Notas iniciais
Oi! Obrigada por continuar a ler a história! :)

— Cadê você, Giovanna? Venha tomar café!

Depois de exatamente trinta minutos minha mãe me chamou. Ela estava no térreo fazendo sua famosa omelete. A nossa empregada tinha nos largado fazia uma semana. Uma semana sentindo apenas o gosto da mesma omelete matutina.

— Mãe, porque não comemos no hospital???

Suspeito que meu pai aceitou a proposta de emprego no exterior justamente por isso.

— Mas e a nossa omelete? – Mamãe já desconfiava do meu desagrado com suas receitas. Passei o fim de semana fugindo de suas refeições. – ... Ok.

Eu não sabia muito bem o que ia fazer lá então resolvi me vestir toda de branco, como penso que uma médica deve se vestir. Calça, camisa com manga longa e tênis All Star. Os brincos foram colocados propositadamente, presente de minha falecida vó. A bolsa pequena continha meu óculos, celular, chaves, documentos e uma nota de dez reais, o troco da pizza de ontem.

Desci a escada.

— Que tal? – perguntei a Joana, minha mãe.

— Ah, filha... – respondeu emocionada. – Você está tão linda!

Uma lágrima fugiu dos seus olhos azuis. Mamãe me deu um abraço apertado.

— Que orgulho! – exclamou. – Minha futura médica.

Sorri, mas no fundo me sentia culpada por gostar de moda e querer trabalhar na área. Se minha mãe descobrisse, mesmo que ela negasse, eu sei que seria uma de suas maiores decepções.

— Você vai assim? – perguntei demonstrando cara de espanto. – Com essa camisa? Poxa, mãe! Você pode até estar velha, mas não precisa exagerar, né? Aquela camisa verde combina perfeitamente com esta calça. Vá se trocar! E vá logo para não nos atrasarmos.

Minha mãe tem um bom gosto, mas ela consegue cometer tais deslizes cafonas que haja coração para suportar!

Sentei no sofá para esperá-la.

— Bem melhor!

Entramos no carro, um Pegeout-Citroën vermelho. O hospital Português era bem em frente a minha última escola. Suspeito que minha mãe me pôs lá especialmente para investigar o que eu fazia de tão "importante" para tirar tanta nota baixa, como ela adora reclamar.

— Eu podia fazer um cursinho no Esperança, que tal?

— O que você quer fazer?

— Não sei. Depois do estágio, passarei lá para ver o que me interessa.

— Certo.

Eu já havia feito dois cursos no colégio, o de computação e o de desenho & pintura.

Faço desenhos tão lindos quanto a realidade deles, segundo minha mãe.

Há uma diversidade incrível de refeições no Hospital Português. Quatro restaurantes: um especializado em comida saudável, outro para comidas típicas, outro para comidas estrangeiras e o último é para comidas superficiais, com todas porcarias que uma criança adora.

— O que você vai querer hoje? Eu vou pro Santé. Comemos muita besteira ontem.

— O que você acha de música? – perguntei, rindo. A ideia era maluca, eu sempre fui tão desastrada. Acho que quebraria todos instrumentos do colégio.

— Pra você quebrar todos instrumentos que nem o de desenho? – ri mais ainda.

Teve um dia na aula de desenho que eu fui mudar de posição na hora da aula. Acabei me esbarrando num carinha que se esbarrou em outro e começou o efeito dominó. Tintas voaram para todos os lados e caíram justamente no rosto da professora. Ela ficou irada e disse que só não me expulsava do curso porque era minha última semana de aula. Foi o maior mico da minha vida, mas por causa disso ganhei meu melhor amigo. O carinha em que me esbarrei tinha o cabelo castanho de menina que chegava no seu queixo e usava um bigode charmoso. Mas ele é assunto para outro momento. Um dia eu o apresento melhor.

Comemos no Santé, o restaurante especializado em comida saudável, e fomos para o escritório de minha mãe. Para variar, sua secretária tinha faltado. Usei o blazer preto de Joana que estava no carro e passei o dia sentada em frente ao computador, escrevendo e imprimindo documentos. Não foi lá o que eu imaginei que seria, mas já é um início, certo?

Notas finais
Curiso(a) pra saber mais sobre o melhor amigo com bigodinho charmoso? Vou tentar postar mais que uma vez na semana. Até o próximo capítulo! ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.