A Minha Vida Num Jogo...

2 Capítulo 2 - Respirando...simples assim.


Notas iniciais
Pode ser que seja desta que alguém vai ver esta história...Pessoal nós nem leitores temos quantos mais gostos?! Leiam a história é bem porreira! Beijinhos *-*

A pessoa que te ama é a unica que vai conseguir ver a dor nos teus olhos, enquanto todos os outros vão acreditar no teu sorriso.

(Autor Desconhecido)

Capitulo 2

Eu já te disse que não quero, não preciso e não tenho disponibilidade. Eu decididamente não vou a essa consulta estúpida!

E lá íamos nós outra vez!

Eu e Marta tínhamos começado a discussão de manhã, quando eu lhe disse que tinha marcado uma consulta para ela no psicólogo. A sua reação foi previsível como sempre: começou a barafustar tal como uma criança, fez-se de vítima, amuou, e continuou a ripostar vendo que nenhumas das atuações teatrais dela funcionavam a seu favor. Óbvio que a minha teimosa irmã recusava-se a aderir à minha exigência, mesmo que fosse só para me contrariar, e insistia em ter sempre a palavra final, que no seu caso era a expressão Eu não vou ao psicólogo!.

E porque é que eu tinha marcado uma consulta para a minha irmã no psicólogo? Se não fosse mesmo necessário, eu nunca iria arranjar um motivo que desencadeasse uma discussão. Esta minha tentativa de levar a minha irmã a exprimir os seus sentimentos e frustrações com alguém desconhecido, alguém com quem fosse mais fácil conversar, devia-se ao simples e complexo facto de que as suas notas escolares estavam a baixar. A falta de interesse pela universidade e pelos estudos estava a deixar-me preocupada, e a verdade era que Marta não tinha intimidade suficiente comigo para me dizer o que se andava a passar com ela. A única resposta que recebia sempre que lhe perguntava como ela estava era Estou bem, obrigada!. E isso aborrecia-nos às duas: a mim por não ter a resposta que queria, e a Marta porque achava a pergunta desnecessária.

Resolvi então responder-lhe de forma rígida e autoritária, cortando o mal pela raiz através de uma ameaça:

-Marta, tens duas opções: ou vais ao psicólogo sozinha, como eu estou a pedir educadamente desde manhã, ou vais ao psicólogo comigo e ficas sem a tua preciosa mesada! E acredita que eu não estou a brincar! Nem que tenha que te arrastar até à clínica!

-Agora já nem sequer te dás ao trabalho de tentar convencer-me a ir por vontade própria. e dito aquilo, cruzou os braços em frente ao peito como se duma criança se tratasse.

Era naquelas alturas em que eu considerava seriamente em tirar tudo o que sempre tinha dado a Marta, pois a minha irmã aparentava estar a tornar-se numa miúda mimada e egoísta e não numa adulta independente e responsável.

-Marta, eu estou a tentar convencer-te a ires por vontade própria desde manhã! Sabes o quanto irrita estar quase meio-dia a tentar negociar uma maneira de ambas ficarmos a ganhar e ouvir sempre a mesma resposta? Irrita seriamente qualquer pessoa, miúda! disse-lhe eu elevando o tom de voz, de maneira a que ela percebesse o quanto estava a ser infantil, mas de forma a que os que estavam à nossa volta não percebessem o que se estava a passar. Portanto escolhe: ou fazes um esforço, vais sozinha e ficas com a mesada, ou vais comigo como se fosses uma criança e ficas sem a mesada! Vais à consulta a bem ou a mal, porque eu sou responsável por ti há três anos! Não é lá por ires fazer dezoito anos daqui a alguns meses que poderás fazer tudo à tua maneira! encerrei o assunto e meti a garfada de carne dentro da boca.

-Vais deixar-me sem mesada? Marta fez uma cara falsa de afetada e lançou a piada. Que engraçado Desde quando o dinheiro que tenho no banco és tu que mo dás?

-Desde que sou eu quem trabalha até tarde para tratar da parte financeira da empresa, desde que sou eu quem está a tirar um curso que não gosta porque não quero simplesmente contratar um desconhecido qualquer, a quem teríamos que pagar balúrdios de dinheiro para gerir a empresa, porque não quero deixar que tudo o que os pais construíram em anos se destrua tão facilmente! Desde o momento que sou eu quem mete dinheiro naquela empresa desde que ganho o meu ordenado, que posteriormente vai parar à tua conta e à minha, e desde que sou eu quem gere o dinheiro da mãe e do pai! Resumindo, tu só gastas o que eu acho que deves gastar!

-Bah! Só porque eu não quero mais ouvir-te nem quero ficar sem mesada, eu vou à porcaria da consulta! Pronto, vou fazer-te a vontade! Estás satisfeita? Mas fica já avisada que eu não vou exprimir os meus sentimentos ou algo do género com esse gay! respondeu ela, apontando os óculos de sol na minha direção.

-Autch! Essa doeu garota! disse Nico subitamente perto da mesa da cantina onde estávamos sentadas. Ele trazia consigo um tabuleiro com apenas um prato cheio de salada e uma garrafa de água.

O conjunto daquele dia era desnecessariamente extravagante como sempre. Nico usava umas calças de ganga justas, um blazer amarelo canário que pouco deixava ver uma t-shirt branca, um relógio prateado que realçava o seu pulso fino e a sua pele ligeiramente morena, e uns sapatos semiformais. O seu cabelo estava para trás e liso por causa do gel, tal como se tivesse sido lambido do uma vaca, como implicara eu um dia. Nicolau Fernandes, ou Nico, como preferia ser carinhosamente tratado, estava no curso de design com Marta, e era o rapaz mais incomum à face da Terra. Nico não era um gay, Nico era o gay. Bem, Nico não tinha nascido mulher, por sua infelicidade. Tinha nascido homem na capital do Brasil. Mas tal como ele tinha dito no dia em que nos conhecemos: Não se nasce mulher, torna-se!. Sim, Nico tinha dado um segundo sentido à expressão.

-Óh Nico, eu não estava a falar de ti. Estava a falar do psicólogo que a Núria me está a obrigar a ir! resmungou Marta, olhando-me de lado.

-Ele é gostoso?! perguntou Nico entusiasmado. Marta lançou-lhe um olhar de mal-humorada que estava. Tá, não entendi direito, minha culpa. Ah minha pequena flor, apesar de eu não suportar essa aqui a maior parte do tempo — e apontou para mim. — Ela tem razão desta vez.

Não vou mentir, realmente fiquei surpresa com o Nico. Ele era do tipo festeiro e sem limites mentais e físicos, tal como a minha irmã, por isso se davam os dois tão bem. Ambos admiradores de moda e de rapazes bonitos. Por isso, fiquei mesmo abalada a olhar para Nico como se fosse algo raríssimo (que não podíamos negar ao todo, não é).

-Nico! Estás a insinuar que eu sou maluca? Que eu sou má estudante? Nunca pensei isso de ti! exclamou a minha irmã olhando incrédula para o melhor amigo.

-Com certeza me entendeu mal, rainha das festas. Eu quero apenas fazer você ver que o que está em jogo não é apenas uma ida vulgar ao psicólogo! Pense só: O cara pode ser gostoso! Nunca se sabe onde se encontra um deus grego!

Era realmente bom demais Nico ter concordado comigo pela razão que realmente me levara a marcar a consulta no psicólogo. Nico era mesmo uma anedota humana ambulante. E o suspiro que ele deu em seguida fez-me estremecer. Fiz um esforço para não imaginar o que aquela mente poluída do Nico estava a pensar do psicólogo. Tinha a certeza que alguns desses pensamentos envolviam o desequilibrado no consultório a sós com o psicólogo Passando à frente!

Pelo que eu sabia de Rafael (o psicólogo tão falado!), que era quase nada, ele era um rapaz com mais ou menos a minha idade e estava na etapa final do curso de psicologia. Por ser o mais novo na clínica, associei-o rapidamente à pessoa que andava à procura. Marta tinha que ter alguém igual ou parecido com ela para estar à vontade, para poder relacionar-se com a pessoa. Não imaginava a minha irmã a contar tudo da sua vida a um homem desconhecido de quarenta anos. Já a um rapaz poucos anos mais velho do que ela, talvez resultasse. Talvez Rafael fosse tão infantil quanto a maior parte dos rapazes da minha idade.

-Então amigos sobrenaturais? Vamos sair hoje? É sexta-feira! Dia de saída! exclamou Li entusiasmada, sentando-se ao meu lado, com uma garrafa de sumo de frutos vermelhos na mão.

Liliana ou Li, era o membro do nosso estranho grupo com quem eu me dava melhor. Ela frequentava o curso de Artes Visuais, e conheci-a logo no meu primeiro dia de aulas, e sempre tinha sido a minha companhia ao longo dos anos. A maior parte do tempo Li era calma digo a maior parte do tempo porque as raras vezes que saí sempre a vi bêbeda, e ela tornava-se realmente noutra pessoa , era estudiosa e apesar de ser meio fanática por a série Sobrenatural, pela Saga Twilight, pela série The Vampire Diaries E apesar de ser fanática por todas as séries, sagas, sei lá, tudo o que envolvesse o mundo fantástico, ela sabia ter uma conversa interessante e sabia dar voz ao silêncio quando ele era necessário. Por ser tão ponderada enquanto sóbria e por se vestir normalmente de preto, a personalidade dela chocava bastante com a de Nico. Já a minha irmã, falava com Li, mas não passava muito daquilo. Apesar de nas saídas se darem os três lindamente.

Estás a olhar para a futura rainha da noite! respondeu Nico, levantando-se de propósito para dar uma volta sobre si próprio, exibindo a sua roupa e o seu corpo invejável até por raparigas.

Marta riu-se e aplaudiu a atitude do Nico como se tivesse acabado de cantar os parabéns.

-Eu também alinho! respondeu ela continuando a bater palmas entusiasmada.

Depois ela olhou para mim, esperando a minha resposta.

-Hoje não dá Tenho que entregar um trabalho importante para a semana e tenho que garantir que fica perfeito. Para além disso, está a aproximar-se a época de exames e preciso de estar preparada.

A minha irmã revirou os olhos perante a minha declaração.

Que criança exigente! Eu esforçava-me tanto para lhe dar um futuro melhor (já não digo um futuro promissor, mas ao menos um futuro estável) e tamanha era a sua infantilidade que ela não conseguia perceber isso!

Claro que eu não iria sair! Eu tinha que estar atenta a tudo vinte e quatro horas por dia, e além disso tinha ainda muito para fazer! Gestão não era um curso fácil, fazia-me bastantes dores de cabeça, ainda por cima não gostava do que estava a fazer, do que estava a estudar. Mas tinha que se juntar o útil ao desagradável.

Trabalho, trabalho, trabalho! cantarolou Marta. É a única coisa com que te preocupas!

Ei, é o meu trabalho que paga as tuas roupas e as tuas saídas, pirralha! Alguém tem que o fazer, não é — mandei a indireta, dando um gole no meu sumo de manga.

Antes que Marta pudesse responder, a campainha tocou. Ela lançou-me apenas um olhar maldoso, pegou no seu dossier e no seu tabuleiro e levantou-se. Nico foi logo atrás dela e por fim eu e Li dirigimo-nos ao jardim já não tinhamos mais aulas por hoje.

O jardim, era mais expecificamente, o nosso canto. Como um pequeno labirinto de arvores rasas e canteiros cheios de flores diferentes, algumas secas devido ao calor que ainda se fazia notar nalguns dias do mês de outubro. Caminhei até ao banco em pedra, onde era custome conversar-mos depois das aulas.

Li como já tinha dito anteriormente, era como a minha psicologa particular, eu realmente achava que Liliana estava no curso errado. É obvio que ela não é a pessoa mais normal do mundo, mas todos tem as suas particularidades, não é verdade?

Bem Liliana a meu ver tinha um enorme futuro em psicologia, porque tal como a minha filosofia em relação aos psicologos é que malucos percebem-se mutuamente. No entando a jovem Li, com seus dezanove anos, estava no segundo ano de artes visuais, optando por ser mais dramatica e fazer diversas interpretações de como captar criatividade e inspiração para fazer a sua arte.

O que é que se passou ali no refeitório? Núria, eu ainda achei que vocês iam começar a discutir. começou Li, interrompendo o silêncio constrangedor.

Nós realmente chega-mos a discutir. Discutimos antes de chegares ao refeitorio. informei-lhe eu, tentando desviar os meus olhos do olhar inquisitor de Li, que me olhava com os olhos verdes semi-cerradoss e com as sobrancelhas franzidas.

Porquê? quis saber depois de perceber que por mim o assunto morria ali.

Porque a Marta está a ficar uma miúda mimada. Ela chega de madrugada até aos dias de semana, muitas vezes amparada pelo Nico. Ela vomita, e quase que vomita o figado tambem. falei enervada, passando as mãos pelo cabelo vezes indetermináveis num ato de ansiedade. — Li, ela não me respeita. Ela devia de ter algum respeito, não estou a dizer que tenha que ter respeito por eu ser a mais velha de maneira nenhuma. Mas podia compreender melhor que eu só quero o melhor para ela, compreender que tem que ter algum respeito por mim, porque eu também respeito por ela! Eu sou irmã dela.

Ela tem baixado cada vez mais as notas, eu não vou deixar que ela se atrase um ano na universidade. Ainda por cima estou a abdicar do curso que realmente queria fazer para lhe dar alguma estabilidade, e para lhe dar algo por onde escolher. Estou a dar-lhe o curso que ela queria fazer e ela desperdiça desta maneira?

O que achas de tudo isto? Quer dizer ela reaguiu péssimamente á ideia de psicologo. Ela discutiu comigo toda a manhã e parte da hora de almoço, até ameaçar tirar-lhe a mesada. Ela parou só quando eu tomei a desição de lhe tirar a mesada, não +e de uma miúda mimada! Sinto que lhe estou a dar demasiado e isso está a torna-la numa miúda que acha que tudo aparece por magia. — conclui tudo com um suspiro, e voltei a sentar-me, pois no meu do discurso estava tão irritada que me levantei e começei a caminhar de um lado para o outro.

Já exprimentas-te falar com ela? perguntou a ruiva, cruzando e descruzando as pernas numa posição desconfortavel. Se calhar ela só precisa de um pouco de atençao.

Estás a brincar não é? Falar com ela? Eu não consigo falar com ela, cada vez que tento, ela diz-me algo do género: Já exprimentas-te mudar de visual? Esse teu mau humor é falta de companhia masculina resmunguei eu tentando imitar a minha irmã com gestos e expressões faciais, fazendo Li começar a rir.

A Marta só precisa de um pouco de atenção. Ela esconde-se atrás dessa mascara toda de menina rebelde. Fala com ela, esforça-te mais. Sê criativa, interage mais com ela. Deixa-a dar-te conselhos não os descartes logo, deixa-a aproximar-se. A Marta tem tudo, e eu estou a falar apenas de bens materiais, porque amigos, olha-se para o Nico e duvida-se que aquilo seja alguma coisa! brincou Li, pondo uma mão na cabeça, o gesto mais caracteristico do nosso gay. — Depois para alem disso ela perdeu o pai, a mãe e a irmã! fiz uma careta, eu não tinha nenhuma irmã para além de Marta, ela estaria a falar de quem? — Estou a falar de ti Núria. A Marta em parte perdeu a irmã dela. Porque vocês pelo que me dizes era muito unidas, ficas demasiado obsecada com os negocios dos teus pais e agarras-te com unhas e dentes a esse trabalho, devias de fazer o que gostas, devias de ser feliz, devias de ser mais solta, e deixar entrar mais pessoas na tua vida, a morte dos teus pais mudou-te para uma pessoa sempre focada nos objetivos e isso nem sempre é bom!

A conversa durou por mais uma hora, quando Marta e Nico sairam das aulas e vieram ter connosco. A conversa com Li fez-me realmente pensar nas coisas com Marta, uma coisa era certa ela tinha mesmo que ir ao psicologo. Hoje não iria sair porque o trabalho era realmente muito importante, mas da proxima vez que a minha irmã me convida-se para ir a algum lado ou sugerice alguma coisa eu aceitaria, dependendo do que fosse claro, mas porque não aproximar-me mais dela?

Notas finais
Bem comentem, falem com os vossos amigos, só não sejam fantasmas...É mesmo importante para nós percebermos se esta história merece a pena ser finalizada pessoal! Por favor! Beijinhos e não se esqueçam de partilhar no facebook,hi5 e nas outras redes sociais. Quem quiser nos lemos histórias entrem em contacto comigo que eu estou sempre a procura de histórias novas. :)