A Menina da Lua
4 ➷ Visita Inesperada ➷
Notas iniciais
Deito-me na minha cama e suspiro encarando o teto bem acima de mim. Levo minha mão até a minha boca e toco meus lábios com as pontas dos dedos, lembrando-me de Christian... seus lábios tocando os meus.
Não. Isso é loucura demais!
Saio da cama e arranco a sua camisa jogando no cesto com o resto das minhas roupas, vou para o banheiro e fico embaixo do chuveiro por longos minutos tentando afastar todos os pensamentos desnecessários que envolvem Christian.
Volto ao meu quarto minutos mais tarde, agora limpa e enrolada em uma tolha, seco-me e visto-me com meu pijama jogando-me novamente na minha cama.
Eu preciso arrumar algo para fazer nesses dias que ficarei longe da escola, ficar sozinha em casa não me parece uma opção tão agradável. Talvez eu possa convencer Maggie a deixar trazer as meninas aqui, com as crianças fora ela não vai se preocupar tanto. Até mesmo porque graças a neve, eu não vou poder sair tanto de casa.
Mas por hora, eu preciso terminar algumas lições da escola. Pego meus cadernos na bolsa e me perco por algumas horas e isso me ajuda a esquecer um pouco o dia de hoje.
➷
Ouço uma batida na porta que faz meus pensamentos irem embora. Deixo meus cadernos de lado, levanto-me e abro a porta encontrando Nick e Alex do outro lado, eles sequer dizem algo, apenas invadem meu quarto e pulam na minha cama se escondendo embaixo da coberta. Sorrio revirando os olhos e me preparo para ir até eles, mas paro ao ouvir a voz de alguém, alguém conhecido.
Não... não pode ser.
— Nick, Alex. — Chamo e os dois se descobrem. — Vamos roubar biscoitos?
— Sim. — Gritam animados e descem correndo da cama.
Seguro a mão dos dois e eles começam a me arrastar para fora do quarto exatamente como eu imaginava que seria, desço as escadas com os dois, então paro na ponta vendo Maggie parada a porta conversando com Christian. Arqueio as sobrancelhas confusa, mas não digo nada, apenas vou em direção a cozinha com meus irmãos.
— Anastásia, Nick, Alex. — Maggie chama e nós paramos. — Voltem aqui.
— Ah, mamãe. — Nick diz cruzando os braços. — Bicoitos.
— Bicoitos! — Alex repete.
— Ana?
Respiro fundo e me viro cruzando os braços, Nick e Alex fazem o mesmo e ficamos encarando Christian na porta. Ele tem um olhar é sério e todo seu corpo parece tenso e cheio de preocupação, eu não sei se devo perguntar o que ele faz aqui. Se bem que eu não me interesso tanto por saber o motivo de Christian estar na minha porta as onze da noite.
— Eu não fiz nada. — Digo dando de ombros. — Não tenho nada a ver com o fato de ele estar aqui.
— Ele quer saber se as irmãs dele podem ficar aqui, querida. Os pais do Sr. Grey sofreram um acidente na viagem.
— Ah...
É tudo o que consigo dizer.
Isso é confuso, Christian tem empregados, qualquer um deles poderiam tomar conta das meninas. E elas já são grandinhas o suficiente para ficarem sozinhas, mas imagino que Vitória e Mia devam estar apavoradas.
Será que o Sr. e a Sra. Grey morreram?
— Eles morreram? — Pergunto e Christian nega com a cabeça.
— Não, por isso eu tenho que ir, para saber como eles estão. Com as meninas sem aula, eu não poderia deixá-las sozinha. — Christian diz. — Elas não ficariam bem sozinhas em casa.
— Entendo...
— Vai ser um prazer recebe-las, Sr. Grey. — Maggie diz e eu suspiro. — Não é, Anastásia?
— Claro, vai ser um prazer.
Não tenho certeza se será tão prazeroso receber as meninas aqui, elas são minhas amigas, mas a distância que temos é o suficiente para elas não se saberem tanto da minha vida.
E eu acho que estou sendo egoísta por pensar assim, as duas devem estar precisando de alguém. Se bem que eu não acho que vou ser a melhor companhia do mundo.
— Muito obrigada, Sra. Steele. — Christian diz abrindo um pequeno sorriso e eu semicerro os olhos para eles. — Eu serei eternamente grato por isso.
— Não precisa agradecer. — Maggie diz sorrindo, então se vira para mim. — Anastásia, você pode levar seus irmãos para a cama?
— Eles não querem dormir agora. — Dou de ombro e encaro os meninos. — Onde elas estão?
— Dormindo no carro. — Christian explica. — O dia foi longo hoje.
— Imagino que sim. — Sussurro mordendo o lábio inferior. — Eu devo arrumar o quarto de hospedes para elas, Maggie?
— Você não quer que suas amigas fiquem no seu quarto? — Maggie pergunta confusa.
Franzo a testa e encaro Maggie por alguns segundos sem entender o que ela quer dizer. Posso notar que Christian também está confuso com a minha pergunta. Elas deveriam ficar no meu quarto? Eu nunca trouxe amigas aqui, Nick e Alex que ficam no meu quarto todas as noites. Então eu tenho que deixá-los de lado? Isso é confuso.
— Sr. Grey, vá buscar as meninas, eu vou conversar com Anastásia.
— Obrigada, Sra. Steele.
Christian sai e Maggie se vira para mim encarando-me com preocupação e eu não entendo o que há de errado.
Será que eu sou eu? Será que eu estou agindo como uma amiga tão ruim? Eu não sei se quero ter essa conversa com Maggie, isso tudo é tão estranho.
— Você vai ficar bem?
— Por que eu não ficaria?
— Eu...
— Eu vou arrumar o quarto. — Digo cortando-a. — E colocar Nick e Alex na cama deles.
— Anastásia...
Ignoro o seu chamado e seguro as mãos dos meus irmãos levando-os novamente para o quarto, eles parecem frustrados por não poderem pegar biscoitos, mas eu não digo nada, apenas levo eles para o quarto. Coloco Nick e Alex em suas camas e espero alguns minutos até que eles peguem no sono, depois apago a luz do quarto e saio encontrando Lilly no corredor.
Ela está chorando, assustada. Acho que foi mais um dos seus pesadelos.
— O que foi? — Pergunto impaciente.
— Eu tive um pesadelo.
Respiro profundamente e lhe encaro, encaro seu pavor e por alguns segundos entendo como é se sentir assim.
— Foi apenas um sonho bobo. — Sussurro encolhendo os ombros. — Você pode ir para a cama da mamãe. Ela já vai ir lá.
Lilly balança a cabeça e vai em direção ao quarto de Maggie, fico parada por mais alguns segundos, tentando entender por que agir assim como ela é tão confuso. O dia hoje está sendo confuso o suficiente.
Volto ao andar de baixo, mas agora encontro Mia e Vitória sentadas no sofá com Maggie e Christian, ambas com caras péssimas e olhos inchados. Vitória me olha fazendo beicinho e corre para me abraçar, suspiro envolvendo-a com os meus braços sem saber ao certo de que forma eu poderia consolá-la.
— Você tem mesmo que nos deixar? — Mia pergunta encarando Christian que suspira.
— Eu preciso saber como nossos pais estão. — Ele diz e Mia se encolhe.
— Você pode ficar conosco até dormirmos? — Vitória pergunta lhe encarando e ele balança a cabeça.
Por um segundo parece que ele sabe tão pouco sobre o amor quanto eu.
É confuso.
— Eu vou deixar vocês à vontade. — Maggie anuncia. — Eu tenho que amamentar.
— Obrigada mais uma vez por recebe-las, Sra. Steele.
— Não se preocupe, Sr. Grey, todas as amigas da Ana são bem-vindas.
Maggie sorri e sai da sala nos deixando sozinhos.
Mordo meus lábios nervosamente e encaro Vitória e Mia pensando o que fazer com elas, olhando pelo cansaço, decido que é melhor leva-las para o quarto, as duas realmente parecem exaustas. Nós subimos as escadas e Christian nos segue, ninguém dizendo nada.
Quando abro a porta do meu quarto encontro os gêmeos novamente na minha cama, agora dormindo.
Eles são rápidos.
— Você tem gêmeos. — Vitória diz sorrindo.
— São meus irmãos. — Digo encolhendo os ombros. — Vocês podem ficar com a outra cama, acho que eles não vão incomodar vocês.
— Eu não me importaria, eles são uma graça. — Mia diz sorrindo. — Você tem mais irmãos?
— Sim, mais duas irmãs.
— Ah, isso é tão legal.
— É, nem sempre.
Caminho até a outra cama e puxo as cobertas para as meninas deitarem. As duas estão usando pijamas de unicórnios e pantufas rosas. Imagino que tenham sido tiradas da cama. Elas realmente parecem duas crianças cansadas.
Vitória deita primeiro e depois Mia deitada agarrada a ela.
Eu não entendo como elas conseguem ser tão carinhosas uma com a outra, acho que jamais serei assim como Lilly.
Puxo a coberta e pego dois ursinhos na prateleira jogando para elas que riem. Deixo um sorriso escapar e encaro as duas ‘bebês’ abraçarem seus ursos. Eu odeio bichinhos de pelúcia, mas meu pai guardou todos os meus e eu não quis me desfazer deles por consideração.
— Vocês precisam de algo? — Pergunto e elas se entreolham. — Ah, não, nada de beijinho de boa noite.
— Ah. — Vitória diz fazendo beicinho. — Só um beijinho.
— Por favor, Ana, só dois beijinhos. — Mia diz juntando as mãos.
— Vocês são loucas.
Curvo-me para dar um beijo nelas, mas sou agarrada e puxada para o meio das duas. Deixo uma gargalhada escapar quando elas começam a me encher de beijos. Posso sentir meu corpo queimar e a dizer pelo pijama tão curto, acho que Christian está de olho em mim.
Afasto-me e encaro as duas.
— Uma péssima noite para vocês.
— Obrigada. — Dizem juntas.
Afasto-me e vejo Christian se aproximar e sentar ao lado de Vitória, ambas olham preocupada para ele, esperando que o mesmo diga algo. Christian suspira depois de alguns segundos em silêncio e segura as mãos das suas.
— Se comportem, ok? Eu volto logo, não deem trabalho a Sra. Steele.
— Traga a mamãe e o papai. — Vitória pede manhosa. — Eles precisam estar bem.
— Eles vão estar. Agora durmam.
— Boa noite, amo você. — Mia sussurra.
— Amo você. — Vitória diz agora.
Elas parecem duas crianças frágeis, não as meninas loucas que conheço.
Mia agarra Vitória e logo elas começam a adormecer, fico encarando confusa Christian observar as duas, ele parece gostar disso, gostar de cuidar das irmãs. Vitória e Mia sempre disseram que ele quem cuida mais delas, já que os pais estão sempre viajando, talvez seja por isso que eles são tão próximos.
Nesse momento eu não vejo o ‘monstro’ de hoje à tarde, vejo apenas um cara preocupado com as irmãs e que seria capaz de tudo por elas.
— Elas dormiram. — Christian sussurra e eu desperto e encaro-lhe. — Por favor, cuide bem delas.
— Claro. Eu só não entendo por que você as trouxe aqui.
— Elas falam bem de você. O quanto você é cuidadosa... até mesmo para ajuda-las a fugir das provas.
— Ah... — Mordo o lábio e balanço a cabeça. — Não é isso que as amigas fazem?
— Você parece não ter certeza disso.
— Eu te levo até a saída.
Christian me olha e sorri, acho que ele sabe que quero evitar esse assunto e funciona. Ele dá um beijo em cada uma das irmãs e então se levanta se aproximando, encaro-o com cuidado quando ele para na minha frente.
— Obrigada. — Diz apenas. — Você realmente não parece a garota fogosa que vi hoje à tarde.
— Garota fogosa. — Repito rindo. — Vá embora logo.
— Eu estou indo.
Ele levanta as mãos e vai saindo no quarto, dou uma olhada nas meninas dormindo e vou atrás de Christian. Observo-o com atenção enquanto ele desce as escadas e segue para a porta, ele sai e eu vou atrás, fechando a porta atrás de mim. Estamos sozinhos na porta da minha casa, a noite está linda e a lua cheia brilha lá em cima de forma esplendida.
Encaro Christian e abro um sorriso malicioso antes de morde meu lábio inferior.
Seus olhos se prendem ao movimento, ele se aproxima e ergue a mão puxando meu lábio com o polegar. Começo a ficar ofegante e encaro seus olhos cinzas, quase negros pela pouca iluminação.
— Então garoto fogosa. — Diz e eu me contenho para não rir. — Cuide bem delas.
— Eu cuidarei. — Falo com sinceridade. — Não se preocupe.
— Elas gostam de você, e eu fico feliz por isso.
— Eu também gosto delas.
Mia e Vitória são minhas amigas, assim como Milly e Kate, elas são as únicas que tenho, então é meu dever cuidar delas... como qualquer boa amiga faria.
— Boa noite, Sr. Grey. — Sussurro com a voz rouca.
Seus olhos brilham por alguns segundos e ele se aproxima rapidamente, prensando-me contra a porta de entrada. Uma das suas mãos toma a minha cintura e a outra está firmemente segurando minha mandíbula. Sua respiração é alta como a minha e logo o desejo de beijá-lo novamente cresce dentro de mim, causando-me efeitos assustadores.
Meu peito sobe e desce enquanto encaro seus lábios. Eu não vou esperar mais. Minhas mãos voam para os seus cabelos e puxo-os com força, fazendo os lábios de Christian tocarem os meus, invado sua boca com a minha língua buscando a sua de forma ardente e desesperada, ele corresponde, em segundos sua língua está apalpando a minha na mesma intensidade.
Sua mão volta a percorrer meu corpo, apertando-o com força e eu não o impeço, ele começa a subir a mão por debaixo da minha camisa, apalpando minha pele com força. Então sua boca se desgruda da minha e ele deixa apenas as nossas testas coladas.
Ele é alto, muito alto, fica curvado contra mim tentando acalmar sua respiração.
Sua mão está parada na minha costela, segurando-a por debaixo da camisa.
— Vamos para o meu carro. — Implora e eu sorrio.
— Você é maluco. — Sussurro afastando suas mãos. — Boa noite, Sr. Grey.
— Não vai. — Ele pede.
Sua voz é estranha, como se ele precisasse da minha presença e isso me assusta. Nós nos conhecemos há o que, cinco minutos? Ele não pode pedir que eu fique, isso não faz sentido algum.
Franzo o cenho e fico parada lhe encarando. Christian solta um longo suspiro e se vira sem dizer mais nada, observo-o caminhar em direção ao carro e me pergunto se devo fazer algo, mas minha boca age mais rápido do que a minha mente.
— Christian. — Chamo e ele para se virando para mim.
Tomo uma pequena dose de coragem e corro até ele segurando seu rosto entre as minhas mãos, ele se curva e eu o beijo novamente. Afasto-me e encaro seus olhos cinzentos deixando um sorriso escapar.
— Boa viagem. — Digo encolhendo os ombros.
— Obrigada. — Sussurra se afastando agora com um pequeno sorriso.
Observo-o entrar no carro e aceno sentindo-me tão estranha por agir assim, mas era isso que ele precisava, não era? Alguém que o beijasse dizendo que tudo ficaria bem, que seus pais ficariam bem e desejando-lhe que a viagem fosse boa.
Mas por que eu deveria ser esse alguém?
Suspiro e fecho o pequeno portão branco de madeira, volto para dentro de casa e assim que abro a porta me deparo com Maggie no balcão da cozinha, acalmando Lilly que está chorando com desespero. Ela me encara preocupa.
— O que você estava fazendo lá fora?
— Fui levar o Sr. Grey. — Sussurro encolhendo os ombros e Maggie semicerra os olhos.
— Apenas isso? Seus lábios estão vermelhos.
Arregalo os olhos e encolho os ombros, viro-me correndo para as escadas, chego ao meu quarto e apago a luz antes de correr para a minha cama. Eu estou confusa, acho que preciso apenas dormir e tudo ficará bem. Você está louca, querida.
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