A Morte Das Areias do Saara
92 O oásis de Siwa
Notas iniciais

Eu não poderia persuadi-lo a entrar comigo?
Deixe o frio rastejar lentamente em torno de nós?
Então eu mergulharia fundo
e subir para você pingando,
Deixe você encher seus olhos
com o peixinho vermelho que eu pegaria
~ Fragmento de “Cairo Ostracon 25218”
Uma conversa com assuntos tão delicados quanto filhos e que ainda por cima terminava com os dois lados discordando entre si, rapidamente criava um clima meio estranho. O único barulho além do farfalhar do vento batendo nas folhas das palmeiras e tamareiras do oásis, era o suave ronco do dromedário e de Merti. Nem Anúbis, nem Anput sabiam bem como continuar aquela conversa ou mudar de assunto, assim, apenas aceitaram o silêncio que os envolveu enquanto Merti dormia.
Contudo, não muito surpreendentemente graças aos acontecimentos do dia, os sonhos de Merti estavam claramente indo por caminhos não muito agradáveis, pois o suave ronco e suspiro da criança logo se transformou em resmungos sem sentido e começos de choro. Foi o triste som das fungadas de um começo de choro infantil que atraiu a atenção de Anúbis e Anput.
— Parece que, assim como o dia, a noite dela também não está sendo das melhores… — disse Anput tristemente soltando um pequeno suspiro.
— Já tinha achado incrível ela ter conseguido dormir pra começo de conversa. — disse Anúbis olhando para a garota sem saber bem o que fazer.
Merti abraçava cada vez mais forte sua boneca enquanto Anúbis se perguntava se era uma boa ou má ideia acordar ela. Anput estava longe demais para fazer alguma coisa, mas ela se aproximou um pouco mais da menina para poder ver seu rostinho adormecido e choroso melhor. Era fácil ver a dor da perda estampada no rosto de Merti e foi exatamente ela que fez Anput, instintivamente, levar a mão até o rosto da pequena para limpar-lhe uma lágrima.
— Você vai levá-la para a avó logo pela manhã? — perguntou Anput.
— Provavelmente assim que ela acordar. — disse Anúbis.
— Espero que a avó tenha condições de mantê-la. — falou Anput preocupada — Uma boca a mais não é fácil para todos.
Sabendo que isso era bem verdade, Anúbis não se sentiu na necessidade de responder nada para Anput. Mas, silenciosamente, ele torcia para a senhora idosa ter condições de manter a neta, mesmo que ele tivesse que dar uma forcinha. Vendo ainda a expressão de tristeza e aflição no rosto de Merti, o único alento que ele pode dar que não acordasse a garota, foi um leve acariciar em sua cabeça que tentava dizer, silenciosamente, que tudo estaria bem.
Não tinha mais muito o que fazer enquanto a noite não passasse e Merti acordasse. Assim, para não deixar Anúbis sozinho ali, Anput resolveu fazer-lhe companhia quase que fingindo que a conversa anterior dos dois não tinha acontecido. Eventualmente, no meio da noite, Merti acabou acordando. Com sono demais para notar a presença de Anput, já que também nem se deu ao trabalho de terminar de abrir os olhos, ela voltou a dormir poucos segundos depois que sua pequena mão agarrou dois dos dedos da mão direita de Anúbis.
Quando o sol estava ameaçando nascer no leste, Anput foi embora. Afinal, o trabalho só havia se acumulado no submundo e ela torcia, implorava, para que Anúbis não demorasse tanto mais por ali. Mas, claro, demorasse ainda assim o tanto que fosse necessário para deixar Merti em segurança com a avó.
Apesar de ter sido provavelmente uma noite mal dormida para Merti, Anúbis imaginava que ela fosse acordar bem cedo. E de fato, o sol nem tinha terminado de nascer quando a menina abriu os olhos e se sentou lentamente com a cara amassada e os olhos inchados devido às várias lágrimas que derramara durante a noite. Os olhos da pequena lentamente percorreram o ambiente em que estava e logo se encheram de lágrimas novamente.
— Não sonho? — perguntou ela — O papai…
— Não… Não foi um sonho, Merti. — disse Anúbis — Sinto muito.
A garota parou por uns segundos e logo ela mesma limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Todo movimento que ela fazia, cada expressão que aparecia em seu rosto, tinha a total atenção de Anúbis que tentava determinar se ela precisava de alguma coisa não dita. Mas, vendo que ela parecia ela mesma se acalmar, ele resolveu esperar um pouco antes de falar qualquer coisa. Contudo, logo foi pego de surpresa por uma pergunta dela.
— Quando eu ficá velhinha… — disse Merti — Eu vou vê o papai de novo? E vê a mamãe?
— Se você for uma boa garota, então sim. — disse ele — Vai poder encontrar os dois e viver no Aaru, um lugar muito bonito e sem muitos dos problemas que tem por aqui.
— Não podi ir agora? — perguntou ela.
— Não. — respondeu Anúbis sério sabendo que provavelmente a garota não entendia o peso daquela pergunta — Você tem que aproveitar a vida aqui também. Crescer, aprender coisas novas, fazer novos amigos… e depois… bem depois preferencialmente, quando encontrar seus pais de novo, vai poder contar para eles todas as aventuras que teve por aqui. Eles vão ficar muito felizes de saber que você se divertiu bastante aqui.
Com um pequeno fungado, Merti ficou tentando aceitar aquela informação de que teria que esperar bastante para ver o pai de novo. Anúbis só esperou a menina no tempo que ela precisava para ficar “bem”, ou o mais perto disso, de novo. A boneca nos braços dela, coitada, já tinha sido apertada bastante a noite inteira e lá estava Merti apertando-a novamente. Anúbis não se surpreenderia se a avó tivesse que reforçar os pontos da boneca de pano dentro de alguns dias.
— Vamos hoje ver a vovó? — perguntou Merti.
— Sim. — respondeu ele — Rapidinho chegamos lá. Quer ir agora?
— Tô com fome… — disse a garota.
— Ah… é… — disse ele lembrando que os mortais ficavam com fome com uma frequência grande demais que ele ainda não conseguia entender.
Não era como se tivesse uma variedade muito grande de comida num oásis no meio do Saara, só havia tâmaras e nozes de palmeira no oásis e o resto de um pedaço de pão que o dromedário carregava. Não era a melhor das refeições, mas satisfez Merti.
Enquanto a garota comia, Anúbis pensava em quão incrível era Kanebti ter conseguido um dromedário domesticado. Afinal, apesar dos estereótipos que o Egito viria a acumular nos séculos seguintes, dromedários e camelos não eram animais comuns para transporte e muito menos domesticados daquele lado do Mar Vermelho. Segundo as lembranças que podia já vasculhar do falecido Kanebti, via que o animal foi comprado de um viajante dos povos semitas da península arábica, o que fazia muito mais sentido.
Com a barriga de Merti suficientemente cheia, eles se prepararam para deixar o pequeno oásis para trás. Mas não sem antes Anúbis pegar um longo pedaço de linho para usar como uma capa com capuz. A última coisa que ele queria no momento era começar uma comoção no pequeno vilarejo quando os mais fiéis e aqueles perto da morte começassem a perceber que ele não era um mero viajante. Não era o melhor dos disfarces, ele sabia, mas era o suficiente por enquanto, já que simplesmente sumir para parecer que Merti estava andando sozinha não lhe parecia uma opção muito boa também.
O oásis e vilarejo de Siwa era muito longe do Nilo e do Mar Mediterrâneo, tanto que ficava quase na divisa do que viria a ser a Líbia. O contato do vilarejo com o resto do Egito era tão pouco que muitos de seus habitantes nem egípcios eram, mas mais e mais iam recebendo a cultura egípcia que se misturava com a cultura dos habitantes criando uma atmosfera e população única em Siwa. Não haviam rios que chegavam até o vilarejo, mas a quantidade de lagos e oásis ao seu redor era simplesmente absurda e o tamanho de alguns era tão grande que, sentado em uma das margens, alguém com uma visão não tão boa não conseguiria ver a outra margem.
Toda essa quantidade de água fazia com que o vilarejo de Siwa, apesar da enorme quantidade de areia, fosse também verde e era essa água que os aldeões usavam inclusive para irrigar suas plantações de tâmaras, as melhores do Egito segundo alguns, azeitonas, ervas medicinais, trigo e cevada. Foi também perto dessas plantações, num lugar sem ninguém para estranhar duas pessoas e um dromedário surgindo do nada, que Anúbis e Merti apareceram magicamente em Siwa. A menina estava claramente empolgada com a magia que foi simplesmente surgir da cidade da avó, a qual nunca visitou.
Merti olhava para tudo com os olhos brilhando de empolgação enquanto entrava na cidade com uma mão agarrada à boneca e a outra na mão de Anúbis, a qual tinha muito receio de soltar. A garota olhava fascinada para o enorme oásis, para como o sol da manhã iluminava um estranho morro de pedra no horizonte e para as pessoas conversando na rua tanto em egípcio, como num idioma que ela não conhecia.
O tour por Siwa não durou tanto quanto Merti queria, pois logo eles estavam diante da humilde casa na qual sua avó morava com uma porta de madeira simples e uma laje de aparência simpática com um pequeno toldo no topo. Ao notar que eles haviam parado, Merti olhou para Anúbis.
— Essa é a casa da vovó? — perguntou ela e ele sorriu levemente e afirmou com a cabeça.
— Não quer bater na porta para ver se ela já acordou? — perguntou ele.
Merti parou por alguns segundos pensando na ideia, mas logo notou um problema. Com uma mão segurando a boneca e a outra segurando a mão de Anúbis, ela não teria como bater na porta a não ser que soltasse um dos dois. Quando ela olhou para a mão que segurava na sua, Anúbis entendeu o que se passava na cabeça da garotinha.
— Está tudo bem… — garantiu ele — Eu não vou embora até ter certeza de que você está bem.
— Promete? — perguntou ela.
— Prometo. — disse ele — Te avisarei também antes de ir embora.
Assim, apesar de ainda receosa, Merti soltou-se dele lentamente e prestou muita atenção para ver se ele iria embora. Como ele não fez nada, a garota deu os dois passos que a separavam da porta da casa da avó e bateu ruidosamente.
— VOVÓ! — gritou Merti tentando atrair mais atenção ainda.
Ao sinal da voz da garota, eles conseguiram ouvir uma movimentação dentro da casa. Era óbvio que alguém estava se aproximando e, eventualmente, a porta se abriu revelando uma senhora de idade que usava um pedaço de madeira como bengala para se apoiar que parecia uma versão envelhecida do que as memórias de Kanebti identificavam como sendo a mãe dele.
— Merti? — disse a senhora ao abrir a porta e ser imediatamente atacada por um abraço da neta.
A mãe de Kanebti ria ao deixar seus olhos serem tomados pelas lágrimas de alegria ao ter a neta ali, diante dela. Era claro que a idosa queria se agachar para abraçar Merti melhor, mas aparentemente os joelhos e a coluna dela não permitiam que esse feito fosse alcançado tão facilmente. Mas, mesmo assim, teimosamente a idosa tentou. Usou até mesmo as paredes de sua humilde casa para poder se ajoelhar e ficar na altura de Merti para poder abraçar a neta bem apertado.
— Pelos deuses… você cresceu tanto! — chorava a senhora abraçando a neta — A vovó estava tão preocupada. Estavam demorando tanto para chegar!
Foi quando a idosa foi olhar para Anúbis, provavelmente imaginando que era Kanebti, que ela notou que ele não tinha nada a ver com o filho. Não só a pele branca do deus não tinha nada a ver com a do filho, como também era claro que o rapaz à sua frente parecia um pouco jovem demais para ser Kanebti. Mas a maior diferença foi aquela sensação que percorreu o corpo dela quando ela olhou diretamente para ele. Aquele arrepiar na sua nuca acompanhado da sensação de como se estivesse vendo uma montanha de ouro ou algo brilhante demais que parecia quase não pertencer à realidade e sim a imaginação.
A senhora nunca tinha visto o faraó com os próprios olhos, sequer mesmo um de seus filhos ou demais parentes, mas tinha certeza que nem mesmo ele poderia passar uma sensação tão inexplicavelmente mística e poderosa.
— Sinto muito, Tameniut. — disse Anúbis já sabendo o nome da senhora e expondo isso justamente para provar para ela que as suspeitas dela estavam certas — Seu filho, Kanebti, não sobreviveu ao deserto.
— O-o quê? — perguntou retoricamente Tameniut com as mãos começando a tremer e a força escapando de seu corpo, felizmente já estava no chão — O-o meu filho…?
— Ele se perdeu. — explicou Anúbis — Ficou sem água e com pouca comida mas fez de tudo para manter Merti viva e saudável… até perder a própria vida pela sede.
— Não… Não… — choramingava Tameniut logo começando a gritar pela dor do luto ao se encolher no chão.
A dor de perder um filho é algo que nenhuma mãe quer sentir, e certamente não era algo fácil de presenciar. Anúbis abaixou e desviou o olhar enquanto a mulher chorava, mas não demorou muito para as lágrimas ocuparem os olhos de Merti também. O leve fungar que começou no nariz de Merti atraiu a atenção da mulher que rapidamente tomou a neta nos braços novamente e juntas, abraçadas, desataram a chorar.
Depois de alguns segundos, Merti foi a primeira a quebrar o choro embora ainda estivesse fungando o nariz bastante e com lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
— V-Vai… ficá tudo b-bem… vovó… — disse a garota chorosa — O Nubis disse que… o p-papai pode encontrá a mamãe… a gente tá… ajudando o papai.
— V-Voc-…quer dizer... s-senhor… — gaguejou a senhora se embaralhando em como chamar Anúbis — És Anúbis?
— Sou… — respondeu Anúbis calmamente e isso foi tudo que precisou para a mulher se curvar no chão quase tocando o nariz no piso levemente sujo de uma insistente areia que constantemente tentava entrar na casa da mulher — Sinto muito pela sua perda. Posso ter me adiantado mas, se estiver tudo bem, tomei a liberdade de pegar o corpo de seu filho para realizar a mumificação. Irei trazê-lo de volta quando estiver tudo pronto. Assim está bom para a senhora?
— Sim! Seria uma honra! — disse a mulher chorosa embora Anúbis tenha ficado pensando se ela teria coragem de falar que não se não estivesse de acordo com a ideia.
— O resto das coisas de Kanebti estão no dromedário… — informou Anúbis — Ele é domesticado, algo raro no Egito, então, caso não veja utilidade para ele, deve conseguir vendê-lo por muito. Não é muito, mas também tem algumas tâmaras com ele. Uma boca a mais deve ser difícil manter, mas acho que aqui pelo menos não foi tão afetado pela seca do Nilo.
— De fato… — respondeu a mulher ainda sem se levantar — Aqui dependemos dos oásis, não do Nilo e uma boca a mais sem dúvida traz mais complicações, mas cuidarei de minha neta com todo amor e atenção que eu puder dar e sem dúvida o preço do animal e as tâmaras serão de muita ajuda.
— Tem meios de continuar mantendo-se depois que vender o animal? — perguntou Anúbis curioso com como uma idosa com dificuldade para andar ganhava a vida.
— Sim… — disse ela tentando parar os soluços causados pelo choro ao menos enquanto falava com o deus — Vendo alguns cestos, bolos, sei costurar e cuido com o vizinho de um casal de gado e tenho um pequeno galinheiro nos fundos. Os animais foram comprados graças a…. a…. Kanebti…. da última vez que ele enviou parte de seus ganhos para cá por meio de um amigo.
Apesar de notar que mencionar o nome de Kanebti parecia doer para Tameniut, Anubis julgou que a situação estava estável o suficiente para ele ir embora. Assim, ele se ajoelhou na altura de Merti, algo que fez a avó da menina se encolher mais no chão e evitar ainda mais olhar para cima, e abriu-lhe um sorriso pequeno e triste se perguntando se a menina já tinha percebido que ele estava prestes à ir embora.
Sua pergunta não dita foi respondida quanto, Merti, com o rosto sujo de lágrimas, correu para abraçá-lo pelo pescoço.
— Tem memo que ir? — perguntou ela.
— Tenho. — respondeu ele suspirando pesadamente enquanto retribuía o abraço — Você vai ficar bem, sua avó vai cuidar bem de você.
— Vem visitá? — perguntou ela e ele demorou um pouco para responder enquanto se perguntava qual de fato era a resposta que queria dar.
Ainda sem responder, ele se soltou do abraço e delicadamente limpou as lágrimas que manchavam as bochechas dela.
— Vou tentar… — viu-se prometendo ao olhar para aquele rostinho aflito.
Antes que acabasse prometendo mais coisa ainda, Anúbis se levantou para ir embora. Merti notou isso, mas não tentou agarrá-lo nem nada, apenas resmungou um “tchau” baixinho quando o seu novo amigo sumiu diante de seus olhos.
Deixando Siwa para trás, com o pensamento ainda em Merti e com o humor obviamente afetado pelas cenas tristes que vira e ainda mais pelas as que com certeza estariam acontecendo na casa de Tameniut, Anúbis voltou para o submundo bem na sala que usava para fazer suas mumificações. Aparecendo logo ao lado do corpo de Kanebti, Anúbis suspirou ao tirar o pano que usava para tentar chamar menos atenção.
— Elas vão sentir muito sua falta, Kanebti… — falou ele embora o rapaz não lhe escutasse pois a alma não estava ali.
Olhando ao redor, Anúbis imaginava encontrar Anput ali, fazendo a mumificação dos corpos que claramente Hórus havia enviado. Mas não tinha ninguém ali. Curioso com o que estava acontecendo no submundo durante sua ausência, Anúbis foi até o Salão do Julgamento e encontrou um círculo de conversa com alguns deuses bem importantes e o assunto, pelo o que pode ouvir, parecia ser Apófis.
— Temos que partir do pressuposto de que Apófis não vai estar sozinho. — dizia Ísis — Qual outro motivo teria levado ele à nos evitar por tanto tempo além de juntar aliados?
— Separamos um time para lidar diretamente com ele e outro para seus aliados. — falava Thoth ao lado de Seshat.
— Encontraram Apófis? — perguntou Anúbis se juntando à conversa trocando um olhar rápido com Anput.
— Perto da bacia de Cufra, à oeste da Núbia. — disse Set — Eu estava investigando o deserto perto dos Núbios e um caçador núbio me informou que algumas fofocas entre seu povo estão apontando que uma cobra estupidamente enorme, maior do que é possível, está por lá. Não deve ser mera coincidência.
— Irei averiguar isso amanhã bem cedo. — disse Hórus — Temos que estar prontos para já começar um combate caso seja Apófis de fato.
— De fato. — disse Osiris — Vai ser muito difícil se aproximar sem ser notado.
— Sim…. — suspirou Ísis — Assim que Apófis vir Hórus, o combate provavelmente começará.
— E… temos um plano… né? — perguntou Anúbis olhando para Thoth que prontamente sorriu.
— Claro que temos! — exclamou Thoth — E ainda bem que chegou, pois você é parte dele embora as partes mais importantes fiquem com Set e, à pedido de Rá e também seguindo a lógica, Bastet. E preste muita atenção no plano pois temos que fazer ele perfeitamente. A situação em que estamos é muito complicada com ou sem Apófis. Se ainda por cima perdemos para ele, vamos acabar como os Sumérios num piscar de olhos…
— Ainda não consigo acreditar que eles caíram… — suspirou Anput.
— Mesmo o mais poderoso dos impérios não é imortal. — lembrou Ísis — Apesar do que aconteceu com os Sumérios, temos que impedir que o mesmo aconteça com o Egito.
— Não vamos. — garantiu Hórus — Temos que resolver a situação com Apófis e logo vou me empenhar em resolver a guerra civil dos mortais enquanto continuamos a lidar com a seca.
— Vai ajudar a juntar o Alto e o Baixo Egito diretamente? — perguntou Anúbis curioso e Hórus negou com a cabeça.
— Temos que deixar eles escreverem a própria história… — lembrou Hórus — Minha ajuda tem que ser mínima mesmo que isso signifique que teremos o mesmo fim da Suméria. Infelizmente, é assim que as coisas são.
— Infelizmente… — disse Osíris suspirando — Eles ocasionaram isso, eles que tem que arrumar apesar de a consequência ser de todos nós. Tudo o que podemos fazer é torcer para eles conseguirem ou que, se não, seja qual império que se siga depois do nosso, os cultos não mudem tanto. Sem fiéis, não existiremos.
— Ao menos nisso a Suméria… ou melhor, agora a Acádia... tem fazendo um trabalho ao menos aceitável — disse Bastet.
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