A Minha Vida Num Jogo...
1 Capitulo 1 - Não é desistir, é constatar a verdade
Notas iniciais
Esta é a nossa primeira história em conjunto espero que gostem dela e comentem pois é muito importante para nós.
Esta história tem como base algumas personagens da saga twilight (apenas em termos psicologicos), essas mesmas personagens só apareceram mais á frente.
Digam se devemos postar mais capitulo beijinhos!
Marieb & InêsC
Difícil não é lutar por aquilo que queremos, mas sim desistir daquilo que amamos.
(Bob Marley)
Capitulo1 – Não é desistir, é constatar a verdade
– Núria, meu amor, tu sabes que apenas estás a tentar fugir da realidade. – Sussurrou Amélia, a minha ama e da minha irmã, governanta da nossa casa. – Minha querida, eu não te quero apresar… mas não faças sofrer mais a tua irmã com falsas esperanças. – Amélia tentava confortar-me passando a sua mão quente no meu ombro.
É estranho como mesmo estando sete anos sem a ter completamente ao pé de mim, ainda não me habituei á sua ausencia, quantas mais vezes terei de pensar em disser-lhe adeus? Nunca tinha sido realmente necessário. Vai contra tudo o que sempre vi como certo, a ideia de despedir-me á força da minha mãe, não constava na minha vida e muito menos nos meus ideais.
A verdade é que já não tenho apenas onze anos para continuar a achar que ela vai acordar. Tenho absoluta consciencia de que não há mais nada que possa fazer para a trazer de volta. Os médicos tinham tentado musicas, aromas, a minha voz e a da minha irmã...tudo ao que ela podesse reagir mas nada funcionou a minha mãe continouo imóvel, como uma estátua.
Uma pessoa em coma há tanto tempo não tinha muitas probabilidades de acordar, disse o médico de aspeto jovial e olhos castanhos. Eram números a lutar contra o tempo. A minha mãe estava num estado que ninguém conseguia explicar ao certo, mas que o médico definira como “clinicamente morta”, ou por outras palavras, a minha mãe estava a ter uma “morte cerebral”. Tudo o que a fazia continuar a respirar e o coração a bater era o ventilador, e mesmo que algum dia acordasse o cérebro não estaria apto para o que quer que fosse. Não faria nada sozinha, e as possibilidades de se lembrar de alguém eram quase nulas, nem mesmo de si própria se recordaria. O cérebro morrera, e o corpo era tudo o que restava dela. Eu tentara todos estes anos convencer-me do contrário.
Deixei escapar um longo suspiro silencioso, á medida que as lagrimas escorriam pelo meu rosto lentamente até aos lábios onde pude sentir o seu sabor salgado e angustiante. Eu decidi não lutar mais pela vida da minha adorada mãe…e isso fez-me sentir fraca tal como da primeira vez em que a vira naquele estado, me fez sentir vulnerável.
Eu no fundo sabia que já tinha tomado a minha decisão, realmente adiara-a vezes sem conta, mas o tempo não jogava a nosso favor. Num ato de coragem, ergui a cabeça, e por fim assinei o meu nome na folha de papel que jazia em cima da pequena mesinha de cabeceira, onde estava uma moldura dos nossos dias mais felizes.
Não passou nem cinco minutos e Marta entrava a correr na sala, a sua cara transtornada alertava-me para ter cuidado com as palavras que escolhia para a informar da minha fraqueza.
Eu via a minha irmã mais nova como se fosse o meu pequeno arco-íris, eu estava encarregue de tomar conta da sua vasta paleta de cores. Como se de uma borboleta se, trata-se. Eu sabia que ela era forte, com certeza que mais forte que eu neste momento e a possibilidade de a tornar vulnerável á nova fase que atravessaria-mos fazia-me recuar tantas vezes antes de lhe dizer o que quer que fosse….Marta era o meu porto seguro.
Comecei a sentir falta de ar, caindo mesmo na realidade. Olhei para a minha mãe, imóvel, a cor pálida e os olhos castanhos esverdeados há tanto tempo fechados, a cabeça enfaixada com um gesso branco e o corpo esguio e sem vida.
– Vais dizer-me o que é que se passa ou não? – Mal consegui olhar para as feições joviais da minha adorável irmã: os lábios entreabertos, os grandes olhos castanhos esverdeados arregalados e as olheiras que o pesadelo da noite passada deixara ficar.
– Marta.
– Vais dizer-me ou não? Eu já não sou nenhuma criança, mereco saber a porcaria da verdade! Só porque és a mais velha não quer dizer que a última palavra seja sempre tua! Ela também é minha mãe percebes! Eu tenho direito… – As lágrimas formavam-se no canto dos seus olhos. – Eu tenho direito… – sussurrou.
Abracei-a com toda a minha força, o seu corpo tremia contra o meu, o cheiro a jasmim relaxava-me. Sentia-me na obrigação de lhe dizer alguma coisa para a confortar, mesmo que não soubesse exatamente o que falar.
– Chiu, chiu...eu dava tudo para os trazer de volta. – sussurei-lhe.
– Então não a deixes morrer Núria, por favor...por favor… por favor – pediu num fio de voz rouco pelo abalo emocional. — É tão difícil, é tão dificil dizer adeus a alguém que queremos que fique para sempre!
– Eu prometo que vou tomar conta de ti...Eu não vou deixar que deixes de ser forte, confiante e feliz. Eu vou tomar conta de ti!
– Posso falar com a mãe, só uma última vez?
Acenei afirmativamente com a cabeça e perguntei-lhe num tom de voz baixo:
– Queres que saia?
– Não, deixa-me apenas falar com ela. Podes ficar ali, – apontou para o pequeno sofá perto da janela. — mas não faças barulho quero ter a certeza que ela leva uma mensagem para o pai também! – Falou baixinho e depois olhou de soslaio para o corpo vulnerável da minha mãe. Sorrio sem vontade, aproximou-se meio hesitante como se tivesse medo de que o chão rangesse ao seu andar.
Sentou-se na pequena cadeira de metal branca que se encontrava perto da cama de hospital, pegou-lhe com cuidado na mão como se de um bebé se tratasse e começou a falar baixinho num murmúrio.
– Olá mãe, não sei se me consegues ouvir, ou sequer sentir a minha mão na tua... Eu sei que tu não queres ficar quieta e fria...eu sei que não queres continuar assim. Pensei que já soubesse que te teria que dizer adeus... – Suspirou e começou a chorar – eu vou ficar bem mãe. Eu vou superar. Não quero que fiques triste. Não quero que tenhas medo de ir… Não tenhas medo eu sempre estarei a pensar na minha divertida e carinhosa mãe. Não te preocupes porque eu sou forte, fizes-te-me forte. – Olhou para o rosto da mulher que nunca mais iriamos ver e soluçou.
Sentia-me feliz por ter herdado tanto daquela mulher, fico feliz que quando olhar nos olhos da minha irmã irei ver o seu olhar curioso e feliz, os seus olhos castanhos esverdeados...Como sou fraca, nem a minha própria mãe consigo salvar!
– Amo-te mãe... – Disse a minha irmã com a voz embargada.
– Nunca iremos deixar de te amar... – Completei a frase da minha irmã, afinal tinha-mos adquirido este hábito a partir do meu pai e da minha mãe, eles costumavam completar as falas um do outro.
E sem esperar, uns braços finos e cheios de força, esmagaram-me contra si, o familiar cheiro de Marta confortou-me, e a última lágrima foi derramada naquele momento. – Prometo que tomo conta de nós, dela...prometo que vamos manter-nos unidas até ao fim, venha o que vier.
– Adeus mãe... – Sussurramos as duas.
Notas finais
beijinhos pra todas as meninas e todos os meninos que lerem esta história!
♥ Marieb & InêsC ♥
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