A Menina da Lua
25 ➷ Fique Aqui, Por Favor ➷
Notas iniciais
Corro até atravessar as portas duplas de cor branca e encontro Taylor e Vitória do outro lado, ele está consolando-a enquanto ela chora com desespero e eu sou tomada por desespero também, pensando em tudo o que pode ter acontecido, logo, no pior.
— O que houve? — Pergunto me aproximando. — Onde ela está?
— Ela voltou para o quarto. — Taylor diz soltando Vitória, mas eu sei que tem mais.
— O que aconteceu, Taylor? Me fale.
— Desculpe, Ana, mas a Lilly não vai mais se alimentar daqui para frente.
— O que?
— O pâncreas dela começou a falhar, eles não podem ingerir nenhum tipo de alimento nela, ela corre o risco de morrer.
— Mas e as vitaminas?
— O corpo dela está rejeitando todas.
— Não. Não pode ser! — Grito sentindo as lágrimas escorrerem. — Ela estava indo bem, isso é minha culpa, eu não deveria tê-la deixado.
— Não, não é sua culpa. — Vitória sussurra tentando se aproximar, mas eu recuo. — Ana, não faz isso, não se culpe.
— Se ela não receber as vitaminas ela vai morrer! Se ela morrer como eu fico?
— Srta. Steele?
Viro-me ao ouvir a voz do médico e lhe encontro parado encarando-me com preocupação.
— Nós precisamos conversar.
Encaro Vitória por alguns segundos, e então sigo o médico para depois das portas e por um longo corredor até chegar a sua sala, ele se senta, mas eu não consigo fazer isso. Eu deveria estar com Lilly agora, não perdendo meu tempo aqui nessa maldita sala.
— Nós ainda não conseguimos entender o que está acontecendo. — Ele diz e suspira.
— Isso não é novidade, faz quase duas semanas e ela continua dormindo, você disse que poderia ser um edema pulmonar, a colocou em coma, mas não era nada disso.
— Nós deveríamos acordá-la há uma semana, mas a Lilly não acorda.
— O que?
— Ela está dependente dos aparelhos se tentarmos acordá-la... ela morre.
— Não...
— Ela não respira sozinha, ela já não se alimenta e agora rejeita todas as vitaminas. Você sabe que a imunidade dela é baixa, ela precisa das vitaminas. Nós vamos ter que mandá-la para uma sala especial, uma sala que é toda higienizada, não podemos correr o risco de ela pegar uma bactéria.
— Mas... eu não vou poder ficar com ela.
— Você pode visita-la, mas não ficar com ela sempre. — Diz com pesar. — Srta. Steele, o que ela tem, está afetando todo o corpo, pode ser uma bactéria, pode ser o edema, até mesmo um problema no coração... ou pode ser uma doença degenerativa.
— Mas...
— Se a Lilly estiver com uma doença degenerativa, ela é desconhecia, e nós não podemos fazer muito.
— Mas ela só tem cinco anos.
— Nós sabemos, e talvez seja por isso que não encontramos a causa. Nós pensamos que poderia ser câncer, algum tumor, mas eu estudei a morte da sua outra irmã e ninguém descobriu o que era, ela morreu sem que ninguém descobrisse nada.
— Isso quer dizer que a Lilly também vai morrer?
— Nós estamos fazendo o possível para que isso não aconteça, Srta. Steele, por isso que nós precisamos manda-la para o quarto especial, deixá-la na ala comum vai acelerar o processo de falecimento dos órgãos, ela está morrendo aos poucos e nós estamos tentando impedir isso.
— Faça o que for preciso. — Imploro. — Só não a deixe morrer, por favor.
— Eu estou fazendo o que posso, Srta. Steele.
Balanço a cabeça e fico ouvindo sobre como será o processo no novo quarto. Lilly ficará praticamente imune a qualquer bactéria que possa pegar, o quarto será lacrado e poderão entrar apenas duas pessoas por dia durante uma hora. Eu não entendo muito bem o que ele diz, minha cabeça está tão distante, eu não consigo acreditar que tudo isso está acontecendo.
Há quatro meses eu sequer sabia abraçar Lilly e agora aqui estou eu, temendo o pior por ela. Maggie se foi e agora ela pode me deixar também, mas será que ela não entende que eu preciso dela?
➷
Espero impaciente na sala de espera com Taylor e Vitória ao meu lado. Já estão trocando Lilly de quarto e eu vou poder ficar com ela depois que fizerem isso, mas será por tão pouco tempo.
Suspiro e abaixo minha cabeça, mas nesse momento ouço as portas abrirem, mas não são os médicos, é Christian e seu olhar está furioso. Droga! Ele vai brigar comigo?
— Você poderia me esperar, não acha? Por que você sempre tem que me contrariar, Anastásia? — Diz bravo e eu desisto de falar qualquer coisa.
— Para de gritar com ela! — Vitória diz chorando. — Você quer resolver a sua vida e se esquece da Lilly?
— O que houve com a Lilly?
— Eles estão trocando ela de quarto. — Taylor diz exasperado. — Ela vai ficar num quarto lacrado agora e as visitas são menos agora. O pâncreas dela parou de funcionar.
— Ana... — Christian sussurra e eu lhe encaro. — Eu sou um idiota... me desculpe, por favor.
— Você pode parar de me pedir desculpas? Eu não aguento mais ser tratada assim e depois simplesmente aceitar suas desculpas. Apenas, vá para o inferno, por favor.
Levanto-me e passo por ele quando vejo o médico entrar na sala de espera, vou até ele e sou encaminhada para ver Lilly, mas agora tem um processo de desinfecção todo. Eu tenho que vestir uma roupa especial e usar máscara para não ter contato com nenhum tipo de bactéria antes de entrar lá.
O quarto é toco lacrado com um plástico, as janelas estão lacradas e o ar é pouco aqui dentro. Lilly está na cama tão... inerte. Ela está ainda mais pálida e os tubos ocupam quase todo seu rosto. Isso é demais, eu não consigo vê-la assim, mas eu também não posso chorar.
Aproximo-me da cama e seguro sua mão dando um leve apertão, mas ela não me responde com outro apertão, ela apenas fica ali, tão quietinha e com uma expressão calma no rosto.
— Você não vai me deixar, não é? — Pergunto baixinho. — Você precisa ficar, por favor, fique aqui comigo. Eu preciso de você.
➷
Saio da sala de higienização e caminho para a ala de espera onde encontro apenas Christian. Ele está sentado em uma das cadeiras, os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto enterrado entre as mãos, ele parece cansado, mas eu também estou.
Suspiro enquanto me aproximo esperando que ele grite, que ele brigue, e eu já nem tenho mais forças para isso. Eu não consigo discutir com ele. Eu estou fazendo tudo o que ele pede, por Lilly, mas se ela estivesse bem eu juro que já teria mandando Christian para o inferno. Isso é tão frustrante, o amor é uma confusão idiota e Christian não torna as coisas mais fáceis para mim, ele apenas complica tudo.
— Christian?
Ele levanta a cabeça e me encara, então noto as suas lágrimas, isso faz meu coração se apertar de forma inexplicável, mas não sei o que dizer.
— Oi. — Diz enxugando as lágrimas. — Vamos para casa?
— Sim. — Sussurro deixando uma lágrima escorrer. — Você está chorando?
— Eu sou um grande idiota, eu sei.
— Christian, eu não quero suas desculpas.
— Eu sei disso, mas não muda o fato de que eu estou agindo como um babaca.
— Olha...
— Eu deveria estar do seu lado, e eu sinto muito por isso. Eu prometo que vou tentar agir com mais cuidado, você já tem problemas demais para eu ficar piorando a situação.
— Ei.
Aproximo-me e ele se levanta, envolvo meus braços em sua cintura e somente quando ele me abraça eu sinto a paz me invadir. Christian é minha paz, meu momento seguro, mesmo que a gente brigue, quando ele me abraça todos os problemas parecem ir embora.
Eu preciso dele, mas do que meu orgulho, preciso dele acima de qualquer briga idiota... e ele precisa de mim.
— Eu amo você, Anastásia. — Sussurra e meu coração se enche. — Eu prometo tentar ser melhor por você, pela Lilly.
— Está bem. — Digo abrindo um pequeno sorriso. — Vamos para casa, por favor.
— Vamos.
➷
Um Mês Depois...
Encaro meu caderno e tento apenas me concentrar na matéria que a Sra. Potter está passando, mas é tão difícil não pensar me Lilly. Eu fico cada dia menos ao lado dela e queria poder mudar isso, mas é quase impossível. A cada dia que passa ela fica pior e ninguém descobre o que é isso... os médicos dizem que é um milagre ela ainda estar viva.
— Você entendeu, Srta. Steele?
— Sim, senhora Potter. — Sussurro olhando-a.
— Ótimo, então acabamos por hoje, vejo você na segunda.
— Está bem.
Ela se levanta sorrindo e guarda suas coisas para logo ir embora, mas eu continuo parada, sentada em frente à mesa de centro encarando todos os cadernos abertos. Os dois últimos meses foram os mais deprimentes da minha vida, a ideia de perder Lilly é a inda pior do que a ideia de ficar longe da minha mãe.
Eu consigo me lembrar do medo que senti quando conheci Ray e ele me disse que ela havia mentido sobre tudo, que ela era alguém ruim. Consigo me lembrar de quando fugi dela, do seu olhar enquanto Ray me levava..., mas nada se compara a dor que eu estou sentindo por Lilly.
— Ana, amor.
Sorrio ao ver Christian entrar na sala com Celi. Ele está um pouco curvado e segurando as mãos dela enquanto a bebê dá alguns passos completamente animada. Eu me pergunto vagamente se ela ainda lembra de Maggie, mas talvez ela já tenha esquecido... é difícil dizer, porque eu ainda sinto falta da minha mãe as vezes, mesmo ela sendo tão ruim.
Maggie era uma pessoa maravilhosa, acho que Celi deve lembrar, apenas não entende tudo o que aconteceu. É tão difícil saber que Celi completou seu primeiro ano e Maggie não pode estar presente.
— Ela está tão esperta. — Christian diz e eu forço um sorriso.
— Está sim.
Levanto-me e caminho até eles pegando Celi no colo, ela sorri para mim revelando seus dentinhos e toca sua testa na minha.
— Ela precisa dormir um pouco, passou a noite em claro. — Christian diz acariciando as costas de Celi. — Você também.
— Eu sei, mas eu estou bem. Eu faço ela dormir, você pode dar um banho nos gêmeos?
— Posso.
— Obrigada.
Dou um beijo rápido em Christian e vou para o andar de cima com Celi. Acomodo-me na poltrona do seu quarto e a ajeito com cuidado em meus braços enquanto canto uma música para ela. Não se passam nem quinze minutos e ela já está dormindo e ressonando baixinho, levo-a para o berço e fico encarando-a dormir.
Sinto meu celular vibrar no meu bolso e suspiro vendo que é Kate, mas prefiro não atender.
Eu tenho visto pouco as minhas amigas, Vitória e Mia ficam mais na casa de Elliot e mesmo que sinta falta delas, eu não tenho mais tempo para isso. Nick, Alex e Celi ocupam todo o meu tempo, e quando não estou com eles estou com Lilly no hospital. Estou tentando aproveitar cada segundo que posso passar ao lado dela.
Talvez... eu já esteja me preparando para o pior, é difícil dizer. Flynn quis conversar comigo sobre isso, mas eu não quero conversar, eu não tenho nada a dizer que todos já não saibam. Lilly está morrendo, isso está me matando por dentro e não há ninguém que possa mudar essa situação.
Novamente meu celular vibra, mas eu ignoro isso e dou a minha atenção para Celi, logo eu irei visitar Lilly, mas por enquanto quero ficar aqui, no quarto com a minha irmãzinha olhando-a enquanto a mesma dorme. Isso me traz paz.
Meu celular continua vibrando, mas eu o ignoro e depois de alguns minutos saio do quarto de Celi, passo no quarto dos gêmeos e vejo eles brincando com Gail, dou um beijo neles e vou atrás de Christian. Encontro-o na sala, falando ao celular.
Seu olhar encontra o meu e percebo que há algo errado, nesse momento meu celular começa a vibrar e eu tiro do bolso. O número do hospital brilha na tela e eu sinto meu coração acelerar. Atendo e levo até o ouvido.
— Srta. Steele?
— Sim...
— Eu preciso que você compareça ao hospital, por favor.
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