A Morte Das Areias do Saara

111 O Processo de Coroação


Notas iniciais
olá! bem vindos a um capítulo saindo antes do previsto! :3 ele está saindo 1 semana antes pq semana que vem eu estou viajando pro Egito o/ yeeeeeeeeeey os caps vão parar enquanto eu não voltar e, quando eu voltar, eles vão aumentar a frequência. atualmente, os capítulos estão sendo atualizados a cada (mais ou menos) 21 dias. quando eu voltar, será a cada 14. ou seja, semana sim, semana não. eu volto no final de janeiro. beijinhos e bom cap pra vcs. na imagem de hoje, uma cena de uma cidade egípcia (provavelmente Mênfis ou Tebas) com algumas casas de níveis diferentes de riqueza e, ao fundo, um grande templo

A mulher pediu gentilmente ao marido.

Ele não iria permitir que o cão saísse sozinho.

(Ele faz uma viagem a algum lugar) na terra do Egito para pegar pássaros.

Eis um crocodilo, ele estava na porta de sua casa na aldeia, onde o jovem havia morado anteriormente.

Eis que havia um gigante perto dele.

O gigante não o deixou sair. ...

Ele calou a boca do crocodilo.

O gigante saiu para caminhar.

~ Fragmento de “Papiro Harris 500”

A noite seguinte prometia a chegada da lua cheia, e isso era exatamente um dos principais motivos para a preocupação de Iset. A viúva andava a passos apressados e pesados pelo palácio segurando firmemente o braço do pequeno Tutmósis III que mal conseguia acompanhar a mãe e muito menos entender o que acontecia. Iset só foi mostrar um pingo de calma, quando topou repentinamente com um dos conselheiros reais que se sobressaltou com a aparição repentina da mulher logo a sua frente.

— Minha senhora… — disse o conselheiro real.

— Reda, por favor me diga que a cerimônia de amanhã foi cancelada. — pediu Iset.

— Minha senhora, já várias vezes e irei repetir mais uma, as cerimônias de coroação não serão interrompidas. — disse Reda, o conselheiro.

— Mas meu filho é o faraó! — exclamou a mulher apontando para o menino que só acompanhava a discussão com o olhar — O único faraó!

— Bem, em breve não mais. — disse o conselheiro suspirando pesadamente — Não há nada para fazer.

— Claro que há! — insistiu Iset apesar de não acreditar nas próprias palavras.

— Os deuses deixaram claro que Vossa Majestade Hatshepsut é a escolhida deles para ser faraó. É a filha de Amon-Rá. — continuou Reda — Os sumo-sacerdotes concordam e ter o apoio deles já é grande coisa. Apesar de tudo, ela também tem o apoio dos militares.

— Ela não incitou nenhuma guerra como o pai dela fazia! — exclamou Iset.

— Verdade, — concordou Refa — Mas deixou as fronteiras fixas apesar dos problemas com os vizinhos. Lembrando que temos que lidar com os Núbios, que claramente a respeitam, e os Mitanni e os Hititas ao norte são um problema crescente. É importante passar a imagem de uma liderança firme e poderosa… infelizmente uma criança não é isso.

— Mas…

— Eu sou só um conselheiro, não posso fazer nada. — lembrou Reda — E mesmo se pudesse, não faria. Os deuses falaram e nós, como meros mortais, obedecemos. E não só isso, tem mais lógica ela ser o… a… faraó….

— Mamãe… — resmungou o menino.

— Agora não, meu amor. — pediu Iset sem tirar os olhos do conselheiro enquanto ele olhou para a criança e suspirou pesadamente.

— Pode ser diferente das tradições, mas com certeza anos fartos virão pela frente. — disse Reda otimista — Até mesmo choveu esse ano! Isso é um grande sinal de sorte. Todos já viram que está irritada. Está deixando tudo bem óbvio. Tome cuidado com o que você faz, estou avisando como amigo. A rainha, e futuro… futura faraó, tem muitos aliados importantes. Você não vai conseguir fazer nada sem aliados, e não achará nenhum. Quer goste ou não, amanhã à noite começa a coroação. Então… aproveite… quem sabe daqui uns anos Tutmósis III se case com Neferure e você poderá ter mais luxos.

Querendo fugir da conversa, apressadamente o conselheiro deu as costas para a mulher e andou rápido para qualquer lugar que fosse. Não queria que Iset, ou qualquer outra pessoa, tivesse ideias erradas de tais conversas e ele acabasse sendo marcado como um traidor.

Vendo bem que ninguém queria ficar tanto assim do seu lado, Iset suspirou pesadamente sentindo um enorme cansaço cair sobre si. Esse cansaço sumiu um pouco quando ouviu a doce voz do seu filho ao seu lado.

— Mamãe… — disse o pequeno Tutmósis III — Mamãe disse que tia Hatshepsut má, mas todo mundo gosta tia Hatshepsut.

— Ela é má, meu amor! — disse a mulher se abaixando na altura do filho e segurando seus ombros firmemente — Está pegando um poder que não era dela, era seu, e enfeitiçando a mente fraca das pessoas para acreditar em suas mentiras. Entende?

— Sim mamãe. — falou o pequeno.

— Mas não se preocupe. Uma hora chegará a nossa hora certa. — garantiu Iset.

Contudo, quer Iset gostasse ou não, a noite seguinte chegou. Porquê fazer uma coroação que dura apenas algumas horas quando se podia fazer uma que durava meses? Com várias cerimônias diversas, a chegada da lua cheia marcava apenas a primeira delas. A primeira das várias cerimônias de coroação, era a que mais deixava Hatshepsut nervosa. Não só por ser a novidade da primeira, mas também por ser um mundo completamente diferente do que estava acostumada, pois a primeira cerimônia era a encenação de um combate.

Apesar de um combate ser a promessa da noite, o pátio do palácio estava animado, cheio de música, risos, conversas e tochas iluminando tudo com o auxílio da lua cheia. Mas não só Hatshepsut e os organizadores do evento tinham que se preocupar com o combate falso, havia um problema que começava no guarda roupa da futura faraó.

Tal como a maioria das mulheres egípcias, Hatshepsut tinha vários longos vestidos e saias que iam quase até o chão. Eles eram um grande contraste com as saias curtas que os homens, incluindo os faraós, usavam. Não só isso, mas as roupas da rainha, e as roupas esperadas de uma mulher no nível de status dela, não eram muito práticas para um combate, mesmo que seja um de mentira. Mas sabendo que a aparência podiam mandar uma mensagem poderosa, ela resolveu não abrir mão do vestido, mas pelo menos escolheria algum que lhe permitisse amplo movimento e não fosse longo demais a ponto de pisar nele sem querer.

Foi assim então que Hatshepsut se viu, de vestido, com uma Khopesh, a espada egípcia em forma de foice, pele de leopardo sobre os ombros e cauda de leão pendurada como um cinto, formando uma mistura entre vestimentas de faraó e vestimentas de mulheres reais. Afinal ela era ambas e não via necessidade em ter que se vestir de homem.

Ela estava no meio de um círculo formado pelos convidados da cerimônia, todos nobres, que gritavam, comemoravam e jogavam flores para a futura faraó. Os convidados estavam ansiosos para o combate que sabiam ser falso começar. Hatshepsut, no entanto, ignorava os gritos e encarava seu adversário, um homem vestido obviamente de estrangeiro.

O homem era até egípcio, mas naquele momento o papel dele não era esse. A volumosa barba do homem por fazer e o pequeno pedaço de roupa, praticamente um cinto, que no máximo cobria pouco do sexo do homem, eram uma combinação de estilos nada egípcios. A cerimônia de “golpeando o inimigo” deixava bem claro qual era o inimigo do Egito, os estrangeiros. Sejam eles quais forem os mais ameaçadores do momento. Era ali que o faraó assumia seu papel de protetor do Egito contra potências estrangeiras.

— Vossa Majestade, o novo far… a rain…novA faraó… Hatshepsut! — gritou meio embolado, o um dos generais apresentando a futura nova faraó do Egito — FilhA de Tutmósis I e do grande Amon-Rá! SenhorA das Duas Terras, FilhA do Rei, Irmà do Rei, Esposa do Deus, Grande Esposa Real, Hatshepsut, que elA viva e perdure como Rá, para sempre.

— Ele tá se concentrando mesmo para não errar, né? — murmurou Neferure para Senenmut, logo ao seu lado, enquanto ambos olhavam para o general — Forçando tanto o “filhA”, “senhorA”, “irmÔ.

— Se concentrando mais ou menos… errou o começo todo. — sussurrou Senenmut em resposta — O pessoal claramente não está acostumado a falar esses títulos, e essa frase no geral, com tantas palavras femininas no meio.

Numa imagem mais dramática, Hatshepsut deixou a pele de leopardo em seus ombros cair no chão e o povo gritou emocionado pois sentia que ali era o começo do combate enquanto um general gritava como narrador. Num piscar de olhos, Hatshepsut e o soldado se passando por estrangeiro, correram um em direção ao outro e começaram a brandir suas espadas que se chocavam ameaçadoras apesar da encenação.

O povo gritava empolgado pela batalha falsa, enquanto na cabeça de Hatshepsut, ela pensava apenas nos movimentos que tinha que fazer, “dois passos para a direita, levar a espada de baixo para cima, sequência de golpes, 1, 2, 3”. Havia treinado por dias a fio com o homem para tudo sair perfeito. Senenmut e Neferure eram uns dos que sabiam do árduo treinamento e estavam entre os poucos na multidão estavam mais torcendo para ela não errar nada do que pela briga em si. Afinal, que Hatshepsut era inteligente todos sabiam. Mas um faraó também precisa ser forte.

No meio do combate falso, o inimigo fingia levar golpes dolorosos mas não mortais até que as duas espadas saíram voando para longe como parte da cena e o inimigo, teoricamente exausto e ferido, caía de joelhos no chão aos gritos animados da plateia. Os ferimentos podiam até ser falsos e invisíveis, mas Hatshepsut tinha certeza que o cansaço de ambos era real. Na diagonal da futura faraó, um sumo-sacerdote lhe estendeu a maça ritualística que terminaria o confronto encenado. Com uma mão ela pegou a maça, com a outra ela segurou os cabelos do inimigo com intensidade o suficiente para parecer intimidadora e poderosa, mas delicada o suficiente para não arrancar o que na verdade era uma peruca. Ela então fingiu acertar a cabeça do inimigo com a maça, soltou seus cabelos e ele caiu no chão, teatralmente morto, enquanto o povo gritava a plenos pulmões clamando o nome de Hatshepsut.

Ouvir os gritos com o seu nome era de fato uma sensação muito gostosa que fez Hatshepsut sorrir e trocar um olhar doce e feliz tanto com Senenmut, como com Neferure que pulava de alegria. Não importava que, em algum lugar, Iset estava provavelmente emburrada, com Tutmósis III agarrado às suas saias. Aquela noite era de Hatshepsut e, exatamente por isso, ela ergueu a maça vitoriosa aumentando ainda mais os gritos de sua plateia.

A nova faraó também olhou vitoriosa para cima, para o teto mais próximo dali, onde ela sentia expectadores extras. Sentia, mas não os via pois estavam escondidos por magia.

Dali em diante, o resto da noite seria apenas comemoração, especialmente depois que Hatshepsut se viu livre o suficiente para abraçar Neferure, ambas felizes pela pior parte daquela inicial cerimônia de coroação ter passado. Por mais divertida que tenha sido a festa e a cerimônia no geral, a cerimônia que aconteceu no dia seguinte foi ainda melhor.

A segunda cerimônia de coroação não tinha nada de muito complicado. Tudo o que Hatshepsut precisava fazer era cruzar a cidade, sendo carregada numa liteira, para que o povo pudesse ver aquela que seria a nova faraó deles. No começo ela se sentia cansada depois da noite anterior na qual dormiu bem tarde, mas sentiu-se energizada quando sentiu a alegria do povo, e mais que isso, quando sentiu que vários deuses, mais que no dia anterior, estavam acompanhando de longe essa cerimônia.

De fato, os passos de Hatshepsut pelos vários processos de coroação estavam chamando a atenção dos deuses. Afinal, era uma grande novidade e eles também tinham uma aposta.

— Tá, mas ela já está na segunda das cerimônias… — disse Bes sentado no teto de uma das casas de tijolos de lama acompanhando a procissão de Hatshepsut com o olhar — Isso já conta como ela tendo ganhado por nós a aposta de que ela pegaria o trono para ela?

— A condição que estipularam foi que ela teria que passar por todas as cerimônias. — disse Anúbis sentado logo ao lado de Bes.

— Mas isso vai levar muito tempo! Meses! — choramingou Hapi de pé atrás dos dois.

— Cuidado para não molhar a casa, Hapi. — pediu Anput sentada ao lado de Anúbis mas se inclinando para ver Hapi momentâneamente — Lembre que está em cima de uma. Pode acabar alagando a rua também.

— T-Tá… — resmungou Hapi fungando o nariz.

— A sua aposta com Khonsu foi diferente, Hapi… — disse Anúbis sem se virar para o deus — Chegaram a falar dessa parte ou não?

— Não… — disse Hapi suspirando lentamente de forma preocupada — Acha que consigo convencer Khonsu a aceitar isso como uma vitória minha?

— Você vai ter que ter um argumento MUITO bom. — disse Anput — Não vai ser fácil convencer Khonsu de algo que claramente deixa ele em desvantagem. Se ele conseguir ganhar mais tempo para ter alguma chance de ganhar a aposta, ele vai.

— Acha que ele chegaria a ponto de matar Hatshepsut para ela não conseguir terminar as cerimônias? — perguntou Bes chocado.

— Não… — disse Anput — Ele não faria isso. Bem, até é a cara dele. Mas ele teria muitos problemas se fizesse isso. Com todos os outros deuses. Seria muito pior.

Anúbis concordou com a cabeça, mas seu olhar estava nas casas do outro lado da rua onde viu Hórus, Hathor e Ihy acompanhando a procissão também. Algumas casas depois de onde Hórus estava, Khonsu e Sobek acompanhavam a cerimônia, e do lado da rua onde Anúbis estava, algumas casas depois, estavam Thoth, Isis e Seshat. Depois deles, estava Néftis solitária e então Shu acompanhado de Tefnut. As deusas pareciam silenciosamente felizes, como se compartilhassem da alegria de Hatshepsut. Mas o foco de Anúbis ficou no trio de Hórus, Hathor e Ihy.

Ihy, o caçula de Hórus, estava empolgado vendo a cerimônia e o povo comemorando a passagem de Hatshepsut. Seus olhos brilhavam com a inocência de uma criança. O pequeno deus podia até ter centenas de anos, mas estava claramente fadado a ser uma criança para sempre.

Atrás de Ihy, Hórus não olhava para a procissão, mas sim para a estranha combinação que era Hapi andando com Anúbis, Anput e Bes. Anúbis então virou-se para About, fingindo falar com ela e aproveitando que o ângulo era desfavorável para Hórus conseguir ver sua boca. O barulho da comemoração faria o resto.

—Hapi, se quiser que seu pai não descubra que tem algo de errado acontecendo, acho melhor disfarçar melhor. — alertou Anúbis — Ele está olhando para cá.

— A-Ah… Ah… — gaguejou Hapi olhando para Hórus com o canto do olho.

Mas então, de repente, Anúbis sentiu algo errado longe dali, no meio do deserto. Apreensivo, ele olhou rapidamente ao redor, como se procurasse alguém dentre os outros deuses. Anput foi a primeira a notar a preocupação repentina dele, e, logo em seguida, Hórus, que estava encarando Hapi até então, agora encarava Anúbis.

— Tá tudo bem? — perguntou Anput para Anúbis, mas antes que ele pudesse responder, ele já não estava mais lá.

Anúbis surgiu novamente no lugar onde ele sentiu problemas. Umas dunas no meio do deserto. Não havia praticamente mais nada ao redor dele, apenas a imensidão infinita de areia do Saara, e Set magicamente puxando da areia o sarcófago onde, tantos séculos antes, tinha sido enterrado Osíris. O sarcófago era erguido magicamente da areia lentamente com grande facilidade apesar da grande concentração de Set.

Não havia tempo para pensar ou hesitação, envolto numa nuvem negra, Anúbis se jogou contra Set derrubando-o no chão. O sarcófago caiu na areia com um baque e deslizou um pouco devido ao desnivelamento enquanto, logo ao lado, Anúbis e Set estavam completamente envoltos na fumaça negra. A névoa era completamente inofensiva para Anúbis, mas machucava a pele de Set incentivando-a a se decompor e putrefar, como se as mãos de Anúbis enforcando-o e incentivando o mesmo não fosse suficiente.

— O que quer e como encontrou o sarcófago? — questionou Anúbis.

— Olá para você também, querido filho. — disse Set com o rosto fechado mas sem nenhuma preocupação — Alguma novidade?

Sem dar a Anúbis qualquer segundo para reagir, Set se desfez em areia nas mãos do filho até que nenhuma diferença ter entre ele e a areia do deserto. O vento começou a bater levemente movimentando os grãos de areia mais na superfície enquanto Anúbis se levantava atento a tudo ao seu redor. Até que uma rajada nada natural de areia surgiu magicamente indo em sua direção como uma grande flecha. Ele se dissolveu em névoa quase tarde demais. A areia, provando que não era normal, fazia raspado em sua cintura e arranhando-a com a intensidade e velocidade de seu acúmulo de grãos.

Preferindo ficar perto do sarcófago, Anúbis ficou novamente atento a qualquer coisa. Não poderia simplesmente guardar o sarcófago de Osíris momentaneamente no Duat. Ele não era como as múmias dos mortais que fazia. Aquelas múmias eram de almas que não haviam chegado no Duat ainda e assim que prontas eram devolvidas para as famílias fazerem o sepultamento ou ele mesmo o fazia. Sabe-se lá quais problemas poderiam acontecer com corpo e alma coexistindo no duat. Anúbis não sabia e não queria usar o corpo de Osíris para testar.

Tenso, Anúbis viu a areia movendo-se pelo vento sutilmente mas não demorou muito para notar que a areia começava a se mexer cada vez mais rápido. A maioria rodopiava em direção a um único ponto, erguendo-se lentamente num funil e então formando a forma de Set. Os dois deuses se encararam enquanto Set usou um segundo para encarar Anúbis de cima a baixo.

— Hum.. veio para cá sem pedir ajuda? — perguntou Set.

— O que raios está fazendo? — perguntou Anúbis ignorando a pergunta do pai.

— As coisas estavam meio entediantes, sabe? Mas admito que demorei para encontrar o esconderijo. Afinal o deserto é bem grande e vocês coloram feitiços no sarcófago. — explicou Set com uma frieza calculista e dando de ombros displicentemente — O reinado de Hatshepsut será com certeza um reinado de paz. Ninguém tem dúvida disso. Ela já mostrou gostar de paz quando governava ao lado do irmão. Mas assim não dá certo. Calmaria e caos tem que ser equilibrados.

— Estava entediado, aí resolveu que desenterrar Osíris era uma ideia boa? — perguntou Anúbis um tanto incrédulo.

— Corpos incinerados não tem pós-vida, nem trono do submundo. — lembrou Set erguendo as duas mãos na altura dos ombros com as palmas levantadas para o céu.

Flutuando nas palmas de Set, bolas de fogo apareceram. Se água e múmias não combinavam, fogo e múmias menos ainda. Enquanto alguns povos gostavam de sepultamento por incineração, ter o corpo incinerado estava com certeza na lista de maiores medos dos egípcios após a morte. As chamas nas mãos de Set triplicaram de tamanho em questão de segundos até que ele lançou-as na direção de Anúbis, e do sarcófago.

Tudo que Anúbis precisou foi de um segundo para invocar seu cetro e usá-lo como taco para jogar as bolas de fogo para outra direção bem longe do sarcófago, e ainda bem que o fez. No segundo seguinte, Set aparecia tendo acabado com a distância entre os dois em questão de segundos. Ele segurava uma espada envolta em chamas e felizmente o cetro de Anúbis era magicamente resistente o suficiente para aguentar trocar golpes com uma espada.

Ambos os lados atacavam e defendiam com precisão com uma dança ensaiada. Contudo, preocupado com Set estando tão próximo do sarcófago, Anúbis tentava achar alguma abertura para lançar Set para longe. O vento ao redor dos dois aumentava de intensidade, os golpes da espada por pouco desviados abriam cortes superficiais na pele de Anúbis enquanto o cetro de Anúbis putrefazia a pele de Set antes mesmo de tocar nela. E então, a abertura apareceu.

Sem tempo para pensar, Anúbis aproveitou a abertura que se abriu na barriga de Set, juntou toda sua força a ponto de às margens de seu corpo brilharem com luz dourada e uma imagem translúcida de si mesmo, mas bem mais alto e com cabeça de chacal o envolveu. Anúbis golpeou o pai com toda a força com o cetro concentrado a névoa negra na área do impacto. A concentração de névoa deixou a barriga de Set negra como a noite e completamente desnivelada. A ponto de que, por um segundo, Anúbis jurou ter visto um buraco pequeno atravessando Set de um lado a outro. Mas não teve certeza, pois a força empurrou Set para longe mas ele era um guerreiro bom o suficiente para não se desestabilizar com aquilo.

A areia marcou o trajeto que o corpo de Set fez para mais longe do sarcófago, mas, no final do trajeto, lá estava Set parcialmente agachado no chão com apenas um joelho e uma mão na areia de apoio. O vento, voraz e ansioso, bagunçava os cabelos de Anúbis e os grãos de areia os empurrando ambos para frente com cada vez mais força enquanto Set exibia um sorriso frio de arrepiar os pelos da nuca. Foi aí então que caiu a ficha para Anúbis. Ele arriscou olhar para trás e viu que estavam prestes a serem engolidos por uma tempestade de areia.

— Você esqueceu, que o deserto é meu! — exclamou Set, de pé , com os ferimentos se curando lentamente.

Set aumentava de tamanho e sua pele começava a trocar de cor para um intenso vermelha escuro que, com seu rosto cruel e a barba preta pontuda, formava uma combinação aterrorizante com o par de olhos vermelhos.

— Vamos ambos parar de brincar, sim? — perguntou Set.

— Onde estava isso tudo quando Apófis apareceu? — questionou Anúbis.

— O Egito não estava forte o suficiente para “isso tudo”. — disse Set.

Notas finais
beijinhos pra vc, até o próximo cap dentro de alguns vários dias kkk ** PS ** Pq o título “Esposa do Deus”? Lembrando que já foi dito antes q a Hatshepsut é também sumo-sacerdotiza de Amon-Rá. As sacerdotisas são consideradas esposas do deus que representam se este for homem (pq geralmente sacerdotisas representam deusas e sacerdotes, deuses. mas alguns deuses tem exceções, como Amon-Rá) …. o q deixa o rolê meio estranho no caso dela... porque né... é, não vamo pensar muito nisso. ** UM POUCO DE VIDA REAL ** Leões existiam no Egito sim apesar do Saara. Na época tinha mais área verde ao redor do Nilo então os leões conseguiam sobreviver…mas eles sumiram mesmo n pq o Saara aumentou, mas sim pq os egípcios antigos caçaram os leões tanto, mas tanto, mas tanto, q n sobrou nenhum. Ser humano fazendo merda como sempre. Incinerar o corpo, ou a múmia, era um terror pros egípcios pq o corpo precisa estar intacto pra a alma ser mantida no pós-vida… o q n rola com a incineração. e o q me deixa triste pela múmia q estava no Museu Nacional do rio e pegou fogo. ** REFERÊNCIAS ** Papiro Harris 500 - https://deriv.nls.uk/dcn23/8230/82302705.23.pdf Coroação - https://classroom.synonym.com/ancient-egyptian-coronation-ceremony-9065.html Coroação 2 - https://en.wikipedia.org/wiki/Coronation_of_the_pharaoh Coroação 3 - https://www.youtube.com/watch?v=AxLZqm-RABA&ab_channel=ArmchairEgyptology Roupas de Faraó - http://www.historyofclothing.com/clothing-history/egyptian-clothing/ Lutas Anúbis x Set - https://mythopedia.com/topics/anubis