertou no meu andar e se agachou até ficar na minha altura. Me ajudou a levantar e ficou abraçado comigo, suportando metade do meu peso enquanto olhava com ódio para a entrada de ar. Chegamos no meu andar e ele abriu a porta com a minha chave(eu não o vi pegando a minha chave, mas tudo bem). Pude ver Atenas olhando preocupada para nós dois, ela correu de onde estava e ficou seguindo os pés de Náthan.
Senti que as minhas costas deitarem em algum lugar macio, provavelmente a minha cama. Náthan se afastou um pouco e me analisou. Olhou meu pescoço por muito tempo, para logo depois sair do quarto. Ouvi-o trancar a porta da sala e alguns barulhos de vidro, acredito estar mexendo na cozinha. Atena se deitou em cima do meu pescoço e, acredite ou não, aquilo foi gostoso.
Fiquei ouvindo os barulhos da cozinha e pensando no que tinha me sufocado até pegar no sono. Não aguentava mais os meus olhos, estava quase desmaiando. Parecia que minhas pálpebras viraram chumbo e eu não conseguia as manter abertas. Lutei contra o sono como um gato luta por uma sardinha, mas no final perdi. Só me lembro de Náthan entrando no quarto com algo na mão, fechar as janelas e logo depois me cobrir.
Mas agora eu aprendi a lição: Nunca obedecer a minha mãe. Ela tem um péssimo pressentimento e uma ótima lista de xingamentos. Contra mim, lógico. Quem mandou corrigir um professor? Ah, foi por uma droga de impulso! Eu não sou tão impulsiva assim, mas tenho que admitir que erros de português me perturbam muito. Como o Sweeney Todd se perturba ao ver barbas... Ou seriam pescoços?
Notas finais
Eu prometo nunca abandonar essa estória. Nunca! Até por que como poderia? Me apaixonei pelos meus leitores, pelos meus personagens...
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