A Merry Little Christmas
2 Segunda, terça e quarta
Notas iniciais
21 de dezembro de 2020
A equipe da Editora Prado Monteiro havia decidido. Naquele ano, o prédio seria devidamente decorado para o natal. Tudo bem que eles estavam um pouco atrasados, a véspera já era em dois dias, mas todos estavam de acordo que era melhor fazer atrasado do que não fazer de jeito nenhum. Como a ideia original havia sido de Evelyn, o nome dela foi indicado unanimemente quando Vera perguntou quem iria ficar encarregado de comprar os enfeites, e quando, naquela segunda-feira, ela fez a lista do que comprar, Mário teve uma ideia brilhante, modéstia à parte.
Ele ficou notavelmente mais animado que os outros no final da tarde quando a colega de trabalho retornou de sua missão em busca dos enfeites perfeitos, trazendo uma encomenda especial. Se aproximando, ele foi logo ouvindo um poxa, Mário, você não podia ter pedido uma coisa mais fácil, não? Eu quase não encontrei de uma Evelyn visivelmente cansada.
― Mas encontrou? ― perguntou, ansioso e animado que só uma criança.
Recebeu sua confirmação seguida por um pacote que estava separado dos outros. Olhando dentro da sacola plástica, os olhos do poeta brilharam com o que viram. A surpresa que ele planejara para Nana estava se encaminhando para dar certo, agora só faltava colocar em prática de maneira estratégica.
22 de dezembro de 2020
Na terça-feira, Nana deixou Cecília na mansão com Bezinha durante a tarde e foi ao shopping com Sofia para comprar de última hora um presente que a menina queria dar à nova professora de dança, quem ela adorava. Apesar do caos no comércio que antecede o natal as duas conseguiram encontrar um presente que agradou a menina e Nana teve a ideia de pararem para tomar um sorvete, aproveitando para passar mais tempo com a primogênita, já que estavam só as duas, coisa que já não acontecia com frequência, e sabendo que Sofia sentia falta.
Quando, no começo da noite, a dupla voltou para a mansão para apanhar Cecília, Paloma também já estava em casa e sugeriu que elas ficassem para o jantar mais uma vez. Mariana mandou uma mensagem para Mário, combinando com o poeta que ele voltaria da editora com Marcos e ficou na companhia da cunhada, rindo das histórias dela enquanto amamentava Cecília, esperando todos chegarem para jantar.
No jantar tudo ocorreu como sempre desde que os novos moradores haviam chegado à mansão. Muita conversa e risadas com todos à mesa. Em meio às risadas de todos, vez ou outra, Cecília se animava e dava pequenas gargalhadas ou gritinhos, o que iniciava uma nova onda de risos e alguns awww e então, quando terminaram, depois de conversar mais um pouco e ajudarem a recolher a louça, Mário e Nana anunciaram a hora de ir para casa, apesar dos protestos de Sofia e Peter, que queriam gravar algum tipo de “filme”.
Paloma levou a mais nova sobrinha nos braços até o carro enquanto o casal de pais seguia andando um pouco mais devagar atrás delas, de mãos dadas. Já sabendo exatamente o que queria fazer, Mário deu um leve aperto na mão de Nana.
― A decoração de natal tá mais bonita esse ano. Alegre. ― Começou a comentar como quem não queria nada, esperando que se ela ainda não tivesse reparado na decoração, o fizesse naquele momento.
― É. Nossa, eu não me lembro a última vez que essa casa foi decorada assim. Ficou muito bonito mesmo.
Ela olhava por todos os lados, reparando em cada enfeite que havia sido colocado, desde a colorida árvore até o… aquilo é um visco? Nana pensou, vendo o pequeno enfeite na porta de entrada da casa. Ela tinha quase certeza de que aquilo não estava ali antes.
― Nossa, aquilo ali na porta é um visco? ― Mário fingiu surpresa, e naquele momento Nana tinha certeza de que o enfeite não havia estado ali quando ela chegou. Como ator, ele era um ótimo poeta. Ele o colocou, de alguma forma.
― É, eu tô achando que sim. ― O que você tá fazendo, Mário?
― Bom, já que a gente tá aqui, você sabe a tradição qual é, né? ― Ah. Estava explicado o que ele estava fazendo. Bem, mal não iria fazer se ela entrasse na brincadeira, só que do jeito dela.
Mariana se virou sabendo que ele esperava um beijo, mas ao ficar na ponta dos pés, deu um breve selinho em seus lábios, disfarçando o riso ao se afastar e perceber a expressão no rosto dele.
Tornou a andar depressa, deixando-o parado à porta. ― Poeta bobo. ― Disse para si mesma, rindo.
23 de dezembro de 2020
Já fazia um mês desde a última visita de Cecília aos tios da editora, por isso, Nana programou a sua quarta-feira para que pudesse ir até a Prado Monteiro entregar as lembrancinhas que ela e Mário tinham comprado para os colegas de trabalho que tanto cobravam ver a pequena. A rotina matutina na casa da família seguiu como o esperado, com Cecília acordando seus pais bem cedo. Mário seguiu para o trabalho, mas Nana decidiu ir um pouco mais tarde, deixando Sofia dormir além do que era normal, já que estava de férias, e fazendo planos de almoçar com Mário.
Por volta das 10:30, Nana havia deixado Sofia na casa de uma amiguinha e fazia o caminho da editora. Entrou com o carro na garagem, baixando o vidro para ser reconhecida pelo porteiro, que a cumprimentou com um sorriso animado.
A subida até o andar onde ficava sua sala e os demais funcionários foi rápida e, ao abrir das portas do elevador, as duas moças foram recebidas por um aglomerado de pessoas que, embora houvessem duas delas, estavam interessadas em apenas uma. Os cumprimentos iam de olha ela ali a ai que linda e passando por alguns alegres oi, Cecília!. Limpando a garganta, Nana disse:
― Oi, eu também senti muita falta de vocês, mas será que eu posso sair do elevador agora?
Mário deu de ombros e Vera riu enquanto as outras pessoas gaguejavam claro e pode passar, chefe.
Chegando ao espaço onde ficavam as mesas, Nana entregou a filha a Vera enquanto dizia, ― Eu vou deixar vocês matarem a saudade de quem realmente importa aqui. ― E continuou, virando-se para Mário. ― Enquanto eles babam, você me ajuda a ver como andam as coisas por aqui, amor?
Mário fez que sim com a cabeça e Yuri se apressou em dizer, ― Eu posso te apresentar os números da contabilidade se você quiser, Nana.
Ela concordou e o rapaz foi pegar os papéis enquanto ela e o editor chefe seguiam para sua sala. Ao chegar na porta, porém, Nana parou. Seus olhos avistaram novamente um visco. Hmm, ela tinha uma forte desconfiança a respeito de como aquele ornamento havia ido parar ali.
Quando foi olhar para Mário com aquele olhar de sério?, percebeu que eles tinham plateia. Todo o quadro de funcionários da Prado Monteiro tentou disfarçar, mas falhou miseravelmente, o fato de que estavam assistindo o casal. Então tá todo mundo metido nisso, né?
Com a maior expressão de deboche que conseguiu fazer, Mariana olhou para Mário e o beijou de maneira exatamente oposta à noite passada. Passou as mãos pelos seus ombros colocando-as em seus cabelos e deu-lhe um beijo digno de filme. Ouviu Gláucia tossir, engasgada da água que bebia, Vera rir, e Evelyn soltar um meu Deus. Ao se separarem, Nana percebeu que ele estava com as bochechas coradas. Definitivamente não era aquilo que ele estava esperando.
O deboche não deixou o seu rosto em momento algum enquanto dizia, com ar de sonsa ― É a tradição, não é? ― E entrou na sala, esperando ser seguida pelos dois homens que se juntariam a ela.
A reunião correu bem e Mário se recuperou depressa. Ao final, ele perguntou se ela queria almoçar no Chapeleiro Maluco e pegou a bolsa de Cecília quando recebeu uma resposta positiva. Saíram da sala e se depararam com um círculo de pessoas em volta da filha.
Ao ver que Mário segurava a bolsa, Marcos, que tinha a sobrinha no colo, disse, ― Ah não, deixa ela aqui e vão almoçar.
Thaissa, que, estranhamente, demonstrava um lado muito mais carinhoso perto da menina, completou o pensamento dele. ― A gente cuida dela, podem ir.
Mário lançou um olhar questionador para Nana e ela apenas deu de ombros, dizendo, ― Ela mamou antes de vir, acho que dá tempo.
Os dois se despediram, fazendo o pessoal prometer ligar caso qualquer coisa acontecesse e seguiram para o seu almoço.
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