A Mesma História, Um Começo Diferente
3 Terceiro
Notas iniciais
Já era noite quando finalmente alcançaram o porto de Ellia. Na verdade, era um caminho bem longo até a cidade mais próxima e a floresta era densa demais para ser atravessada mais rápido. Ainda mais com todos os imprevistos que se sucederam.
A garota agora tinha algo como uma bandagem malfeita na perna, no local onde o troll a havia puxado, e as mãos raladas foram apenas lavadas e nada mais que isso. Sieghart ainda carregava a menina, com medo de alguma outra criatura bestial aparecer. A menina tinha entregado a espada para o moreno carregar, também – ele estava começando a achar que era um burro de carga – já que estava no colo dele.
Assim que se aproximaram da cidade portuária, o gladiador colocou a ruiva no chão que, mancando, olhava a cidade com uma curiosidade mal disfarçada. Os olhos dela brilhavam enquanto observava o mar alaranjado devido ao por do sol.
O imortal apenas se esticava, cansado pela viajem – estava ficando muito velho para isso! Assim que voltou a andar, passou pela ruiva, passando a mão em seus cabelos e comentou, em uma voz mansa, cansada. – Vamos, ainda temos que comprar as passagens para Ellia.
-Comprar as passagens? – Ela murmurou, tentando acompanhar o passo do guerreiro. Descobriu que não teria muitos problemas, já que ele praticamente se arrastava de tanto cansaço.
-Sim, achava que iríamos para o outro continente como? – Ele murmurou, sorridente. – No meu dragão particular?
Ela fechou o cenho e resmungou algo que o guerreiro não pode entender. Eles se aproximaram de algo como uma construção alta, com vários marinheiros e alguns poucos capitães. Mais atrás havia uma barraca com vendas, aonde poderiam comprar as passagens.
O moreno se aproximou calmo, tendo a ruiva fielmente atrás de seus passos. Não demorou muito para que fossem atendidos. – Duas passagens para seu primeiro barco para Ellia. O porto principal.
Os olhos do vendedor se arregalaram, brevemente. – Nós não estamos zarpando para lá, senhor.
Sieghart franziu o cenho, encrespando os lábios. – O quanto perto de Ellia algum de seus barcos pode me levar?
-O máximo que passamos é pela península de Ellia, porque nosso porto mais perto daquele é o de Xênia. – O vendedor tentou se explicar, o imortal ignorou boa parte da explicação. – Atracamos em um pequeno porto protegido pelos guerreiros vermelhos na península, mas é o mais perto de Ellia que você vai conseguir de qualquer barco.
Ao ouvir o nome do antigo grupo de seu pai, Elesis se aproximou da bancada. – Guerreiros Vermelhos, você disse?
Os dois homens olharam para a pequena garota e o vendedor sorriu, quase amável. O guerreiro não soube explicar por que, mas sentiu algo como uma raiva crescente, talvez devido ao já desagrado que o vendedor tinha lhe causado, como ele ainda tinha a ousadia de vir sorrindo para a garota? – Sim, você também conhece as lendas, garotinha?
-Meu pai é um gladiador dos cavaleiros vermelhos! – Ela sorriu, fazendo alguns gestos com as mãos. – Eu estou procurando por ele.
-E é por isso que vocês vão para Ellia então. – Ele outra vez sorriu e o moreno se mordeu para não cortar todo o assunto e voltar para o barco com as passagens e talvez a cabeça de algum certo vendedor. – É uma boa chance de acha-lo na península.
-Você ouviu Sieg? – Ela olhou para o gladiador, o moreno forçou-se a sorrir o mais natural possível. Ela não reparou. – Talvez a gente encontre meu pai!
-Ótimo. – Ele comentou, achando um ótimo corte para a conversa. Era possessivo sim, e qual era o problema? Nem centenas de anos o mudariam. – Então, as passagens, por favor.
Sieghart teve certeza que o vendedor tinha tremido quando sentiu seu olhar, mas tratou de entregar as passagens para que pudessem viajar, o gladiador pagou a quantia e saiu dali o mais rápido que pode, levando a ruiva junto.
-Você não achou o vendedor um tanto gentil? – Ela sorriu, em sua inocência e logo depois voltou a andar mais a frente, olhando admirada para o navio qual embarcariam. Quando ela apressou o passo para olhar o navio mais de perto, o moreno só pode suspirar observando o pontinho vermelho atentamente.
-Na verdade não. – Resmungou, para ele mesmo, apressando o passo levemente, alcançando a ruiva em questão de segundos, devido à perna machucada dela. Assim que se aproximaram da ponte do navio, o moreno entregou sua passagem e a da garotinha e eles embarcaram com calma.
Depois de rodar os andares superiores em busca de sua cabine, ele percebeu que só conseguiu achar o número certo quando o barco já estava zarpando. A primeira coisa que fez quando reparou que estava em sua cabine, foi deixar a ruiva se esparramar na cama, esticando sua perna machucada, largar as coisas em um canto e entrar no pequeno banheiro – que na verdade consistia de uma porta para um cômodo extremamente estreito com um chuveiro minúsculo, uma privada, uma pia e um pequeno espelho sobre a pia.
O moreno suspirou e fechou a porta, começando a despir-se para poder relaxar seus músculos em um banho refrescante. Ele poderia sentir o suor do dia em suas costas, bem como os fios que grudavam em sua nuca devido ao esforço. Assim que terminou de despir-se e abriu a água – a primeira coisa que descobriu é que a água não esquentava muito mais do que um morno frio – para poder entrar no chuveiro, chegou a conclusão que o chuveiro além de estreito também era baixo.
Assim, suspirando resignado, o imortal tomou seu banho com a cabeça baixa para poder lavar os fios negros sujos de poeira. E por mais que não fosse um banheiro ou uma cabine luxuosa, era suficientemente satisfatória – e isso ele só aprendera com o tempo – já que a maior parte do tempo ele passava acampando e banhando-se em florestas nem tão desconhecidas.
Quando terminou seu banho, enrolou-se na toalha e saiu do “banheiro” – se aquilo poderia ser chamado de banheiro – encontrando a ruiva sentada na cama balançando suas pernas para fora. O imortal não evitou sorrir.
-Vá para o banho, ruivinha. – Ele murmurou e agachou-se ao lado de sua mochila, ainda com a toalha na cintura.
A ruiva fez bico e pulou para o chão da cabine, correndo para dentro do banheiro para poder tomar seu banho. O moreno vestiu-se e, depois de esfregar a toalha nos cabelos para tentar tirar uma parte da umidade, pendurou a dita cuja e deitou-se na cama, sentindo seu corpo padecer de cansaço.
Depois de uns quinze minutos a ruiva saiu enrolada em uma toalha muito maior que ela e o moreno sentiu vontade de rir, achando-a estranhamente fofa. Ela corou, ficando da cor de seus cabelos, enquanto pegava sua mochila de qualquer jeito e corria para dentro do banheiro novamente.
Quando ela saiu novamente, ela vinha carregando uma escova. – Você... Pode me ajudar? – Ela murmurou baixinho, envergonhada.
-Em que, ruivinha? – Ele sorriu de novo, sentando-se na cama. Ela estendeu a escova. – A pentear os cabelos?
-Sim. – Acenou com a cabeça, ainda corada. O moreno bateu na cama e ela subiu rapidamente, sentando-se de costas para ele. O gladiador – de todas as coisas que já fizera na vida – nunca esperaria que teria que pentear os cabelos de uma garotinha.
Com toda a delicadeza que ele possuía – que não adiantava em muita coisa – ele terminou de escovar os cabelos molhados dela, entregando-lhe a escova. – Pronto. Já está penteada e limpa, agora podemos dormir?
Ela sorriu e pulou da cama, guardando a escova e depois se enfiando em baixo das cobertas junto com o moreno. Assim que ela repousou a cabeça sobre o travesseiro macio, se perguntou como o guerreiro poderia acampar todos os dias sem ter todo aquele conforto.
-Boa noite, Sieg. – Ainda murmurou, sonolenta. O gladiador, que já tinha os olhos fechados, deu um pequeno beijo no topo da cabeça ruiva e acomodou-se novamente.
-Boa noite, ruivinha.
Notas finais
Beijo pro'cês viu? ^^
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