A Morte Das Areias do Saara
93 Em Carne Viva
Notas iniciais

Oh, pressa em olhar para o seu amor!
Seja como cavalos atacando na batalha,
Como um jardineiro acordado com o sol,
Queimando para ver seu broto premiado abrir.
~ Fragmento de “Papiro Harris 500”
Uma vegetação tímida e que provavelmente não iria durar mais muito pintava um pontinho verde no deserto marcando onde uma vez havia sido um oásis. As dunas cortavam o horizonte como enormes ondas douradas e a única coisa que fazia sombra na areia era um falcão voando alto no céu sem nuvens. O falcão, obviamente, era Hórus.
Não demorou muito para Hórus começar a ver no horizonte o que era claramente uma serpente estupidamente enorme. O tamanho tão absurdo e irreal deixava claro que aquela cobra era Apófis mesmo que Hórus não tivesse visto ainda o rosto dele. Na verdade, da distância em que estava, não conseguia nem mesmo achar pra que lado deveria ficar o rosto. Mas, pior do que isso, foi ver que em espaços longes o suficiente de Apófis para ser seguro mas ainda estar por perto, havia uma massa formada por outras criaturas.
Hórus sentiu o caos que aquelas criaturas emanavam e soube bem o que eram, demônios, seres oriundos do caos que formava a Terra dos Demônios, uma camada do Duat perigosamente próxima ao Mar do Caos. Um lugar perigoso e hostil cujo único ser não sanguinário ou maligno que criou provavelmente foi Ammit. A presença de dezenas de demônios ali era prova de que Apófis tinha usado seu tempo livre para formar um exército que provavelmente tinha capacidade de acabar com os deuses de uma vez só.
Enquanto Hórus pensava em como seria complicado lidar com tantos adversários e torcia para o plano de Thoth dar certo, as duas logo embaixo dele explodiram. De baixo da areia, a cabeça de Apófis surgiu com a bocarra escancarada e ansiosa para transformar Hórus em café da manhã. Apófis tinha estado até então parcialmente escondido embaixo da areia, como muitas cobras nativas do Saara bem gostavam de fazer.
Foi um pouco no último segundo, mas Hórus conseguiu desviar do ataque surpresa de Apófis voando mais para o alto e para o lado. Abocanhando só o ar seco do deserto, Apófis logo se arrumou e riu da pressa do deus em fugir de sua boca.
— Não me diga que veio sozinho… — disse Apófis — Esperava mais de você, Hórus. Mesmo que aparentemente esteja só patrulhando o lugar provavelmente me procurando, é meio prepotente de sua parte fazer isso sozinho.
— Você claramente também é um tanto prepotente… — disse Hórus ainda em sua forma de águia batendo as asas para manter a altura enquanto encarava Apófis parado no ar.
— Eu? — rio Apófis — Como bem pode ver, a não ser que esteja ficando cego do outro olho também, tenho um exército ao meu redor. Já tiveram dificuldades lutando contra mim sozinho, mas mesmo assim busquei um exército. O que tem de prepotente em aumentar a chance de acabar com vocês todos de uma vez? Bem sei que os deuses que me enfrentaram na última vez não são nem metade…
— Bem, admito que a ideia de buscar um exército sem seus méritos. — admitiu Hórus — Mas não foi por isso que chamei-lhe de prepotente.
Apófis encarou Hórus tentando entender ao o que ele se referia, mas nem sabia que Hórus estava ansioso tentando não olhar ao seu redor perguntando-se silenciosamente quando os outros chegariam. Não podia tirar os olhos de Apófis, mas pôde quando, num piscar de olhos e aparentemente de forma sincronizada, uma pequena névoa negra surgiu num ponto no ar logo ao lado de Apófis mas mais abaixo de onde Hórus estava.
A partir daí, tudo aconteceu rápido demais, e ainda bem, pois o plano dependia de serem o mais rápidos possível nessa etapa. Da névoa negra surgiu Anúbis que aparentemente havia trago Bastet de carona. Enquanto a deusa gata rapidamente venceu os poucos metros que a separavam do chão e usou a oportunidade para pegar impulso num grande pulo, Anúbis simplesmente parou no ar mesmo, julgava mais seguro ali. Esperava conseguir se manter naquele ponto pois logo teve que usar todo o poder que tinha para invocar faixas de linho fortes e repletas de magia para imobilizar não só o corpo de Apófis, mas também impedir que ele abrisse a boca.
Enquanto Anúbis ficava constantemente envolvendo Apófis em suas faixas de linho, Bastet pulou na direção do rosto de Apófis, que já estava de olhos arregalados tentando entender tudo o que acontecia. Tudo ficou ainda mais confuso para a serpente quando uma enorme tempestade de areia se aproximou numa velocidade assustadora indo para o mesmo ponto de seu rosto para o qual Bastet também ia. No último segundo, a areia se transformou em Set e junto com Bastet, cada um enfiou a espada poderosa em um dos olhos de Apófis.
Completamente cego, Apófis teria gritado de dor se não fosse o fato de que sua boca estava firmemente amarrada. Anúbis, com o cetro na mão, usava de toda a sua concentração para manter Apófis de boca fechada. O corpo enorme da serpente era grande demais para ele conseguir enrolá-lo completamente nas amarras das faixas de linho, até porquê muitas das faixas acabavam se rompendo. Mas, apesar de Anúbis constantemente tentar prender mais do corpo de Apófis, seu maior foco era o perigoso focinho.
Simplesmente de pé ao lado do corpo da enorme cobra, Anúbis acabava ficando um alvo fácil para qualquer demônio que se aproximasse. Mas ele não estava sozinho também. Da mesma forma que ele, Bastet e Set chegaram repentinamente, logo outros deuses foram chegando também. Os deuses chegaram em grupinhos que ficavam em lugares diferentes, todos prontos para lidar com os demônios do exército de Apófis. Deuses como Bes, Sekhmet, Serqet, Qebui, Heka, Khnum, Min e Tefnut se juntavam àquela massa de demônios para exterminá-los o mais rápido possível usando sua grande variedade de poderes e magias.
Alguns demônios possuiam asas, estes, ficavam como responsabilidade para deuses, tal como Hórus e Shu, que eram excelentes combatentes alados. Tanto céu como terra viam a fúria e o poder de uma intensa batalha entre deuses e demônios.
Mas, apesar da massa de deuses que focava nos demônios, era preciso que alguém garantisse que nenhum dos demônios ia atrapalhar Anúbis na complicada tarefa de manter Apófis de boca fechada. Duas deusas foram então escolhidas para isso, Ísis e Anput.
— Tudo certo até agora pelo o que parece… — disse Anput enquanto usava sua kopesh para decapitar um dos demônios que chegavam perto de seu marido.
— Sim… — disse Anúbis meio monossilábico por estar totalmente focado em criar infinitamente faixas de linho e infinitamente reforçar as que já existiam. Estava tão focado nisso que lentamente ia descendo não conseguindo mais se focar em não tocar o chão para evitar que fosse algo dos outros demônios.
— A suposição de Thoth parece estar certa… — disse Ísis lançando um trovão num grupo de cinco demônios — Se ele não tiver liberdade suficiente, ele não vai conseguir se dividir. Vê ali o rabo? Está tentando criar cópias de Apófis mas não consegue se separar bem onde as faixas de linho ficam mais firmes.
— Por favor não solte então Anúbis! — pediu Anput nervosamente fatiando um demônio.
— Tentando… — respondeu Anúbis entredentes sem ousar olhar para nenhuma das duas desde que haviam chegado. Seus olhos não desviavam do difícil trabalho.
Os olhos de Apófis sangravam inúteis, mas isso não significava que ele não conseguisse mexer a cabeça. Mesmo que estivesse impossível abrir a boca, Apófis sacudiu a cabeça jogando para longe os deuses que estavam sobre ela. Irado, Apófis deixou o caos ser expelido por seu corpo como uma baforada tão quente que era capaz de queimar a pele dos deuses que estavam mais perto assim como lançá-los para longe. Mas os deuses estavam prontos para isso, quando a tal baforada de caos foi expelida da serpente, Ísis imediatamente criou uma barreira protetora para proteger ela e, principalmente, Anúbis. Uma grande parte do plano dependia de ele conseguir manter Apófis preso em suas faixas, e para isso ele não poderia interromper o feitiço.
A magia de Ísis, no entanto, não era forte demais para conter totalmente o caos que era expelido de toda parte do corpo de Apófis. Ela, Anúbis e Anput ainda sentiam o calor desconfortável e a pele pinicando e ardendo loucamente como se estivessem dentro de um forno. A pele foi se avermelhando principalmente na ponta dos dedos esticados para conter as várias magias que estavam usando e esses logo começavam a rachar e sangrar até que o sangue prateado pingava na areia amarelada.
Era uma dor insuportável, mas com certeza não tinha sido tão ruim quanto a que Set e Bastet sentiram. Os dois estavam mais perto de Apófis e foram imediatamente expelidos para longe enquanto sentiam o corpo todo arder, queimar e sangrar em vários pontos. Podia até ser impressão, mas talvez o ódio de Apófis do momento tinha deixado o caos controlado por ele mais forte do que na luta anterior, ou talvez ele estivesse só brincando antes e agora estava levando tudo a sério.
Com o corpo doendo em vários pontos, ao serem mandados para longe com uma força assustadora, Set e Bastet bateram dolorosamente contra dois monstros alados que voavam por perto, mas logo eles usaram esses mesmos demônios como apoio para pularem na direção de Apófis mais uma vez. Era doloroso pois o caos ainda estava lá, sendo expelido, mas ambos estavam cheios de determinação e ódio pela serpente.
Os cabelos de Bastet balançavam intensamente devido ao vento quente criado pelo caos de Apófis quando ela e Set voltaram a ficar sobre o seu focinho. Um ponto de vista perfeita para ver que o chão começava a rachar e caos começava a escapar por ele também. A velocidade dos jatos de caos que escapavam no instante que o chão abria era tão intenso que levava para o ar qualquer demônio ou deus que estivesse perto demais. Set e Bastet não conseguiam ver quem eram as vítimas dos jatos de caos, mas podiam ver o cenário cada vez mais infernal que eles criavam. Ali podia ser meramente um pedaço do deserto, mas cada vez mais parecia um dos pontos mais profundos do Duat.
Set e Bastet se agarraram, cada, num pedaço das faixas de linho que se amontoavam prendendo a boca de Apófis enquanto começavam a segunda parte do que tinham que fazer. Os dois haviam deixado para trás as espadas fincadas nos olhos de Apófis numa aposta de que isso iria impedir qualquer tentativa de cura, e invocaram, cada um, uma lança de aparência tão afiada que a lâmina refletiu a luz do sol que brilhava ardente. Como numa dança sincronizada, Bastet e Set ficaram a lança através do focinho da cobra, de cima a baixo, até que lança aparecer, ensanguentada, na parte debaixo da cabeça de Apófis.
O sangue manchou as faixas de linho que suprimiam o que com certeza era um grito de dor. Irado, Apófis sacudiu a cabeça de um lado para o outro expulsando aqueles que lhe atacavam. Tanto para se seguraram, como para dar início à parte três do plano, ambos os deuses fincaram outra lança pelo focinho de Apófis. Com duas lanças como suporte, era mais difícil para a serpente se livrar de Set e Bastet cujos olhares determinados pareciam cheios de coragem e determinação de acabar com a cobra ali mesmo.
Apófis se debatia derrubando tudo que havia pelo caminho, mas isso também era um cenário que Thoth imaginou acontecer. Assim que Apófis começou a se debater, Heka e Ísis pararam de lutar contra os demônios e usaram sua magia para tentar manter o corpo de Apófis quieto. Mesmo os dois deuses sendo deuses da magia, isso não era um trabalho nada fácil. Mas, por os dois estarem juntos na missão e ainda com as faixas de linho feitas por Anúbis, eles achavam que teria sido um pouco mais fácil.
Notando a dificuldade que Ísis e Heka estavam tendo de controlar o corpo de Apófis, Hórus, que já havia afugentado praticamente todos seus adversários que agora estavam com medo de enfrentá-lo nos céus, fez um voo rasante pelo corpo de Apófis e, em cada ponto onde ele passava, ficava o mais fundo que conseguia, uma lança que rapidamente e seguidamente invocava na palma da mão. Por mais fundo que as lanças ficassem no corpo de Apófis, ele era grosso demais para atravessá-lo e a areia dificilmente fornecia algum suporte bom o bastante para a lança se fincar.
— Temos que impedir que ele se mexa demais! — exclamou Hórus enquanto o corpo poderoso de Apófis batia contra demônios e deuses esmagando quem estivesse no caminho. A maioria dos deuses conseguia escapar, mas não era o caso com os não tão ágeis e cheios de magia, mas isso também não era o suficiente para matar eles.
Com cada vez mais demônios sendo derrotados, duas deusas se juntaram à Heka e Ísis, Werethekau e Wepset. As duas deusas podiam não ser tão populares ou fortes quanto Heka ou Ísis, mas eram deusas protetoras que conseguiam fazer o mesmo tipo de magia que precisavam naquele momento. A proximidade, mesma feita com cautela, foi o suficiente para os mesmos ferimentos que se espalhavam por Ísis, Anúbis e Anput se espalharem por Heka, Werethekau e Wepset também.
Por mais que cada ferimento deixava Apófis mais debilitado, também deixava ele mais raivoso. A força que ele fazia tentando abrir a boca ficava cada vez maior. Estava sendo demais para Anúbis que tentava, sozinho, deixar a boca de Apófis fechada. Já estava totalmente no chão e os demônios começavam a rodear ele cada vez mais. A situação de Anput, tentando protegê-lo, ficava tão desesperadora que logo Qebui se apressou em ajudar.
— Quanto tempo mais tem que segurar a boca dele? — questionou Qebui, também pingando um pouco de sangue.
— Até eles não conseguirem deixar Apófis quieto o suficiente… — explicou Anput.
— Vamos pra frente.. — disse Ísis nem ousando olhar para Anúbis — Isso vai ter que dar.
— Tem certeza? — perguntou ele sentindo uma gota de suor escorrer por sua têmpora.
— Não vamos conseguir deixar ele mais parado que isso… — disse Ísis — Temos que deixar o fôlego final para o melhor momento.
Ísis trocou um olhar silencioso com Heka e o deus, rapidamente entendendo a mensagem, afirmou com a cabeça mantendo a expressão tensa e concentrada. Num piscar de olhos, e com um aperto no coração preocupados de como estaria a intensidade do caos por lá, Ísis e Anúbis surgiam a alguns metros da cabeça de Apófis, só que no chão. A cabeça do poderoso demônio ainda estava erguida no alto e balançava minimamente. Set e Bastet pularam da cabeça da serpente no momento em que viram Anúbis e Ísis surgirem.
A intensidade do caos ali era tão assustadoramente alta que era como se o mundo tivesse sido envolvido num filtro tenebroso vermelho, preto e roxo. Mesmo com a magia de Ísis tentando proteger a ambos, o caos era tão forte ali que as extremidades dos deuses rapidamente ficavam em carne viva revelando que enquanto seu sangue era de prata, sua carne era de ouro. Apesar de ser uma combinação brilhante e rica de cores, era impossível ignorar a intensidade da dor que aquilo causava. Afinal, estava estampado na expressão dos deuses que a dor que sentiam era provavelmente a pior que já haviam sentido em toda a milenar vida.
Os milésimos de segundo entre Anúbis desaparecer e aparecer de novo, foram o suficiente para metade das faixas de linho que seguravam Apófis se romperem. O deus apressadamente as refez no segundo que viu o brilho das presas da serpente. Contudo, não havia sido tão fácil quanto da primeira vez, que já não tinha sido lá essas coisas. Havia custado bem mais concentração e força do que da outra vez.
— Não vou aguentar tanto tempo mais… — disse Anúbis com dificuldade, só segurar o cetro já era uma atividade extremamente desconfortável e dolorosa já que a palma da sua mão estava em carne viva, assim como metade de seu braço.
A falta de Ísis ajudando Heka, Werethekau e Wepset também fazia o corpo de Apófis se remexer mais do que antes, mas Ísis suspirava preocupada torcendo para Heka, Werethekau e Wepset ainda terem mais poder para mostrar quando fosse extremamente necessário.
— Vamos para a parte final logo então…. — disse Set apressado estendendo a mão ensanguentada e sem pele para Anúbis como se esperasse algo.
Anúbis tinha que ser rápido e preciso agora. Já não bastava todo o esforço que ele estava tendo para manter Apófis com a boca fechada, ele ainda teve que criar um novo conjunto de faixas de linho tão minuciosamente trançadas umas nas outras que se tornariam difíceis de se romper. Estas, ele passou pelo focinho e pela nuca de Apófis deixando-as bem presas mas com duas pontas soltas de cada lado que eram longas o suficiente para chegar quase no chão. Mas elas ainda balançavam rapidamente e sem controle devido ao caos emanado por Apófis.
Bastet agarrou as faixas que caíam pela esquerda, e Set as pela direita. Juntos, eles começaram a puxar para forçar a cabeça de Apófis a abaixar, mas, ficou claro que eles não tinham a força necessária para competir com a estúpida força de Apófis. Mesmo que eles usassem toda sua força divina, a serpente ainda ganhava, e eles mesmo tinham que lidar com a dor insuportável de ter a pele arrancada milímetro por milímetro com uma força tão intensa que as habilidades de cura dos deuses estavam sendo completamente inúteis.
Constantemente de olho em quem precisava de ajuda, Hórus logo se aproximou para ajudar Bastet mesmo que isso significasse se sujeitar a parte mais intensa do caos que dava tantos ferimentos aos deuses. Com isso, a cabeça de Apófis começou lentamente a abaixar, contudo, de apenas um lado, o que não era bem a intenção de ninguém. Mas ninguém parecia também muito inclinado a ajudar Set.
— SERÁ QUE DÁ PRA ALGUM DE VOCÊS LARGAR DE SER EGOÍSTA E VIR EQUILIBRAR AS COISAS DO MEU LADO? — gritou Set raivosamente sentindo a pele do nariz e de uma das bochechas escapar dolorosamente graças ao caos emanado.
— Alguém! — gritou Ísis preocupada sabendo que bem queria ajudar mas não podia, a parte mais importante dependia de ela estar livre.
A deusa olhou ao redor, e notou que todos estavam ocupados demais com os demônios. Sekhmet até olhou rápido para Set e aparentemente tentou ir na direção dele, mas eles já tinham demorado demais. Não só Anúbis não aguentava mais, como também Heka, Werethekau e Wepset. Assim, os quatro deuses perderam para Apófis na competição de forças, um depois do outro.
A bocarra de Apófis se libertou de uma vez só rasgando várias faixas de linho e o corpo ganhou mais movimento e liberdade. A primeira coisa que Apófis fez então foi, seguindo o cheiro e as energias de morte, já que havia perdido seus olhos, mergulhar de forma mortífera na direção de Anúbis pronto para devorá-lo com um sorriso maligno que deixava claro que achava que, ao ver a situação de Anúbis, com braços e pernas em carne viva, ele não teria energia ou chances de escapar de seu bote certeiro.
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