A Morte Das Areias do Saara

43 Cuidado com o falcão


Notas iniciais
Ae capítulo novooo. To muito aliviada de terminar esse cap. Me desculpa por qualquer problemas pq tô postando pela primeira vez pelo celular. Dicionário do dia : mewet = mãe

Salve, diz Horus,

ó vigésimo primeiro pilão do ainda-coração!

Eu fiz o caminho.

Eu te conheço.

Eu conheço o teu nome.

Eu sei o nome da deusa que te guarda.

~ Fragmento do Livro dos Mortos

De um lado, as dunas douradas do deserto se estendiam até o horizonte como se desafiasse todos os dias o sol a tocar-lhe no seu ponto mais extremo à oeste. Do outro, a vila se erguia preguiçosamente conforme um dia se acabava. Ali, no vazio à alguns metros da humilde vila, um grupo de pessoas se reunia ao redor da estrutura quadrangular de pedra que havia sido construída cavando-se profundamente na parte mais plana da areia. Vista de longe, aquele amontoado de pedras poderia até se passar por uma estranha casa simplória, mas o fato de não ter quaisquer janelas tirava essa hipótese da lista. Aquela construção que ia bem mais profundamente na areia do que pareceria, era uma mastaba e, em seu ponto mais profundo, guardava os corpos da família de Ahmen e Shadya.

O grupo de pessoas que se reuniam ao redor da mastaba eram a família e os amigos de Shadya que, com lágrimas escorrendo pelos olhos, respiravam fundo e tentavam se recuperar agora que o funeral dela havia acabado. Suficientemente sóbrio, Ahmen deixava as lágrimas escorrerem pelos seus olhos enquanto olhava para a mastaba erguida alguns anos atrás pelo amigo que estava ao seu lado e pensava não só em seus pais que também estavam ali nas profundezas da mastaba, mas também na esposa que agora os fazia companhia.

Nos braços de User, a pequenina Shadya Sat dormia tranquilamente sem entender o que fazia o irmão soltar lágrimas que escorriam pelo rosto e pingavam-se no lençol que a envolvia. Ao lado de User, com os olhos acumulados de água mas sem ainda deixar as lágrimas escorrerem por seu rosto, estava uma garota de cabelos ondulados e curtos, a namorada de User. Ao lado dela, estava Iset, seu marido e as duas filhas do casal. A mais nova olhava preocupada para Hehet, como se estivesse se perguntando como a prima estaria naquele momento e, pelo olhar choroso e pelos olhos pesados de Hehet, era claro que ela não estava bem.

A filha mais nova de Iset não foi a única que notou o olhar pesado nos olhos de Hehet. ahmen também notou e, por isso, abriu um espacinho em sua própria tristeza para abraçar a filha. Hehet abraçou o pai fortemente até que User se aproximou com Shadya Sat nos braços e a bela família trocou um abraço em grupo sentindo a falta de uma pessoa naquele abraço.

Aquele momento de pesar coletivo também era compartilhado por Anúbis, Anput, Nefertem e Qebui que ficavam alternando sua atenção entre o momento e o sol que andava no céu marcando as horas. Como Anúbis já havia terminado o funeral momentos atrás, não havia muito mais o que eles fazerem ali além de apenas adentrarem naquele mergulho pelos sentimentos de saudade e pesar, contudo, eles infelizmente não tinham tempo para isso. Por isso, quando Ahmen respirou profundamente controlando mais o choro, os quatro lentamente se aproximaram da família em luto.

– Ahmen, desculpe por não poder ficar mais… — disse Anúbis enquanto Nefertem olhava preocupado para a posição do sol notando que já tinham demorado demais — .. mas temos que ir.

– Tudo bem. — disse Ahmen fungando o nariz profundamente — Vocês vieram, e isso já foi mais do que especial.

— Ela certamente iria gostar. — comentou User cabisbaixo.

— E também… — continuou Ahmen olhando para Anúbis — Obrigado por ter cuidado de tudo para ela.

— Não precisa agradecer. — disse Anúbis negando com a cabeça e soltando um suspiro.

— Vou sentir falta dela… — disse Anput.

— Acham que poderiam vir avisar quando a alma dela… sabe… — disse Hehet sem conseguir terminar a frase e já sentindo as lágrimas enchendo seus olhos de novo.

— Não devo dar detalhes demais… — disse Anúbis suspirando sem saber bem o que fazer — Mas pensarei num jeito de tranquilizar vocês. Mas isso provavelmente vai ficar para depois de toda essa briga com Set.

— Falando nisso, temos que ir logo. — disse Qebui — Hórus não vai esperar mais muito tempo e ele com certeza ficará mais irritado do que já está se demorarmos muito para voltar.

— Acho difícil ele conseguir ficar mais irritado do que está no momento. — comentou Nefertem.

— Não deixe a gente prendendo aqui vocês então. — disse Iset ao se aproximar da conversa — Vão. Têm coisas mais vitais a resolver.

Com uma última olhada para os amigos, os quatro deuses partiram em direção ao palácio de Hórus. Outros deuses também já haviam se reunido ali, como bem podiam notar. Eles se preparavam das mais diversas formas enquanto esperavam Hórus chegar com as últimas ajudas.

Com um suspiro pesado de preocupação, Nefertem olhava ao redor esfregando uma mão na outra. Contudo, apenas Qebui notava isso, pois Anput e Anúbis conversavam calmamente enquanto ela limpava sua espada.

—Nefertem, você está bem? — perguntou Qebui atraindo a atenção do outro deus.

—Estou preocupado. Você não está? — disse Nefertem — Não sou bom em lutas, sabe disso. E pra piorar a situação, nos arrastam para uma luta que temos perigo de nos ferir permanentemente, e talvez morrer! Se Lorde Osíris ficou daquele jeito… Osíris! Imagine a gente.

—Não pareceu tão preocupado assim quando fomos roubar a espada com Bastet. — disse Qebui.

—Daquela vez era simplesmente pegar a espada e sair. Não…. Não uma batalha final! — disse Nefertem preocupado e soltando um pesado suspiro — Será que estou fraquejando demais diante da primeira possibilidade de realmente morrer?

—Admito que também estou com medo mas, — disse Qebui segurando cada um dos ombros de Nefertem — primeiro que duvido que Hórus vai deixar qualquer um terminar com a raça de Set. Segundo, eu não vou deixar ninguém tocar em você.

Nefertem abriu um sorriso e, colocando cada uma de suas mãos de um lado do rosto de Qebui, ele o beijou. A vermelhidão tomou conta do rosto de Qebui que, depois que Nefertem se separou com um sorriso radiante, abriu um sorriso tímido mantendo o corpo meio encolhido.

Foi praticamente naquele momento que Hórus chegou entrando no palácio seguido de Sekhmet que se juntava ao grupo de braços cruzados e bem sentindo os olhares de dúvida e julgamento dos outros deuses.

—Sekhmet? — disse Ptah surpreso se aproximando da esposa.

—O quê? — disse Sekhmet de nariz levantado — Posso não concordar muito com vocês, embora não tire de minha mente que Hórus pode ser diferente de Osíris, mas acha mesmo que vou ficar parada vendo meu filho indo para um perigo desses?

Um sorriso sem graça tomou conta do rosto de Nefertem enquanto a deusa se aproximava dele e então segurava o rosto dele pelo queixo exibindo um sorriso cheio de dentes pontiagudos.

—E também, — continuou Sekhmet — Hórus prometeu-me algo no meio termo do que Set quer e do que Osíris queria.

—Não podemos simplesmente dar tudo na mão dos humanos.- disse Hórus — Mas também não vamos deixá-los desamparados.

—Vejo lógica nessas palavras. — disse Khnum passando a mão por sua longa barba.

Andando dentre os deuses, Hórus olhava para cada um e eventualmente trocava algumas palavras ou perguntas. Era claro que ele sabia agir como líder. Eventualmente Hórus parou diante de Anúbis e, por alguns segundos, os dois se olharam sem dizer uma palavra sequer, até que Horas quebrou o silêncio.

—Achei que não fosse vir. — disse Hórus.

—Porque teve essa impressão? — perguntou Anúbis.

—Por Set ser seu pai.

— Não escolhemos quem serão nossos pais. — disse Anúbis dando de ombros.

—Não… não escolhemos… — disse Hórus de forma pensativa — Sendo assim, acho que tenho um pedido para você, primo.

Anúbis ouviu o pedido de Hórus e afirmou brevemente com a cabeça. Era algo que preferia não ter que precisar fazer, verdade, mas se fosse necessário…

Com tudo pronto, os deuses saíram do palácio e foram para o centro da cidade de Mênfis ficando bem diante do palácio do faraó. Era o mais perto que poderiam chegar num piscar de olhos, pois bem sentiam uma barreira ali.

O tom de alaranjado do céu ficava cada vez mais escuro anunciando o final do dia. Poucos eram os mortais que ousavam ficar fora depois do escurecer. Rapidamente todos voltavam para suas casas com olhares de medo no rosto.

—Que comportamento estranho… — disse Anput.

— Ele sabe que estamos aqui e mandou todos se esconderem? — perguntou Bastet.

— Não acho que ele se preocuparia desse jeito com os humanos — disse Néftis.

— Pode ser um simples toque de recolher recheado de medo. — sugeriu Thoth.

— De toda forma, acho que ele sabe sim que estamos aqui. — disse Hórus.

O olhar de Hórus ia direto para o palácio que, embora grande e luxuoso, não era tão grande e elaborado quanto o palácio onde vivia. Entretanto, o jovem faraó sentiu seus cabelos se arrepiarem quando viu sobre o portal de entrada do palácio Set. Gradualmente, todos notavam a presença do deus que abriu um sorriso frio enquanto, ao seu lado, surgiam deuses como Khonsu, Naunet, Nekhbet e Sobek.

—Droga, Sobek voltou. — disse Anúbis.

— Vejo que conseguiu minha querida espada, Hórus. — disse Set sorrindo.

— Vejo novamente que parece ter desistido de usar o corpo de Narmer. — disse Hórus.

— Ah, prefiro usar ele para mandar nos subalternos, mandar nos homens… coisas assim, sabe? Não é muito útil para lutar com vocês. Aprendi da vez que perdi minha espada para Bastet. Mas bem gosto do exército de Narmer.

Set ergueu o braço e, respondendo ao sinal dele, não só mais deuses se juntaram a Set aparecendo de cada lado da praça principal da entrada do palácio, como também um exército de soldados humanos se reuniu no pátio principal do palácio.

Um dos deuses extras que apareceram foi Babi, um deus em formato de babuíno cujo grito inteligível mais soou como um grito de guerra que deu início ao conflito.

Não foi difícil para cada um dos deuses encontrar alguém com quem duelar. Inclusive, Anúbis já imaginava que Sobek ia querer lutar com ele. Exatamente por isso, já estava preparado para desviar quando Sobek pulou em sua direção rugindo de raiva sedento por vingança.

—Tenho assuntos a resolver com você, Anúbis! — exclamou Sobek para Anúbis que, nem olhava para Sobek, mas sim alternava o olhar entre Set e Hórus que ainda se encarava enquanto o exército humano ainda nem havia se movido.

— Pode ser comigo por enquanto? — perguntou Anput começando a atacar Sobek agilmente numa luta de espadas.

— Hórus, dê-me a espada. — disse Set.

— De um bom motivo. — cuspiu Hórus entre-dentes.

— Ou os soldados irão em cada casa da cidade e matar cada um dos humanos pelos quais você e seu pai tanto se importam. — disse Set.

— Não nego certa preocupação com eles, mas não sou como meu pai. — disse Hórus — E não, não vou te dar nenhuma espada. Usarei-a para mata-lo de uma vez por todas.

— Oh, mesmo? — perguntou Set evidentemente surpreso — Pois bem.

Um aceno de cabeça foi tudo que Set precisou para que o exército que reuniu se dividisse ao meio para sair pelas entradas laterais do palácio já que a principal estava tomada pela luta dos deuses. Hórus trocou um breve olhar com Anúbis, e ele entendeu o recado.

Anúbis ficava apreensivo em deixar Anput para trás, mas tinha que confiar que ela conseguiria se virar sozinha. Sabia que ela era capaz, pois ele tinha sua parte a fazer também.

Num piscar de olhos, Anúbis estava a alguns metros de distância diante de uma das entradas secundárias do palácio. Ele podia ouvir os passo do exército se aproximando e então diminuindo a velocidade ao o ver.

—Uma recomendação… — disse ele ao ver que alguns pareciam com olhares assustados e apreensivos — se preferem continuarem vivos, sugiro não saírem dos muros do palácio nem tentem causar mal aos habitantes da cidade.

—Não escutem ele! — exclamou o homem que estava mais a frente do grupo — Temos um trabalho a cumprir. Amanhã às essa hora estaremos rodeados de riquezas!

— É só um garoto… — disse alguém mais para trás do grupo.

— Você certamente não viu ele aparecendo do nada. — disse um homem na linha de frente — Jovem? Talvez. Mas a-acho que é um d-d...

— Chega de papo! — disse o primeiro homem erguendo sua espada — Ataquem!

Com um suspiro, Anúbis revirou o olhar quando os homens, em níveis diferentes de determinação, prepararam suas armas e fugiram para a batalha emitente. Alguns iriam ao encontro dele, outros tentariam desviar, sabia disso. Contudo, isso não faria diferença no final das contas pois, com um simples gesto de mãos, Anúbis abriu uma grande cratera na frente dos pés dos homens. Não poderia abrir a fenda mais além pois o escudo ao redor do palácio impedia, mas o que saia da fenda não era suscetível a coisas assim pois, de dentro do buraco fantasmas e mortos vivos saíam. Guerreiros caídos a muito tempo sedentos por sangue e glória.

Não adiantava se os soldados humanos tentassem lutar contra aquelas criaturas, elas pareciam imunes a dor e continuavam se movimentando mesmo quando cortadas. Os fantasmas eram piores, pois os ataques contra eles passavam direto mas tinham consistência suficiente em suas espadas para criar um verdadeiro embate.

Sabendo que tinha ainda o outro lado para se preocupar, Anúbis considerou que aquele lado estava muito bem protegido e foi para o segundo sabendo bem que alguns tentariam sair pelo outro lado.

Com igual facilidade, Anúbis abriu a fenda no chão mais uma vez. A diferença, no entanto, era que, daquele lado, os primeiro soldados já tinham saído das proteções dos muros do palácio. Assim, muitos repentinamente se viram seguidos por um exército de mortos vivos.

Tranquilamente, Anúbis andava pela rua de areia e terra batida seguindo seu exército morto vivo. Eventualmente, passava por algum soldado recentemente morto com golpes horrendos que os deixavam com braços arrancados ou as costas rasgadas. E, naquelas, horas, ele não precisava de mais do que simplesmente mover o dedo lentamente para que o soldado recentemente morto se levantasse de forma desengonçada. A boca semi aberta, os olhos sem vida, os movimentos erráticos, o cérebro desfuncional, tudo isso indicava que o soldado, embora andando, não estava realmente vivo.

Com um exército grande o suficiente e a luz da lua brilhando forte no céu, Anúbis achou que era hora de voltar para onde os deuses lutavam. Estava preocupado com como as coisas íam ali. Assim, ele deixou seu exército morto vivo cuidando das coisas, e voltou.

Ao voltar, ele foi recebido por uma visão que o preocupou. Enquanto Nekhbet voava nos céus contra Thoth, Ba-Pef, um deus de corpo esguio que, apesar do ridículo cabelo negro em formato de cuia, era quase as trevas ambulantes. Lutava contra Néftis.

Ba-Pef se movia com velocidade e seus olhos eram vazios de emoção não demonstrando nenhuma dificuldade em desviar dos ataques que a Néftis lançava contra ele usando água. Afinal, com um mero toque de Ba-Pef, a cor cristalina e bela da água adquiria o tom sujo e poluído sem lhe fazer mal algum.

Não muito diferente de Anúbis, Ba-Pef soltava uma fumaça negra. Todavia, essa fumaça dele não putrefava o corpo, e sim corrompia a alma. Sem qualquer piedade, ele usava essa névoa para encurralar Néftis enquanto ainda segurava uma espada em suas mãos. Envolvida por um círculo de névoa, Néftis não via mais para onde ir. Ela olhou para os lados preocupada, a espada em suas mãos tremia, pois bem sabia que a arma não passava de uma última alternativa, pois não sabia usá-la tão bem assim.

Em suas mãos, Ba-Pef juntou bastante névoa e lançou contra Néftis. Felizmente, ela nunca chegou ao seu alvo pois, no último segundo, Anúbis se colocou entre os dois e, com as duas mãos unidas com sua própria névoa, impediu o ataque de Ba-Pef de continuar.

Surpreso, Ba-Pef não entendeu porque o ataque dele havia sido inútil em Anúbis. Só depois ele iria entender que toda a importância que um dia teve no submundo estava passando para Anúbis que rapidamente o superava enquanto o encarava seriamente.

—Não tocará um dedo sequer em minha mewet — disse Anúbis.

Os olhos de Néftis se encheram de lágrimas e um sorriso tomou conta de seu rosto docemente ao ouvir o filho usando tal doce palavra com ela pela primeira vez. Contudo, a felicidade dela teve que rapidamente que ser substituída pela apreensão, pois Anúbis começou uma luta contra Ba-Pef.

Os dois deuses usavam de todos os seus poderes controlando névoas negras de extrema periculosidade mas que, para desespero de Ba-Pef, não pareciam fazer efeito em Anúbis. Assim, não foi surpreendente a batalha ter sido tão breve. Em um minuto Ba-Pef estava bem, no outro seu nariz não passava de um buraco e a região de seus lábios e sua bochecha esquerda estavam negros. A situação era tão ruim que sua bochecha esquerda tinha um buraco pela qual dava para ver seus dentes.

Era claro que Ba-Pef estava sentido dor. Era claro também que não apenas seu rosto cadavérico haviam sido afetados pela magia, pois seu joelho e pé esquerdo também estavam com manchas negras que ficavam em dúvida se iriam se expandir ou iriam se curar enquanto os ossos da canela direita eram bem evidentes. Foi só uma questão de tempo e mais alguns ataques até Ba-Pef se desintegrar por completo e eventualmente se recolher para o Duat tal como Sobek havia feito anos atrás.

Por horas a fio a batalha continuou sem nenhum sinal de um provável vencedor. Apesar de Hórus portar a arma mais perigosa do campo de batalha, ele não conseguia chegar perto de Set que habilmente atacava, desviava e contra atacava com magia. Contudo, com um golpe bem dado acompanhado de uma rajada de areia e da baixaria de até jogar lama e sujeira contra o rosto de Hórus para que não visse tudo, Set conseguiu tomar a espada para si.

Mal havia pegado na espada e Set já foi abrindo um sorriso e, ansioso para terminar aquilo de uma vez, mirou no pescoço de Hórus. Felizmente, Hórus era extremamente ágil no combate corpo a corpo e conseguiu desviar quase que completamente, seu único dano foi um relativamente profundo corte no olho que o fez soltar um resmungo de dor.

—DEVOLVA-ME A ESPADA! — exclamou Hórus.

— Ora, mas ela é minha. — disse Set — E eu pedi para você naquele belo dia. Não se devolve um presente desses, sobrinho.

— NÃO FALA-ME DAQUELE DIA! — gritou Hórus e, com esse mero grito, a magia pareceu ter respondido.

Uma estranha alteração no espaço entre ele e Set empurrou Set para longe derrubando-o no chão. Tremendo, Hórus estendeu a mão aberta para espada que voou até sua mão com perfeição. Estava irritado demais para notar o conjunto de frutos mágicos que realizara ou o sangue prateado que escorria de seu olho esquerdo.

Hórus andou até Set caído no chão e, antes que o deus ousasse se levantar, Hórus fincou a ponta da espada contra o ponto específico entre as pernas de Set, contra o pênis de Set.

Set gritou de dor enquanto sangue prateado sujava seu saiote que, até antes, era do mais puro branco.

—Isso é para que você não use essa droga de novo. — disse Hórus de forma sombria tirando a espada dali e fincando-a de novo, e de novo, e de novo.

A plenos pulmões Set gritava, tão alto e de forma tão sofrida que até lágrimas se acumulavam em seus olhos enquanto o sol ameaçava nascer. Tremendo, Hórus tirava a espada de Set mais uma vez enquanto o tio chorava e sofria no chão.

Respirando fundo, Hórus andou até ao lado da cabeça de Set que estava ainda deitada na areia. Ele ergueu a espada sobre sua cabeça pronto para decapitar Set, até que uma mão extremamente forte segurou no pulso de Hórus forçando-o a abri-la. Hórus teve então a espada tirada de suas mãos enquanto a surpresa estampada em seu rosto mostrava a incredulidade ao notar quem estava ali ao seu lado.



Notas finais
REFERÊNCIAS Tumbas antes das pirâmides - https://www.ancient.eu/Egyptian_Burial/ Mastabas - https://pt.wikipedia.org/wiki/Mastaba Palácio - https://www.museedelhistoire.ca/cmc/exhibitions/civil/egypt/egca04e.html Nekhbet- https://pt.wikipedia.org/wiki/Necbete Deuses - https://www.ancient.eu/article/885/ Ba-Pef - https://en.m.wikipedia.org/wiki/Ba-Pef Dicionário - http://karathutmose.tripod.com/dictionary/tjeti.html Hórus - https://riordan.fandom.com/wiki/Horus O olho de Hórus - https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus Livro dos mortos - https://www.holybooks.com/wp-content/uploads/Egyptian-Book-of-the-Dead.pdf ## teve coisas importantíssimas, teve Anúbis inventando o the walking dead. Teve gente ficando eunuco. Teve gente ficando caolho. Teve momento mamãe pro dia das mães. Cap lindo ❤️❤️ comentem pq isso faz meu dia e até o próximo ❤️❤️ E SIM, A PRÓXIMA FIC QUE VOU ATUALIZAR É A AMOR ABENÇOADO PELO NILO!