A Menina da Lua
23 ➷ Tons de Dominador ➷
Notas iniciais
Fecho meus olhos ouvindo atentamente os passos de Christian pelo quarto, ele saiu e voltou há alguns minutos, mas como ele mesmo pediu, eu não o olhei. Eu estou confusa, mas ao mesmo tempo isso tudo começa a parecer tão excitante.
Christian para atrás de mim e sinto algo gelado tocar meu ombro dando-me um pequeno susto.
— Estenda a mão. — Ordena.
Estendo minha mão e ele a segura fazendo meu coração disparar, uma corrente elétrica atravessa meu corpo através do seu toque e isso se torna tão enlouquecedor. O estalo do chicote na minha mão me faz acordar, minha mão pinica pela dor, mas não é insuportável, eu posso lidar com isso.
— Doeu?
— Não, senhor. — Sussurro e ele bate mais forte.
— E agora?
— Um pouco, senhor.
— E agora? — Pergunta batendo ainda mais forte e eu me encolho.
É assustador a forma com isso me excita, os tons vermelhos do quarto, o couro batendo firmemente na minha mão, sua voz rouca e tão dominadora. É devastador demais.
— Sim, senhor. — Sussurro.
— Eu quero que seja clara, se for demais, você me manda parar.
— Sim, senhor.
— Qual a palavra de segurança, Anastásia?
— Vermelho, senhor.
— Boa garota. — Diz e sei que está sorrindo. — Eu quero que você caminhe até a cama e se deite, entendeu?
— Sim, senhor.
Levanto-me com cuidado e caminho até a cama deitando-me com sobre o colchão macio. Tomo folego quando vejo Christian se aproximar e então percebo que ele está usando um jeans rasgado no joelho, ele pendura perfeitamente em seus quadris revelando um pouco dos seus pelos pubianos.
— Mãos para cima. — Ordena e eu levanto minhas mãos. — Eu vou amarrar você...
Fico em silêncio apenas esperando que ele o faça. Sua mão segura um dos meus pulsos e sinto a corda começar a envolve-lo. Christian o puxa sem cerimônia e amarra no dossel da cama fazendo-me gemer de forma baixa, ele faz o mesmo com a oura mão e por fim caminha até a ponta da cama ficando de frente para mim.
Seu olhar está preso sobre o meu corpo e o meu medo começa a se transformar em um desejo forte. E quero que ele me toque, mas não vou pedir, eu não devo.
Ele agarra meus tornozelos e puxa meu corpo mais para baixo deixando-me esticada na cama. Christian começa a amarrar meus pés e logo eu estou completamente exposta a ele que fica encarando-me com o desejo tocando seus olhos de forma forte. Ele suspira e caminha pelo quarto, não vejo o que ele está fazendo, mas logo uma melodia suave começa a tocar invadindo todo o quarto.
Reconheço a música, Spem In Alium. As vozes começam a encher o quarto é ainda mais alucinante, tão... excitante. Christian volta a se aproximar e encara meu rosto com cuidado.
— Eu vou vendar você e colocar fones, então, eu vou foder você com força. — Murmura e deixo um gemido escapar. — Você já viu demais, Anastásia.
Ele cobre meus olhos e sem pensar começo a morder meu lábio numa tentativa idiota de conter todo o desejo que estou sentido, mas é loucura, isso é demais.
A música que antes invadia todo o quarto agora está alta em meus ouvidos. Eu não posso ver, não posso ouvir, mas eu o sinto tão próximo. Eu o desejo tanto. Solto um gemido assustada quando sinto alto percorrer meu corpo, pequenas tiras ao mesmo tempo percorrendo toda a extensão do meu corpo.
Eu quero me contorcer pelo desejo, mas é impossível amarrada dessa forma. Minha pele pinica e as vozes se tornam ainda mais alucinantes, gemo em frustração.
Solto um grito surpresa que me faz arquear as costas quando Christian usa as tiras para bater em meu corpo, então imagino que seja algum tipo de chicote. Ele bate me próximo ao meu sexo e meus músculos começam a se contrair fazendo-me contorcer-me na cama com dificuldade.
As vozes continuam tão altas em meu ouvido enquanto espero por ele, então sinto as tiras batendo em meu corpo novamente, em cima do seio. Meu grito se torna apenas um gemido alto e o desejo começa a se misturar com as vozes em meu ouvido.
Eu nunca me senti assim, mas a sensação é tão boa, eu quero apenas que Christian me toque.
Ele continua sua tortura, percorrendo o chicote pelo meu corpo, fazendo-me arquear as costas todas as vezes que me bate, mas ele para, tudo fica estranhamente silencioso deixando apenas a música tocar desconsertando-me por inteiro.
Assusto-me quando seus lábios tocam meus seios, ele está em cima de mim. Sua boca está fria sobre meu mamilo e ele o prende com os dentes fazendo-me gemer.
— Christian... — Imploro e ele belisca meu seio. — Por favor, senhor.
Sinto seu sorriso contra meu seio e ele o solta, não o sinto mais, mas em segundos sua boca está novamente em meu corpo, deslizando algo gelado por ele. Christian para e solta no meu umbigo, o gelo queima a minha pele de forma assustadora e tudo dentro de mim grita por ele.
Ele está me torturando. Eu acho que deveria desafia-lo mais vezes.
A música para e eu mexo a cabeça confusa, tentando ouvir algo, mas não ouço nada.
Minha respiração está tão alta que me assusto quando ouço a respiração forte de Christian perto do meu ouvido, ele ainda está em cima de mim.
— Se você derrubar o gelo, eu vou bater em você, entendeu?
— Sim, senhor.
— Se você o derrubar, eu não te darei prazer, entendeu?
— Sim, senhor.
Sua respiração se afasta até que eu não possa ouvi-la mais, a música volta a tocar e logo seus lábios estão contra meu corpo, beijando, mordiscando. Eu quero gritar, quero me revirar na cama, mas se eu o fizer eu derramarei o gelo e essa será minha maior punição.
Eu preciso dele.
Mordo meu lábio inferior com força quando sinto sua respiração novamente, agora próxima ao meu sexo.
Oh, Christian, não me torture.
Agarro as cordas com força quando ele passa a língua sobre meu sexo e tenho que usar todo meu autocontrole para não derrubar o gelo.
A sua tortura começa. Sua língua percorre meu sexo várias vezes brincando com meu clitóris e isso é tão enlouquecedor.
Eu preciso de Christian de uma forma absurda, de uma forma que nunca senti que precisava antes.
Gemo frustrada quando ele se afasta e começa a subir os beijos pela minha barriga.
— Por favor, senhor. — Imploro e sinto seu sorriso próximo a minha pele. — Eu preciso de você.
A cama afunda um pouco, mas o sinto entre minhas pernas, suas mãos estão em minhas coxas e ele as aperta com força enquanto eu gemo. Seu membro já está na entrada do meu sexo, mas ele fica parado e eu sei que se me mexer vou derrubar a pequena poça de água que o gelo de formou.
Maldito seja Christian Grey!
— Por favor. — Imploro. — Por favor, senhor.
Suas mãos alcançam meus quadris e ele entra com força em mim na parte mais alta da música. Gemo alto, sem me importa com nada, eu preciso senti-lo. Ele começa se mexer vagarosamente, entrando e saindo com lentidão e entendo que isso é apenas tortura.
— Por favor, mais rápido. — Imploro.
Seus movimentos ficam mais rápidos e sinto quando ele se curva contra meu corpo, seus lábios alcançam os meus e ele agarra o inferior com os dentes me arrancando mais gemidos.
A música está alta em meus ouvidos enquanto ele brinca com meus lábios e me estoca com força fazendo todo meu corpo se contorcer de prazer. Minhas pernas se contraem e eu sinto que estou chegando perto, então Christian sai de dentro de mim.
— Não. — Imploro e ele sorri contra meus lábios.
Ele entra novamente com mais força colocando todo seu membro dentro de mim. Um grito escapa dos meus lábios e ele começa a fazer movimentos rápidos e fortes, chocando seu corpo contra o meu. Aperto meus olhos, aperto as cordas, entrego-me a música alta, então sinto meu corpo se quebrar em um orgasmo.
Gozo de forma gloriosa e devastadora, mas ele não para, ele continua mais rápido e logo sinto-o me preencher.
Christian desaba em cima de mim e sei que está tão ofegante quanto eu, mas não consigo dizer mais nada. Meu corpo está mole, eu estou cansada, eu me entrego ao sono sem lutar.
➷
Abro meus olhos lentamente e já não me lembro quem sou ou onde estou. Sento-me na cama e tudo começa a se clarear um pouco, todas as lembranças do quarto vermelho me batem e eu deixo um gemido escapar. Eu estou no quarto de Christian agora e ele está dormindo tranquilamente ao meu lado.
Ainda é noite lá fora, mas algo está queimando nas minhas costas e me faz correr até o banheiro, ligo o chuveiro gelado e entro deixando minhas costas molharem. Começo a ser preenchida com um pouco de alívio quando minhas costas param de doer, mas então todas as lembranças voltam de novo... lembranças do quarto de jogos.
Um sorriso se forma em meus lábios e eu escorrego até o chão deixando a água cair sobre meu corpo.
Christian estava certo, eu poderia gostar... e eu gostei muito.
Levanto a cabeça quando sinto que estou sendo observada, logo encontro Christian na porta do banheiro olhando-me atentamente.
— O que você faz aí?
— Estou tomando banho. — Digo e ele sorri. — Minhas costas... eu sinto queimar as vezes, sempre quando tenho pesadelos.
— Pesadelos? Sobre o que eles são? — Pergunta se aproximando.
— São lembranças de coisas que aconteceram, mas eu não quero falar sobre isso.
Levanto-me e desligo o chuveiro. Um arrepio me percorre quando sinto Christian tocar as minhas costas, escorregando os dedos com cuidado sobre a minha tatuagem.
— Isso é tão bonito. — Sussurra com cuidado. — Eu sempre amei apreciar a lua, e agora tem todas as fases dela bem aqui.
Christian envolve seus braços no meu corpo ignorando o fato de eu estar completamente molhada. Minhas costas já não queimam mais e tudo o que eu consigo fazer é apreciar a sua respiração suave contra meu pescoço e a segurança que estar nos seus braços me traz.
— Vamos voltar para cama. — Pede quase ronronando. — Eu não consigo dormir sem você.
— Está bem. — Sussurro.
Dou um passo para trás e rebolo meus quadris, logo sinto sua ereção e acabo sorrindo.
— Certo, Srta. Steele, acho que não vamos dormir.
— Quem disse que eu queria dormir?
Sinto seu sorriso antes de ele me virar e me jogar por cima do seu ombro levando-me novamente para o quarto, em alguns minutos seu corpo já tomou posse do meu, e de um jeito que só ele faz, eu sou amada pela noite inteira com a certeza de que, não há nada melhor do que estar nos braços dele.
➷
Caminho até as cortinas e abro-as deixando que o sol invada o quarto, Lilly se espreguiça de forma preguiçosa e se senta sobre a cama me olhando.
— Vá para o banho. — Ordeno e ela ri.
— Você é tão mandona. — Sussurra descendo da cama. — Eu gosto disso.
— E eu gosto de você limpinha para a escola.
— Ok.
Ela sorri e corre para me abraçar. Respiro fundo e envolvo-a com os meus braços encarando-a. Como ela pode ter se tornando tão importante para mim? Ela é tão pequena e eu... gosto tanto dela. Solto minha irmã e ela corre para o banheiro deixando-me perdida no quarto por alguns minutos.
Vou ao banheiro e a ajudo até que a banheira encha, coloco o tapete de silicone e deixo Lilly no banho enquanto separo sua roupa, feito isso vou ver Nick e Alex. Eles estão correndo pelo quarto com carrinhos nas mãos e falando animados.
— Bom dia, meninos. — Digo e os dois param de correr para me olhar. — Hora da escola.
— Não! — Gritam correndo para debaixo das cobertas.
Reviro os olhos e caminho até a cama começando a ataca-los com cócegas enquanto eles gritam debaixo das cobertas e se contorcem.
— Chega, chega. — Nick grita fugindo da cama.
— Banho. — Digo rindo.
Nick corre para o banheiro e puxo a coberta revelando Alex, ele sorri e eu o puxo para os meus braços ganhando um abraço apertado.
— Te amo, mamãe. — Alex diz e meu coração dispara.
— Alex... — Encaro seu rosto e ele me olha com preocupação. — Mamãe não, eu sou a sua irmã, a Maggie é a mamãe, ok?
— Okie Dokie, Ana.
Dou um beijo em sua testa e ele corre para o banheiro me fazendo suspirar. Eu não quero ser a mãe deles, nós estamos bem como irmãos... eu não sei ser mãe e não quero isso. É tão confuso. Afasto os pensamentos e vou ajudar meus irmãos com o banho, mas tudo o que faço é deixar eles brincando na água enquanto corro entre o quarto deles e de Lilly.
Eu não tenho ideia de como Maggie fazia isso, mas nesse momento, a saudade dela se torna ainda maior.
— Srta. Steele?
Levanto a cabeça assustada e me deparo com a Sra. Jones.
— Tudo bem?
— Acho que sim.
— Eu cuido deles. — Diz sorrindo enquanto entra no quarto dos gêmeos. — Você pode me pedir ajuda quando precisar.
— Eu sei, obrigada, Sra. Jones. — Murmuro. — Eu separei o uniforme deles.
— Está bem, eu termino aqui.
— Obrigada.
Saio do quarto dos gêmeos e quando vou para o de Lilly a encontro secando os cabelos e ela já está até vestida, suspiro e recosto-me na porta. Há algum tempo ela era tão... dependente para tudo, Maggie ainda a amamentava, e agora ela tem que fazer tantas coisas sozinhas... ela está crescendo rápido.
Lilly se vira como se soubesse que estou olhando, mas ela não sorri como sempre faz, pelo contrário, seu olhar é dolorido e ela deixa a toalha cair no chão ao mesmo tempo que começa a puxar o ar com força até cair no chão fazendo todo meu peito doer. Lilly, não.
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