A Menina que Pintava Bolos
1 Quando o Tempo Para
Notas iniciais
É apenas uma Fanfiction amadora
Era uma manhã de sol comum, mas ela não se importava, pois tudo era quase monótono aonde vivia. Sempre acordava tarde, por que, afinal, acordar cedo? Não tinha pressa, apenas fazia.
Se levantou de sua cama rústica devagar e esfregou um pouco os olhos. Estava horrível, mas era normal para ela acordar daquela maneira. Seu quarto não tinha muitos móveis, apenas uma cama, uma cômoda, uma escrivaninha com uma cadeira e um espelho, o resto eram objetos discretos, guardados ou que não tinha tamanha importância para serem considerados móveis, eram apenas objetos. Quando se levantou por parte sentiu em seu colo, deitado, Tomas, seu querido gato. Ela o acariciou e depois de muito hesitar o colocou ao seu lado, para que ele não atrapalhasse quando fosse levantar. Se levantou, se alongou sentindo suas costas e pescoço estralarem e foi até seu espelho que vivia encostado na parede. No espelho podia ver a si mesma. Beatriz, uma menina não muito menina de quase 15 anos. Não era tão feminina, nem bonita, nem delicada, nem muito esperta, mas era Beatriz, e ser ela mesma era o que mais importava, pelo menos às vezes. Era alta, bem alta, mas não tanto. Tinha cabelos castanhos, olhos grandes, rosto um tanto oval. Olhou para o relógio acima da porta. Dez e treze. Sempre atrasada, mas afinal, atrasada para quê? Ela nunca sabia. Gostava muito daquele relógio, havia sido um presente e era uma das poucas coisas que fazia o seu quarto parecer ter mais algum material além de madeira. Se trocou, colocando sua calça e sua camisa, quase nunca usava vestidos, e não se sentia confortável usando um. Foi ao banheiro rapidamente. Não era bonita, mas também não precisava ser feia. Assim que saiu do banheiro sentiu um delicioso cheiro, e sabia do que era. Desceu rapidamente as escadas, atrás de sua refeição matinal. Morava em cima de um comércio, uma confeitaria, onde a mãe sempre trabalhava. Sua casa não era muito grande, mas a confeitaria era média e tinha muitas variações de bolos e doces. "Bolo" pensou Beatriz ao se aproximar da cozinha, de onde vinha o delicioso cheiro de bolo recém assado. Ela se sentou na pequena mesa na área de serviço, na parte de trás da confeitaria e comeu um grande pedaço do bolo de laranja que sua mãe fizera. Beatriz se lembrava de quando era menor e se sentava cedo para tomar café com sua mãe e seu pai, que passara para o outro lado havia anos. Era triste se sentar sozinha para tomar café tarde, apenas consigo mesma, mas para ela acordar cedo era muito difícil para ela, pois dormia tarde, com as ideias e inspiração a fazendo desenhar, pintar e pensar mais do que deveria. Sua mãe, Samanta, entrou pela porta com o rosto já vermelho com o calor do forno e sorriu para Beatriz-Acordando tarde de novo? — Ela perguntou-Não consigo acordar cedo — disse comendo o bolo-Tudo bem, não tenha pressa, mas pode me fazer um favor?-Claro, o quê? — disse Beatriz, olhando para a mãe-O relógio quebrou — Disse já sabendo a reação da filhaBeatriz deu um grande sorriso e olhou para o relógio parado na parede, aquilo significava que ele teria de ser levado para conserto, o que a daria a oportunidade de ver um de seus grandes amigos. Sua casa era solitária, considerando que Lizzie, sua irmã, sempre saia para tocar em algum lugar da cidade, sua mãe estava sempre na confeitaria, seu primo, David vivia saindo para brincar com seus amiguinhos na rua e seu pai não estava mais vivo para a fazer companhia.-Vou o levar para consertar então — disse feliz por ter algo diferente para fazer-ótimo, eu tenho muitas encomendas hoje, consegue fazer sozinha?-Consigo — Beatriz não gostava muito das palavras solitárias, mas não demonstrouDepois de terminar seu breve, porém bom café da manhã com bolo de laranja e leite subiu desajeitadamente numa das cadeiras da cozinha e pegou com certo cuidado o relógio preso à parede. Assim que conseguiu o retirar saiu com ele pela confeitaria. Adorava ver os bolos decorados e bem feitos serem vendidos por sua tia e sua ajudante. Com seus sapatos um pouco sujos, mas ainda bons saiu pela confeitaria em direção à relojoaria, saltitando pela rua, como quem não tem preocupaçõesEra um dia ensolarado e bonito na cidade onde morava, principalmente no centro, com suas ruas de paralelepípedo, comércios, pessoas gentis nas ruas. Havia uma torre não muito grande com um relógio um tanto grande que a ocupava o topo. Ali vivia seu grande amigo, que não havia nascido na cidade, talvez nem no país. Quando ia chegando, saltitante, mesmo fora da relojoaria era possível escutar os relógios, tic, tac, tic, tac, e então deram onze horas da manhã e Beatriz resolveu esperar um pouco, pois quando davam horas completas todos os relógios batiam ou tocavam ao mesmo tempo, mas como todos tocavam de maneira diferente todos tocavam de forma desorganizada e alta ao mesmo tempo, e o barulho era insuportável, mas quando se estava ao lado de fora da loja o relógio maior, com suas badaladas bonitas, encobria o som dos outros tocando. Apenas após a última badalada, Beatriz entrou na loja, abrindo a porta e ouvindo o sino de clientes tocando quando a porta bateu nele. Havia um homem no balcão, tinha olhos puxados, cabelo liso e escuro, quando viu beatriz deu um pequeno sorriso, sabia o principal motivo da presença dela, mas quando ela entrou e colocou o relógio no balcão esperou ela perguntar-Bom dia, Senhor Sato, o -foi interrompida de forma boa--Ele está na oficina -Disse o homem de olhos puxados e alto, a relojoaria levava o seu sobrenomeBeatriz sorriu novamente e foi até os fundos da loja, onde havia uma oficina, onde muitos relógios faziam o barulho de ponteiros girando. Ali, em cima de uma mesa estava sentado um garoto, que arrumava cuidadosamente um relógio e a viu entrar. Ele parou por um momento de consertar o relógio e então olhou pra ela-Olá, Bibia -Era o apelido que dera a Beatriz, não muito tempo depois de a conhecer-Kita, como vai? — Disse entrando e olhando os montes de relógios ali abrigados, também arranjara um apelido para Kira, que conheceu não fazia muito, muito tempo, mas já considerava muito
-Vou bem. E você, anda fazendo muitos desenhos?-Sim, mas a maioria são rascunhos-Seu relógio está funcionando bem?-Sim, nunca parou, nem por um momento, nem deu defeito-Fico feliz, então -Disse sorrindo-O relógio da cozinha quebrou, então trouxe para cá para fazer reparos e resolvi vir te visitar-Obrigado. A loja fecha as cinco e meia, se quiser podemos sair depois-Pode ser -Disse Beatriz--Certo, então, vou continuar a consertar. Se quiser pode ficar aqui-Ah, eu tenho que visitar a Lauren, ela deve estar precisando de mim agora-Ok, então até logo — diz ainda sorrindo de olhos fechados, ou ao menos pareciam estar fechados, Beatriz achava que estavam, ou será que não? Talvez ela nunca saberia se aqueles sorrisos eram mesmo tão felizes e verdadeiros quanto pareciam ser-... Então você vai? -Kira perguntou ao perceber que já havia quarenta segundos que Beatriz estava parada, sentada ao lado dele-Ah, sim — Disse Beatriz, se levantando — Até logo-AtéBeatriz saiu da relojoaria confusa, sem nem sequer olhar para o Senhor Sato e saiu andando, avoada, pensando em por que não havia encontrado mais assunto para falar com Kira, por que havia ficado tanto tempo parada ao lado dele, esquecendo da vida, e por que havia mentido sobre estar indo para a casa de Lauren. Perdida em pensamentos, Beatriz passou longe de casa e resolveu ir visitar Lauren, que diferente dela, era de classe alta, e mesmo vestida inadequadamente para visitar alguém com poder aquisitivo muito maior, foi até a mansão de Lauren, que ficava um pouco afastada do centro onde morava. Ela não teve dificuldade alguma em entrar na mansão de Lauren pois ela mesmo já havia avisado aos guardas que Beatriz podia entrar quando quisesse. Ela atravessou o pequeno jardim do casarão que para ela era uma mansão, olhando as plantas e flores do jardim enquanto juntava inspiração para desenhar mais tarde, e bateu na porta da frente, elegante e de madeira bem feita. Foi atendida pela empregada, que tinha suas roupas um pouco sujas por estar limpando a casa. Conhecia Jade, a empregada otimista que servia à família Duarte desde que Laura era apenas uma criancinha gordinha.-Onde está a Lauren? — Perguntou Beatriz depois de ter cumprimentado Jade-Tá na cozinha, amor — Disse Jade, beatriz gostava de como ela era carinhosa-Na cozinha? Fazendo o quê?-Falando com o novo cozinheiro — Jade disse antes de voltar à limpar a sala de jantar-CertoBeatriz foi até a cozinha e lá encontrou Laura, com seu cabelo liso que ia até os ombros, de vestido, como sempre, muito bonita, conversando com o que parecia ser um adolescente gordinho, com um rosto muito fofo e cabelo preto, batendo algo com uniforme branco e avental, além de chapéu de cozinheiro não muito grande, quanto os de Chefs famosos por aí. ele era alto, mas não como Beatriz, devia ter um metro e setenta e cinco e tinha as bochechas rosadas, além de um bigode ainda em desenvolvimento. Ele parecia ser português e parecia estar recebendo boas vindas além de instruções amigáveis de Lauren. Quando Lauren viu Beatriz sorriu e foi até ela, a abraçando. Lauren era magra e muito pálida, mas tinha cabelos e olhos escuros, era solitária e gostava de receber visitas de Beatriz. Sempre carregava consigo o mesmo sorriso fofo. Mesmo sendo dois anos mais velha que Beatriz, sempre foram amigas e muito unidas-Bom dia — Disse Beatriz, abraçando Laura de forma carinhosa-Bom dia -Disse Laura, com seu sorriso fofo, a soltando do Abraço-Eu estava andando por aí e resolvi passar aqui. Está ocupada?-Claro que não -Disse ainda feliz por ver Beatriz--Acordou faz quanto tempo?-Agora pouco. Bia, esse é o nosso novo cozinheiro, Ralf-Olá -Disse Ralf enquanto ainda batia alguma massa com uma colher de pau-Oi — Respondeu BibiaBeatriz passou o resto do dia na casa de Lauren, depois chegou a sair com Kira e então voltou pra casa. Como sempre, não conseguiu dormir cedo. Ficou a noite toda pintando, e desenhando sobre o que havia passado no dia. Sua inspiração vinha grande e forte durante a noite, e não a deixava dormir enquanto não pintasse, desenhasse e deixasse toda a criatividade sair. Não queria se lembrar de seu encontro às seis com Kira, pois foi tedioso e curto. Ela tinha um pressentimento não muito bom sobre suas coisas e seus desenhos estavam anormais. Mesmo assim ela foi dormir de madrugada, sem ter jantado direito. Não teve sonhos bons naquela noite, mas dormiu, e depois acordou, e isso era o mais importante.
Notas finais
Dedicado à Beatriz Tavares, minha primeira Fanfiction
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