A Morte Das Areias do Saara
91 Sob o Luar no Oásis
Notas iniciais

Amor, como eu adoraria descer para a lagoa,
banhar-me com você por perto da margem.
Só para você eu usaria minha nova roupa de banho de Memphis,
feito de linho puro, adequado para uma rainha
Venha ver como fica na água
~ Fragmento de “Cairo Ostracon 25218”
Os choros da pequena Merti não tinham acabado, mas tinham acalmado o suficiente para ela ao menos parar de gritar. A garota agora soluçava e chorava quieta sem querer soltar-se de Anúbis. E por ele, estava tudo bem. A menina podia ficar quanto tempo quisesse lá agarrada ao pescoço dele extravasando os sentimentos que precisava. Mas, se ele visse que ela não iria se acalmar, obviamente tentaria conversar com ela. Ela ao menos já tinha parado de gritar, era um começo.
Com Merti ainda agarrada ao seu pescoço, ele foi até o dromedário, que carregava ainda o corpo falecido de Kanebti nas costas, e segurou a rédea do animal. Apesar de ter que levar consigo uma criança, um dromedário e um adulto, não foi nem um pouco difícil para Anúbis magicamente levá-los até um oásis com árvores frutíferas e, não menos importante, água fresca.
Já estava tarde demais para levar eles até Siwa. Afinal a noite já começava e apostaria seu kit de mumificação que a avó de Merti já estava dormindo ou se preparando para isso. Sem falar que ele queria conversar com a garota direito, para ela ficar mais calma, menos traumatizada com tudo o que havia acontecido e mais segura. Mas, no estado em que ela estava, essa conversa ainda não daria certo. A prova disso foi que ela estava tão focada em seu luto escondendo o rosto no pescoço do deus, que nem notou a súbita troca de cenário.
Ignorando totalmente o fato de que tinha um corpo sobre sua corcova, o dromedário já ia alegre beber água. Assim, sobrou pra Anúbis apressadamente e por magia, tirar o corpo de Kanebti de cima do animal e deitá-lo pacificamente sobre a areia. Tudo isso ainda segurando Merti no colo.
Vendo que o dromedário já parecia bem satisfeito com a fonte de água, o deus voltou sua atenção novamente para Merti. Era importante que ele acalmasse ela o suficiente para que ela comesse alguma coisa e bebesse água.
— Merti… — disse ele calmamente esperando para ver cada reação da garota antes de continuar, apesar de também não ter muita certeza de o que dizer.
— M-Moço… — disse a garota chorosa interrompendo dele levantando um pouco a cabeça — o papai vai consegui achá a mamãe?
— Achar sua mãe? — repetiu Anúbis já tendo uma ideia do que a garota se referia mas queria checar mesmo assim.
— É… — disse Merti fungando profundamente o nariz que escorria — O papai disse que quando a gente ficasse velhinho, a gente ia encontrar a mamãe. Ele não tá velhinho ainda.
— Talvez ele encontre sim. — respondeu Anúbis — Se a gente ajudar ele e se ele tiver sido bom.
— O papai é bom moço! Ele é! Ele é! — resmungava ela chorando se encolhendo abraçando o pescoço dele de novo — Eu quelo ajudá ele a achar a mamãe.
— Então você me deixa levar seu pai para outro lugar? — perguntou Anúbis — Eu vou cuidar dele por um tempinho e trazer ele de volta pra você e sua avó. Aí vai ficar mais fácil para ele achar a sua mãe.
Timidamente e ainda encolhida no colo dele, a pequena Merti afirmo com a cabeça. Foi tudo que Anúbis precisava para decidir que iria ele mesmo mumificar o homem. Talvez a mãe de Kanebti fosse um poder de decisão melhor quanto ao destino do corpo dele, mas não era comum as pessoas recusarem a oferta de uma mumificação gratuita feita pelo próprio deus.
Mas, antes que ele mandasse magicamente o corpo para a sala onde Anput estava com certeza segurando o estômago enquanto fazia as mumificações, ele tentou deixar Merti no chão. Contudo, a menina recusava a solta-lo segurando-o firmemente pelo pescoço.
— NÃAAAAAO! — gritava ela chorosamente — NÃO ME DEIXA SOZINHA TAMBÉM!
— Eu não vou deixar você sozinha, Merti. — disse ele com dor no coração ao ver o desespero da garota — Eu só preciso escrever um recado e ter os dois braços é mais fácil para fazer isso.
— P-Pometi? — perguntou Merti soluçante.
— Prometo. — garantiu Anúbis — É rapidinho.
Novamente Anúbis tentou botar Merti no chão, dessa vez, com bastante cautela para qualquer choro dela. Mas, apesar da menina claramente não gostar da ideia, ela aceitou. Foi quando ele magicamente invocou, para a surpresa dela, um pedaço de papiro, um pincel e um potinho com tinta tão preta quanto a noite preso a uma prancheta de madeira, que ela notou que não estava mais no mesmo lugar.
Os olhinhos dela se arregalaram e olharam, com óbvia surpresa, para as palmeiras do oásis, para a água que refletia a lua e para o bilhete simples que ele escrevia apoiando o papiro na prancheta.
— Você é mago, moço?! — perguntou ela surpresa.
— Ahm… não exatamente. — respondeu ele.
Ela parou uns segundos e juntou as informações que tinha e logo seus olhos ficaram arregalados de surpresa ao perceber que o nome que ele tinha usado não era uma mera coincidência.
— Você é o deus! — exclamou ela.
— Sou… — respondeu ele simplesmente já bem acostumado com o choque que vinha com a revelação. Estava mais focado no bilhete que terminava.
O bilhete, simples, era simplesmente um resumo para Anput do que tinha acontecido e um pedido para deixar aquele corpo com ele. Anúbis fez a pancheta, o pincel e a tinta sumirem deixando apenas o papiro em suas mãos. Rapidamente Merti agarrou-se ao saiote dele como que para ter certeza que ele não iria tão longe. Ao olhar para baixo, pra ela, o coração dele se apertou ao ver a expressão de tristeza e solidão em seus olhos. Assim, ele estendeu a mão para ela e imediatamente ela soltou seu saiote.
Os dois foram andando então para onde o corpo de Kanebti estava. Ele se agachou, soprou um pouco a tinta molhada do bilhete e colocou-o dentro das roupas do homem, bem na gola. Protegido o suficiente para não cair, mais visível o suficiente para não passar despercebido.
Obviamente, vendo o corpo do pai novamente e de tão perto, Merti recomeçou a chorar. Ao menos o choro não veio incluído de gritos, como no primeiro. Era um choro mais quieto e soluçante, mas não menos sofrido.
Anúbis sentou-se na areia e ficou olhando para Merti com tristeza no olhar e logo soltou um suspiro.
— Você quer dar tchau para seu pai? — perguntou ele enquanto fazia uma pequena chama para trazer um pouco de luz para a escuridão da noite — Vou usar mágica para levar ele para outro lugar e então devolvo depois.
Silenciosamente, ela afirmou com a cabeça sem tirar os olhos do pai e Anúbis só ficou lá, esperando, dando o tempo que ela precisava. Ela apenas ficou olhando para o pai enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto e foi nesse momento que Anúbis deduziu que seria uma boa hora para dar o recado final que Kanebti tinha deixado para filha.
— Ele pediu para te dizer que te ama. — falou Anúbis.
Merti deu uma profunda fungada começando, previsivelmente, a chorar de novo. Suas mãozinhas esfregaram os olhos com brutalidade tentando se livrar inutilmente das lágrimas.
— Eu também amo o papai! — choramingou ela.
— Posso dizer isso para ele se quiser. — sugeriu ele — Quer?
A garota confirmou com a cabeça abaixando as mãos de seu rosto e olhando para o pai mais uma vez. Com pequenos passos, se aproximou do pai, ajoelhou-se ao seu lado e deu um beijinho na testa do pai tal como ele fazia quando botava ela para dormir.
Com o rosto todo molhado, mas ao menos sem lágrimas novas, a garota se sentou na areia ao lado do corpo do pai abraçando os próprios joelhos. Anúbis, logo ao lado, apenas a olhava enquanto pensava um milhão de coisas. E lá ela ficou por vários minutos enquanto ele esperava uma reação dela. Mas a menina quase parecia petrificada. Ela só mostrou alguma reação quando ele se levantou e começou a andar para o lago do oásis.
O mero ato dele se levantar fez ela entrar em desespero. Rapidamente a menina se levantou e correu na direção de Anúbis logo agarrando sua perna, sem soltar a preciosa boneca, claramente com medo de ele ir embora. Ele, por sua vez, parou de andar e olhou para a garota levemente surpreso pela reação. Mas logo a surpresa foi substituída por um olhar de pena e tristeza.
— Não vai embora… — resmungou ela.
— Estou apenas indo pegar água e algumas frutas para você. — explicou ele — Tem que comer algo. E já que provavelmente vai querer dormir logo… Afinal, deve estar cansada. Já está bem escuro.
Ela parou para pensar um pouquinho e logo soltou ele. Os dois foram então até o lago do oásis, onde o dromedário já estava muito bem dormindo nas margens, e com uma mágica muito simples, Anúbis fez surgir em suas mãos uma pequena jarra de cerâmica minuciosamente detalhada com flores e linhas. Sob o olhar atento da criança, ele se agachou e encheu a jarra de água prestando muita atenção para nada além de água entrar.
Agachado como estava, ele ficava praticamente na altura da criança, assim, nem se levantou ao estender a jarra cheia d’água para ela. Merti não pensou duas vezes antes de levar a jarra até a boca e começar a dar vários goles desesperados.
— Devagar… — alertou Anúbis meio chocado, meio não tão surpreso assim.
Apesar do alerta, a menina só parou mesmo quando precisou respirar. Aproveitou também a oportunidade para limpar o rosto cheio de lágrimas com as mangas da roupa, embora não tivesse feito isso tão bem assim. Enquanto isso, Anúbis olhava para o alto das árvores para se certificar de que tinham frutas ali também. Ao identificar os grandes cachos cheios de tâmaras, ele abriu um pequeno sorriso.
— Gosta de tâmara? — perguntou ele.
— Goto.
Não foi muito difícil parar Anúbis pegar as tâmaras no alto da árvore e, assim, alimentar a criança que bem que merecia uma boa comida depois de vários dias no deserto. Uma rápida checagem pela comida que o dromedário carregava deixou a refeição um pouco melhor e logo a menina estava distraída o suficiente para, disfarçadamente, Anúbis mandar o corpo do pai dela para o submundo. A partir daí, demorou menos ainda para a menina simplesmente cair no sono.
A cena da pequena Merti, usando a longa capa com capuz como lençol para se proteger da areia, abraçava à sua boneca e encolhida sob um lençol laranja que o dromedário até então carregava, era uma tranquilidade que o dia bem merecia. Contudo, Anúbis não podia ficar muito tempo ali, sabia disso. Mas tinha prometido para ela que não iria embora. Assim, torcia para as coisas no submundo ficarem estáveis o suficiente ao menos até ele voltar.
O deus só estava se perguntando quanto tempo ia demorar para algum deus aparecer ali e qual seria o primeiro. Sua resposta foi respondida quando notou uma águia sobrevoando o céu em círculos. Conhecia bem aquele olhar impactante com um olho diferente do outro que a águia lançava para ele, mas Anúbis nem se preocupou. Nem mesmo quando a águia pousou na sua frente e se transformou em Hórus que, antes de falar qualquer coisa, analisou bem a cena em que o primo estava.
— Vai… — disse Anúbis — Começa a sua bronca de como eu deveria estar lá embaixo julgando as almas ou algo do tipo.
— Eu deveria dizer isso mesmo né? — disse Hórus suspirando — Sabe que quanto mais tempo passa aqui, mais ainda passa lá embaixo.
— Sei disso. — confirmou Anúbis.
— Sabe também que ajudar essa garota não vai fazer nenhuma diferença para a situação em que estamos? — perguntou Hórus erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Sei. — respondeu Anúbis dando de ombros — Mas vai fazer toda diferença pra ela.
Pela expressão de Hórus, incrivelmente, ele pareceu gostar de resposta. Tanto que, depois de uns minutos de silêncio pensando, ele falou:
— Vou buscar os corpos das pessoas que não tem condições de serem mumificadas e mandar lá para baixo no seu lugar. Mas só por hoje.
— Sério? — perguntou Anúbis surpreso.
— Não me faça repetir. E Anput pediu pra avisar que deve vir logo te ver… Disse que só ia terminar mais alguns corpos. — pediu Hórus trocando para sua forma de águia novamente e indo embora antes que ouvisse qualquer coisa mais, mesmo que fosse um “obrigado”.
Com Merti e o dromedário dormindo, Anúbis não tinha muito o que fazer além de esperar. Mas, dentro de alguns minutos de espera, Anput eventualmente apareceu. O sorriso cansado em seu rosto parecia também aliviado e orgulhoso ao se sentar ao lado dele o mais silenciosamente possível para não acordar Merti.
— Jeito diferente de tirar uma folga. — disse ela.
— Não é uma folga. — respondeu ele — Não totalmente ao menos. Conseguiu mesmo mumificar os corpos?
— Os primeiros foram os mais difíceis. — disse ela — Mas foi ficando menos ruim a cada um que eu ia terminando. Mas ainda é bem nojento. Não sei como você consegue.
Sem saber a resposta, ele apenas deu de ombros e, abraçando os próprios joelhos, ficou olhando com o canto do olho o sono tranquilo que Merti parecia ter.
— Alguma novidade lá embaixo? — perguntou ele.
— Bem… do tamanho da fila você já deve ter sentido no tempo que esteve aqui… — comentou ela e ele afirmou com a cabeça — Mas… Nekhbet tentou fazer uma previsão quanto à como vamos sair dessa situação e … bem… ser grandes de novo.
A informação atraiu a atenção de Anúbis e fez ele focar em Anput novamente curioso pelo resto da informação.
— Você sabe como são as previsões de Nekhbet… — começou ela suspirando.
— Confusas. — disse ele e Anput afirmou com a cabeça.
— Sim…. Muito… — disse ela suspirando — Mas, pelo o que deu para entender, ao menos mais um outro semi-deus virá “autorizado por todos”, segundo ela. E será filho de Rá ainda por cima. Ou melhor, de Amon-Rá. Não sabemos bem quando… só que ele vai ser filho, nas palavras dela, “do faraó poderoso pelo sucesso estrangeiro que portar o nome do deus”.
— De qual deus? — perguntou ele e ela deu de ombros — Amon-Rá?
— É o que todos estão curiosos. — revelou Anput — O que Nekhbet previu é que esse semi-deus vai ser responsável por uma importante paz no Egito. Bem… não é necessariamente a descoberta de quando vamos ficar numa situação melhor novamente, mas é alguma coisa.
— É… alguma coisa coisa. — repetiu Anúbis reflexivo voltando a olhar para a adormecida Merti.
Anput parou uns segundos para admirar a cena e sorriu ao notar como a menina estava bem e tranquilamente dormindo. Tinha visto a situação em que o pai dela havia chegado no submundo, então o fato de ela aparentar estar bem era uma incrível vitória.
— Então… qual o nome dela? — perguntou Anput.
— Merti. — respondeu Anúbis ainda olhando para a criança com o pensamento trabalhando bastante.
Alguns segundos de silêncio os envolveram enquanto Anúbis pensava e Anput simplesmente aproveitava a brisa noturna e a presença dele. Esse silêncio, no entanto, foi quebrado por Anúbis.
— Anput… — disse ele virando-se para ela, consequentemente atraindo o olhar dela para si, e aproveitando para admirar por uns segundos a bela esposa que tinha e como aquele pequeno piercing de argola que ela tinha colocado na narina direita havia combinado tanto com ela.
— O que? — perguntou ela rindo, começando a ficar sem graça do silêncio combinado do olhar dele que não parecia desgrudar dela.
— Quer ter uma filha? — perguntou ele diretamente.
A pergunta tão repentina fez Anput ficar extremamente corada e demorar encontrar alguma resposta. Não era algo que estivesse esperando ele perguntar assim, do nada. Não tinha uma resposta pronta para aquilo. Afinal, era algo sério e, se respondesse sem considerar o peso, provavelmente a resposta não era a que ele queria, pois podia ver nos olhos dele o que ele queria ouvir.
— Q-Que pergunta é essa assim do nada? — questionou ela.
— Não é tão do nada. — defendeu-se Anúbis — Estão à séculos nos irritando mesmo para termos logo filhos.
— Não está perguntando isso por causa da pressão dos outros. — acusou ela calmamente enquanto seus olhos iam para Merti — Te conheço bem.
— Deixa pra lá. — disse ele já notando a relutância dela — Foi só uma ideia boba.
Anput suspirou. Mas não foi um suspiro de alívio, foi um suspiro de quem busca paciência. Obviamente, a cena acabou criando um silêncio tenso entre os dois enquanto cada um seguia com seus sentimentos engarrafados.
— Olha… — disse Anput eventualmente — Sabe que é uma coisa complicada. Querendo ou não, congelamos no tempo meio jovens demais. Claro, muitos humanos têm filhos e estão casados desde os 13 ou 14. Mas uma criança, mesmo que imortal, é muita responsabilidade e você já é tão ocupado.
— Você tem ótimos argumentos… — suspirou Anúbis — Bem… eles também eram os meus até antes disso, então é bem previsível. Fiquei pensando nisso por um bom tempo hoje.
— E não quero soar egoísta, mas eu ainda quero conhecer muito do mundo. — disse ela — Ele está mudando tanto a cada século que passa.
— Não é egoísmo… Não acho ao menos. — disse ele dando de ombros — Mas uma criança não a impediria de fazer isso. E obviamente eu não largaria ela só pra você cuidar.
— É… Mas provavelmente seria bem complicado. Principalmente no começo. — defendeu-se Anput.
Anúbis sabia que a resposta dela seriam todas aquelas palavras que ela havia dito. Assim, não ficou tão surpreso e muito menos decepcionado. Ele mesmo havia dito muitas daquelas palavras quando os outros deuses lhe perguntavam quando iriam ter herdeiros. Ele mal entendia o que tinha mudado em sua cabeça e, olhar para Merti, dormindo agarrando-se a boneca e chupando o dedão de uma das mãos, fazia Anúbis entender menos ainda. Não era a primeira criança mortal que via. Nem a primeira órfã. Mas Merti tinha claramente mexido com ele e parte de si pensava em como era cruel a vida tão rápida que os mortais levavam. Para eles, os deuses, não passava de um piscar de olhos.
O silêncio constrangedor estava ali novamente. Entretanto, ele deu à Anput mais tempo para pensar numa resposta. Afinal, mesmo que não estivesse afim no momento, não sentia que sua resposta era definitiva. Eram deuses imortais, tempo eram o que tinham de sobra. Isso é, se ela conseguisse se manter por tempo o suficiente. Popular do jeito que era, ela duvidava que ele teria problemas com isso.
— Anúbis… — disse ela calmamente — Agora, não estou muito afim de ser mãe. Mas… isso não é um não em definitivo, mas também não é um sim. Pode ser até uma resposta cruel, pra falar a verdade mas, talvez um dia eu esteja. Preferencialmente quando tivermos passado desse caos e tudo estiver melhor.
Podia não ser a resposta que ele queria ouvir mas, por hora, era o suficiente.
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