A Modern Myth

9 Capítulo 9 – Revelations and Decisions


Notas iniciais
Olá, leitores! Quero pedir perdão pela demora, passei por um difícil e complicado momento de bloqueio criativo. Eu sabia o que tinha que escrever, mas mão conseguia passar para o papel. Mas finalmente consegui! Além de tudo, estou na faculdade (faço enfermagem), então algumas vezes irei me embolar toda decorando nome de ossos do corpo e não conseguirei escrever. Espero que possam compreender! Mas já que demorei tanto tempo, aqui vai um capítulo bem cheio de informações. Boa leitura!

Minha primeira reação foi rir. Rir histericamente. Essa foi a pior desculpa do mundo! Sério mesmo que ele disse isso só pra recusar um beijo?! Por que não dizer que apenas não gosta de mim desse jeito?! Que eu sou só uma amiga?! Mas daí pra dizer que somos primos?! Sério isso?!

— Você só pode estar brincando, né? — me virei pra ele. – Agora você vai me dizer que minha eu sou uma bruxa e que a minha coruja se perdeu no caminho, tipo assim, por uns 7 anos?!

— Espera... Do que você está falando? – ele fez cara de confuso. – Você acha que eu estou mentindo? Eu até entendo que possa ser difícil entender o que eu disse. Mas achar que eu mentiria pra você sobre um assunto tão sério?! Isso já é demais, você não acha?

— Você não está sendo meio insensível? — acusei. – Dizer que somos primos para apenas para me dar o fora?

— Por que eu inventaria algo assim? — ergueu uma sobrancelha. – E por que eu te daria o fora?

— Eu não sei! – disse brava. – Você pode não ter gostado do beijo. Pode não gostar de mim. Pode não me achar bonita. Sei lá! São infinitas possibilidades!

— Mas eu te acho linda! Eu gosto de você! E gostaria de poder te beijar novamente, mas eu não posso! – ele disse meio vermelho.

E foi então que eu percebi que eu já estava viajando nessa história. Tudo bem! Eu aceito que isso talvez tenha sido coisa da minha cabeça... Mas isso ainda não explica porque ele não me contou isso antes, se somos realmente primos.

— Então... – tentei sair do estado de choque. – Quer dizer que você não está inventando essa história?

— Por que eu mentiria pra você? – ele perguntou se aproximando de mim.

— Mas por que você não me contou antes? – dei um passo atrás e senti que Kath estava ali. – Se você sabia que eu era sua prima, por que não me contou isso antes? – gritei pra ele.

— Eu não sei! – ele olhou pra mim. – Acho que eu não queria que você reagisse assim. Não queria que ficasse com raiva de mim e não ouvisse a história completa.

— Ainda tem mais? – perguntei incrédula. – Quando você planejava me contar?

— Amanhã, depois do baile. – ele baixou o olhar. – Me desculpa, Mel! Não queria que descobrisse assim.

— O fato é que você mentiu pra mim. Você conhece minha mãe! Você é sobrinho dela! E você me falou dela, sabendo que ela era minha mãe! E agora faz sentido você prometer que um dia eu a conheceria. – irritei-me. – Por que você não me contou nada?

— Até porque é bem fácil chegar pra uma desconhecida e dizer: “Oi! Nós somos primos! Como vai?” – ele retrucou. – Quer saber?! Acho melhor irmos para casa e esfriarmos a cabeça. Ainda tem muito mais coisas pra contar e que são mais difíceis de digerir.

— Eu não quero saber! Você pode me contar agora! — insisti. Por que ele precisa continuar fazendo isso? – Não quero mais segredos...

Nesse momento, deixei meus ombros caírem, cansada de tentar lutar. Eu estava zangada, chateada e surpresa. E o misto de emoções sugava todas as minhas forças. Os segredos que eu nem sabiam que existiam, foram jogados em cima de mim como um tiro, rápido e forte. E sem saber o que fazer, agachei-me onde eu estava e escondi meu rosto entre os joelhos, pouco me importando com o vestido. Eu só queria sumir dali.

Senti as mãos pequenas de Kath nos meus ombros, me dando força. E sabia que não estava sozinha enquanto ela estivesse do meu lado, então relaxei e deixei que ela me ajudasse a me levantar. Olhei para o garoto na minha frente, respirei fundo e me voltei para minha amiga.

— Vamos, Kath?! Quero ir para casa. – pedi.

— Vamos! Só me deixa despedir do Sean... – ela me olhou com olhinhos pidões. Sorri e assenti.

— Vou chamar o táxi enquanto você vai lá.

Ela saiu, deixando-me sozinha com Jason. Ele se aproximou, mas eu andei até a saída da escola e esperava ver um táxi livre, mas todos que passavam, já estavam ocupados. Jason chegou ao meu lado e eu sentia seus olhos em mim, mas eu não ousava olhar de volta pra ele.

— Mel... – ele falou tão baixinho que parecia não querer que eu ouvisse, mas ou ouvi.

— Por favor, Jason, só fale comigo quando for pra me contar toda a verdade, ok? – pedi, ainda sem olhá-lo.

— Certo. Amanhã, eu juro que te conto cada detalhe da história. Só preciso que você acredite em mim e me dê uma chance de explicar tudo. – sua voz já saia mais fraca. – Por favor!

— Eu estou te dando uma chance, mas não quero ouvir mais nada hoje. Estou exausta emocionalmente. Só quero o meu travesseiro. Então fica calado, porque minha cabeça está latejando. – pedi calmamente.

Ele não disse mais nada depois disso. Acenei para um táxi que passava por ali, mas ele passou por mim, sem me ver. Então desejei profundamente que os pneus estourassem. Mais à frente, um barulho alto de tiro soou. Logo vi o táxi parado e um dos pneus vazio. Achei aquilo muito estranho.

— Me empresta o seu celular? – pedi educadamente. Ele me entregou o aparelho e liguei para a empresa de táxis e pedi por um. Devolvi o aparelho. – Obrigada.

~*~

Deitada na minha cama, com uma Kath dormindo profundamente do meu lado, eu pensava nos acontecimentos do dia e tentava organizar os meus sentimentos. Lidar com uma coisa de cada vez, esse era o meu pensamento.

Primeiramente, deixei que minha melhor amiga me embonecasse para ir a um baile de escola. Normalmente isso não aconteceria, mas aquilo foi mais por Kath do que por mim.

Em seguida, fui coroada Rainha do Baile. Essa parte já foi bem confusa e nunca vou entender o que se passou na cabeça de todos aqueles adolescentes para votarem em mim. Mas acho que gostei um pouquinho da sensação de ganhar de Emma.

Então, dancei uma música lenta com Jason. Nunca tinha dançado nada do tipo na minha vida, mas ele parecer saber o que fazia, apenas o acompanhei e me deixei levar, o que resultou em um beijo.

Eu não tinha palavras para descrever como fiquei feliz com o beijo... Ninguém nunca tinha me beijado daquele jeito, delicado e firme ao mesmo tempo. Senti tanta segurança e paz, mas que ao mesmo tempo fez meu coração disparar e me tirou de órbita. Eu sabia que gostava de Jason mais do que como amigo, sabia que sentia atração por ele, mas nunca julguei que poderia ser um sentimento proibido.

Primos?! Como ele pôde me contar isso daquele jeito? Depois de um beijo?! Eu não sabia se fiquei com raiva, magoada, surpresa, triste, feliz... Tudo se misturou na minha cabeça. Então vamos analisar cuidadosamente. O fato de ele saber onde minha mãe está, com certeza, me deixa feliz e esperançosa de que ainda vou conhecê-la. Descobrir que Jason é meu primo, sem dúvidas, foi um choque. Mas acho que foi ele ter mentido para mim que mais me doeu. Eu confiava nele! Ele me decepcionou no momento que omitiu pra mim. Estamos falando de família, não algo simples ou pequeno. E isso me machucou.

Mas sei que no fundo, também doeu saber que não poderíamos ser mais que amigos ou primos.

E foi olhando o sol nascendo que eu, finalmente, consegui fechar os olhos e dormir um pouco.

~*~

Acordei algumas horas depois, com Kath esbarrando em alguma coisa. Ela se desculpou e disse que Jason já estava me esperando, na sala. Concordei com a cabeça e levantei da cama. Fui ao banheiro, vesti uma roupa e fui pra cozinha, ainda meio dormindo e ignorando meu pai e meu primo. Tomei uma xícara de café forte, para despertar.

Jason e meu pai conversavam sobre alguma trivialidade e só quando pigarreei, eles se calaram. Joguei-me no sofá e me virei para o garoto: — Pode começar a falar, Howard.

— Acho melhor deixar as crianças conversarem. – meu pai já ia se levantando, quando Jason o impediu.

— Leonard, é melhor você ouvir o que eu tenho para dizer também. É importante. – disse sério.

— Pode dizer, então. – voltou a sentar.

— Ontem, contei para Melanie que ela é minha prima. – Ele começou a explicar para meu pai, que arregalou os olhos com a informação. – Peço que me deixe contar a história completa antes de perguntar. – pediu, quando papai fez menção de falar algo. – Bem, há 19 anos, tia Kiera veio aos Estados Unidos para se sentir livre dos pais por um tempo. Mas ela conheceu seu pai e não quis mais voltar. O que não era problema, minha mãe assumiria as responsabilidades da família. Porém, durante o parto, houve complicações e mamãe morreu enquanto me paria. Então nosso avô precisava que sua mãe assumisse o lugar da minha mãe, só que tia Kiera já estava grávida de você e não poderia chegar em casa com um bebê ilegítimo. Nossos avós concordaram em deixa-la mais um tempo aqui, até você nascer e poder te amamentar. Todavia, pouco depois de você nascer, vovô morreu misteriosamente e vovó conseguiu controlar a situação por alguns meses. Mas ela desenvolveu um quadro de depressão e foi quando tudo desandou. Kiera deveria ir o mais rápido para casa e assumir logo sua posição. E foi assim que aconteceu. E daí, como eu não tinha mãe e ela estava sem a filha, apoiamos um no outro. Tia Kiera me criou como uma mãe e é graças a ela que eu sou quem sou hoje, mesmo meu pai não gostando muito.

Fez-se um momento de silêncio no ambiente. Observei as reações de meu pai. Embora parecesse melancólico, não parecia surpreso. Tudo bem, eu gostei de saber toda a história da minha mãe. Mas Jason não disse que tinham mais coisas que eu deveria saber?! Até agora ele disse o que eu sabia mais ou menos.

— Obrigada por nos contar isso, Jason. – papai agradeceu quando saiu do seu mundinho.

— Não foi nada, mas ainda não acabou. – ele fez uma pausa.

— Já estava estranhando... – resmunguei.

— Eu não vim pra cá para estudar. – ele começou. – Eu vim procurar você, então eu meio que já sabia quem você era desde o início.

Meu sangue ferveu por um segundo, mas não consegui deixar de sentir um arrepio quando ele disse que veio me procurar, isso já está ficando cada vez mais estranho.

— Me procurar? Por quê? – questionei.

— Porque você é a única que pode ajudar. – ele baixou os olhos.

— Ajudar com o quê? – arqueei uma sobrancelha.

— Você é a única herdeira da sua mãe. Só você pode assumir o trono.

— Espera! Trono?! – assustei-me.

— É, Mel. – ele me olhou fixamente. – A sua mãe é a Rainha de Crivellary.

— Rainha?! Crivellary?! – agora tenho certeza que estou em um programa de pegadinhas. – Cadê as câmeras?!

— Não é mentira! – ele se exaltou. – Você é a princesa! E precisa ir comigo!

— E por que eu faria isso? – rebati.

— Porque a rainha foi sequestrada! – disse por fim.

E então desabei. Eu era uma princesa. E minha mãe foi sequestrada.

— E o que eu, uma garota de 17 anos, poderia fazer em relação a um sequestro? – não acredito que estou entrando nessa.

— Você é da Família Real. Você tem poderes. – respondeu naturalmente.

— Você está se escutando?! Você parece um louco, Jason! O que você me diz parece coisa de cinema ou de livro! – já estava começando a ficar farta das explicações dele, não fazem sentido! – Eu quero acreditar em você, mas você não está facilitando...

— Em que parte você está com dificuldade de entender? – ele perguntou calmamente.

— Todas! – joguei os braços pra cima. – Eu, uma princesa?!

Ele assentiu.

— Minha mãe sequestrada? – olhei pra ele.

Assentiu novamente.

— Poderes? – ergui a sobrancelha.

— Ainda não sei muito sobre quais são os seus, mas sei que eles existem. Toda a linhagem Real tem. E eu já vi você usando magia, mas não sei como. – ele disse e aquele brilho de orgulho percorreu seu olhar mais uma vez. E me lembrei da cena com a lâmpada.

— Está me dizendo que aquela vez com a lâmpada... – comecei, mas ele me interrompeu.

— Isso! E também ontem, com o táxi. – ele apontou.

— Isso é loucura, Jason! Só pode ter sido coincidência! – neguei.

— Coincidências não existem. E você só vai conseguir controlar a sua magia em Crivellary. – insistiu.

— E por que você não tem poderes? Você não é meu primo? Você também tem sangue real. – lembrei.

— E quem disse que eu não tenho? Fui concebido sobre influência da constelação de Sagitário, tenho meus sentidos de vigilância e justiça apurados. Nasci para ser um guarda, mas também poderia ser um advogado tranquilamente. Não existem casos como esse, de dois dons em uma pessoa. E para provar, tenho uma marca indefinida. – ele mostrou uma marca no pulso esquerdo, que mais parecia uma tatuagem preta, em forma de um raio.

— E por que eu não tenho essa marca? – perguntei.

— Porque seus poderes ainda não foram revelados em Crivellary. – disse como se fosse simples. – Geralmente a marca aparece aos dez anos de idade, quando os poderes são revelados, mas você ainda não teve nenhum contato com o ambiente mágico.

— Então você está dizendo que com os meus poderes eu poderei salvar a minha mãe? Mesmo não sabendo qual poder eu tenho? – achei engraçada a confiança que ele tinha em mim.

— Também. E estou dizendo que você deve ir comigo e aprender seus deveres como princesa. Você é muito mais importante do que imagina, Melanie Shelley! Você faz parte de um plano muito maior que o que você tinha. – ele explicou.

E quando ele disse essas palavras, tomei duas decisões.

Eu deveria confiar e acreditar em Jason Howard.

E salvaria a minha mãe, não importasse o quê.

Notas finais
Obrigada àquelas pessoinhas que não desistiram e que me dão força! Até o próximo! Beijos da Lua!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.