Notas iniciais
Giovanna sempre foi uma garota muito popular na escola. Ela é morena, magra, baixinha, extremamente vaidosa, extrovertida e simpática. Já conquistou vários garotos com seus enormes olhos azuis. Olhos azuis tão lindos que faziam com que todos a encarassem naquele lance de olhar olho no olho. Ela também tem sardinhas e covinhas que fazem seu sorriso branco mais bonito. E seus cabelos, mantidos reféns de escovas e chapinhas são num tom castanho escuro e ondulados quando estão na sua forma natural. Na sua bolsa sempre tem dois lápis de olho, um preto e um prateado, além do seu destacante batom vermelho e do discreto batom rosa-claro.
Blue, como gosta de ser chamada, passou o seu terceiro ano letivo estudando sem parar. Ela deixou de lado suas festas, baladas, desativou o facebook, esqueceu seu iphone e até seu sonho de trabalhar com moda. Decidiu, por exclusiva influência dos pais, prestar vestibular na área de saúde, em medicina. Seu pai e sua mãe, ambos médicos, sonhavam que a filha atuasse na área e fosse uma médica tão boa quanto os dois juntos. É normal todo pai querer o melhor para o filho e seus pais não achavam que moda traria um futuro seguro e estável a sua filha. Mas Blue nunca se importou. E ela também nunca disse o que achava aos seus pais.
Na Universidade Pública, escondida dos pais, prestou moda e foi aprovada em primeiro lugar. Ficou tão feliz e triste ao mesmo tempo, não contou aos seus pais e trancou a matrícula. Blue também prestou medicina na Universidade Federal, pois seus pais se conheceram e formaram lá. Ela não passou. Quer dizer, ela foi aprovada, mas não ocupou vaga. Está em remanejamento e no próximo ano ganhará a vaga tão esperada de seus pais para estudar medicina. Ela tem um ano de liberdade.
Blue já fez de tudo pra tentar gostar de medicina. E ela até que gosta, mas em comparação à moda, o tamanho do seu afeto pela carreira é quase desprezível. Ela passou o mês de janeiro inteiro tentando formar diálogos, argumentos, explicações para dar aos pais sobre seus interesses e vocações.
Hoje, um de fevereiro, fez com que ela lembrasse de todos da escola, os amigos que apoiaram para ela se opor a ideia de ser médica principalmente. Ela sentiu falta até dos professores que tanto lhe deram incentivo e força. Blue se considera uma menina mimada, estudou sua vida inteira em várias escolas particulares. Ela dava trabalho, pois nunca conseguia ser aprovada por média. A única vez que conseguiu foi no terceiro ano, seu último ano letivo. Com 17 anos, sentada em frente o seu computador, ela decidiu pela primeira vez trabalhar. Ela estava programando passar cinco meses trabalhando na área de saúde e outros cinco meses na área de moda. Dessa forma, segundo ela, isso decidiria totalmente sua opinião.
"Acho que vou começar por medicina..." Pensou ela, com medo de começar com moda e não querer mais tentar medicina.
— Mãe? Tem como a senhora me arrumar um emprego no hospital?
Eram 5 horas da manhã, o horário em que todos da casa acordam diariamente. Ela estava no seu quarto e, para não ter que encarar a mãe, Blue resolveu falar alto o bastante para que Elena, sua mãe, escutasse sua pergunta. Ela odiava mentir sobre isso e tinha medo que sua mãe descobrisse só em observá-la.
— Claro, filha! Hoje mesmo você pode começar, quer vir comigo? Eu dou um jeitinho.
Blue notou apenas pela voz da mãe que esse era um de seus dias mais felizes e empolgantes.
"Ai, Meu Deus! Mas já hoje? Eu preciso me preparar emocionalmente... E com que roupa eu vou?" Pensou, entrando em total desespero mental.
Mas Blue respirou fundo e seguiu com o plano.
Coitadinha. Mal seu plano tinha começado e ela já estava querendo desistir.
Fale com o autor