A Modern Myth
3 Capítulo 3 – Those (bad) dreams
Notas iniciais
Hoje definitivamente não foi um dia legal. Por que tudo aquilo tinha que acontecer justo comigo? E aquele garoto? Jason Howard... Que sensação estranha é aquela? Poxa! Que porcaria!
Não conseguindo esquecer as três cenas bizarras e todas envolvendo aqueles olhos cinza, coloco AC/DC pra tocar no maior volume nos fones enquanto pegava o metrô. Saí da estação o mais rápido possível. Não gostava da multidão.
Chegando a meu prédio, já fui logo abrindo o portão e cumprimentando Jeremy, o porteiro. Chamei o elevador e esperei até o mesmo chegar. Apertei o botão para o décimo andar e esperei. Abri a porta do meu apartamento e já fui jogando a mochila no sofá, tirando os sapatos na porta e passando na cozinha para beber um pouco de água.
— Por que esse tipo de coisa só acontece com certas pessoas na Terra? Que tipo de destino cruel é esse? Um pesadelo horrível e Jason Howard no mesmo dia? Obrigada vida! Sei que você me ama muito! Mas não precisava de tudo isso! E por que aquele garoto tem que ser tão... Jason! Qual seu objetivo Deus, Alá, Merlin, Zeus, Buda, ou seja lá quem for? Alguém me dê respostas? – gritei para as paredes da sala de estar.
Passei pelos corredores cheios de fotos e fui até meu quarto. Joguei-me na cama e em seguida minha playlist de música clássica começou a tocar. Adoro ouvir Beethoven. Melhor coisa para relaxar e dormir. Então logo já fui adormecendo e sonhando.
Uma mulher ruiva estava sentada em um trono e um garotinho de uns quatro anos corria em direção a ela. A mulher parecia uma versão minha mais velha. E a criança tinha olhos cinzentos familiares. A ruiva olhava com um olhar carinhoso para o menino. Parecia um olhar maternal, carinhoso. Um homem com uma voz grave chama pela mulher: “– Rainha! Não deveria brincar com uma criança na sala do trono.”. A mulher olhou para ele com um brilho divertido e ao mesmo tempo intimidador. “–Sinto muito, Lorde. Mas eu sou a rainha, como bem disse. Então eu decido se brincar com uma criança da família pela sala do trono é ou não boa ideia. Não se intrometa, por favor!”.
De repente tudo fica escuro. Uma nova imagem substitui à antiga. Mas reconheço a mesma mulher de antes. O garotinho parecia ter crescido e agora aparentava seus dez anos. E ambos estavam em um jardim muito belo. O garoto parecia encantado com alguma coisa. E a mulher o olhou e disse-lhe: “– Jay, você quer se tronar um Rei?”. O menino olhou para a ruiva e negou com a cabeça. “-Quero ser um guerreiro! Salvar a Rainha e o futuro herdeiro ou herdeira! Quero aprender a lutar com espadas, mas também quero ter poderes e ser o mais especial da guarda real! Quero ser aquele que acabará com todos os traidores do Reino!”. A mulher emocionada olhou para o menino e sorriu para suas ambições. “ – Você pode ser o que quiser, querido, basta acreditar e correr atrás de seus sonhos. Você tem a liberdade de poder escolher, então esforce-se e eu terei orgulho de poder ter você como o meu mais amado, corajoso e poderoso general. Que tal?”. O tal Jay apenas concordou com a cabeça e um enorme sorriso e jurou se esforçar ao máximo para proteger a rainha.
Mais um apagão e a mulher volta a minha mente. Mas dessa vez o garoto não estava, apenas o homem da voz grave e ele parecia repreender a rainha por algum motivo. “ – Você não deveria tê-lo incentivado a fazer aquilo! Ele não é seu filho, Rainha! Aquela criança perdeu a mãe durante o parto! E eu sei exatamente como criar meu próprio filho! Se eu o incentivo ou não a ser um cavaleiro, isso não é problema de um membro da realeza! Se quer tanto um filho, casa-se logo! Mas pare de tentar educar meu filho!”. A ruiva parecia cansada do discurso do homem, mas quando olhou em nos olhos dele, chamas brilhavam: “ – Sei que Jay não é o meu filho! Ele é meu sobrinho e lamento muito se ele perdeu a mãe assim que nasceu. Mas me sinto na obrigação de dar algum conforto para o menino no lugar da minha irmã! Se ele não tem uma mãe e eu não tenho um filho, então podemos nos consolar. Se eu quero ou não me casar, é problema meu! Você deveria cuidar da sua criança ao invés de cuidar da minha vida! E, pra finalizar, eu exijo mais respeito, Lorde John. Eu sou sua Rainha e exijo o mínimo de educação quando se dirigir à mim. Apoie seu filho no que ele deseja ser e não o force a ser o que não quer. Eu mesma sei quão ruim é fazer o que não lhe deixa feliz.”.
Mais um apagão e mais um vislumbre da mulher que tanto se parecia com uma versão mais velha de mim. Mas dessa vez eu reconheci o cenário. O quarto escuro, uma luz repentina. Um grito agudo de uma mulher. E a pressão de mãos me arrastando.
O susto me despertou novamente. O mesmo sonho da noite passada. Levei um segundo para entender o sentido dos meus sonhos. Mas por mais que eu pensasse a respeito menos sentido fazia.
Balancei a cabeça para esquecer aquelas cenas bizarras do meu pesadelo e resolvi conferir se papai já havia chegado. Olhei primeiro no quarto, em seguida no escritório, segui para a sala e para a cozinha. Mas nada do único homem da minha vida.
E um barulho na porta chama a minha atenção. Eu fico alerta, vai que pode ser um ladrão! Arregalo meus olhos e pego a coisa mais próxima a mim para fazer de arma: uma almofada. Assim que a porta se abre vou para cima da pessoa e começo a bater com a almofada. Eu continuei batendo até ouvir uma risada familiar.
Parei de bater e fiquei estupidamente envergonhada. Que estúpida eu era. Não podia ser ninguém a não ser meu pai. Oras! Eu moro em um prédio com um porteiro chamado Jeremy. Um ladrão nunca entraria aqui! Acho que o pesadelo ainda está me afetando.
— Querida, que tipo de recepção calorosa é essa? – meu pai perguntou, achando graça.
— Desculpa, papai. Sério, acho que não me fez bem a soneca agora a pouco. – sorri timidamente pra ele.
— Sem problemas. — ele sorriu e me lançou aquele olhar que apenas nós dois entenderíamos. – Eu trouxe o jantar.
— Eu vou colocar à mesa e você troque de roupa. – disse pegando a sacola de comida em suas mãos e me dirigindo até a cozinha. – Como foi o seu dia, pai?
— Normal, princesa. E o seu? – gritou de onde quer que esteja casa à dentro.
— Estranho. – parei um segundo para avaliar o que eu diria. – Esse menino que entrou no final do último semestre é muito misterioso. Acho que deveria manter uma distancia segura. Muito segura.
— Querida, misterioso não quer dizer maluco ou bandido. Eu bem sei que bandidos podem parecer normais e que bad boys são na verdade criaturas indefesas. Vai por mim... Muitas vezes são assim.
— Tudo bem, pai. Acredito em você. Não precisa se preocupar. Tanto faz. – terminei de colocar os garfos na mesa e gritei para o apartamento: — O jantar está servido!
— Sim, senhora! – ele disse já aparecendo na cozinha.
O Sr. Leonard sabe muito bem como agradar a filha, pois ele trouxe esse macarrão perfeito do meu restaurante preferido de toda Manhattan. O Piccola Cusina servia o melhor macarrão do mundo! E nada melhor do que comer a comida do seu lugar predileto pra esquecer todas as tensões daquele dia.
— Mel, não querendo te deixar numa situação estranha, mas já deixando... De quem é essa blusa? – papai olhava para a blusa xadrez com uma ruga na testa.
— Aconteceu um acidente na escola e derramaram suco na minha blusa, daí essa pessoa super gentil e estranha me emprestou essa blusa. – disfarcei.
— Entendi. Mas isso é blusa de garoto, certo? E um bem maior que você. Qual é o nome desse ser gentil e estranho? – agora sua voz soava desconfiada. – Ele é seu amigo ou alguma coisa a mais?
Na mesma hora meu rosto queimou em brasas. E eu sabia que tinha me entregado. Quer dizer... Jason Howard não é nem meu amigo nem nada a mais. Mas como explicar isso para seu pai que te conhece melhor que ninguém?
— Hã... A b-blusa é de Jason Howard. Ele só é o cara que misteriosamente se transferiu no final do semestre. Então, posso ir fazer meu dever de casa? – perguntei tentando mudar de assunto e ainda soar normal.
— Acho que tem alguma coisa estranha nessa história, mas tudo bem. Está liberada assim que terminar o seu jantar.
O resto da refeição foi tranquilo, sem assuntos constrangedores. E quando voltei ao meu quarto para fazer os deveres, me lembrei de cada detalhe daqueles sonhos malucos.
E de uma coisa eu sabia, eles não eram apenas sonhos. Por que eu sonharia com coisas tão bizarras? Eu não acreditava em visões e em poderes mágicos. Mas o que poderia ser aquilo?
Eu não tinha certeza e quando pousei minha cabeça no travesseiro naquela noite, percebi que nunca tivera um dia tão longo.
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