A Modern Myth
8 Capítulo 8 – The Day!
Notas iniciais
Por que eu tenho uma amiga tão diferente de mim? Ela é toda animada, eu toda na minha. Ela é extrovertida e eu sou muito tímida. Ela adora moda, eu não estou nem aí se o meu All Star está sujo e gasto. Ela adora ser notada, eu odeio ser o centro das atenções.
Mas como hoje é um dia muito importante pra ela, eu prometi a mim mesma que ficaria empolgada com tudo que ela gosta. Inclusive esses pincéis assustadores de maquiagem. Em compensação, Kath me prometeu que não iria exagerar em nada.
Uma semana atrás, saímos para comprar os vestidos. Fomos a uma loja que tinham vestidos muito caros, mas nenhum chamou minha atenção. Então, depois de percorrer toda a ilha de Manhattan, resolvemos dar uma chance ao Brooklyn e foi na primeira loja que passamos que Katherine se apaixonou por uma saia e um cropped. Ela ficou parecendo uma versão loira e branquela da princesa Jasmine, do filme Aladdin.
Enquanto ela gastava toda a sua mesada com a roupa e os acessórios para o baile, eu passava os vestidos nas araras sem muita esperança de encontrar alguma coisa. Até que eu vi um vestido branco que se destacou dos outros.
O vestido tinha duas partes, um vestido curtinho e justo de renda com detalhes dourados e uma saia branca esvoaçante presa na cintura. Como foi o único vestido que parecia diferente o dia todo, eu decidi experimentar. Entrei no provador sem ninguém perceber. E quando saí, o olhar no rosto das mulheres na loja se iluminaram.
— E aí? Muito estranho?! — perguntei para Kath.
— Com o sapato e os acessórios certos, você seria uma rainha! Acredite em mim! Está perfeito! – ela parecia emocionada.
— Tem certeza? – fiquei em dúvida. – É muito diferente do que eu costumo usar...
— Se você não levar esse aí, eu mato você! Entendido? – piscou um olho.
— Tudo bem! Deixa-me tirar ele então. – voltei para o provador, enquanto Kath já escolhia os acessórios para combinar com o vestido.
— Então você vai colocar esses grampos na minha cabeça e fazer um coque? – perguntei apontado para aqueles arames.
— Exatamente! Mas pode ficar tranquila que não vai ser nada repuxado. Farei uma trança também prenderei tudo para trás. Não se preocupe, vai ficar lindo! – ela já começou a pentear meus cabelos.
— Tudo bem, confio em você. – fechei meus olhos e me concentrei em suas mãos mexendo nos fios ruivos.
— Você não vai me dizer o porquê de ainda não ter reclamado de nada que eu estou fazendo?! – a curiosidade em sua voz a entregava.
— Katherine Duncan, você é minha melhor amiga e hoje é um dia especial pra você. No próximo ano você vai para uma faculdade bem diferente da minha. Então não reclame se eu estou sendo boazinha por um dia. Não pense que vai me produzir assim de novo, porque não vai.
Quando disse isso, Kath abraçou meus ombros e me olhou através do espelho. – Sabia que você é a melhor amiga de todas? – ela disse com a voz emocionada.
— É claro que eu sei! Só eu que consigo aguentar todo o seu falatório sem reclamar. – sorri pra ela e dei uma piscadinha.
— Já chega de fofura! Vamos terminar esse cabelo e fazer sua maquiagem para impressionar os garotos daquele colégio! – ela se recompôs e já foi logo terminando o penteado.
~*~
Na sala de estar, estavam o meu pai e Jason, que já haviam se tornado amigos durante os jantares aqui em casa. Estavam tão distraídos com a conversa, que Kath teve que pigarrear para eles notarem nossa presença. Mas quando nos olharam, seus queixos caíram. Acho que ninguém esperava que eu me vestisse assim algum dia.
— Filha você está... Uau! – meu pai nem conseguia formar uma frase direito. Percebi que seus olhos estavam marejados. – Hoje estou vendo toda a graça da sua mãe em você, sabia?
Então corri e o abracei. – Péssimo momento, pai. Se eu borrar a maquiagem, a Kath me mata! – disse emocionada.
— Não se preocupe, eu usei à prova d’água, só pra garantir. – ela piscou um olho pra mim. Todos rimos daquilo.
Então olhei pra Jason, que ainda não havia dito nada.
— Não vai me dizer nada, Jay? – perguntei em tom de deboche.
— Primeiro: nunca mais me chame assim, ok? Segundo: agora sim você está vestida como uma princesa, Mel. – ele sorriu pra mim com aqueles olhos cinza que tanto me distraiam.
— Tudo certo, então vamos? – papai já pegava a chave do carro e disparava em direção a porta.
— Espera! Todos parados! Tio Leo, você tem que tirar fotos antes de irmos, já se esqueceu? – Perguntou Kath sacando a nossa Polaroide.
Meu pai revirou os olhos, também não gostava muito dessas tradições de baile. Entretanto, ele tirou um monte de fotos. Uma minha e da Kath. Outra eu, ela e Jason. Outra só eu e Jason. E a que mais me chamou atenção, foi uma que ele tirou sem querer, eu e Jason discutindo, como sempre. Eu nunca imaginei que a cena era tão engraçada quando ela acontecia, mas olhando a foto entendi porque a Kath e o papai seguram tanto o riso.
Terminada a sessão de fotos, fomos para o carro e rumamos até a escola. Bem na frente do prédio principal, o par de Kath a esperava e ela seguiu direto até ele, apenas se despedindo do meu pai. Eu e Jason já íamos saindo do carro, quando meu pai nos chamou novamente.
— Ei, Jason! Cuida bem da minha princesa, viu? – ele lançou um olhar ameaçador para o garoto, mas que não convenceu ninguém.
— Pode deixar, Leonard! Ela estará em boas mãos. – piscou um olho pra ele e saiu. – Vamos?
E assenti e enlacei seu braço com o meu. Finalmente entramos na escola e caminhamos em direção à quadra.
— Eu ainda não te disse, mas você está bem elegante nessa roupa, Jason! – falei reparando nas vestes sociais dele. O terno alinhado nos ombros, tudo na medida certa.
— Obrigado, princesa. – ele sorriu de lado. E até aquele sorriso parecia diferente naquela noite.
A quadra estava totalmente diferente. Todas aquelas pessoas reunidas no centro, dançando. De um lado, perto das arquibancadas, havia algumas mesas e cadeiras. Alguns casais estavam conversando nos cantos. Em outro local, perto da pista de dança, estava um DJ que tocava alguma música eletrônica. De onde estávamos, conseguíamos ver a mesa de bebidas e comidas. E logo avistamos Kath e seu par, um jogador de futebol que logo que teve uma chance, chamou-a para sair. Eles pareciam se curtir, mas o destino é cruel e logo irá separá-los novamente. A tal da faculdade.
Enquanto eu me deslumbrava com cada aspecto daquele lugar, nem percebi quando todas aquelas pessoas olharam para mim e para Jason. Fiquei um pouco nervosa, mas Jason apertou minha mão e sussurrou no meu ouvido:
— Não preste atenção neles. Estão apenas admirando a garota mais bonita desse baile. – e me puxando em direção à pista, completou: — Vamos dançar e esquecer-nos de tudo!
Nem tive tempo de responder, eu já estava no meio da multidão e me balançava ao som de Titanium, do David Guetta. Eu cantava a música com todo o fôlego dos meus pulmões e observava como Jason era lindo.
Espera! Eu disse isso mesmo?! Claro que não! Eu estava olhando como ele parecia se divertir a me ver feliz.
E dançamos. E dançamos muito mesmo! Eu nunca me soltei tanto assim. Eu, Jason, Kath e o seu par nos divertimos como nunca! E estava perfeito! Eu nunca me arrependeria de nada daquela noite!
Então o DJ cortou a música e a diretora da escola anunciou que seriam revelados o Rei e a Rainha do baile. Não imagino pra que isso serve. No próximo ano, já não estaremos mais aqui, quem irá se lembrar de nós?
Mas todos aqueles adolescentes cheios de hormônios se preocupavam com esse título idiota, aparentemente. Todos se juntaram ao redor do palco e prestaram total atenção nas palavras da diretora. A Emma já ajeitava o cabelo, verificava se o vestido estava no lugar certo com a certeza de que iria ganhar a coroa.
O que ninguém esperava, é que quando os votos foram contados, o nome mais escritos naqueles papeizinhos foi o meu. Então a Diretora chamou o meu nome mais uma vez. Kath quase me jogou em cima do palco. E quando eu subi as escadas e encarei todas aquelas carinhas familiares, eu vi a mesma surpresa no rosto de todos.
— Parabéns, Senhorita Shelley! Você está linda! – A diretora me cumprimentou enquanto me entregava flores e colocava a coroa na minha cabeça. – Uma salva de palmas para a rainha do baile.
Quando o rei foi anunciado, ninguém se surpreendeu realmente. Jason Howard se juntou a mim no palco sorrindo e acenando, a simpatia em pessoa. A diretora também o parabenizou e o coroou.
— Que comece a dança do Rei e da Rainha! – foi anunciado.
Jason me conduziu até o centro da pista, colocou uma mão na minha cintura e com a outra segurou a minha. Coloquei minha mão em seu ombro e nos preparamos pra dançar. A música começou e ele me guiou pelo ginásio. Nossos olhares não se desgrudaram um segundo sequer, ele sorria com os lábios e com os olhos. Tudo nele irradiava uma alegria inexplicável. Eu amava essa sensação de proximidade entre nós. E nesse momento já era impossível negar que eu sentia essa atração absurda por ele. Então quando a música parou e começou a tocar outra música lenta, quando todos os alunos já estavam dançando também e que ninguém mais prestava atenção em nós, eu envolvi o pescoço de Jason e ele passou os braços em volta da minha cintura. Nos passos lentos da música, me senti hipnotizada, aqueles olhos me atraiam cada vez mais... E eu o beijei.
Sem pensar duas vezes, uni meus lábios aos dele, que estava tão surpreso quanto eu. Mas logo cedemos e aprofundamos um pouco o beijo. Eu sorria e a sensação daquele ato não planejado explodia em meu peito. Todas aquelas coisas clichês que eu leio em livros, se tornaram realidade. Borboletas no estômago? Confere. O mundo sumiu? Correto. Cadê as pessoas? Foram embora.
Com muita relutância, terminamos o beijo. E quando abri meus olhos para ver o rosto de Jason, o sorriso que estava em meus lábios, desapareceu. Senti-me vazia. Como se toda a alegria que eu tive naqueles poucos segundos fosse arrancada de mim.
Tudo o que estava estampado no rosto de Jason era um misto de incompreensão, confusão e desgosto. Não tentei nem entender. Só queria sair dali. E foi o que eu fiz.
Saí dos braços dele. Saí da quadra. Saí do colégio. Apenas fui embora. Não queria que ninguém me visse chorar. Por que as coisas que eu quero nunca se realizam?
— O que aconteceu? Por que você está chorando? – uma Kath assustada me seguiu. E quando percebeu que eu não conseguiria falar nada, apenas me abraçou.
Então, apenas escuto a voz dele me chamando. Mas escondo meu rosto no vão do pescoço de Kath e ela lança um olhar mortal pra ele.
— O que você fez, Howard? – ela questiona.
— Ela me beijou. – ele disse ainda confuso. – Mas eu não devia ter retribuído.
— E por que não? – ela retruca. – Por acaso você tem uma namorada lá no seu país?
— Não, claro que não. – ele responde rapidamente. – É uma questão de família, Kath. Pode me deixar conversar com a Melanie?
— Não acho que ela queira conversar com você. – ela parecia uma mãe protegendo os filhotes. – Se quiser falar com ela, pode falar na minha frente.
— Ok! Tudo bem... Mas não tem um jeito fácil de falar isso, eu juro que ia te contar amanhã, só que vai ter que ser agora. – ele respira profundamente e solta de uma vez: — Sabe a mulher que cuidou de mim?! Ela é a sua mãe. E sabe a minha mãe?! É irmã da sua. Nós não podemos nos beijar porque somos primos!
Agora sim! É oficial! Jason Howard veio pra deixar minha vida de cabeça para baixo!
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