A Minha Vida Num Jogo...

3 Capítulo 3 - Como ser Marta Alvez


Notas iniciais
Pessoal mais um capitulo fresquinho pra vocês! Leiam com calma espero que gostem beijocas! *-*
Cap.3 Como ser Marta Alvez...

Porque é que eu tenho que ir a esta consulta idiota?!

Assim que eu entrei no carro de Núria devo salientar que ele estava muito mal decorado, parecia que tinha acabado de sair do stand, se bem que da minha irmã já seria de esperar — ainda considerei não ir à consulta e ir passear pela baixa de Lisboa, talvez ainda compra-se algumas coisinhas, a nova coleção tinha saido á relativamente pouco tempo e eu ainda não tinha tido tempo para ver com calma o meu guarda roupa de Outono. Mas Núria iria acabar por saber e assim ficaria sem mesada, ou seja sem qualquer posibilidade de completar o meu guarda roupa de Outono. Só depois de me sentir visivelmente mederosa em relação a como seria a minha vida sem dinheiro conclui humildemente que não valia a pena correr riscos desnecessários. Quero dizer, como é que eu iria sobreviver sem a minha mesada? Como é que eu conseguiria ir à rua? Com roupas da semana passada? Como alguém disse Dêem-me dinheiro ou tirem-me o bom gosto!.

A clinica era bastante moderna, a estrutura exterior continha uma prota de vidro apesar da porta estar fechada a tabeleta a dizer aberto esclareceu as minhas duvidas entrei com alguma dificuldade, não que eu não tivesse força eu apenas não esperava que aquela simples porta de vidro fosse tão pesada. A recepção descrivia-se muito depressa, o balcão formava um quadrado onde cabiam seis cadeiras, direcionei-me á unica recepcionista que estava disponivel.

Tratava-se de uma senhora na casa dos quarentas, o cabelo castanho estava preso num coque frouxo, as unhas pintadas de vermelho com algumas falhas revelavam a falta de atenção com a aparecia, a mulher manteve-se a olhar para o computador á sua frente como se fingisse trabalhar. Cansada de esperar, toquei na campainha qu estava pousada no balcão. Foi ai que obtive a atenção daqueles grandes olhos azuis escondidos pelos oculos de grau. A reação face á minha pessoa não foi uma grande surpresa para mim, como com todos os outros a minha beleza fascinava cada serzinho deste mundo. Franzi o sobroulho, aquela mulher estava á tanto tempo a olhar para mim que comecei a sentir-me desconfortavel e finalmente ouvi as palavras que á tanto tempo esperava:

O que posso fazer por ti minha pequena? perguntou tirando os oculos para os limpar.

Queria saber quando é que vou ser atendida.

Que consulta tem marcada?

Psicologia, com o doctor Rafael qualquer coisa... disse eu olhando para as minha unhas em perfeitas condições pintadas de rosa choque.

O doctor está um pouco ocupado, mas espere um pouco que eu vou telefonar para o consultorio e perguntar se pode entrar.

Obrigada.

Depois de estar quase cinco minutos a ouvir a recepcionista que pelo que percebi na plaquinha que tinha ao peito era tratada por Trudy fui sentar-me numa cadeira vazia da enorme sala de entrada. As paredes eram quase todas compostas por vidro, tendo pouco espaço para quadros e outros artigos de decoração. As plantas enormes eram a principal escolha para decorar aquele espaço cheio de luz natural. olharam para mimda clínica me informar que eu era logo a seguir à pessoa que saísse, eu sentei-me num sofá da sala de espera, decorada com um estilo moderno. Os meus olhos percorriam a porta do consultório que a senhora da receção tinha indicado de cinco em cinco minutos. Estava a entrar em desespero.

A expressão sala de espera nunca tinha realmente tido nenhum sentido para mim, até ao dia da primeira consulta no psicólogo. Meu Deus! Não sabia que era possível fazerem uma pessoa esperar tanto tempo, e muito menos não sabia que eu conseguia aguentar tanto tempo à espera de algo que nem sequer queria. Eu estava realmente com medo de perder a minha mesada.

A porta finalmente abriu-se. Reparei vagamente no psicólogo: um rapaz alto e com o cabelo castanho-escuro. Ao lado dele, uma rapariga loira, alta também (devido principalmente aos seus sapatos de salto alto exuberantes), falava com entusiasmo. Entusiasmo demais Quero dizer, ela estava a querer comê-lo vivo em frente a toda a gente!

A loira deve ter lido os meus pensamentos, ou então fiquei tempo demais a olhar para ela e para o psicólogo, pois lançou-me um olhar maldoso, como se eu tivesse a tentar roubar o que nem sequer era dela. Depois, assim sem mais nem menos, agarrou-se a ele e beijou-o. Sabem? Daqueles beijos que são extremamente desnecessários que as pessoas à volta vejam Daqueles beijos em que o público quer gritar Arranjem um quarto, porra!. De seguida sussurrou algo ao ouvido do suposto namorado afastou-se e lançou-me um olhar de superior. Em outra ocasião eu teria resolvido o assunto num instante, mas naquele momento eu estava nem aí como dizia o Nico. Só queria despachar-me da consulta e ir-me embora.

Passei por o psicólogo sem sequer o olhar ou pedir licença, e sentei-me num dos sofás confortáveis que estavam separados por uma mesa de centro. Não tive paciência para olhar em volta, pois já a tinha gasto toda na sala de espera, e tirei o meu telemóvel da mala.

Nico tinha-me mandado uma mensagem há minutos atrás:

Como é, deusa do shopping? Encontrou seu deus grego? Kkkkk

Dei uma risada alta e revirei os olhos. Nico era mesmo a comédia em pessoa, por isso eu gostava tanto dele. Claro que a nossa relação era muito mais que risadas, mas a sua personalidade divertida era o que mais sobressaía no meu amigo.

Olá desgraça brilhante, ainda não olhei bem para ele, mas seja como for, ele já é comprometido. A vaca loura acabou de marcar o território bem à minha frente, ahahah

Segundos depois já tinha a mensagem de Nico na minha caixa de entrada.

Como se você alguma vez se tenha importado com os compromissos dos outros, né piriguete?! Kkkkkkk. Só tenho uma coisa a dizer a você: Se for gostoso, pega logo, senão pego eu! Aproveite a consulta diva, tou esperando você em casa, tchau ♥

Tá, agente depois fala. Te amo meu sol ♥

Mantive o telemóvel nas minhas mãos, fingindo estar ocupada. Ouvi a porta fechar-se e o psicólogo a sentar-se no sofá à minha frente. Ele pigarreou, querendo atenção, e eu fingi não notar.

-Então Marta Alves. Muito prazer Marta, eu chamo-me Rafael Silva. vi que ele me estendia a mão, e eu apertei-a muito rapidamente, voltando a teclar no telemóvel.

Rafael não ficou satisfeito e voltou a pigarrear. Eu ignorei o ato de novo.

-Então Marta, sei que foi a tua irmã que te marcou esta consulta. Ela teve, na tua opinião, algum motivo especial para fazê-lo?

-Sim. respondi simples e rapidamente. Isso pode ser explicado apenas pelo simples facto de que a minha irmã, Núria, odeia-me. Ela não gosta de mim de todo. Mas fora disso, a minha vida tem sido très mauvaise. A minha mãe e o meu pai morreram num acidente de carro há alguns anos atrás, eu fiquei ao cuidado da minha irmã, e oh, já referi que ela não gosta de mim? Pois. Como vê, a minha vida tem sido o sonho de qualquer um. Ah, mas o principal motivo porque eu estou aqui, segundo a minha irmã, é o meu insucesso escolar. Final do meu não conto de fadas!

Levantei um pouco o olhar do telemóvel para ver a reação de Rafael à minha pequena história. Primeiro vi-o a sorrir, mas depois a sua expressão ficou séria novamente.

A Núria odeia-me mesmo! Só pode! Não só marcou uma consulta num psicólogo contra minha vontade, como foi logo meter-me no consultório do Dr. Piadinhas!

-Agora vou entregar-te estas folhas para preencheres. depois Rafael empurrou sobre a mesa um pequeno conjunto de folhas agrafadas na minha direção. Demora o tempo que quiseres, não temos pressa.

Eu não baixei completamente o telemóvel e olhei para as folhas. Parecia quase um exame escolar, o que não me agradou. Não era suposto os psicólogos ajudarem-nos com os nossos medos e não traumatizarem-nos ainda mais?!

-Marta. proferiu Rafael numa voz calma e suave. Será que podes largar o telemóvel? Por favor?

-A minha irmã paga-te pelo serviço, eu faço o que eu quero, e assim ficamos os dois bem, o que achas? nem me preocupei em trata-lo por tu, pois afinal de contas, Rafael não era muito mais velho do que eu.

-Marta, estou a pedir-te com educação. Podes meter o telemóvel em cima da mesa? O questionário não é para avaliar-te, é apenas para eu ficar a saber um pouco mais sobre ti. continuei com o telemóvel nas mãos. Se tu colaborares comigo nas consultas, eu prometo que não conto nada à tua irmã. Apenas digo se está a progredir ou se não.

Pousei logo o meu telemóvel em cima da mesa e olhei o psicólogo com interesse.

-Ora aí está algo em que eu tenho prazer negociar. respondi-lhe, estendendo a minha mão na sua direção. Já larguei o meu telemóvel e dou-te a minha palavra em como não volto a utilizá-lo nas consultas. Promete-me agora que não contas nada à minha irmã do que eu digo nas consultas.

Rafael por momentos pareceu hesitar, mas depois estendeu a sua mão e apertou a minha firmemente.

-Prometo. pronunciou Rafael calmamente.

Quando terminámos o aperto de mão, olhei por fim para o questionário. As perguntas realmente eram fáceis de responder, como por exemplo Qual é a tua cor favorita?, Quantos irmãos tens? ou Quantos anos tens?. Mas depois havia outras que exigiam uma resposta mais complexa. Como a típica difícil, confusa e desnecessária pergunta És feliz?.

Ora, como é que eu havia de responder? Sim, era feliz, de alguns pontos de vista: tinha muitos amigos, ia a muitas festas, tinha roupas maravilhosas, era uma das raparigas mais desejadas da universidade, tinha quase sempre tudo o que queria quando o queria, uma aparência que causava inveja. Uma extensa herança. Se era feliz a nível familiar? Os meus pais tinham morrido. Como é suposto uma pessoa se considerar verdadeiramente feliz depois disso? Não era a hora deles. Era suposto os meus pais estarem cá para me verem entrar de branco na igreja, para verem os seus netos, talvez os sues bisnetos também. A pessoa que mais podia associar a figura familiar era o desvairado do Nico ou Amélia, a governanta da casa dos meus pais, agora minha e de Núria. E a minha irmã? Bem, ela era um pássaro numa gaiola: estava lá, sem contribuir para a nossa felicidade, chateava-nos a cabeça com as suas conversas, e tínhamos que limpar-lhe a casa.

Acabei por deixar a resposta em branco, passando para a seguinte. Quando terminei o questionário chato entreguei as folhas a Rafael. O meu psicólogo examinou cada folha das perguntas e respostas cuidadosamente, até chegar a uma delas e parar.

-Acho que te esqueceste duma. comentou, mostrando-me a pergunta que me tinha dado a volta à cabeça.

-Não me esqueci. Simplesmente não sei responder. respondi enquanto encolhia os ombros.

-Mas eu quero que respondas a todas as perguntas. Nem que seja um simples sim ou um simples não. e Rafael voltou a entregar-me as folhas.

Que chatoooooooooooo! Porque é que ele simplesmente não pode aceitar que algumas perguntas não têm resposta?!

Então, fazendo a vontade ao meu psicólogo, respondi à pergunta o que ele não queria ler: Sim.

Depois comecei finalmente a olhar em volta, observando o consultório.

O chão era de madeira clara e as paredes num tom confortante de bege, eram decoradas por alguns quadros de paisagens. A divisão tinha também uma secretária com um computador e resmas de papéis em cima, e ainda algumas canetas num suporte criativo e colorido. De cada lado da secretária estava uma cadeira, com aspeto confortável. Depois, havia o local onde eu e Rafael estávamos. Era uma divisão simples mas acolhedora e moderna.

-Respondeste verdadeiramente a todas as perguntas? perguntou-me Rafael ao olhar novamente para as folhas.

-Isso é alguma indireta? respondi-lhe eu com outra pergunta, mal-humorada.

Porque é que ele não pode resolver o meu problema de uma vez por todas e deixar-me ir embora? Meu Deus, que chatoooooo!

-Não foi, de todo, uma indireta. defendeu-se ele.

Apesar de Rafael me ter dito que não foi uma indireta, até hoje continuo a achar que foi. E o sorriso dele no momento que se seguiu comprovou um pouco a minha teoria.

-Então Podíamos acabar a consulta por aqui — começou Rafael.

Eu peguei no meu telemóvel e levantei-me com rapidez.

-Tudo bem. Então, até para a semana

-Acho que me entendeste mal. disse-me ele, rindo-se em seguida. Eu disse que podíamos, mas quanto mais cedo eu obter informações sobre ti, mais cedo eu consigo fazer o meu trabalho e mais cedo tu consegues sair daqui. Por isso, tu vais querer sentar-te.

Eu revirei os olhos e voltei a sentar-me. Bolas, aquele psicólogo sabia jogar melhor do que eu.

-Podemos começar pelo motivo porque achas que a tua irmã te marcou estas consultas. Afinal de contas, já não és uma criança.

— Quer saber realmente o motivo pelo qual estou a olhar para a sua cara? Para não ficar fora da moda, preciso do dinheiro da Núria e se a condição é olhar para a sua cara de atrasado durante uma horinha porque não o esforço?

— Marta não estás a responder á minha pergunta. a voz dele saiu calma como se não tivesse sido afetado pelas minhas palavras pouco amigáveis.

— Oh por amor de deus, falta muito? Tenho alguma presa.

Tentei não termer quando o vi levantar-se da cadeira e caminhar até junto de mim, levantei-me de imediato e ele fez um gesto para a porta. Sem expressão facial ou qualquer comentário indicou-me a saida da salinha. Já perto da porta olhou-me nos olhos e com a voz serena como sempre começou:

— Assim que precisares de falar, mas falar mesmo, eu vou estar aqui querida. Tens muitas coisas por dizer ainda, vai lá miúda até pra semana. baixou-se para me beijar a face, está aproximação fez-me gelar e perder o ar. Só fui capaz de acenar e sair da salinha, sentia a cara a ferver, talvez tivesse corada.

Está quietinha Marta, é apenas o ridiculo do teu psicologo. Oh mas ele é tão lindo. Tás a brincar só pode, Marta tu és melhor que isso aquele psicologo é como uma Núria em formato masculino.

Estes pensamentos contradiziam-se uns aos outros, depressa percorri o parque de estacionamento e conduzi calmamente para casa. Não me recordo se fiz barulho a entrar em casa, mas fui imediatamente para o meu quarto, deitei-me na cama e os musculos relaxaram. Finalmente em casa, olhei-me ao espelho, por um milagre parecia uma miúda normal, sem maquilhagem, o cabelo solto ao natural, nenhuma roupa estravagante, poderia habituar-me a ser a mesma miúda de sempre. Mas a mesma miúda de sempre, nunca chegou a lado nenhum. E essa miúda era uma miúda fraca e cheia de fraquesas, a Marta que era agora sem dúvida que era muito mais forte e eu realmente orgulhava-me disso.

Notas finais
Espero realmente que tenham gostado, comentem muito, leiam muito, beijocas até á proxima!
Marieb & InêsC
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.