A Morte Das Areias do Saara

156 A Morte do Primogênito


Notas iniciais
olá bem vindos a mais um cap. desculpa novamente pela demora. ando bem ruim esse ano. antes, uma definição aqui q acho q vai ajudar vcs pq, ao menos pra mim, a palavra da impressão de significar outra coisa kkk pungente = 1. que afeta e/ou impressiona profundamente o ânimo, os sentimentos, as paixões; muito comovente. "gesto p." 2. que tem a ponta rígida e aguçada, capaz de ferir, perfurando; pontiagudo.

O capítulo do deus poderoso, que criou a si mesmo, que fez os céus e a terra, e o sopro da vida, e o fogo, e os deuses, e os homens, e os animais, e o gado, e os répteis, e as aves do céu e os peixes, que é o rei dos homens e dos deuses, [que existe] em uma forma, [para quem] períodos de cento e vinte anos machados como anos únicos, cujos nomes devido à sua multidão são incognoscíveis, pois [mesmo] os deuses não os conhecem. Eis que a deusa Ísis vivia na forma de uma mulher, que tinha o conhecimento das palavras [de poder]. Seu coração se afastou com desgosto dos milhões de homens, e ela escolheu para si os milhões de deuses, mas estimava mais altamente os milhões de espíritos.

~ Fragmento do papiro “A Lenda de Rá e Ísis”

No submundo, a noite estava indo como outra qualquer sem os deuses saberem que tudo estava prestes a virar de ponta a cabeça. Depois de mais um julgamento bem sucedido, Anúbis levava a alma julgada para o Aaru. A alma em questão era uma mera menina de 4 anos que havia morrido de malária. Ele a segurava pela mão enquanto ela chupava o dedo da mão livre e olhava maravilhada para o Aaru.

Nebi vinha todo feliz abanando o rabo, pronto para receber a garota, e Anúbis se agachava na altura dela para se despedir e assegurar-lhe que estaria tudo bem.

— Sua tia está aqui também. — dizia Anúbis — Você era só um bebê quando ela veio para cá, mas tenho certeza que ela ficará muito feliz em recebê-la.

— Não vou ficá sozinha? — perguntou a menina.

— Não mesmo. Não se preocupe. — garantiu Anúbis, passando a mão carinhosamente na cabeça de Nebi — Nebi vai garantir que não fique sozinha.

Neby imediatamente soltou um latido, reconhecendo com orgulho o seu dever mas ainda assim, a criança ainda não havia soltado a mão de Anúbis, mas trocava de olhar entre ele, Neby e o resto do Aaru do horizonte. Foi nesse momento, enquanto a menina se enchia de coragem para o próximo capítulo de seu pós-vida, que Anúbis sentiu uma morte acontecendo dentre os mortais.

Não era sempre que ficava prestando atenção em mortes específicas, até porque, ficaria doido se prestasse atenção em cada morte que acontecia já que as pessoas não paravam de morrer. Mas aquele mortal em específico Hórus havia pedido para que ele ficasse de olho ao menos por uns meses. Sabendo da urgência por ter sentido aquela morte, Anúbis sabia que tinha que sair dali logo, mas não queria deixar a garota sem o tempo que precisava para se sentir mais confortável.

Tenso com cada segundo a mais que a garota levava para se sentir segura em seguir em frente, ele agradeceu silenciosamente quando ela finalmente soltou sua mão. Com extrema graça, ela o abraçou brevemente e logo saiu andando com Nebi, acenando em despedida para ele.

— TCHAU, TIO! — gritou ela com as bochechas rosadas.

— Tchau. — respondeu ele brevemente mas já dando uns passos discretos em direção à entrada do Aaru.

Quando ela deixou de olhar para ele, ele apressadamente voltou para o Salão do Julgamento. Sem perder um segundo sequer, ele foi até Hórus, interrompendo a conversa que o primo tinha com Ísis, e falou em voz baixa:

— Amun-her-khepeshef está morrendo. E não é de doença…

— Vamos lá imediatamente. — disse Hórus, sem se permitir mais que um segundo para reagir à notícia.

Anúbis, Hórus e Ísis imediatamente foram para a mansão de Amun-her-khepeshef dentro do complexo do palácio em Pi Ramsés. Era uma noite fria de inverno, mas era apenas fria o suficiente para fazer uma pessoa pensar num casaco leve. No centro do cômodo no qual os três deuses haviam aparecido de forma invisível para qualquer mortal, estava Amun-her-khepeshef.

O príncipe herdeiro estava largado no chão, sozinho, um leve tremer de lábios e dos olhos indicava seus últimos suspiros enquanto sangue jorrava de sua garganta cortada com precisão. Hórus olhou ao redor e começou a andar de um lado para o outro enquanto tentava encontrar qualquer assassino que fosse, mas não encontrou nada. Anúbis e Ísis, por outro lado, apenas ficaram olhando o brilho sumir de Amun-her-khepeshef, especialmente com Anúbis sabendo que, naquele momento em que a morte se aproximava, o príncipe estava com certeza vendo-o. Até resolveu ir até o príncipe e segurar sua mão, para que ele não fosse embora sozinho. Ficou fitando o príncipe até a luz em seus olhos sumir poucos segundos depois.

— Ele se foi… — disse Anúbis enquanto Hórus continuava a olhar para todo lado.

— Não há ninguém aqui! — exclamou Hórus, andando de um lado para o outro — Só se tiverem corrido para muito longe.

— A família dele deve estar no andar de cima… — disse Ísis, olhando para o teto como se pudesse imaginar Nefertari filha tranquilamente dormindo enquanto o marido e irmão perdia a vida no térreo da mansão.

— Tem mais mortos… — disse Anúbis, pensativo — Os guardas que guardavam a entrada… estão largados mortos num beco aqui perto.

— Então a pessoa veio de fora… — concluiu Hórus.

Foi nesse momento que, repentinamente, Ramsés filho apareceu, correndo e ofegante vindo do lado de fora. Os três deuses olharam para o príncipe, o segundo mais velho e que agora ganhava o posto de mais velho, e se perguntavam como e porque ele estava coincidentemente ali naquele momento. Seria ele o culpado?

Enquanto os deuses ainda não tiveram o tempo suficiente para sequer vocalizar as perguntas que haviam surgido com o súbito aparecimento de Ramsés filho, a cor no rosto do príncipe desapareceu por completo e um grito escapou de seus lábios. Com certeza era agora que todos veriam que o príncipe herdeiro estava morto. Ramsés filho correu até o corpo do irmão e tentou inutilmente parar o sangramento da garganta, mesmo que nenhuma vida ainda existisse ali para ser preservada.

— AMUN-HER-KHEPESHEF! — gritou Ramsés filho sujando suas mãos de sangue ao tentar conter o sangramento no corpo já morto do irmão.

Ouvindo os gritos da confusão, logo um par de guardas chegou, vindo de mais dentro da mansão. Ao verem a cena, eles se entreolharam ao saber que o caos estava prestes a começar.

— Vá chamar o general e o faraó. — disse um dos guardas enquanto dava passos para a mesma direção que tinha vindo ao ouvir que a viúva de Amun-Her-khepeshef corria também para o centro da comoção — Vou preparar Nefertari filha para que vai ter que encarar.

O guarda assentiu com a cabeça pelo comando e saiu correndo para alertar o general e o faraó. Sabia que a noite de ambos, e de muitos outros, teria acabado ali. Em questão de minutos, o caos já estava instaurado. Ramsés II e Nefertari já tinham corrido para a mansão do filho para serem recebidos pelo terror de seu claro assassinato. Mais alguns minutos foram necessários para que outras pessoas importantes chegassem, como o médico, mas o fato é que o sol não tinha nem raiado ainda e tudo estava um completo tumulto.

Não demorou muito para, logo de frente à entrada da mansão que o herdeiro de Ramsés II chamava de casa, toda uma comoção de pessoas se juntar quando as notícias se espalharam pelo palácio, mas poucas ousavam ou tinham a permissão de entrar. Muitas das pessoas que estavam do lado de fora eram esposas, filhos e netos de Ramsés II. O faraó, por outro lado, continuava dentro da mansão de Amun-her-khepeshef, abraçando Nefertari, que chorava e gritava sem parar. A rainha chorava e soluçava de forma dolorosa, Ramsés II também queria chorar, mas tentava manter a pose mesmo com os olhos marejados e colados como um imã no corpo do primogênito.

Seus oficiais andavam para todo lado, o médico examinava o corpo de Amun-her-khepeshef, embora o diagnóstico fosse óbvio. Ninguém conseguia ver, mas Ísis examinava o corpo com o mesmo nível de atenção. Nefertari filha, irmã e esposa de Amun-her-khepeshef, estava sentada num canto abraçando as próprias pernas chorando tal como a mãe de mesmo nome. O faraó tinha uma leve ciência do caos que estava do lado de fora com os filhos, esposas e netos, ou ao menos a parcela destes que estava em Pi-Ramsés, sem falar nos filhos de Amun-her-khepeshef, que ainda não sabiam o que havia acontecido com o pai.

— Eu vou encontrar o responsável por isso, meu amor. — prometeu Ramsés II, com a voz embargada, abraçando Nefertari mais forte.

— Q-Quero olhar quem fez isso… com meu bebê n-nos olhos… — gaguejou Nefertari, sem tirar o rosto encharcado de lágrimas, do peitoral do faraó — M-Mas isso não trará meu bebê de volta.

Ramsés II suspirou com dor no peito. O que Nefertari disse era infelizmente verdade. Amun-her-khepeshef continuaria morto tal como estava agora, largado no chão, com a garganta cortada e o sangue desta sujando tanto a si como o chão sobre o qual estava deitado. Pensando nisso, o olhar de Ramsés II foi para a peça mais estranha daquele quebra-cabeça, mais além do corpo de Amun-her-khepeshef, estava Ramsés filho, sua cara estava pálida, em completo assombro e com lágrimas rolando pelo rosto, e suas mãos estavam sujas de sangue. Uma parte disso era justificável, afinal, tinha sido ele quem encontrou o corpo, mas o sangue e o fato de ele estar ali era estranho e suspeito.

O médico real então arrumou o corpo e cobriu-o com um pano longo de linho ao mesmo tempo em que o general entrou no cômodo. Não era a primeira vez que o general havia entrado no cômodo que exibia aquela cena sangrenta, provavelmente era a sétima vez naqueles breves minutos caóticos, até então estava do lado de fora com seus homens em busca de alguma informação. O médico então trocou um breve aceno de cabeça com o general de maior patente ali presente.

— Senhor… — disse o general, olhando para o faraó, indicando com a cabeça um cômodo que estava vazio.

Ramsés II soltou Nefertari delicadamente e então seguiu o general. Nefertari acenou com a cabeça e, arrumou a força que tinha em si, para ir abraçar a filha que acabava de ficar viúva e com certeza precisava de alguém para lhe dar força. Num cômodo onde mais ninguém estava, o general suspirou pesadamente antes de começar a falar, mas o anseio presente nos olhos do faraó por respostas o apressou a dizer as palavras que precisava.

O cômodo estava vazio até onde o general sabia, pois Hórus e Anúbis tinham os seguido tranquilamente. Mesmo Ísis deixou o corpo de lado e foi elegantemente atrás deles.

— Segundo o médico, foi sem dúvida o corte na garganta que o matou. — disse o general — Não tem sinais de resistência… então ele foi pego de surpresa pelo ataque ou simplesmente nem tentou resistir.

— Seus homens descobriram algo? — perguntou Ramsés II, claramente sem paciência — O que os guardas da entrada estavam fazendo na hora? Eles deixaram alguém entrar?

— Na verdade… encontramos os dois homens que guardavam a entrada mortos. — admitiu o general, cabisbaixo — Estavam largados num beco escuro perto do palácio. Nem se deram ao trabalho de escondê-los demais.

— Oh… — disse Ramsés II, subitamente desconfortável por ter acusado os guardas de negligenciar o trabalho — Eles tinham família?

— Sim… — admitiu o general — Um deles tinha acabado de ter uma filha.

— Vou ver alguma maneira de dar alguma forma de consolo para eles, que não importa o que faça, será com certeza pequena. — disse Ramsés II — Descobriram algo mais? Porquê Ramsés filho estava aqui?

— Duas garotas da limpeza dizem terem visto Ramsés filho indo em direção à casa de Amun-her-khepeshef alguns minutos antes do corpo ser encontrado. — disse o general — Os guardas do interior da mansão reportam que foi os gritos de Ramsés filho que os alertaram dos acontecimentos e que encontraram o príncipe segurando a garganta do príncipe herdeiro como que tentando parar o sangramento.

— Acha que ele tem algo a haver? Que é o culpado? — questionou Ramsés II — Era com certeza de conhecimento dele que ninguém poderia entrar… todos sabiam… Mas a reação dele… tentar parar o sangramento? Um arrependimento? Um acidente? Uma encenação?

— SENHOR! — gritou um soldado do lado de fora do cômodo.

O general e o faraó olharam para o soldado, que tentava passar pelos guardas que impedia qualquer um que pudesse atrapalhar a conversa a sós entre o general e o faraó. Na mão do soldado estava um punhal que ele tentava proteger a todo custo e foi isso que chamou atenção de Ramsés II.

— Deixe-o passar. — ordenou o faraó e imediatamente deixaram o soldado passar.

— Vossa Majestade… general… — disse o soldado educadamente — Encontramos esse punham parcialmente escondido na areia do lado de fora da mansão.

O soldado estendeu o punhal para o faraó e Ramsés II o pegou delicadamente nas mãos. A lâmina da arma estava suja de sangue e areia havia grudado nesse mesmo sangue. O sangue não estava tão seco, ainda estava molhado. O faraó olhou para o general e estendeu o punhal para ele.

— Não sei se concorda, mas para mim isso parece a arma do crime. — disse Ramsés II.

— Também tenho essa opinião. — disse o general.

— Infelizmente… eu conheço esse punhal também. — disse Ramsés II, com um pesado suspiro — Ele é de Ramsés filho…

— Tudo está indicando ele como o assassino então. — disse o general — Posso prendê-lo para que possamos interrogá-lo e posteriormente executá-lo como culpado.

— Pode prendê-lo para o interrogarmos… mas só. Mas não seja tão bruto. Não deixe os demais verem… vão ficar mais desesperados do que já estão. — pediu o faraó — Ainda acho que tem algo de estranho… e que não parece certo.

— Vocês acham que foi Ramsés filho quem matou Amun-her-khepeshef? — perguntou Ísis olhando para Ramsés II pensativo enquanto ela se dirigia à Anúbis e Hórus.

— Não. — responderam Hórus e Anúbis ao mesmo tempo, enquanto o general e o soldado deixavam o faraó à sós.

— Parece mais é armado para que pensem que Ramsés filho foi o culpado… — disse Anúbis — Por mais que pareça sim estranho ele ter entrado justamente no momento que Amun-her-khepeshef estava morrendo.

— Até Ramsés II notou que algo está estranho. Se ele tivesse matado e fingido que ele não foi o culpado… — teorizou Hórus — Para ele entrar no cômodo depois que chegamos ele teria que sair e depois entrar. Não havia ninguém ali já que ninguém esperava que alguém fosse passar pelos guardas do lado de fora…

— E os demais da casa estavam dormindo. — completou Anúbis.

— Sim… — concordou Hórus — Então se fosse o assassino e quisesse fingir que achou o corpo por acaso, não tinha porque sair e entrar. Podia só gritar e pronto.

— E também não vimos ninguém… Amun-her-khepeshef ainda estava dando seus últimos suspiros quando chegamos. — lembrou Ísis — Para o culpado sumir rápido assim… e considerando que é provável que quem tentou ordenar a morte de Amun-her-khepeshef meses antes o fez como uma tentativa de nos distrair do roubo do Livro de Thoth…

— Quem roubou o livro sabia usar linho preto para ficar invisível. — lembrou Anúbis.

— Sim.. então ele poderia estar ali o tempo todo quando a gente estava lá… pode estar aqui mesmo agora… — lembrou Ísis.

— Ainda bem que mortais não podem nos ver ou ouvir desse jeito que estamos… — agradeceu Hórus enquanto Ramsés II saía do cômodo — Mas, com isso… o assassino sabe magia. Ramsés filho sequer sabe magia?

— Ele não é muito de magia e nem de religiosidades… — disse Ísis, dando de ombros — Acho muito difícil ser o idealizador do roubo do livro de Thoth, especialmente com quão longe chegaram para nos manter distraídos, mas não descarto ele ser só um peão.

— Pegando nossas listas de suspeitos… — disse Hórus pensativo — E considerando o quão específico o assassinato de Amun-her-khepeshef é… ainda mais com colocando a culpa em Ramsés filho…

— Setne… — disse Ísis enquanto Anúbis afirmava com a cabeça — Tirar os irmãos mais velhos da linha sucessória seria muito útil para ele. Com Amun-her-khepeshef morto… Ramsés filho fora da linha de sucessão e logo executado por assassinato do próprio irmão… Pareherwenemef tendo morrido uns anos atrás… o próximo príncipe herdeiro seria justamente Setne.

— Com Ramsés II se aproximando dos 50 anos… — disse Anúbis — Ele está já abusando da expectativa de vida atual, mesmo considerando que os ricos geralmente vivam mais, então não é de se surpreender que já estejam se perguntando quem vai ser seu sucessor… A questão… é que ninguém dentre os mortais sabe que, a não ser que assassinem o faraó, ele não está nem um pouco perto de morrer.

— Tanto assim? — perguntou Hórus.

— Ele deve ser o faraó que vai morrer mais velho dentre todos até agora se continuar assim… — disse Anúbis.

— De toda forma… — disse Hórus trocando de assunto — Setne não é para estar em Mênfis? Ele ainda é um mortal. Ele até pode ter mandado alguém matar o irmão mas teria que ser um assassino que também seja muito bom de magia e acho difícil que certa combinação exista ou seja fácil de achar se existir.

Eles se entreolharam por uns segundos, claramente preocupados com uma ideia que surgiu na cabeça deles. Nunca antes um mortal chegou tão longe nas habilidades mágicas a ponto de conseguir reproduzir a magia de simplesmente surgir em qualquer lugar à bel prazer. No pavor estampado em seus rostos, eles nem chegaram a dizer uma palavra antes de sumirem os três juntos em direção à Mênfis.

No palácio de Mênfis, de onde Setne trabalhava como Vizir, a noite parecia tal como qualquer outra. Ainda assim, foi com grande preocupação que os três deuses apareceram direto no escritório de Setne, onde ele sempre costumava estar quando o bisbilhotavam mesmo tarde da noite. Ele não estava lá. Com o desespero aumentando, foram para o quarto dele. Passaram por alguns guardas no caminho, mas eles estavam invisíveis e sem som para olhos e ouvidos mortais.

Ao chegarem no luxuoso quarto de Setne, o encontraram lá, dormindo. Dado os acontecimentos dos últimos meses, aquilo ainda não era suficiente para os deuses.

— Já prepare a pena da verdade… — disse Hórus e Anúbis afirmou com a cabeça — Vamos interrogá-lo para ver seu envolvimento com o assasssinato agora mesmo.

De repente, como se tivesse de fato escutado os deuses conversando ali apesar de nenhum mortal jamais ter feito isso, Setne sentou-se de repente da cama, agarrou uma varinha que havia parcialmente perdido ao esconder embaixo das cobertas e num piscar de olhos, deixou Mênfis para trás deixando os três deuses chocados tentando processar tudo que tinha acontecido em questão de poucos segundos. Um mortal havia claramente os escutado pela primeira vez mesmo perfeitamente escondidos e havia se transportado sozinho, sem auxílio de nenhum objeto que carregava grande poder, como um obelisco.

— Chamem os outros… — disse Hórus entre-dentes — Quero Setne de joelhos na minha frente! Com certeza ele está com o Livro de Thoth em algum lugar!

Vendo a raiva subir pela garganta de Hórus, Anúbis ficou pronto para fazer exatamente isso, mas antes Ísis pegou no seu pulso, e sussurrou em seu ouvido.

— Avise Ramsés II quem é o verdadeiro culpado… — disse ela gentilmente — Antes que Ramsés filho pague pelos crimes do irmão.

Anúbis sumiu de lá para fazer exatamente o que haviam lhe pedido e, enquanto isso, numa pequena vila entre Pi-Ramsés e Mênfis, Setne aparecia numa pequena casa de um único e pequeno cômodo. Fraco por ter usado magia demais, Setne caiu de joelhos no chão de barro batido parcialmente coberto de areia no segundo em que surgiu na casinha.

— Merda. Merda. Merda. Merda. — resmungou ele enquanto usava todo o resto de suas forças para se erguer mais uma vez.

Arrastando seu próprio corpo naquele pequeno cômodo, que nunca lhe pareceu tão grande como naquele momento, e foi até o ponto mais cheio de areia da falida casinha. Ele tirou a areia do caminho com as próprias mãos e revelou ali um alçapão trancado por magia. Ele usou a própria magia para destrancar, e ela logo provou que ele estava muito acabado, pois por um segundo quase caiu no chão desmaiado.

Respirando fundo, ele deu um tapa no próprio rosto, se forçando a não desmaiar, e tirou do alçapão uma bolsa com duas coisas dentro, uma farta bolsinha cheia de ouro e o Livro de Thoth. Havia deixado ele ali dentro dois dias antes no medo de que aquele dia fosse dar errado… tal como de fato deu. Com tudo em mãos, ele sumiu mais uma vez.

Dessa vez, Setne apareceu num lugar totalmente diferente cujo sol começava a iluminar timidamente com seus primeiros raios uma vegetação esparsa e rasteira com morros belos e verdes no horizonte. Claramente não era o Egito. Uma onda do mar lavou os seus pés e ele desmaiou na praia.

Enquanto isso, no Egito, os deuses varriam o império de Norte a Sul, Leste a Oeste. Os primeiros raios de sol ainda não haviam começado no Egito, mas não estavam tão longe assim. Quando o sol começou a trazer o calor de volta, os deuses já sabiam que o terreno de busca por Setne precisava ir para fora do Egito. Entretanto, para isso, eles precisavam conversar com seus contatos divinos ao invés de sair por aí, entrando sem escrúpulos no território dos outros. Conseguir informações de aliados também era importante e, por isso, Anúbis foi até Hades e explicou a situação.

— E seu faraó aceitou confiar em mim assim? — perguntou Hades, fingindo uma leve surpresa.

— Não muito. — respondeu Anúbis, escondendo o fato de que estavam desesperados, mas Hades deve ter percebido.

— De toda forma, não tive hoje nenhuma morte estranha… — disse Hades — Mas perguntarei aos outros se ouviram falar de algum egípcio peculiar chegando em nosso território.

— Seja discreto. — pediu Anúbis.

— Não garanto. — respondeu Hades — Hórus deve estar falando com Zeus, certo?

— Sim... — respondeu Anúbis.

— Se eu fosse ele, eu iria ou para depois do deserto ou para perto daqueles povos desgarrados perto dos hititas. — disse Hades — Ouviu falar deles?

— Ouvi… Alguns lutaram do lado dos hititas na batalha de Kadesh. — respondeu Anúbis, pensativo — Pensamos na Núbia já que havia uma mulher núbia colaborando com ele, mas talvez seja muito óbvio.

— Bagunçados e primitivos. — disse Hades.

Enquanto os deuses continuavam a busca de toda forma possível, nas praias de Chipre, Setne acordou com o sol batendo em sua cara e um jovem o encarando. Quando Setne acordou e se sentou tão repentinamente, o garoto se sobressaltou. Setne foi logo conferindo o conteúdo de sua bolsa e, suspirando aliviado por tudo está ali, já sabendo onde estava, ou no mínimo torcendo pra estar onde tentou chegar, Setne usou todo o hitita que aprendeu com o ouro infinito de seu pai, e perguntou:

— Onde encontro uma estalagem?

— Ali. — disse o menino apontando para mais além — Onde fede a mar mas não tem peixe. A única casa com andar.

— Valeu garoto. — resmungou Setne, se erguendo com dificuldade, e se arrastando para a estalagem segurando sua bolsa com firmeza torcendo pra aquela descrição ser suficiente.

Setne se arrastou para o vilarejo e, depois de excluir as barracas e lojas de pescador, logo achou o lugar que o garoto se referia. O cheiro de mar era forte e era forte por um bom motivo, havia vários comerciantes ali. Com Chipre estando bem no meio do mar entre os egípcios, os hititas e os micênicos, ali era uma rota intensa de comércio. Mais um egípcio na estalagem não chamaria tanta atenção.

Já dentro da estalagem, desviando daqueles que se empanturrar de cerveja ou enchiam suas barrigas com o café da manhã, ele foi até quem parecia cuidar do lugar. Ele colocou a mão na bola e tirou de lá um par de brincos, que sem nenhum remorso diante o conhecimento de que um dia eles pertenceram a própria mãe, ele ofereceu para a garota de cabelos castanhos fartos e sardas que parecia receber os viajantes.

— Seu melhor quarto por duas noites para não me perturbarem. — disse ele no hitita perfeito — Um peixe gordo, um pão grande e uma ânfora qualquer de cerveja.

— Vou lhe mostrar o quarto e levarei sua comida assim que o peixe ficar pronto. Pode ser? — perguntou ela, já acostumada com os fregueses que recebia e mordendo o brinco para confirmar que era ouro mesmo.

— Pode ser. — disse ele revirando o olhar sentindo a barriga se revirar junto, com fome.

Ela pegou o par de brincos, guardou numa bolsa que carregava e lhe mostrou o caminho até o quarto. Era um quarto muito fraco, mesmo considerando que provavelmente era o melhor da estalagem. A cama não passava de um monte de feno no chão organizado como um colchão e coberto por um lençol de linho barato e com um buraco em uma ponta. Havia uma cadeira de madeira com um buraco no meio, que provavelmente era o mais perto que ele teria de um banheiro. Havia uma pequena mesa quadrada de madeira num canto também e sobre ela, uma pequena vela parcialmente usada presa num suporte tosco que já tinha visto dias melhores.

— Quer que eu traga água também? — perguntou ela.

— Sim. — respondeu ele, se jogando na cama de feno em completa exaustão antes mesmo de ela sair do quarto completamente.

Ele tirou uma pequena soneca antes de acordar num susto causado pela mulher indo entregar sua comida e batendo em sua porta. Ele logo devorou a comida, ansioso por energia para continuar sua fuga, mas claramente tinha usado magia demais. Não conseguiria se arrastar até um barco para fugir dali se fosse necessário naquele estado em que ele estava. Assim, voltou a dormir.

No resto daquele dia e metade do seguinte, tudo que ele fez foi comer e dormir. Com tantas horas de descanso, fisicamente já se sentia bem melhor, mas o coração ainda batia desesperado e ansioso, sabia que estavam procurando por ele.

— Droga… não era pra ter saído assim… — resmungou Setne, sentado em sua cama de palha abraçando sua bolsa.

Uma leve brisa entrava pela janela e ele tentava usar ela como inspiração para pensar nos seus próximos passos. Tinha pensado, obviamente, no que faria se o plano desse errado, mas não esperava ficar tão sem energia como tinha ficado e perder tantas horas apenas comendo e dormindo.

— Te achei! — exclamou uma voz que parecia misturada no vento.

O vento então ficou subitamente mais forte, tão forte que o empurrou, fazendo-o rolar para fora da cama. Ele tentou rolar para longe do alcance do vento, e conseguiu o suficiente apenas para fugir das mãos de Qebui, que surgiu repentinamente em meio ao vento para o segurar. Devido a essa tentativa, Qebui tentou agarrar o chão, enquanto Setne rolou espertamente em direção à porta. Os dois trocaram um olhar por um milésimo de segundo enquanto Setne correu em direção à porta o mais desesperadamente que pode apesar de estar deitado no chão primeiramente, enquanto gritava:

— É só isso que mandam atrás de mim? O pequeno deus Qebui? — perguntou Setne.

— Como sabe quem sou? — perguntou Qebui se erguendo para ir atrás do fugitivo, que já descia escada à baixo em direção ao caos da entrada da estalagem.

— Estudei né? — gritou Setne de volta.

As pessoas da entrada da estalagem olharam para Setne sem entender nada, mas logo gritaram quando Qebui surgiu entre eles com uma forte rajada de vento, empurrando tudo que estivesse em seu caminho. Setne, que não achava que tinha forças pra se teletransportar de novo no momento, continuou a fazer o que podia com o que tinha em mãos e, naquele momento, o que surgiu em sua cabeça foi pegar rapidamente uma ânfora de cerveja sobre a mesa de dois clientes e tacar na cabeça de Qebui.

A ânfora se espatifou em vários pedaços e encharcou Qebui com o seu conteúdo, deixando-o mais irritado do que já estava. Ainda assim, o ego estava ali no meio.

— EI! — gritou o dono da cerveja.

— Estão me subestimando! — gritou Setne segundos antes de tacar outra ânfora de cerveja na cara de Qebui, mas dessa vez o deus desviou — Enganei deuses muito maiores que você a tempos. Até parece que vai conseguir me pegar sozinho!

O dono de uma das cervejas que ele tinha jogado na cara de Qebui se ergueu, fechando e erguendo o punho ponto para a briga. Qebui também ia na direção de Setne, com irritação estampada no rosto. O mero marinheiro como o dono da cerveja era podia ter braços parrudos, mas Setne tinha extenso treinamento de combate com os melhores soldados do Egito, já tinha ido para guerras e batalhas junto com o pai. Uma estalagem com destreinados meio bêbados não era nada. Desviar dos dois socos e roubar um punhal da cintura do marinheiro foi fácil demais.

Aproveitando-se de um momento de troca de base do marinheiro, Setne lhe deu um poderoso chute na barriga, jogando-o contra Qebui. Logo em seguida, sem se demorar muito ali para ver os efeitos de seu chute, ele saiu correndo para fora da estalagem. Mais do que tudo, ele queria que Qebui mordesse a isca. Confiava… com um pouco de dificuldade… que conseguiria lidar com Qebui. Se Qebui chamasse ajuda, aí sim estava ferrado.

A porta da estalagem explodiu com uma rajada de vento. Madeira voou para todo lado, atingindo até as pessoas que estavam ao redor, mas Qebui continuou indo na direção de Setne rapidamente, com os pés mal tocando o chão. As pessoas na rua se encolhiam, ou olhavam curiosas e fofocavam, tentando entender o que acontecia ali.

Qebui jogou uma rajada de vento contra Setne, que mesmo com o príncipe tentando desviar, ainda o acertou. Ele girou de lado, quase caindo, mas conseguiu apontar sua varinha para o deus no último segundo e gritar:

— HU-AI!

Imediatamente, Qebui caiu no chão de costas, magicamente incapacitado de se mover ou levantar. Setne sorriu, não contava que o feitiço fosse funcionar com um deus, mas não custava tentar, mesmo que já sentisse o suor do esforço escorrendo por sua têmpora.

— O deus do vento do norte… — disse Setne em tom de zombaria — Veio do norte em busca de mim… mas prova sua ineficiência ficando preso para tal simples feitiço.

— Não me subestime, mortal. — rangeu Qebui entre-dentes, forçando o feitiço para se quebrar.

Setne sentia a tensão da força que o deus fazia contra o feitiço, mas tentou segurar mais um pouco por mais que isso estivesse custando muito da energia e magia que tinha sobrando no momento. As pessoas ao redor olhavam aquela cena estranha sem entender nada, até porque, poucas ali eram egípcias e entendiam qualquer palavra que fosse.

— Não tem o que se superestimar em você… — falou Setne, sentindo o suor escorrendo por suas costas — Você é simplesmente o vento do norte, um homem de quarto cabeças de carneiro. Até mesmo Bóreas, o micênico de ideia parecida, é mais relevante que você. Me surpreende achar que pode me capturar sozinho.

— Você não passa de um mortal. — respondeu Qebui — Pode estar me segurando com esse feitiço, mas sua resistência para mantê-lo é bem menor do que a minha para quebrá-lo.

— Será mesmo? — blefou Setne, sabendo que o que Qebui dizia era verdade.

— Claro que é! — rebateu Qebui — O corpo humano não tem a capacidade física de aguentar os poderes de um deus.

— É só eu arrumar um jeito de ultrapassar isso, não é mesmo? — perguntou Setne, sentindo-se cada vez mais cansado — Nada é impossível com magia. Eu estudei bastante sobre os deuses… e sobre magia, ainda mais agora com o Livro de Thoth. Criei minhas próprias magias também. Descobri como perceber quando estão ao meu redor… ou ouvi-los falando… essa é novidade, fiquei feliz de ter funcionado.

— Desgraçado. — rangeu Qebui.

— Obrigado. — respondeu Setne se fazendo de honrado pelo xingamento — Inclusive… acho que entendi seu nome secreto…

— C-Como? — gaguejou Qebui — C-Como sabe disso?

— Li no Livro de Thoth… — justificou Setne — Não é de conhecimento dos mortais essa de nome secreto, né? Admito que foi uma novidade quando ouvi falar disso. Tantas formas interessantes que podem ser usadas para se aproveitar do poder dos deuses.

— Está blefando… — resmungou Qebui — Pode até ter lido no Livro de Thoth sobre nomes secretos, mas não saberia o meu assim com tão pouco.

— O deus do norte de cabeça esquentada. Um pequeno deus sem tantos textos sobre si mesmo… — recitou Setne — Um tanto de inveja aí escondido talvez? Uma necessidade de se provar também. Provar que sabe fazer as coisas sozinho ou tão bem quanto qualquer outro deus. Mas não me entenda mal… aposto que lá no fundo é um cara legal.

— Miserável egocêntrico. — rangeu Qebui.

— Assim… creio que seu nome secreto seja… — disse Setne lentamente — Brisa Pungente.

A cor sumiu do rosto de Qebui, e foi nessa hora que Setne soube que tinha ganhado. Com o nome secreto do deus na ponta da língua, o poder de Setne tinha acabado de aumentar. A verdadeira essência da alma do deus, saber o nome verdadeiro de alguém lhe dava poder sobre o proprietário e Setne adorou a sensação de ter esse poder por mais que, no fundo, se identificasse um pouco com Qebui. Era difícil viver à sombra de alguém como Ramsés II e ainda por cima estar tão longe do trono… que bem que poderia apostar que agora estava totalmente fora de alcance a não ser que tivesse um plano bem mirabolante que incluísse algum golpe. Mas talvez fosse essa identificação que tivesse o ajudado a descobrir o nome de Qebui.

— Brisa Pungente, pare de resistir ao meu feitiço. — disse Setne e imediatamente Qebui o fez.

Setne suspirou aliviado, já não sabia quanto tempo mais iria aguentar ficar daquela forma, mantendo o feitiço.

— Brisa Pungente, você vai me levar até Frígia da forma mais rápida e segura que puder. Os vizinhos dos hititas, sabe? Mais ao norte. — perguntou Setne enquanto cautelosamente desfazia a magia — Vamos ficar lá um tempo… se assim seus aliados deixarem.

— Desgraçado, maldito. — resmungou Qebui entredentes enquanto se levantava a contragosto, com o próprio corpo praticamente o controlando.

Enquanto Qebui ia até ele, Setne continuou tenso com medo de que o deus estivesse só fingindo que tudo tinha dado certo. Afinal, era a primeira vez que usava o nome secreto de qualquer um que fosse. Aquilo era território não explorado. Contudo, Qebui simplesmente tocou no ombro dele e, no instante seguinte, estavam ao lado de um vilarejo cercado por pradarias verdes do interior da futura Turquia. Mais além, havia outra vila, ainda não tão grande quanto a que estavam agora, mas que um dia cresceria para se tornar Istambul.

Um sorriso maléfico cruzou o rosto de Setne ao ver como as capacidades que tinha de atingir seus objetivos tinham acabado de aumentar.

Notas finais
*** UM POUCO DE VIDA REAL *** “ai mas o primogênito do Ramsés deve ter morrido criança nas pragas do Egito… ” Amon-her-khepeshef morreu por volta do ano 25 do reinado de seu pai. Ele se casou com Nefertari II - filha de Ramsés, e possivelmente também filha da rainha Nefertari, portanto sua irmã ou meia-irmã - e com ela teve um filho chamado Seti. Não achei do que ele pode ter morrido até pq não acharam a múmia dele apesar de terem achado a tumba (não que tenha sido muito difícil, o Ramsés II enterrou suas crias juntas). De novo, não tem nenhuma prova que o Ramsés II é o faraó das pragas do Egito. Só Hollywood que deixou o coitado famoso por essa. Sem falar que se tem a causa da morte e idade da morte do Ramsés II, e não bate não. Tem teorias que o faraó do dilúvio e o Moisés eram na verdade personagens inspirados em Akhenaton. Outras teorias colocam a data do dilúvio numa época que o Egito nem faraó tinha porque tava apanhando dos Hicsos. Outras teorias colocam o Ahmose I como o faraó da história ou o Tutmosis II (o irmão da Hat) por vários motivos, alguns deles sendo registros de coisas que podem ser as pragas (mas que não são muito lá grande coisa também porque várias das coisas eram muito comuns). Pra referência (pra n confundir, pq eu as vezes confundo, quanto menor o número, mais perto dos dias atuais): Ahmose I : reinado aproximado -> 1552 a 1527 a.C. Tutmosis II : reinado aproximado -> 1513 a 1499 aC. Akhenaton : reinado aproximado -> 1353 a 1336 a.C. Ramsés II : reinado aproximado -> 1279 a 1213 a.C. Os egípcios eram conhecidos por registrar todos os eventos, sejam eles de natureza temporal ou religiosa, mas há poucas referências a pragas na literatura egípcia antiga. Qualquer registro de coisas naturais que possam se assemelhar às pragas estão separados por centenas de anos. Resumindo… eh… não tem muita prova de coisa que o Egito deixou que as pragas sequer aconteceram. **** REFERÊNCIAS **** A lenda de Rá e Ísis - https://sacred-texts.com/egy/leg/leg20.htm Povos do mar = https://en.wikipedia.org/wiki/Sea_Peoples Amun-her-Khepeshef = https://en.wikipedia.org/wiki/Amun-her-khepeshef banheiro no antigo egito - https://www.bbc.co.uk/bitesize/articles/zfhmrj6#:~:text=In%20Ancient%20Egypt%2C%20around%203100,sand%20to%20collect%20the%20waste. banheiro no antigo egito - https://journals.openedition.org/frontieres/1446 vela no antigo egito - https://www.hellenic.org.au/post/let-there-be-light