A Menina da Lua
24 ➷ E Se Você For, Nada Será Como Antes ➷
Notas iniciais
Ando nervosamente pelos corredores da sala de espera enquanto espero que algum médico saia para dizer como Lilly está, mas estamos aqui há mais de uma hora e nada deles. Christian está sentado na cadeira impaciente e Taylor e Sawyer estão no final do corredor encarando a porta com tanta preocupação quanto nós.
A porta se abre e meu coração disparar ao ver um médico sair de lá.
— Como ela está? — Pergunto sentindo meus olhos se encherem outra vez.
— Nós não temos certeza. — Murmura. — Mas achamos que pode ser um edema pulmonar.
— O que?
— Nós não temos certeza, Srta. Steele, o pulmão dela está falhando, achamos que pode ser isso.
— Mas ela só tem cinco anos.
— Eu sei, por isso preciso saber se há casos na família parecidos a esse.
— Ela tinha... uma irmã gêmea, que nasceu com problemas no coração. — Sussurro sentindo as lágrimas escorrerem. — Ela morreu por falência no pulmão.
— Sinto muito, Srta. Steele, mas por a Lilly ser gêmea ela pode ter nascido com os mesmos problemas e eles só começaram a aparecer agora. Nós vamos encaminhá-la para fazer exames, mas por enquanto, ela prossegue em coma induzido.
Coloco a mão sobre a boca eu dou um passo para trás sentindo meu mundo girar tão devagar e de forma tão dolorosa. Isso é ridículo, Lilly não pode me deixar, nós chegamos longe demais para ela simplesmente ir como Mika foi. Eu não posso aceitar isso, eu preciso dela.
Sinto os braços de Christian ao meu redor enquanto o médico continua falando, mas eu não ouço nada, eu só consigo manter meu pensamento em Lilly. Eu ainda preciso dela, ela não pode me deixar assim. Se ela for... o que vai ser de mim?
— Ei, vamos ver Lilly. — Christian sussurra em meu ouvido.
Ele está atrás de mim, segurando-me e só agora percebo que está dando-me apoio já que mal consigo ficar em pé.
— Vamos, ela precisa de você. — Christian diz e eu balanço a cabeça.
Solto-me de seus braços com cuidado e noto a ausência do médico, eu sequer notei quando ele foi.
Christian me leva até o quarto onde Lilly está. Meu coração dispara ao vê-la deitada na cama, ela está tão pálida e há tantos tubos, os barulhos das máquinas fazem meu coração se quebrar. Ela precisa ficar bem, por favor. Se eu perder Lilly... eu não vou aguentar.
Eu não me vejo em um mundo onde ela não esteja presente. Eu não me importo se ela voltar a me provocar, ou até mesmo me deixar estressada, ela só precisa ficar bem.
Aproximo-me da sua cama e seguro sua pequena mão.
— Tudo bem... — Sussurro. — Eu estou aqui agora, eu não vou sair do seu lado, Lilly. Eu prometo.
Sua mão aperta a minha com cuidado e eu sei que ela está me ouvindo, mas ela não pode se mexer ou me responder. Curvo-me e aproximo meu rosto do seu tocando nossos narizes.
— Eu não posso perder você. — Digo baixinho. — Lute por nós, ok?
Novamente sua mão aperta a minha e eu sinto meu coração se aquecer com um pouco de esperança. Ela vai lutar por nós e eu vou estar bem aqui ao seu lado em todos os momentos, Lilly precisa de mim, e eu preciso dela.
➷
Horas Mais Tarde...
Estou sentada fielmente na cama o lado de Lilly, eu não pude ir, eu não consigo. Eu preciso ficar aqui com ela até que ela acorde, então nós iremos juntas para casa. Eu estou segurando sua mão e não consigo parar de olhar para a minha irmã, tão pequena... presa nessa cama.
— Ana, você precisa descansar um pouco.
Desvio meu olhar de Lilly e encaro Christian parado na ponta da cama. Ele também não foi embora, esteve aqui o tempo todo, já são quase sete horas e nós não descansamos nada, mas eu não consigo e nem quero, eu não posso deixar minha irmã sozinha.
— Eu não consigo. — Sussurro voltando a encarar Lilly. — Ela precisa de mim aqui.
— Ana, amor. — Diz exasperado. — Lilly vai ficar bem aqui, e você precisa comer algo. Nós vamos para casa, você toma um banho e depois nós voltamos. Kate vai vir para cá ficar com ela, Elliot disse que também virá.
Respiro fundo e me levanto aproximando-me mais da cama, toco o rosto de Lilly e ela aperta minha mão.
— Eu vou voltar. — Sussurro deixando as lágrimas escorrerem. — Por favor, fique bem.
Dou um beijo em sua testa e pela primeira vez em horas eu solto a sua mão, assim que saímos do quarto vejo Kate chegando. Ela ainda está com uniforme e imagino que deva ter ficado até mais tarde na escola.
— Ana. — Kate sussurra.
Ela corre para me abraçar e logo as lágrimas começam a cair dos nossos olhos. Kate se afasta com cuidado e posso notar o desespero em seu rosto. Lilly não é só parte de mim, ela é parte de todas nós. Todos precisamos dela, se ela se for... haverá tanto sofrimento.
— Cuida dela, por favor. — Imploro segurando suas mãos. — Eu vou voltar logo.
— Eu vou cuidar, tenta descansar um pouco.
— Está bem.
Abraço-a outra vez e vou com Christian para casa, o caminho é silencioso e deprimente e não melhora quando chegamos. Lilly não está aqui, ela não está correndo para nos receber e isso já é doloroso o suficiente, até lembrar onde ela está.
Mia, Vitória e Millie estão aqui, elas estão no sofá com as crianças tentando distraí-las.
— Ana! — Alex grita quando me vê. — Onde está Lilly?
— Ela... — Respiro fundo tentando pensar em algo.
— Querido, a Lilly vai ter que ficar no hospital por alguns dias. — Christian explica.
— Lilly está dodói? — Nick pergunta e eu apenas balanço a cabeça. — A zenti pozi fazê caitão pana Lilly?
— A Lilly gota de caitão. — Alex diz animado.
— Ela vai adorar.
Encaro Christian e suspiro tentando não chorar na frente dos meus irmãos, eu não quero assustá-los.
Tomo coragem e vou até eles dando um beijo em cada um, depois sigo para o quarto sem dizer nada. Logo Christian está aqui, seus braços estão me envolvendo com cuidado e as lágrimas voltam a cair, ficamos parado no meio do quarto.
Estar nos seus braços me traz a paz que eu preciso, me traz a segurança necessária para continuar em pé.
— Ela vai ficar bem. — Christian sussurra tocando meu rosto. — Logo ela vai estar aqui conosco.
— Ela precisa ficar bem. — Sussurro. — Ela não pode me deixar também.
— Ela não vai, Lilly te ama demais para ir embora assim.
Apenas encaro seus olhos cinza sem dizer nada, eu não sei o que pensar fora a vontade imensa de que minha irmã fique bem logo. Ela precisa se manter forte, nós devemos ficar juntas, é isso que as irmãs fazem.
Afasto-me de Christian e vou tomar um banho, ele me acompanha. Ficamos na banheira por um longo tempo sem dizer nada e eu o deixo que me leva. Tudo o que eu consigo pensar nesse momento é em quanto estou frágil, mas mesmo se eu quisesse, eu jamais poderia ser a mesma Ana.
Christian me ama e seu amor me torna frágil, mas eu preciso que ele cuide de mim.
Lilly me ama e seu amor me torna fraca, mas a minha vida não é absolutamente nada sem ela. Eu preciso dela, preciso dos seus abraços, dos nossos momentos. Não há Ana sem Lilly.
➷
Aperto a mão de Christian para tentar conter meu nervosismo enquanto andamos pelos corredores do hospital, ele me olha com calma e tenta me reconfortar com um beijo suave na testa, mas é quase impossível me sentir calma em meio a tudo isso. Meu coração dispara quando chegamos ao quarto, então vejo uma das cenas que me consegue me acalmar um pouco.
Elliot e Kate estão parados próximo a cama onde Lilly repousa, e Elliot tem Kate em seus braços com cuidado, acalmando-a enquanto ela chora baixinho. Ele pode ser uma babaca, mas sei que é tão parecido com Christian a ponto de cuidar da minha amiga.
Christian pigarreia e os dois se separam rapidamente. Kate enxuga as suas lágrimas e se afasta de Elliot antes que ele possa dizer qualquer coisa. Solto-me de Christian e a recebo em meus braços.
— O médico veio coletar o sangue dela para os exames. — Kate diz fungando. — Ele disse que ela nos ouve e que podemos conversar com ela incentivando-a a responder com gestos. Isso vai manter o cérebro dela funcionando... eu perguntei se ela estava com medo...
— Ah, Kate.
Puxo-a para os meus braços novamente e começamos a chorar, é tão assustador minhas amigas gostarem tanto dos meus irmãos, mas eu fico feliz por isso, por não estarmos sozinhas, por existir pessoas tão maravilhosas ao nosso lado.
Kate se afasta e começa a enxugar suas lágrimas.
— Eu preciso ir para casa.
— Eu levo você. — Elliot murmura e Kate apenas balança a cabeça. — Eu volto amanhã.
— Está bem. — Sussurro. — Cuide dela, Elliot.
— Eu vou.
Seguro o rosto de Kate e dou um beijo em sua testa antes de deixar ela sair com Elliot. Caminho até Lilly e seguro sua mão, ela aperta com cuidado e eu sorrio. Ela sabe que estou aqui e eu vou permanecer, por todos os dias, todas as horas, minutos e segundos, até que ela acorde, até que voltemos para casa, juntas.
➷
Alguns Dias Depois...
Acaricio o rosto de Lilly e me afasto um pouco para me sentar na cadeira, mas deixo sua mão firmemente acolhida pela minha. Eu não consigo deixá-la aqui, eu não me importo de parar a minha vida, de não estudar, não arrumar um emprego ou sequer viver, eu quero apenas estar ao lado dela, em todos os momentos.
Os médicos ainda não descobriram o que pode ser a causa disso tudo, mas ela está fazendo tratamento para o que pode ser um edema e, ontem pela noite, nós descobrimos que ela não está mais conseguindo digerir alimentos direito. Isso está me matando. Eu não consigo lidar com tudo isso, a cada dia que passa ela reage menos, parece estar sempre dormindo e esse é meu maior tormento... saber que eu não posso estar no lugar dela, saber que ela sente tanta dor e eu não posso fazer nada.
— Ei, amor.
Enxugo minhas lágrimas e levanto a cabeça para encarar Christian.
— Nós temos que ir para casa um pouco, você precisa comer algo e tomar banho. — Explicar calmamente. — Taylor E Vitória vão ficar aqui hoje.
— Eu não quero ir para casa. — Sussurro com a voz falha, volto a minha atenção para Lilly e suspiro. — Eu quero ficar bem aqui, ao lado dela.
— Ana, ela precisa de você bem. Não adianta nada você ficar aqui e acabar ficando doente, vai ser pior.
Lilly dá um leve apertão em minha mão e eu sei que ela está nos ouvindo, também sei que ela quer que eu vá, mas é tão difícil deixá-la. A ideia de voltar e ela não estar mais aqui me apavora sempre que eu saio desse quarto.
— Eu não posso deixar você. — Sussurro apertando sua mão. — Nós temos que ficar juntas.
Sua mão aperta a minha mais forte e agora ela tem uma expressão brava no rosto. Ela quer que eu vá. Respiro fundo e beijo sua pequena mão deixando algumas lágrimas caírem sobre a mesma. Levanto-me e aproximo meu rosto do de Lilly, deixando nossas testas coladas.
— Eu vou, mas você tem que estar aqui quando eu voltar.
Tudo o que eu ganho é um aperto fraco na minha, endireito-me e vejo Taylor e Vitória entrando no quarto, eles estão trazendo mais balões e mais presentes. O quarto já está cheio disso, mas os amigos da escola sempre vão lá em casa levar alguma coisa para ela.
Ela deveria estar bem, estar na escolinha a essa hora, brincando e se divertindo com seus amigos como era antes, mas aqui está ela, presa a uma cama e nós sequer sabemos se ela vai ficar bem.
Solto a mão de Lilly e me afasto com cuidado antes de deixá-la com Vitória e Taylor, saio do hospital com Christian e nós vamos para casa. Chegar em casa é o mesmo tormento de sempre, Nick, Alex e Celi estão aqui com a Sra. Jones e sempre perguntam de Lilly e tudo o que nós podemos dizer é que ela ainda está no hospital.
Eles não foram vê-la, eu não quero isso, eu sei que Lilly adoraria que eles fossem lá, mas eles são tão pequenos para passar por isso, para entender tudo o que está acontecendo agora. Nós já perdemos Maggie, não podemos perder Lilly.
Vou tomar um banho rápido e deixo Christian resolvendo uns assuntos da empresa, quando volto a sala apenas as crianças estão aqui com a Sra. Jones, deixo ela ir descansar e fico brincando com meus irmãos por alguns minutos, mas todos os meus pensamentos estão em Lilly.
Não há nada que consiga me distrair, eu só penso nela, e nela. Já são quase duas semanas e eu sinto falta dela aqui, aprontando, correndo e fazendo todos nós passarmos vergonha com a suas frases tão inesperada.
— Certo, eu estou indo, Ross!
Desperto dos meus pensamentos ao ouvir a voz tão brava de Christian, procuro-o e o encontro descendo as escadas enquanto fala ao celular. Sua expressão é brava e ele está arrancando a gravata enquanto discute com alguém, finalmente, depois de alguns minutos ele desliga o celular.
— O que houve? — Pergunto lhe encarando ele e suspira.
— Eu tenho que ir para a empresa.
— Mas...
— Por favor, Anastásia. Agora não! — Diz bravo. — Quando eu voltar nós vamos ver a Lilly.
— Christian... — Sussurro sentindo as lágrimas chegando.
— Agora não, merda! Você pode colaborar comigo ao menos uma vez? Eu estou com problemas sérios, preciso resolver. A merda da carga que deveria chegar hoje foi roubada! Você entende isso?
Nick e Alex estão olhando para ele enquanto ele grita comigo e tudo o que eu faço é ficar lhe encarando tentando conter as lágrimas que já formam uma neblina em meus olhos embaçando toda a minha visão.
Balanço a cabeça para Christian e ele sai sem dizer mais nada, volto a encarar meus irmãos e uma lágrima escorre.
— Não tica tisti. — Alex pede secando a lágrima. — A Lilly vai vim pa casa.
— Ela vai sim.
Puxo-o para os meus braços e afago seus cabelos castanhos dando um beijo, ele me abraça com cuidado, mas logo volta a se distrair brincando com Nick e Celi. Não consigo mais dizer nada ou sequer brincar com eles, fico apenas olhando os três no chão enquanto o vazio me domina.
Eu não tenho mais forças para discussão, para nada. Christian está tão... diferente do que eu imaginava e agora eu chego a pensar se Vitória e Mia tinham razão e ele, é realmente o monstro que me disseram.
As lágrimas continuam caindo e eu só as seco quando meu celular começa a tocar, a foto de Vitória aparece na tela e eu atendo rapidamente.
— O que houve? — Pergunto preocupada.
— Eu não sei. — Ela grita e meu coração acelera. — A Lilly... ela começou a ter uma convulsão, eu não sei. Ana, por favor.
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