A Menina da Lua

22 ➷ Quarto de Jogos ➷


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Caminho para fora da casa enquanto coloco o medalhão de Maggie em meu pescoço, ando até a cerca branca e me sento recostada a ela olhando a casa... à minha casa. Fico apenas por alguns minutos, então me levanto, sem saber ao certo o que fazer ou para onde ir, mas assim me levanto vejo quatro carros estacionando em frente à casa.

Taylor desce de um e logo vejo Christian descer, ele corre na minha direção e segura meus ombros olhando-me completamente apavorada.

— Qual é o seu problema? — Grita e eu me encolho fechando os olhos. — Tem noção do quanto eu estive preocupado?

— Sinto muito. — Sussurro baixinho.

— O que você faz aqui?

— Eu ouvi você e sua mãe...

Christian me olha com pavor e eu apenas deixo as lágrimas caírem.

— Eu não sou o suficiente para você.

— Pare com isso!

— Eu sinto muito por estragar a sua vida.

— Já chega! — Grita me puxando contra seu peito. — Você não estragou nada, eu amo a nossa vida, que se dane a opinião da minha mãe.

— Me desculpe, eu... eu...

— Olha para mim. — Christian segura meu rosto e eu lhe encaro. — Eu amo você, eu não me importo com o que os outros pensem.

— Mas e seu eu nunca for capaz de te amar?

— Você está ao meu lado, é isso que importa. Nunca pense em me deixar, eu preciso de você, mais que tudo. Vamos para casa, por favor.

— Está bem.

Christian suspira com alívio e me afasta um pouco, ele envolve seu braço em meu ombro e caminhamos juntos até o carro. Fico aconchegada contra seu peito o caminho todo, perdida em pensamentos que só provam o quanto preciso dele, o quanto estou dependente de Christian. Flynn tem razão, eu preciso encontrar algo que me distraia, só espero que Christian não surte com isso.

Estou deitada contra o peito de Christian, nós estamos nus, deitados sobre a cama e enrolados em um lençol branco de seda. Não estamos falando nada desde que chegamos, mas é confortador ficar ao seu lado em silêncio, apenas tento certeza que ele está aqui.

Respiro fundo e Christian suspira.

— Eu quero arrumar um emprego. — Sussurro e ele fica rígido.

— Por quê?

— Eu estou pensando muito tempo em casa, quero me distrair um pouco.

— E você precisa de um emprego para isso?

Respiro fundo e me sento para encarar Christian, ele se senta também e me encara, pela sua cara deduzo que ele esteja bravo.

— Você não precisa de um emprego. — Diz firme.

— Christian, por favor. — Sussurro cansada. — Eu quero isso.

— Não, Anastásia! Você não tem que trabalhar, eu não quero que faça isso!

— Por quê?

— Porque eu tenho dinheiro suficiente para que você não precise trabalhar, ok? Você está estudando, não precisa se dividir entre trabalho e estudos.

— Christian, você não pode me privar disso.

— E você quer trabalhar exatamente para que? Para me estressar, é isso? Você está conseguindo.

Christian joga o lençol para o lado e se levanta, ele vai para o banheiro e bate à porta me fazendo suspirar.

Acho que quem precisa de Flynn é Christian, não eu.

Levanto-me e arrasto-me até o banheiro pensando em mil maneiras de não discutir com Christian, eu me sinto horrível quando nós brigamos.

Abro a porta do banheiro e o encontro embaixo do chuveiro encarando o chão, aproximo-me devagar e paro atrás dele envolvendo meus braços em seu corpo.

— Não vamos brigar. — Sussurro, mas ele não diz nada, apenas permanece rígido. — Por favor, eu quero muito fazer isso.

— Não! — Diz firme afastando minhas mãos e caminha para fora do chuveiro. — Eu não vou discutir sobre isso, você não vai trabalhar!

— Por favor.

— Já chega! Entendeu?

— Christian..., por favor. — Imploro e as lágrimas começam a cair. — Eu não quero ter que ficar aqui o dia todo, eu não aguento mais.

Ele me encara por alguns segundos, talvez arrependido, se aproxima e me envolve com seus braços. As lágrimas ficam mais fortes e eu fico encolhida em seus braços, sentindo-me completamente inútil.

— Eu odeio quando você age assim. — Confesso baixinho e ele suspira. — Não me prive de fazer as coisas, por favor.

— Eu não quero que você se machuque. Você indo trabalhar pode ser arriscado.

— Por quê?

— Porque sua mãe ainda está lá fora, Anastásia. Sua mãe matou a Maggie, é tudo o que eu sei. Você nunca me diz nada sobre seu passado, eu não posso arriscar perder você.

— Você não vai me perder.

Afasto-me e encaro seu rosto que carrega tanta preocupação.

— Eu estou aqui. — Sussurro. — Mas não posso me tornar tão dependente de você, isso está me sufocando. Eu não saio mais, não vou a escola, não vejo minhas amigas. Eu estou presa aqui, e eu não aguento mais isso.

— Você vai ficar feliz? — Pergunta e eu balanço a cabeça. — Ok, vamos fazer do seu jeito.

— Obrigada, Christian.

— Você pode trabalhar, mas vai estar sempre com seguranças, isso você não pode me negar, eu não vou correr o risco de ver você escorregando por entre meus dedos.

— Ok.

— Eu quero te levar a um lugar. — Christian sussurra acariciando meu lábio inferior.

— Que lugar?

— Apenas diga que sim.

— Está bem, pode me levar.

Um pequeno sorriso se forma em seus lábios e ele agarra minha mão, ele desliga o chuveiro e me entrega um roupão. Encaro Christian enrolar uma toalha na cintura e ele se aproxima novamente agarrando minha mão. Caminhamos para fora do quarto e quando chegamos a sala eu o observo ir até o criado-mudo e pegar uma chave dourada, ele se vira e sorri para mim.

Caminho até ele quando o mesmo estende sua mão, então a seguro, ele me leva até o andar de cima, mas seguimos pelo corredor oposto do quarto das crianças. Paramos na última porta e eu encaro Christian um pouco confusa e até mesmo desconfiada.

— Eu quero brincar com você. — Murmura e sua voz sai um pouco dura. — Mas não quero que se assuste.

— O que tem aí?

— Meu quarto de jogos.

Prendo a respiração quando ele destranca a porta e a empurra, então solto o ar sentindo minhas pernas ficarem bambas quando Christian ascende a luz. O cheiro de couro é a primeira coisa que percebo, então percorro meus olhos notando todos os chicotes e varas penduras. As paredes são vermelhas, há uma casa com dossel no centro do quarto, forrada com um lençol vermelho de cetim. Próximo a cama há uma cruz em formato de X e tudo isso de repente parece demais para digerir.

Tomo folego e entro no quarto olhando todas as outras coisas com atenção, Christian está me total silêncio atrás de mim e tudo o que eu faço é andar pelo quarto observando tudo com um pouco de pavor.

— Você faz... isso? — Pergunto gesticulando com a mão.

— Sim. — Diz com a voz suave. — Eu não quis te mostrar antes, não queria assustar você.

— Há quanto tempo você tem esse quarto?

— Uns quatro anos.

— Certo...

— Você está me deixando preocupado.

— Eu não sei o que dizer.

Olho em volta do quarto e paro meu olhar em Christian, ele parece preocupado, mas ao mesmo tempo feliz. É tão confuso.

— Você quer... usar essas coisas... em mim? — Pergunto timidamente.

— Sim.

Seu olhar é escuro e sua voz é tão rouca e sexy, mas o medo que estou sentindo me impede de ter qualquer tipo de desejo por ele. Christian um... dominador. Agora entendo um pouco seu jeito, mas ainda é tão assustador.

— Por quê? — Pergunto.

— Eu odeio quando você me desafia.

— É pelo trabalho?

— Por tantas outras coisas, Anastásia. — Diz com a voz rouca novamente. — Você fugiu de mim, discutiu comigo, está sempre me contrariando. Aqui é o único lugar onde eu posso dar um jeito em você.

— Eu pensei que... você me amasse.

— Eu amo, mas você me enlouquece. Eu quero que sinta isso, que veja tudo o que faz comigo.

— Por quê?

— Porque eu quero. — Diz exasperado. — Eu não vou tocar em você, a menos que queira.

— Se eu não quiser que use essas coisas em mim?

— Nós vamos ir dormir, você não precisa se sentir obrigada a isso.

Encaro-o por alguns segundos e suspiro antes de caminhar até os chicotes. Toco-os com as pontas dos dedos e o couro pinica minha pele de forma agradável. Há vários tipos de chicotes e isso está me deixando um pouco mais assustada. Ele quer usar essas coisas em mim, porque eu pedi para trabalhar?

Isso é amor?

Eu não consigo entender, eu gosto quando transamos no seu quarto, ou no escritório, até mesmo na sala, mas aqui parece ser tão diferente de qualquer coisa que eu poderia imaginar.

— Você vai gostar.

Fecho os olhos deixando um gemido baixo escapar ao ouvir Christian tão próximo. Ele está parado atrás de mim, suas mãos estão em meus quadris e seu hálito bate em meu ouvido com cuidado fazendo o desejo começar a crescer.

— Eu não vou machucar você, apenas te dar prazer. — Sussurra com a voz rouca.

— Você já me dá prazer sem essas coisas.

— Eu posso melhorar isso. Me deixa te mostrar, se for demais, você pode dizer e eu paro.

Desvencilho-me dos seus braços e caminho pelo quarto, agora noto algum tipo de grade no teto com coisas que deduzo serem algemas. Engulo em seco e paro em frente a cruz tocando-a com as pontas dos dedos. Eu me sinto tão confusa, Christian precisa disso e eu não sei se eu preciso, mas ele me ama e ele faz tudo por mim, talvez eu possa fazer isso por ele.

— Está bem. — Sussurro olhando-o por cima do ombro. — Que seja do seu jeito, Sr. Grey.

Ele se aproxima e para atrás de mim, suas mãos alcançam o laço do roupão e ele o faz, deslizando-o por meu corpo até que o mesmo esteja no chão.

— Você vai fazer tudo o que eu mandar. — Diz com sua voz tão dominadora. — Não olhe para mim sem a minha permissão, me chame apenas de senhor. Se tudo for demais, você pode dizer vermelho e eu paro na hora, entendeu?

— Sim.

— Sim o que, Anastásia?

— Sim, senhor.

Sinto seu sorriso, mas não digo nada, fico apenas parada encarando o chão, mas ouço-o andar pelo quarto. Algum tempo depois ele para atrás de mim novamente e agarra meus cabelos com cuidado separando por mechas. Levo alguns segundos, mas entendo que ele está apenas trançando-os.

— Ajoelhe-se ao lado da porta. — Ordena. — E coloque as mãos sobre as coxas.

— Sim, senhor. — Sussurro.

Não o encaro, eu sei bem como evitar isso, caminho até a porta e ajoelho sobre meus calcanhares soltando um suspiro baixinho.

— Anastásia, agora você é minha.