A Menina da Lua

26 ➷ Há Coisas Que Só o Amor Pode Fazer ➷


Notas iniciais
Boa Leitura ♥

Ando de um lado para o outro, respiro fundo, encaro o teto na tentativa de não chorar, e tudo isso ao mesmo tempo em que tento absorver tudo o que acabei de ouvir. Parou... o cérebro de Lilly parou. O pensamento não sai da minha cabeça, a doer está me correndo por dentro e tudo está se apertando dentro de mim de um jeito capaz de me sufocar.

— Eu sinto muito, Srta. Steele. — Diz o médico com pesar. — Mas os órgãos dela não funcionam mais, ela não reage, não aceita as proteínas. O cérebro dela não aguentou.

— Mas o coração dela...

— Ele permanece bem, como alguns outros órgãos, mas ela não tem mais chance... ela se foi.

— Não. — A primeira lágrima rola pelo meu rosto. — Não é justo.

— Eu realmente sinto muito.

Paro de andar e escondo meu rosto entre as mãos deixando as lágrimas caírem.

Primero Mika se foi... depois Maggie... e agora Lilly. Minha melhor amiga. Ela disse que lutaria por nós, mas ela acabou de ir embora, eu não posso aguentar, isso é demais. Ela tem que voltar, ela tem que ficar comigo e então eu finalmente poderia dizer que eu aprendi, que eu entendi que a amo, que todas as dores e medos que venho sentindo são por amor, são porque eu aprendi a amá-la como achei que nunca fosse capaz.

Lilly se foi... e eu não pude dizer, ela é a pessoa mais importante da minha vida.

— Eu posso vê-la... antes de tomar a decisão? — Pergunto e o médico balança a cabeça.

— Eles vão leva-la para o quarto onde ela estava antes, você pode ficar um pouco com ela lá.

— Obrigada.

— Você quer que eu te acompanhe? — Christian pergunta.

— Não, eu quero fazer isso sozinha.

Deixo a sala do Dr. Rubens e sigo até o elevador, meu coração se aperta mais a cada andar que subo. Lilly... ela se foi, ela me deixou. Prendo a respiração quando as portas se abrem e eu sigo pelo corredor. Posso ver os enfermeiros colocando-a no quarto, quando me aproximo mais eles estão ajeitando ela na cama sem sequer tirar os tubos.

Aproximo-me da sua cama enquanto os enfermeiros ajeitam as máquinas, sento-me ao lado da cama e espero que eles saiam, então aperto a mão de Lilly e o fato de não ter um apertão dela como resposta me faz chorar deixando todas as lágrimas presas caírem.

— Você não está mais aqui, eu sei. — Sussurro. — Mas eu quero que você saiba de algumas coisas muito importantes.

Respiro fundo algumas vezes e encaro nossas mãos juntas. Uso o polegar para acariciar as costas da sua mão com cuidado.

— Eu nunca fui uma boa garota, Lilly. Eu nunca brinquei de boneca, nunca ganhei abraços, eu nunca tive medo de nada... ninguém nunca disse que me amava, e quando eu te vi pela primeira vez eu senti raiva, senti raiva porque você tinha tudo isso, e eu nunca tive nada. — Uso o indicar para tentar conter as lágrimas, mas é quase impossível. — Eu nunca te odiei, eu agia daquela forma com você porque eu tinha tanto ciúmes de você.

Consigo me lembrar vagamente a primeira vez que vi Lilly, eu tinha acabado de chegar na casa de Maggie e ela estava brincando com uma boneca, ela correu e me estendeu uma boneca... eu tenho ela até hoje.

— Eu te culpava, porque eu queria ter sido como você, queria ter tido uma infância normal, como você teve. — Sussurro. — Mas eu não posso voltar no tempo e mudar nada disso. Não posso mudar a forma que agi com você durante todos esses anos, mas tudo o que eu posso dizer é que eu sinto muito. Se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo e mudar qualquer coisa, eu não voltaria ao meu passado, não mudaria a minha infância. Eu voltaria ao dia que eu te conheci, então a partir daquele dia eu teria feito tudo diferente.

Deixo um soluço alto escapar e abaixo a cabeça encostando na cama. Eu preciso dizer... se eu tenho que tomar a decisão de deixá-la ir, eu preciso que ela saiba.

— Eu deveria ter dito isso antes, eu sei disso, mas... eu te amo Lilly. — Sussurro apertando os olhos. — Você é a melhor irmã do mundo. Você me deixa com raiva, me deixa feliz... eu não gosto dos seus abraços, eu amo eles. Eu sei que deveria ter dito antes e me desculpe por só entender agora, mas eu amo você, eu preciso de você porque eu sou capaz de amar, por você.

Por favor, Lilly, por favor, volta para mim.

Levanto a cabeça assustada e encaro nossas mãos, mas acho que é loucura, sua pequena mão está parada e não apertou a minha como pensei. Mas sinto novamente e as lágrimas começam a ficar mais fortes. Encaro nossas mãos com pavor e agora vejo sua mão apertar a minha.

— Lilly... você está me ouvindo? — Pergunto e ela balança a cabeça. — Ah, meu Deus! Você não está brincando? Está?

Lilly balança a cabeça e eu deixo um grito escapar. Viro-me para sair do quarto e chamar alguém, mas eu não consigo, não quando ela aperta minha mão. Seguro sua mão firmemente e estico-me sobre a cama começando a apertar a campainha de forma insistente.

Menos de 20 segundos depois Christian, Dr. Rubens e mais umas sete pessoas estão na sala.

— Anastásia, o que foi? — Christian pergunta preocupado.

— Lilly... você gosta de chocolate? — Pergunto e Lilly balança a cabeça pegando todos de surpresa. — E de morangos, você gosta?

Ela balança a cabeça e nesse momento posso ver as enfermeiras começarem a chorar.

— Doutor, olha. — Uma enfermeira grita apontando para o soro. — Ela está aceitando as proteínas.

— Por Deus! — O médico grita. — Srta. Steele, Sr. Grey, conversem com ela. Não parem!

Christian corre para o outro lado da cama e segura a mão de Lilly.

— Docinho, sou eu. — Ele diz e um pequeno sorriso se forma no rosto dela. — Você está me ouvindo?

Lilly balança a cabeça e Christian começa a chorar.

— O que você acha de nós irmos para casa agora? Comer muito chocolate? — Pergunta e gargalha quando ela nega com a cabeça. — O que você acha de um bolo bem grande com morangos?

Christian continua fazendo várias perguntas e eu só consigo chorar enquanto Lilly balança a cabeça ou aperta a mão dele. Ela está aqui... eu pensei que ela havia me deixado, mas ela está bem aqui comigo.

— Lilly... você me ama? — Pergunto e fico esperando a resposta, meu coração se enche quando ela balança a cabeça. — Você vai me deixar?

Ela nega com a cabeça rapidamente e eu aperto os olhos deixando sorrisos idiotas escaparem. Os médicos estão correndo pelo quarto dela checando todos os sinais, as proteínas que ela está recebendo, tudo. Mas tudo o que eu faço é segurar firmemente sua mão sem conseguir soltar.

Lilly não vai me deixar, ela está bem aqui... e eu a amo.

Algumas Horas Mais Tarde....

Estou parada ao lado de Lilly na cama segurando firmemente sua mão, agora sim que eu não vou soltar nunca mais. O médico disse apenas que não pode me explicar isso, ele chamou de milagre. Há cinco horas Lilly foi registrada com morte cerebral logo após seus pulmões, rins, fígado e outros órgãos pararem de vez.

Mas agora, aqui está ela, respirando sozinha, recebendo todas as vitaminas. Os médicos não explicam nada disso, mas eu não me importo se eles não explicarem... um milagre aconteceu e Deus me devolveu Lilly. Se ela responder bem a todos os estímulos eles vão acordá-la logo, então nós iremos para casa.

— Logo nós vamos para casa. — Christian sussurra e eu sorrio.

Ele está sentado do outro lado da cama segurando a mão de Lilly.

— E você vai matar a saudade dos seus irmãos. — Christian diz e Lilly balança a cabeça. — Depois disso nós vamos nos divertir muito, e eu vou mimar muito você. Você promete que nunca mais vai nos dar um susto desse novamente, Lilly?

Lilly balança a cabeça e meu coração se enche de alívio, dou um beijo na testa dela e me afasto. Eu preciso de um pouco de água e, agora que sei que ela está bem, acho que posso respirar um pouco.

— Onde você vai? — Christian pergunta e eu sorrio.

— Tomar água, cuide dela. — Sussurro e ele balança a cabeça.

Dou a volta na cama e deposito um beijo na testa de Christian antes de deixar o quarto. Cruzo meus braços e sorrio ao encontrar todos no corredor esperando com aflição. Taylor, Sawyer, Ethan, Elliot, Vitória, Millie, Mia e Kate, e até mesmo as crianças, todos aqui com muitos ursos e balões.

— Eu espero que vocês não tragam mais ursos. — Digo e todos se viram me olhando com expectativa. — Ela está bem, vai acordar logo.

— Ah, Deus! — Elliot grita puxando Kate para os seus braços.

Kate empurra Elliot meio sem jeito para poder abraçar Vitória, mas logo todos estão se abraçando, todos aqui por Lilly. Todas as pessoas que ela ama, torcendo e orando por ela, e agora ela vai ficar bem. Sorrio com emoção, mas então vejo a figura de uma pessoa no final do corredor, alguém que acabou de adentrar as portas.

As lágrimas tomam meus olhos e todos começam a me encarar com preocupação.

— Pai... — Sussurro e ele me encara de longe dando um pequeno sorriso.

— Papai! — Nick e Alex gritam quando se viram.

Todos se viram assustados quando passo correndo e vou de encontro ao meu pai, mas paro na sua frente sem saber o que fazer enquanto Nick e Alex agarram suas pernas. Papai me olha por alguns segundos, ele sorri e me puxa meio sem jeito para um abraço.

— O que você faz aqui? — Pergunto lhe encarando quando ele finalmente me solta.

— Eu soube sobre Lilly, mas só consegui vir agora. Como...

— Ela está bem, ela vai acordar logo.

— Graças a Deus. — Papai sussurra fechando os olhos, ele os abre depois de alguns segundos e me encara acariciando meu rosto. — Nós temos que conversar.

— Sobre o que?

— Sua mãe...

— Você a pegou? — Pergunto deixando uma lágrima rolar.

— Não, mas não vamos falar disso agora, eu quero ver a Lilly e ficar com vocês um pouquinho.

— Está bem.

Seguro a mão do meu pai por impulso e isso o faz sorrir. Ele encara as nossas mãos juntas e me olha com carinho aquecendo meu coração. Nós não somos próximos e eu nunca sei como agir quando ele está aqui, mas hoje é diferente, pela primeira vez eu estou feliz por ele estar aqui, por ele vir me ver. Papai está aqui.

Suspiro quando nós nos viramos e todos estão olhando para nós, solto a mão de meu pai para que ele possa pegar os gêmeos, quando chego perto dos outros vejo Taylor me olhar com preocupação... há algo errado.

— Olha só para ela. — Papai sussurra e Celi abre um sorriso largo para ele. — Como ela cresceu.

Vitória se aproxima do meu pai e lhe entrega Celi que sorri para ele, sorri como se soubesse quem ele é, mas a última vez que eles se viram Celi tinha apenas três meses... e isso também é minha culpa. Meu pai não pode ficar conosco porque minha mãe sempre o encontra e, se ela chegar até ele, chega até eu... tudo o que ela quer.

Sinto meu coração se aquecer de forma estranha e me viro, sorrio ao ver Christian parado na porta do quarto me olhando, mas ele não sorri de volta, ele apenas encara as crianças brincando animadas com meu pai... acho que entendo o problema.

— Pai, eu quero te apresentar alguém. — Sussurro e meu pai encara Christian. — Esse é Christian Grey, Christian, esse é meu pai, Raymond Steele.

— Sr. Grey, é um prazer.

— Sr. Steele. — Christian diz apenas.

— Obrigada por cuidar dos meus filhos.

Christian apenas balança a cabeça e de repente eu me sinto completamente constrangida. Olho para o meu padrinho e ele suspira me fazendo ter certeza que tem algo errado, mas eu não posso imaginar o que é.

Eu me sinto estranha, um pouco sufocada e eu... encaro meu pai e a Christian, mas não há dúvidas sobre quem escolher. Caminho até Christian e envolvo meus braços em sua cintura, ele sorri para mim e me acolhe com seus braços apertando-me de forma carinhosa.

Encaro-o e sorri inalando seu cheiro que eu tanto gosto.