A Menina da Lua

6 ➷ A Grande Explosão ➷


Notas iniciais
Boa Leitura ♥

Não... não, não, não.

NÃO!

Maggie, não!

Começo a andar de um lado para o outro sem saber o que fazer enquanto a casa começa a ser completamente tomada pelas chamas.

Meu Deus!

NÃO!

Maggie... Mia... Vitória... ah, meu Deus!

— Socorro! — Grito achando a minha voz. — Por favor, alguém me ajuda.

Continuo gritando desesperada e logo alguns vizinhos começam a sair de suas casas e correr na minha direção com espanto. Sr. Louis e sua mulher são os primeiros a chegarem, mas a porta de entrada já está tomada por chamas, elas estão se espalhando rapidamente para o meu desespero.

— A Maggie, ela está lá dentro. — Grito com desespero. — As crianças está lá atrás, por favor, vocês precisam fazer alguma coisa.

— Os bombeiros estão vindo, querida. — Sra. Louis murmura me puxando para os seus braços.

— Não. — Grito empurrando-a. — Minhas amigas estão lá também, por favor, a Maggie. Vocês precisam tirá-las de lá, elas vão morrer.

— Anastásia, calma, eu vou tentar tirar as crianças pela minha casa. — Roger, o vizinho da casa ao lado diz.

Balanço a cabeça sem conseguir dizer muito e fico vendo-o correr para a sua casa com mais quatro ou cinco pessoas. Volto a minha atenção para a casa em chamas e o desespero começa a tomar conta de mim. Ando de um lado para o outro sem conseguir parar de olhar para lá.

Maggie... eu não a ouço. Ela não pode ir embora, as crianças precisam dela. A chorona da Lilly precisa dela. Ela precisa amamentar a Celi. Ela não pode ir.

Continuo andando tentando me acalmar, mas é impossível.

Meu Deus, as minhas amigas. Meus irmãos.

Eles não podem simplesmente morrer, não podem!

— Ana? Ana.

Viro-me rapidamente e vejo minhas amigas atravessarem a pequena cerca de madeira correndo com todos os meus irmãos. Lilly é que está gritando por mim, mas ela não para quando me vê, ela corre em direção a casa em chamas, que agora os vizinhos jogam água, tentando controlar o fogo.

Agarro Lilly e ela começa a se debater desesperada, gritando.

— Mamãe. — Lilly grita. — Não a mamãe não, você precisa entrar lá, Ana. Tira ela de lá.

— Eu não posso, Lilly.

— Por favor, eu preciso dela. Nós precisamos, eu sei que você é toda chata, mas você precisa dela, eu sei que precisa. Por favor.

— Eu sinto muito... — Sussurro e as lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto. — Seu eu entrar lá, eu vou morrer.

— Você é uma covarde, covarde.

Lilly começa a se debater em meus braços, mas eu não a solto, aperto-a caindo no chão com ela, então fico de joelhos e ela começa a se acalmar. Seus gritos não cessam, mesmo quando ela para de se mexer, de fundo posso ouvir os bombeiros e a polícia chegando e correndo para dentro da casa.

Não solto Lilly, pela primeira vez desde que a conheci eu estou segurando-a, segurando-a firmemente. Nós duas estamos olhando para dentro da casa, esperando que Maggie saia enquanto os bombeiros já se posicionando ligando a mangueira. As chamas começam a cessar e então um vulto aparece entre a fumaça dentro da casa. Um bombeiro. Ele sai e atrás deles saem os outros, mas Maggie não vem junto.

Meus braços amolecem e eu caio sentada no chão, Lilly escorrega para longe de mim e encara a porta, acho que esperando Maggie sair, mas agora eu sei... ela não virá.

— Não. — Lilly sussurra. — NÃO! Mamãe.

Ela corre em direção a casa e eu não vou atrás, é Kate quem vai e a agarra antes que ela consiga entrar na porta.

Levanto-me já não conseguindo ouvir mais nada, o som parece ter ido embora e agora as pessoas parecem andar devagar, tão devagar. Viro-me em direção a saída e começo a andar até atravessar a cerca branca, caminho até o meio-fio e me sento encarando a lua.

Eu sinto muito, Maggie... me desculpe.

— Srta. Steele?

Levanto a cabeça e vejo um homem parado a minha frente. Ele é alto, cabelos loiros, mas não consigo enxergar seus olhos direito graças a escuridão da noite. Ele está usando roupa social e um sobretudo grosso na cor preta, quando ele se abaixa na minha frente posso ver o seu distintivo.

— Eu sou o delegado. — Murmura. — Eu sinto muito pela sua mãe, mas eu preciso conversar com você.

— Uma van. — Sussurro e ele me encara confuso. — Foi tudo o que eu vi, uma van escura, eu nunca a vi aqui antes. Assim que ela passou a casa explodiu.

— Entendo.

— Elliot? Elliot!

Viro-me confusa e vejo Mia e Vitória correrem na direção do delegado e pular em cima dele, ele não parece confuso, na verdade acho que se conhecem. Levo apenas alguns segundos para lembrar que Mia me contou sobre um irmão chamado Elliot, ele estava com Chicago.

— O que vocês fazem aqui? — Elliot pergunta preocupado.

— Ela é nossa amiga. — Mia murmura me encarando. — Nós estávamos lá.

— Por Deus! Onde estão nossos pais? Christian?

— Papai e mamãe sofreram um acidente e Christian foi busca-los em Londres, mas isso não importa agora. É a Ana que precisa de ajuda. O que vai acontecer com ela?

— Eu acho melhor nós levarmos ela e as crianças daqui. — Elliot murmura me encarando.

Viro-me e vejo Milly com Celi em seus braços e Nick e Alex ao seu lado, Kate está mais distante, tentando acalmar Lilly. Solto um suspiro e me levanto indo até Kate, ela me encara chorando e eu apenas balanço a cabeça. Abaixo e encaro Lilly.

— Ela se foi, Ana? A mamãe se foi... — Lilly sussurra chorando. — O que vai ser de nós agora?

— Vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de vocês. — Sussurro estendendo minha mão para ela.

Lilly encara a minha mão com desconfiança. Até mesmo para mim é estranho querer cuidar dela, mas eu preciso, por Maggie. Ela cuidou de mim por muito tempo, eu não posso ser tão chata com Lilly agora. Ela precisa de mim.

Sua mão toca a minha e eu a puxo para os meus braços, novamente ela desaba em lágrimas, mas dessa vez não me importo com seu choro, eu também queria chorar, mas não posso, eu preciso ser forte. Levanto-me com Lilly e encaro Kate.

— Como você está?

— Eu só me arranhei um pouco. — Sussurra e em segundos desaba em lágrimas. — Eu sinto muito, Ana. Sinto muito.

— Tudo bem, Kate.

Eu não quero entrar na casa, não sei se consigo ver Maggie dessa forma, então prefiro ir embora, eu também não quero que as crianças vejam isso. Celi, Nick e Alex ainda não entenderam o que aconteceu e eu prefiro que seja assim, eles não precisam saber que a mãe deles está morta.

Entro na viatura com as crianças e minhas amigas para outro carro com Elliot. Lilly ainda está no meu colo, agarrando firmemente o meu casaco, ela já parou de chorar e está dormindo, mas ainda parece com tanto medo.

Eu não entendo. Estava tudo bem, mas agora tudo se foi... Maggie, nossa casa... nossa família. Tudo foi embora.

Fecho meus olhos quando percebo que estamos entrando na garagem do edifício onde Christian mora.

Não!

Isso não é bom. Ele mandou nos trazer? Eu não entendo.

Elliot se aproxima e abre a porta do carro e com a ajuda de Mia e Vitória, ele tira as crianças.

— Onde estão Kate e Milly?

— Eu deixei elas em casa. — Explica. — Elas estavam abaladas.

— Por que nós estamos aqui?

— Eu falei com meu irmão e ele disse que não havia problemas, ele vai chegar mais tarde apenas.

— Nós não tínhamos que ir à delegacia?

— Nós temos que tentar achar seu pai antes de qualquer coisa e ver se a sua mãe deixou algum guardião legal.

— Entendo. — Sussurro.

— Não se preocupe, é apenas uma noite. Eu acabei de voltar de Chicago, não teria como levar você para outro lugar.

— Tudo bem.

Ajeito Lilly em meus braços e sigo Vitória e Mia até o elevador, elas estão com Nick e Alex e Elliot está com Celi. Eu realmente não posso acreditar que isso está acontecendo. Nós estamos sendo tirados de casa do meio da madrugada porque Maggie se foi, ela nos deixou.

Isso é muito surreal e eu ainda não consigo acreditar que ela realmente tenha morrido. Mentalmente me pergunto como esse incêndio começou. É tudo tão confuso, hoje pela manhã nós estávamos tão bem, nós fizemos café da manhã juntas e agora... agora parece que tudo isso não passa de uma lembrança confusa e distorcida.

Maggie se foi...

As portas do elevador se abrem me fazendo sair do transe, eu saio do elevador com Mia, Vitória e Elliot, e as crianças. Vamos andando até o sofá e eu me sento encarando as paredes. Lembro-me da primeira vez que vi Christian, se olhar furioso ao me ver quase nua, depois o nosso momento no escritório.

Suspiro e afasto o pensamento.

— Eu vou deixar vocês à vontade. — Elliot murmura colocando Celi no sofá, ela ainda está dormindo. — Vou tentar achar seu pai, Anastásia.

Respiro fundo, já sabendo que Elliot não irá encontrar meu pai. Isso está fora de cogitação.

A essas horas ele já deve estar sabendo da morte de Maggie e imagino que já tenha apagado qualquer rastro que deixou, até mesmo a ligação que eu lhe fiz. Respiro fundo e encaro minhas amigas, elas estão sujas, com caras péssimas e eu devo estar exatamente igual.

— Eu acho que nós deveríamos dar um banho nas crianças. — Vitória murmura se segurando para não chorar. — Então nós vamos acomodar vocês em algum quarto.

— Obrigada. — Sussurro com a voz mais baixa do que poderia imaginar. — Isso é muito importante para mim.

— Nós não vamos deixar vocês sozinhas. — Mia diz abrindo um mínimo sorriso.

Balanço a cabeça e encaro Lilly nos meus braços.

Nós vamos percorrer um longo caminho, Lilly.

Entro no quarto e caminho até a cama colocando Lilly deitada com cuidado para ela não acordar. Mia e Vitória me ajudaram a dar banho em todas as crianças e, elas até foram a farmácia para comprar leite e mamadeiras, mas nem mesmo Celi aceitou e ela está faminta. Isso é tão horrível, Maggie amamentava todos eles e agora eles não vão ter mais isso.

Foi difícil para fazê-los dormir e já passam das três da manhã.

Deixo-os um do lado do outro para que eles fiquem bem aquecidos já que não temos roupas, cubro-os e Mia ajeita a temperatura do ar condicionado. Ela me encara por alguns segundos e acho que vai chorar, eu estou me contendo para não chorar, não quero assustar as crianças... principalmente porque não posso mudar o que aconteceu.

Mia se aproxima e envolve os braços em meus ombros, ela para ao meu lado e encara as crianças.

— Isso é tão horrível. — Diz chorosa. — Eu sinto tanto, Ana.

— Por favor, Mia, não chore. — Imploro. — Eu não posso chorar, eu preciso ser forte. Você também pode fazer isso, eu sei que ainda está assustada, mas não quero que pense nisso.

— Você tem razão.

— Ana? Ana!

Viro-me assustada e vejo Vitória entrar no quarto correndo com os olhos cheios de lágrimas, solto Mia e seguro seus ombros lhe encarando. Ela mal consegue falar, está com a respiração alta e isso me deixa em estado de alerta.

— Vitória. — Seguro seu rosto e ela me encara. — Respira fundo, ok? Me fala o que houve.

— Tem um cara lá embaixo. — Diz entre seus soluços. — Acho que é o superior do meu irmão. Eles estavam discutindo e eu ouvi.

— Vitória, se acalma.

— Eles disseram que não encontraram seu pai. — Vitória murmura com desespero. — Ele falou sobre mandar você para outro lugar, eu não entendi direito, mas as crianças não iriam juntos. Do que ele estava falando?

Solto os ombros de Vitória e dou um passo para trás, completamente atordoada.

Não... isso não. Eu não posso ir!

As crianças precisam de mim agora, eu não quero ir para outro lugar, ficar longe deles.

Droga!

Eu deveria ter pensado nisso, pensado sobre todas essas coisas, agora eu entendo porque Ray não quis que o encontrassem, mesmo com a morte de Maggie ele sabia que não poderia me expor.

Merda!

Eu não posso deixar isso acontecer. Encaro Mia e Vitória então corro até as roupas que as crianças estavam e começo vesti-las.

— Ana? O que você está fazendo?

— Eu preciso ir embora. — Murmuro. — Preciso encontrar meu pai.

— Ana, você não pode sair assim. — Mia diz começando a chorar novamente. — Você precisa de ajuda.

— Eu preciso encontrar meu pai. — Digo firme, e as lágrimas presas, agora forma uma névoa tomando todo meu rosto. — Vocês não entendem.

— Se você falar, a gente vai entender. — Vitória diz preocupada. — Conta o que está acontecendo.

Respiro fundo e lhe encaro. Eu preciso dizer... só assim vou conseguir que elas me ajudem.

Certo... está na hora de dizer...

Elliot

Notas finais
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