A Menina da Lua

5 ➷ Garota Fogosa ➷


Notas iniciais
Boa Leitura amores, e desculpe pela demora, vou recompensar os dias não postados ♥

Remexo-me na cama sem conseguir ter espaço o suficiente, eu mal pude dormir à noite inteira, e agora não tenho espaço para me mexer.

Se dormir com gêmeos na sua cama é ruim, tente ter mais um par de gêmeas. Vitória e Mia fugiram para a minha cama no meio da madrugada e não saíram ainda, são quase oito e eu mal pude dormir.

E não vou conseguir mais.

Não posso acreditar em como elas são dengosas.

Levanto-me desistindo de tentar dormir e vou usar o banheiro deixando as ‘crianças’ dormirem.

Quando volto ao quarto ouço um celular tocando, caminho até a outra cama à procura dele e encontro o celular de Vitória. A foto de Christian está piscando na tela e isso me faz sorrir. Mordo o lábio e atendo sem pensar duas vezes.

— Vih, acordei você?

— Não, sua irmã ainda está dormindo. — Digo e ouço um riso do outro lado. — Como foi a viagem, Sr. Grey?

— Muito bem, Srta. Fogosa. — Fala calmamente e eu me controlo para não rir. — Como as meninas dormiram?

— Acho que bem, eu tive dois pares de gêmeos na minha cama a noite inteira.

— Gêmeos de sorte. Eu queria poder estar na sua cama, mas nós não iriamos dormir.

— Minha cama está sempre livre e caso ela esteja ocupada, sempre teremos um carro, não é mesmo?

Novamente ouço um riso, agora abafado, então ouço alguém falar com Christian.

— Você está sorrindo? — Ela pergunta. — Está falando com uma garota?

— Mãe, por favor! — Christian exclama impaciente e eu quero rir.

— Sua mãe está bem, pelo visto.

— Sim. Era isso que eu queria dizer, avise Mia e Vitória que nossos pais estão bem, nós vamos voltar hoje pela madrugada.

— Certo, Sr. Grey. Até logo.

Ele suspira do outro lado e por alguns segundos acho que não quer desligar, ficamos em silêncio então, por mais de um minuto, apenas suspirando. Sorrio e decido desligar sem dizer mais nada, coloco o celular de Vitória no lugar e decido ir pegar os gêmeos, mas mudo de ideia assim que me aproximo da cama.

Mia está agarrada a Nick e Vitória está do mesmo jeito com Alex.

Talvez seja melhor deixá-los aqui.

Apenas ajeito a coberta deles e saio do quarto encostando a porta atrás de mim. Viro-me e sinto meu coração disparar ao ver Maggie parada me encarando, coloco a mão sobre o peito e lhe encaro tentando me recuperar do susto.

— Bom dia, Anastásia.

— Maggie, você me assustou. — Sussurro e ela sorri.

— Então, você vai me dizer o que estava fazendo lá fora ontem à noite?

— Ah, se eu contar você não vai acreditar.

— Anastásia!

— O que tem para o café? Eu estou cheia de fome.

Maggie suspira quando passo por ela, achando que consegui fugir do assunto, mas paro com suas próximas palavras:

— Você gosta dele?

Viro-me e lhe encaro sem entender.

— O Christian.

— Gostar dele?

— Você o beijou, é obvio que o beijou. Eu só quero saber se gosta dele.

— Não, eu não sinto nada por ele. — Falo com convicção. — Foram apenas alguns beijos.

— Teve mais de um?

— Sim

— Você acha que ele pensa o mesmo? Que são apenas alguns beijos?

— Eu não sei, mas isso importa? Eu tenho 17 e ele 24. Um cara como Christian Grey não se interessa por garotas como eu.

— Não era isso que o olhar dele dizia.

— Olhares mentem. — Murmuro encolhendo os ombros. — Não há nada, Maggie, e não vai haver.

— Ah, Anastásia, você é tão complicada.

— Me devolve para o estado.

— Nunca. — Diz e eu sorrio. — Vai me ajudar com o café?

— Claro, se você não se intrometer nas minhas receitas.

— Engraçadinha.

Empurro a mão de Maggie e ela sorri se afastando, levo a bandeja com biscoitos para o forno e os coloco para assar. Volto ao balcão e começo a limpar as coisas enquanto ela fica organizando as outras coisas para o café na mesa.

— Você não tem que amamentar a Lilly? — Pergunto e Maggie me encara, ela sabe que estou sendo sarcástica. — Ou já decidiu que ela é grande demais?

— Anastásia, você sabe que ela precisa do leite materno, é isso ou ficar tomando vitaminas. A imunidade dela é baixa, o leite ajuda. Se não fosse por isso ela teria que tomar vitaminas para sempre. As vitaminas são caras.

— Eu acho que isso é muita loucura. Ela tem cinco anos.

— Você adora provocar a sua irmã, isso é apenas mais um motivo. Eu conheço você.

— E eu conheço você, a ponto de saber que você gosta que ela ainda seja uma bebezinha.

— Sim, eu gosto, ela gosta. Não há problema nisso.

— Você a mima demais.

— Ela é uma criança, ok? Você é uma mulher, quando tiver seus filhos vai entender.

— Vocês mães sempre dizem isso?

— Olha, que tal você cuidar dos seus biscoitos e eu ir ver a Lilly?

Reviro os olhos rindo e termino de arrumar o balcão enquanto Maggie vai ver as crianças. Sento-me em um dos bancos altos e fico esperando os biscoitos terminarem de assar enquanto me distraio em pensamentos.

Sorrio ao ouvir as vozes de Vitória e Mia, viro a cabeça e vejo as duas descendo as escadas. Assim que me avistam, soltam um gritinho e correm para me abraçar.

— Bom dia. — Falo sorrindo. — Como dormiram?

— Com aquelas coisinhas gostosas? — Mia pergunta e se senta em uma das cadeiras. — Foi ótimo.

— Para vocês, não é? Eu quase não dormi com todos vocês em cima de mim. E nem adiantou trocar de cama com vocês me seguindo até mesmo no banheiro.

— Você é tão gostosa para se dormir, e abraçar. — Vitória diz e eu gargalho. — Cheirinho de biscoitos.

Sorrio e desço da cadeira para ver meus biscoitos. Tiro-os do forno e coloco sobre o balcão. Os olhos de Vitória e Mia brilham como se há anos elas não comessem algo assim. Ignoro isso e começo a colocar os biscoitos na tigela, depois ajudo as meninas a se servirem e me sento ao lado delas.

— Bom dia garotas.

Viramos a cabeça juntas e vemos Maggie entrar na cozinha com as quatro crianças.

— Ah, meu Deus, olha isso. — Mia diz animada olhando para Celi. — Maggie, ela é linda.

— Toda sua. — Maggie diz sorrindo e entrega a bebê a Mia.

Maggie ajuda Nick e Alex a se sentarem em suas cadeiras e depois coloca Lilly sentada em cima do balcão enquanto faz a vitamina dela. Encaro Lilly e ela abaixa a cabeça amedrontada, depois ela fica encarando Mia e Vitória, talvez tentando imaginar quem são elas.

— Você está calada hoje, docinho. — Maggie murmura entregando o copinho de Lilly. — Aconteceu algo?

— Não. — Sussurra com a voz baixa. — Eu quero voltar para a cama, mamãe.

— Mas por quê? Você estava tão empolgada quando acordou.

— Eu estou me sentindo cansada agora. — Lilly sussurra.

— Não seja tão manhosa. — Murmuro e ela me encara triste. — Você dormiu a noite inteira.

— Ana, não implique com a sua irmã.

— Se ela não fosse um bebê manhoso, isso não aconteceria.

— Você é uma bruxa! — Lilly grita explodindo em lágrimas. — Eu odeio você, Anastásia!

— Eu não ligo.

Mia e Vitória estão nos encarando muito surpresas, mas eu também não ligo para isso, fico apenas encarando Lilly que agora me olha chateada.

Ah! Por isso eu não gosto dela, ela chora por tudo.

Ajeito-me na cadeira e ganho um olhar ameaçador de Maggie, mas ela não diz nada, apenas suspira frustrada e tira Lilly da mesa saindo com ela da cozinha.

— Que maldade. — Vitória sussurra. — Ela é só um bebê.

— Por favor, Vitória, não se meta nisso. Eu odeio a Lilly.

— Credo, Ana. — Mia diz surpresa. — Ela é a sua irmã.

— Eu queria que não fosse, agora terminem logo o café.

— O que ela fez de tão errado?

— Nada, Mia. Termine seu café.

— Mas...

— Mia! Já chega, ok? Eu não gosto de falar sobre meus irmãos, está bem?

As duas ficam caladas e voltam a tomar o café, levanto-me e sirvo Nick e Alex, então não falamos mais disso.

Deixo as meninas tomando café e levo os gêmeos e Celi para a sala, coloco ela no cercadinho e os meninos deixo sentados em frente ao sofá brincando com alguns legos. Sento-me no sofá e logo as meninas estão ao meu lado, não dizemos nada.

— Ana. — Mia chama e eu lhe encaro. — Que tal um pouco de dança?

Um sorriso a contragosto escapa dos meus lábios e isso me deixa feliz.

Elas sabem como eu gosto de dançar.

— Isso, você pode tentar me ensinar. — Vitória diz animada.

— Certo, vamos pegar o computador.

— Eu pego. — Mia diz animada.

Ela sobe correndo e eu me viro para Vitória já deixando a raiva de lado, levanto-me e tiro meu pijama ficando apenas de calcinha e sutiã. Vitória ri e me encara surpresa, acho que ela não costuma ficar tão à vontade assim, pelo que entendi seus pais são bem rígidos. A roupa mais curta que eu a vejo usando são as saias do uniforme escolar.

— Você vai dançar assim? Sua mãe não liga?

— A Maggie não liga. — Digo corrigindo-a. — Às vezes ela até dança comigo.

— Isso é tão legal.

— Voltei. — Mia grita descendo as escadas.

Pego o Macbook de Mia das suas mãos e o conecto no som colocando Sacrifice para tocar, as duas me olham animadas assim como os bebês que até se sentam para me ver dançar. Dançar é uma das poucas coisas que ainda sinto prazer de fazer.

Vejo Maggie entrar na sala sorrindo quando me posiciono para dançar no meio da sala, ela senta ao lado das meninas e fica esperando que eu comece. Fecho meus olhos tentando me concentrar da batida da música, então em alguns segundos é como se eu fosse arrancada do mundo, levada para um lugar só meu, onde tudo o que eu posso ouvir é a música tocando.

Começo mexendo meus quadris, isso é o começo para me envolver na música, quando percebo, todo meu corpo está envolvido no ritmo da música, como se dançar fosse o que estivesse me mantendo viva por alguns minutos.

Mexo meu corpo pela sala. Apenas a música e eu, como se fossemos uma só. A melodia me envolve e eu vou me entregando mais a cada segundo. Respiro fundo criando coragem e abro meus olhos vendo Maggie, Vitória, Mia e as crianças me olharem atentamente, sorrindo enquanto danço, mas há algo a mais, algo que me faz congelar.

Há uma chamada de vídeo no computador ativa e Christian me olha atentamente do outro lado. Minha respiração falha e eu encaro Mia que acaba virando para a tela do computador e se apavora assim como Vitória.

— Ah, meu Deus, desculpa. — Ela diz desesperada. — Eu atendi sem querer. Christian, eu sinto muito. Ana, me perdoa.

Pisco meus olhos algumas vezes sem saber o que fazer.

Maggie entende meu desespero, ela se levanta rapidamente e me tira de frente da tela do computador empurrando-me para a cozinha. Solto a respiração e lhe encaro sem conseguir dizer qualquer coisa.

— Está tudo bem, ok? — Sussurra segurando meu rosto. — É apenas o Christian.

— Ok... — Sussurro com a voz tremula. — Apenas o Christian.

— Isso, respira fundo, está bem?

— Está bem.

Tomo folego algumas vezes e me sento em uma das cadeiras sem conseguir me mexer, Maggie fica ao meu lado segurando minha mão. Podemos ouvir Mia e Vitória falando com os pais na sala e eu vou tentar acalmar minha respiração.

Droga! Eu me sinto estranha... envergonhada. Eu não entendo.

Vitória e Mia aparecem na cozinha e me encaram envergonhadas, suspiro e desço da cadeira soltando a mão de Maggie.

— Ana... nós não queríamos expor você. Eu juro que foi sem querer. — Mia sussurra.

— Está tudo bem, meninas. — Sussurro encolhendo os ombros. — Foi apenas um acidente. Nós só temos que matar seu irmão e ficará tudo bem.

— Ana! — Maggie diz firme, mas lhe encaro batendo os cílios para mostrar que estou brincando. — Você é maléfica.

— Não sou nada.

O clima ruim já se foi.

Maggie sorri para mim e sai da cozinha me deixando sozinha com as meninas.

— Eu vou tomar um banho, vocês podem ficar à vontade. — Anuncio.

— Você não está brava?

— Não, eu vou sobreviver. — Sussurro sorrindo. — Não seria a primeira vez que o Christian me teria numa...

Paro de falar percebendo a merda que estou deixando escapar. Mia e Vitória me encaram boquiabertas e acho que falei demais.

— O que você quis dizer? — Mia pergunta.

— Bem... ele já me viu quase nua. — Digo encolhendo os ombros. — Dançar não pode ter sido tão ruim.

— Foi só isso mesmo? — Vitória pergunta.

— O que mais poderia ser?

— Sei lá, Christian parecia estar gostando de te ver dançar.

— Ele é homem, é isso que homens gostam, ver mulheres seminuas rebolando a bunda.

— Que horror! — Mia exclama e eu dou de ombros.

— Eu vou tomar banho, beijo.

Saio correndo da cozinha antes de falar mais alguma besteira, passo por Maggie e as crianças na sala e subo correndo para o meu quarto, tranco a porta e corro até a minha cama me jogando sobre ela.

Sinto-me horrorizada por Christian ter visto-me dançar. Não era para isso acontecer, ele nem deveria saber que eu sei dançar. Ah, isso é tão ruim!

O toque do meu celular em cima do criado-mudo me distraí, pego-o e vejo uma mensagem de um número desconhecido. Abro a mensagem e sinto meu coração acelerar. Merda! É Christian!

Respondo-o ficando com mais raiva ainda.

Minha vontade é fazer ele engolir esse maldito celular. Christian está brincando com fogo, isso é ridículo.

Eu realmente preciso me acalmar um pouco e esquecer toda essa merda, levanto-me e começo a dar uma organizada no quarto antes de ir tomar banho. Coloco meu Mac em cima da cama e o abro colocando algumas músicas para tocar enquanto arrumo o quarto.

Abro as janelas depois de terminar então caminho em direção ao banheiro, mas paro quando a música parar e começo a receber uma chamada.

Ele só pode estar de brincadeira!

Caminho até a cama e me curvo atentando a chamada de vídeo.

Semicerro os olhos quando Christian aparece do outro lado, ele está lindo, como sempre. Os cabelos molhados, os olhos escuros e, para o meu terror, ele está sem camisa, sentado talvez em frente a uma cama enquanto me olha atentamente.

Um sorriso se forma em seus lábios e imagino que seja por me ver em tão pouca roupa.

De novo...

— O que você quer?

— Você. — Diz e meu rosto queima com um rubor. — Eu quero que você dance para mim.

— Eu não sou obrigada a fazer nada para você. Você é apenas um grande idiota.

— Ah, Anastásia, nada é mais prazeroso do que você me desafiando.

— Você se acha muito, não é?

— Eu posso.

— Eu vou tirar você desse pedestal.

— Se você dançar, eu desço sozinho.

— Você é um grande idiota.

Abaixo a tela quando ele abre a boca para falar, então corro para o banheiro.

Vamos ver quem ganha esse jogo, Christian.

Desço as escadas e me surpreendo ao ver Mia, Vitória sentadas no chão da sala, agora com Kate e Milly. Aproximo-me e o cruzo os braços.

— O que vocês fazem aqui, suas demônias?

— Também estamos felizes em ver você. — Kate diz revirando os olhos.

— Hm, que cheirinho de vadia recém-lavada. — Milly diz e eu pego uma almofada tacando nela.

— Sonsa. — Digo rindo.

— A Maggie disse que nós poderíamos chama-las. — Mia murmura quando me sento com elas.

— Ela já saiu?

— Sim, e ela levou as crianças para a escola.

— Hum, isso é bom. O que vocês querem fazer?

— Filmes. — Gritam as quatro, completamente animadas.

— Certo, lá vamos nós.

É a primeira vez que tenho amigas na minha casa, fazendo coisas de meninas.

É diferente, mas eu gosto disso.

Mia e Milly pegam algumas cobertas no quarto e Vitória me ajuda a fazer pipoca e outras besteiras enquanto Kate procura alguns filmes.

A tarde se vai mais rápido do que eu possa perceber e, por mais que seja tão diferente ficar na minha casa, com as minhas amigas, eu gosto de fazer parte disso. Dos filmes, das conversas bobas. Elas são divertidas para uma tarde fria de inverno. A neve está começando a cair lá fora.

Encaro o relógio e suspiro ao ver que já são quase 07 PM.

As meninas estão dormindo tranquilamente nos sofás, o filme ainda está rolando na TV e Maggie deve chegar a qualquer momento. Levanto-me e ajeito as meninas com cuidado, cubro todas elas e desligo a televisão. Deixo-as dormindo enquanto arrumo as coisas e assim que termino Maggie entra em casa com as crianças.

Há um homem ao lado dela, carregando Lilly que está dormindo. Paro o que estou fazendo e fico encarando os dois.

— Oi, querida. — Maggie diz sorrindo, mas eu viro o rosto. — Esse é meu amigo, Michel.

— Meu pai sobre esse seu amigo? — Pergunto cruzando os braços, controlando a vontade de correr.

— Querida, é apenas um amigo.

— Certo! Então Ray vai adorar saber sobre ele! — Grito acordando minhas amigas e as crianças.

— Ana, se acalma.

— Não! — Grito encarando o homem. — Por que você o trouxe aqui?

— Ele apenas me deu um carona.

— Seu carro quebrou?

— Não, Ana é só que...

— Olha, Michel, eu acho melhor você ir embora! — Digo firme.

— Anastásia. — Maggie diz horrorizada.

— Lilly, vem! — Chamo e Lilly me olha apavorada.

Ela começa a se debater nos braços de Michel que a coloca no chão, então ela corre ficando atrás de mim. Maggie olha surpresa e ao mesmo tempo assustada. Nick e Alex também correm para o meu lado e eu nós ficamos encarando Maggie.

— Nós queremos que ele vá embora. — Murmuro semicerrando os olhos. — Agora.

— Anastásia, eu tenho questões do trabalho para resolver.

— Ótimo!

Caminho até o telefone e o tiro do gancho, Maggie fica me encarando levar o telefone até o ouvido. Em minutos Raymond atende.

— Aconteceu alguma coisa? — Pergunta preocupado.

— Quem é o amigo do trabalho de Maggie? Ele está aqui, estava segurando Lilly. — Digo e Maggie me olha completamente chocada.

— Anastásia, passe para Maggie. — Ray diz do outro lado.

Encaro Maggie e estendo o telefone para ela, ela ainda está chocada, mas coloca Celi no cercadinho, se aproxima e pega o telefone da minha mão. Posso ouvir os gritos de Ray do outro lado. Ele está bravo, está bravo porque a única regra é não trazer homens aqui, nenhum deles. Maggie quebrou a regra com Christian ontem e agora trouxe esse amigo.

Maggie fica apenas alguns minutos no telefone, ouvindo o que Ray tem a dizer e eu fico encarando seu amigo Michel. Ela desliga o telefone e caminha até a porta, abre e encara Michel, ele fica parado sem entender, então balança a cabeça e sai sem dizer nada.

Ela bate à porta assustando a todos e me encara em seguida.

— Eu entendi. — Grita começando a chorar. — Eu tenho que parar a minha vida graças a você!

— Eu não pedi por isso! Não pedi para estar aqui com você.

— Ótimo! Porque eu não aguento mais você.

— Então liga para o meu pai, pede para ele me levar embora e tudo vai ficar bem!

— Eu estou cansada de você! Cansada de tudo isso.

— Eu não me importo, não me importo com nada. Eu odeio viver aqui, com você, com os seus filhos. Eu quero a minha vida de antes. Eu era muito mais feliz se vocês!

— Você não sabe o que está dizendo.

— Eu sei sim! Isso não é felicidade. Nada disso é! Eu odeio você, Maggie! Odeio essa casa.

Passo correndo por ela em direção a saída e corro para fora da casa. Atravesso a pequena cerca de madeira e começo a correr pelas ruas que já estão cobertas por uma fina camada de neve.

Eu não me importo de estar sem casaco, nada disso, eu só quero ficar longe desse lugar, de todas essas pessoas.

Chego ao píer e corro até a ponta sentando-me. Ouço passos atrás de mim e me viro vendo Kate se aproximar com um casaco em mãos, ela senta ao meu lado sem dizer nada e me entrega o casaco.

— Você sente falta da sua mãe?

Encaro-a por alguns segundos sem saber ao certo o que responder.

Mamãe me criou até os treze anos e Ray me tirou dela, mas eu ainda me lembro de tudo que passei ao lado dela. Eu era feliz com ela e meu pai me fez acreditar que não, e agora eu ainda não consigo me sentir feliz em meio a família dele, a família que ele criou sem mim e depois simplesmente quis me encaixar.

— Sinto. — Confesso vestindo o casaco. — Eu queria poder estar com ela de novo.

— Sinto muito, não deve ter sido fácil perde-la.

— Ainda não é. — Sussurro. — Está ficando frio.

— É melhor a gente voltar, não é? Nós podemos fazer chocolate quente e brincar no quintal com as crianças.

— Eu topo o chocolate quente, menos brincar, vocês podem fazer isso.

Kate sorri revirando os olhos e se levanta me dando a mão, seguro sua mão e me levanto e então nós voltamos para a casa juntas. Quando chegamos Maggie não está na sala, Celi está no cercadinho, Nick e Alex estão com Mia e Vitória e Lilly está com Milly.

Vou até a cozinha e começo a preparar algumas coisas enquanto as meninas levam as crianças para vestirem agasalhos. Coloco tudo em uma bandeja e levo para a parte de trás da casa, deixo no banco e vou chamar as meninas.

Enquanto elas brincam no pouco de neve que já caiu sobre o chão, eu fico sentada ouvindo um pouco de música, numa tentativa de me acalmar.

Enquanto observo-as, percebo o quanto elas parecem animadas, felizes com meus irmãos, felizes de um jeito que eu acho que nunca serei.

Isso é demais.

Deixo-os e sigo para dentro de casa, saio pela porta da frente e me sento na escada da varanda.

Encaro alguns carros passando na rua e percebo que um deles é uma van, uma que nunca vi por aqui, mas ela passa direito e eu esqueço isso em segundos.

Olho para o céu e vejo a lua, brilhando tão forte e tendo toda atenção para ela, logo minhas costas começam a arder.

Maldita tatuagem.

Suspiro e me levanto decidida a entrar, mas assim que toco a maçaneta um barulho forte abala tudo me jogando para longe, então meus olhos brilham refletindo as chamas que começam a tomar o andar de cima da casa.

Maggie...

Notas finais
Não esqueçam de comentar ♥