A Merry Little Christmas
1 Sábado
Notas iniciais
Essa história foi escrita com muito carinho pra Barbara como presente do amigo secreto nanario, mas também é meio que pro fandom todo. Ela disse que gostou, eu espero que vocês gostem também.
Eu adoro fics de natal e como AS é uma brincadeira de natal, eu decidi usar essa temática. Eu também tentei escrever a fic bem açucaradinha pra aquecer o coração por causa do sofrimento que a gente tava passando com a novela.
O nome da fic vem de uma música de natal e a minha versão favorita é a de glee. just saying.
Ah, pelo amor, não liguem pra vergonha que eu passei na capa da fic não, eu não sei fazer essas coisas.
É isso, gente, boa leitura e a gente se vê lá em baixo nas notas finais :D
19 de dezembro de 2020
Às 00:55 a casa da família de quatro pessoas estava silenciosa, a não ser pelo áudio sendo emitido em médio volume na sala de TV, onde um casal encontrava-se enroscado no sofá. Nas últimas semanas Nana e Mário vinham adquirindo o costume de, após colocarem as meninas para dormir, irem até o aconchegante espaço e assistir ao que estivesse passando no primeiro canal que encontrassem, como forma de passar mais tempo coladinhos, como eles tanto gostavam, e também aproveitar o clima bom de casa nova que ainda pairava no ar. Com um bebê de poucos meses em casa fazer qualquer coisa além de tentar dormir a cada oportunidade que aparecesse não era exatamente uma opção muito viável. Mesmo que fosse ver TV. Porém, ao entrar no quinto mês de vida, a pequena Cecília finalmente havia começado a experimentar as maravilhas de acordar apenas uma vez na maior parte das noites, permitindo que seus pais tivessem mais horas de sono e aproveitassem melhor as que passavam acordados.
Mais cedo, após passar a manhã na editora, Mário fez planos de ir até a antiga mansão da família Prado Monteiro com o cunhado para buscar a enteada, que estava lá desde a quinta-feira, e seguir para casa. Porém, a mensagem que Marcos recebeu a respeito de uma certa farra na piscina o fez decidir mudar a rota e o destino final. Então buscou Nana e a filha do casal a fim de seguirem os três para uma tarde de sol em família. Ficaram até depois do jantar, quando Sofia já estava com os olhinhos miúdos de cansaço acumulado dos dias passados brincando com o parceiro de aventuras, Peter, e Cecília começou a choramingar, deixando todos cientes de que ela estava com saudades do aconchego do seu berço.
Após a morte do patriarca da família, Mariana tomou a decisão de não permanecer na casa. O peso de todos os anos em que ela ficou ali para que pudesse tomar conta de tudo, inclusive do pai, e abrindo mão de ter um espaço só seu, a atingiu com força total e fez com que ela percebesse que o que precisava era de um novo lar para dividir com a família que havia construído para si mesma. Depois de conversar com Mário, que já estava morando na mansão havia alguns meses, os dois mergulharam no mercado imobiliário do Rio de Janeiro e não demorou até encontrarem a casa perfeita para completar o seu recomeço. Marcos mudou-se de volta para a mansão, então, acompanhado de Paloma, com quem havia casado, e seus três filhos. Poucas coisas haviam mudado por lá. Bezinha, apesar de não ter mais tantas obrigações oficiais e contar com outras pessoas para ajudar, seguia fiel à família, inclusive deixando claro que fazia questão de cuidar de Cecília quando a licença maternidade de Nana chegasse ao fim. A casa estava viva novamente, colorida pela alegria dos jovens moradores, e ficou ainda mais animada depois que as escolas e demais atividades entraram no período de férias, permitindo que tardes como a daquele sábado se tornassem cada vez mais comuns.
Chegando em casa por volta das 20 h, Nana seguiu com Sofia já meio adormecida no colo para o quarto da menina, ajudando-a a se organizar para dormir, enquanto Mário embalava nos braços o bebê que havia pegado no sono ainda no carro, calmamente caminhando pela casa até sentir que podia colocá-la no berço sem o ato resultar em choro. Com as crianças na cama tão cedo, duas coisas eram certas para o casal; eles tinham o restante da noite para aproveitar a companhia um do outro, e aquela seria uma das noites em que Cecília com certeza acordaria. Nana seguiu para a suíte principal a fim de tomar um banho antes de descer para o andar de baixo e, quando já estava na metade da escada, pôde ouvir ao longe o chuveiro ser ligado novamente, dessa vez por Mário. Enquanto aguardava Mário voltar, Nana foi até a cozinha e preparou duas xícaras de chá, uma para ela e outra para o amado. A bebida quente havia se tornado o substituto para a taça de vinho que ela preferiria tomar, mas ainda não podia. Fazendo o caminho para a sala de TV, ela quase esbarrou no animado papai que descia as escadas já contando com as próximas horas de tranquilidade e chamego com a mulher que amava.
― Calma, poeta. ― Disse, rindo da pressa de Mário. ― O sofá não vai sair correndo.
― Não vai mesmo, mas a sua filha vai acordar em algumas horas e se a gente quiser aproveitar, vamos ter que ir logo. ― Ele parou, dando um selinho na amada e pegando uma das canecas que ela trazia.
― Minha filha, é? Aquele anjinho também é seu, não esqueça. ― Provocou, andando logo atrás dele até chegarem ao grande sofá bege.
Mário riu, descansando a caneca dele na mesa de centro e tornando a virar-se para Nana, pegando a dela e repetindo o movimento. Ela sentou-se de lado, dobrando ambas as pernas para que ficasse mais confortável e, assim que Mário sentou junto ao braço do sofá, ela automaticamente seguiu para sua posição preferida; escorada contra ele. Ele passou o braço direito em volta do corpo de Mariana e depositou um beijo no topo de sua cabeça. Enfim prontos, ela ligou o televisor. Desde o primeiro dia de dezembro era cada vez mais comum encontrar canais que montavam sua programação com o propósito de fazer maratonas de filmes de natal, dos mais clássicos aos mais recentes clichês que remetiam à época.
Era fácil se perder no tempo e passar a pequena eternidade da madrugada se deixando levar pelas histórias. Foi exatamente daquele jeito que eles passaram as horas seguintes; colados um ao outro, assistindo aos filmes temáticos. Ao final do segundo filme da noite, um clichê lançado não muitos ano atrás, as posições do casal pouco haviam mudado. As pernas de Nana agora estavam por cima da de Mário — ela estava praticamente sentada no colo dele e ele não estava nem perto de pensar em reclamar.
Nana sentiu um movimento repentino acima de sua cabeça e imediatamente sabia que o parceiro havia cochilado enquanto esperava os créditos do filme passarem. Dando uma risadinha discreta, ela se afastou para olhar-lhe o rosto e fez um carinho com a mão na barba recém-feita.
― Tá cansado, meu amor?
― Um pouco, a manhã foi cheia na editora, terminei a edição do livro daquela autora portuguesa. ― Comentou sorrindo, tentando disfarçar o bocejo que ameaçava se formar.
Assentindo, Nana começou a se levantar, mantendo a expressão branda para que ele não notasse de imediato que estava fazendo graça. ― Então já que você tá cansado, é melhor a gente ir deitar, né? Aproveitar que a pequena ainda tá dormindo.
Mas ele a conhecia bem demais para saber que ela não estava falando sério, estava tentando debochar dele. Sendo assim, seguiu a deixa dela. Puxou-a pela cintura de volta em sua direção, o que fez com que ela caísse sentada no sofá e com as costas contra o seu peito, permitindo que ele a enlaçasse com os braços.
― Que foi, você tá cansada, Mariana? ― Ele tentou agir com seriedade para entrar na brincadeira dela, mas não aguentou e riu junto quando ela fechou os olhos e soltou uma gargalhada. ― Shhh… você vai acordar as meninas.
― Ai, desculpa, desculpa. ― Cobriu a boca com as mãos se recuperando das risadas. Soltou um longo suspiro e acomodou mais a cabeça no peito que lhe servia de travesseiro naquele momento, passando a mão pelo rosto. ― Tô, tô sim, um pouco.
Olhou com ternura para a mulher de olhos fechados em seus braços e não conseguiu conter o sorriso doce que se formou em seus lábios, assim como todas as vezes que ele parava para observá-la.
― Quer ir pra cama?
Nana abriu os olhos e fitou o poeta, devolvendo o olhar carinhoso.
― Não, quero ficar aqui coladinha em você mais um pouco.
Ela inclinou a cabeça na direção dele e trocaram um breve e carinhoso beijo, entre sorrisos. Tornaram a olhar para a TV em tempo de ver uma cena que tinha a tendência de se repetir em quase todos os clichês natalinos; o beijo debaixo do visco. Era costume do casal fazer comentários e às vezes pequenas piadas sobre as histórias quando assistiam sozinhos, então Nana sabia que não o estaria incomodando ao dar voz a seus pensamentos.
― Eu sempre achei muito curiosa essa tradição de se beijar quando passar embaixo de um visco. ― Ela observou enquanto uma cena virava outra e Mário reproduzia um som de reconhecimento do fundo da garganta. ― É bonitinho.
― Bonitinho, é? E depois o romântico sou eu.
Quando ela estava prestes a responder, a babá eletrônica resmungou um início de choro, avisando que uma certa menininha estava acordando. Mário começou a dizer que era a vez dele ir, mas Nana logo apressou-se em levantar dizendo que provavelmente seria fome e aquela ainda era uma tarefa dela.
Nana fez o caminho até o quarto da filha mais nova para acalmá-la e dar fim ao motivo do choro, enquanto Mário ficou e decidiu tentar assistir ao filme até a sua volta. O sono, porém, tinha outros planos e depois de apenas vinte minutos de filme ele se viu bocejando. Desligou a TV, pegou as canecas vazias e se dirigiu à cozinha. Lavou as duas canecas e guardou-as no armário enquanto ouvia pela babá eletrônica Nana cantarolando baixinho para Cecília. Não tinha como não sorrir, era impossível para ele. Ela ninando as filhas era com certeza uma das coisas que ele mais amava ouvir no mundo inteiro. Ao terminar, o poeta apagou as luzes que restavam acesas no andar de baixo e subiu as escadas, indo direto para o quarto. Preparou a cama e ficou esperando Nana voltar. Estava quase dormindo sentado quando ouviu a porta abrir e ela entrar.
― Você dormiu me esperando, amor? Se deita, vai, eu só vou trocar de roupa e já venho.
Foi o que ele fez. Mário deitou puxando a coberta ao seu redor e poucos minutos depois sentiu a cama afundar do lado dela. Com um beijo de boa noite sonolento, o casal se viu adormecendo rapidamente, virados de frente um para o outro, Mário com um braço por cima da cintura de Nana e ela com a mão repousando no peito do seu poeta. Era assim, tranquila, que a casa da família Prado Monteiro Viana ficaria. Pelo menos até as 5:30 da manhã, quando Cecília acordaria toda e qualquer pessoa que tentasse dormir ao invés de entretê-la.
Notas finais
Vou explicar: Nessa minha versão de BS Nana nunca perdeu o bebê porque eu não sou rosane nem paulo, muito menos obrigada a aguentar esse plot ridículo. Não era Betinho (nada contra você, Betinho), era Cecília e ela tá aí na história pra provar, e eu fiz minhas contas da idade dela imaginando Nana com 4 meses na novela. Se tá certo, eu não faço a mínima ideia, mas é isto.
Me digam o que vocês tão achando que eu sou muito curiosa, pelamor hein
bj, vamo pro próximo -->
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