A Menina da Lua
13 ➷ Para Todos Ouvirem ➷
Notas iniciais
Abaixo-me em frente a Lilly e seguro suas mãos enquanto ela me encara com timidez e insegurança. Ela está prestes a chorar, seus olhos estão tomados por uma nuvem que está quase derramando chuva, mas ela está se segurando. Eu odeio isso, odeio vê-la triste e ter que deixá-la, mas eu também não posso deixar que ela fique em casa e se isole do mundo.
— Vai ficar tudo bem. — Sussurro acariciando seu rosto. — Eu vou estar no outro prédio, você pode pedir para me chamarem, e eu venho correndo.
— Promete?
— Sim, eu prometo.
Seguro seu colar e ela ruboriza.
— Ele também virá se você precisar.
— Ursinho bonzinho. — Lilly sussurra olhando por cima do meu ombro, para onde Christian está encostado em seu carro. — Não se atrase.
— Eu não vou.
Dou um beijo em sua testa e me levanto ainda segurando suas mãos. Lilly encara nossas mãos por alguns segundos e sorri antes de soltá-las e se virar, ela fica parada por alguns segundos olhando para a escola, toma um pouco de coragem e segue para dentro.
Viro-me e encaro Christian, ele sorri e estende a mão, aproximo-me e a seguro então nossos olhos se encontram e eu sinto o rubor tomar conta das minhas bochechas. Isso o faz sorrir ainda mais, ele levanta a mão livre e toca minha bochecha com as pontas dos dedos fazendo minha pele pinicar embaixo do seu toque.
— Você vai ficar bem?
— Vou. — Afirmo balançando a cabeça. — Estudar vai me ajudar a esquecer tudo isso um pouco.
— Certo, e você vai estudar?
— Sim.
— Não vai fugir?
— Não. — Digo rindo.
— Nem colocar fogo em nada?
— Não.
— Menos ainda acabar com carreiras? — Christian diz deixando o riso escapar.
— Menos ainda. — Sussurro mordendo o lábio inferior para não rir. — Eu prometo.
— Certo, eu levo você.
Christian agarra a minha mão e entrelaça meus dedos, isso me faz sorrir. Eu gosto de andar pelas ruas com ele segurando minha mão.
— Espero que você esteja sorrindo porque está pensando em mim. — Christian murmura enquanto andamos. Lhe encaro e me seguro para não rir. — Isso foi um sim?
— Não sei. — Digo tentando não sorrir.
Viro o rosto para o lado para rir quando ele revira os olhos. Logo chegamos a escola e em segundos viramos a maior atração. Todos começam a nos olhar e comentar, isso me incomoda e eu acabo puxando a minha mão da de Christian. Ele semicerra os olhos para mim parecendo chateado.
— O que é? — Pergunta preocupado.
— Acho que não deveríamos chamar tanta atenção. — Sussurro com pesar. — Não é seguro.
— Anastásia... acredite em mim, você está segura. Você, seus irmãos também. Taylor colocou pessoas para vigiar vocês.
— Você não acha que colocar segurança em cima de nós, chamaria atenção?
— Você está vendo algum?
Olho em volta atentamente e me viro rindo para Christian.
— Sim, eu estou. — Digo pegando-o de surpresa. — Minha mãe é esperta, ela sabe reconhecer um segurança quando o vê. Se você quer esconder algo dela, arrume mulheres, pessoas que não se pareçam tão velhas. Coloque-as entre os alunos ou funcionários da escola.
— Como você sabe disso?
— Eu conheço minha mãe. — Sussurro e ele me encara preocupado. — Eu preciso ir agora. Te vejo mais tarde...
— Você quer que eu venha te buscar?
— Não, eu vou com as meninas.
— Certo.
Sorrio e dou alguns passos para trás enquanto aceno, Christian cruza os braços e abre um sorriso, mas o nosso momento se vai quando sou jogada no chão a minha saia sobe completamente assim que caio, revelando toda a minha calcinha.
Vitória me olha apavorada e sai de cima de mim olhando com medo para Christian. Ele se aproxima furioso e segura nossos braços nos puxando.
— Desculpe. — Vitória diz ameaçando chorar. — Ana, eu não...
— Está tudo bem. — Sussurro abraçando-a. — Não há problemas.
— Como não? — Christian rosna. — Não há problema que todos vejam sua calcinha?
— Não, a calcinha é minha. Se você falar comigo outra vez assim, eu não vou ser tão boazinha quanto você espera, e não ouse gritar com a sua irmã ou qualquer outra garota na minha frente.
Christian me olha furioso, mas não diz nada, ele apenas se vira e caminha até o outro lado da rua onde Taylor já lhe espera com o carro. A sua raiva é tanta que eu posso ouvir daqui a porta bater. Viro-me para Vitória e ela me olha completamente envergonhada.
— Eu sinto muito. — Diz deixando uma lágrima cair. — Eu não queria fazer vocês brigarem.
— Não tem nada de mais nisso, seu irmão não pode te tratar assim. Não se preocupe, agora vamos para a aula.
➷
Sento-me em frente a bancada na sala de biologia e vejo Marcela ir sentar à minha frente com Milly. Kate e Mia estão sentadas ao meu lado e eu estou tentando me concentrar na aula enquanto elas me olham. Por que diabos elas estão me olhando assim?
— Alunos, em pé! — O professor pede e rapidamente nos sentamos. Troco um olhar com as meninas e nós nos levantamos com o resto da sala. — Deem as boas-vindas ao Sr. Fred Salmon.
— Peixe... — Mia sussurra e eu me seguro para não rir.
Então o menino entra na sala e todos ficam em silêncio. Mia me olha boquiaberta e volta a encarar o menino assim como toda a sala de aula que permanece em total silêncio.

— Que peixão. — Milly sussurra boquiaberta.
— Você pode se sentar ao lado da Srta. Steele, na última bancada.
Ah, não!
O menino me olha e sorri, então começa a se aproximar. Vitória e Mia me olham apavoradas, e eu posso imaginar o porquê disso. Christian agiu igual um idiota porque Vitória me derrubou, se ele souber sobre esse garoto e a forma como ele me olha, já vai ser o suficiente para mais brigas.
— Olá. — Fred diz assim que senta ao meu lado.
Encaro-o por alguns segundos analisando seus detalhes. Ele é um garoto bonito realmente, mas... acho que eu não deveria observá-lo tanto assim. Ele não chega aos pés de Christian e mesmo que eu esteja brava com ele, não posso descontar isso em outras pessoas... ao menos eu acho que não.
Ignoro-o e volto a minha atenção para o meu caderno.
— Psiu. — Kate chama e eu lhe encaro. — Você está muito pensativa.
— Fica quieta, ok?
— Saudade da Ana que destruía a sala o laboratório. — Mia sussurra e eu estreito os olhos para ela. — O que foi? Perdeu o jeito?
— Eu não perdi nada, mas se vocês não ficarem quietas, vou destruir vocês. — Murmuro e as duas começam a rir.
— O que elas quiseram dizer com isso? — Fred pergunta e eu arqueio a sobrancelha para ele.
— Novato, não se mete. — Vitória diz se virando.
— Vocês são sempre tão ariscas? — Pergunta e Milly se vira para lhe encarar.
— Mas a gente nem colocou fogo em você ainda.
Seguro o riso com a cara de espanto deles. Acho que estou treinando bem essas garotas.
Ignoro novamente Fred e continuo ouvindo o que o professor está falando, mas isso está tedioso. Eu não consigo parar de pensar na forma que Christian falou, e agora isso realmente está me incomodando. Odeio que me tratem como se eu fosse uma criança de cinco anos... ele não deveria ter gritado e agora... eu vou ter que dar um jeito de não me sentir tão chateada.
— Srta. Steele, você pode me acompanhar?
Levanto a cabeça confusa e vejo a diretora na frente na sala me encarando com seriedade.
Será que eu fiz algo e não me lembro?
Troco um olhar com as meninas e saio da bancada indo até ela, ela me olha por alguns segundos, se vira e sai da sala pisando firme sobre o chão. Sigo-a até a sua sala sem entender nada, ela me espera com a porta aberta e assim que eu entro a diretora bate à porta.
Arqueio as sobrancelhas surpresa e fico vendo ela ir até a sua mesa e se sentar. Fico parada atrás de uma das cadeiras, com as mãos para trás enquanto seguro meu celular.
— Aconteceu alguma coisa? — Pergunto e ela sorri arqueando as sobrancelhas.
— Me diga você.
— Desculpa, eu não estou entendo.
— Eu vi você chegando a escola, com o Sr. Grey. Você está morando com ele agora?
— Eu tenho certeza que isso não é da sua conta. — Sussurro me virando para sair da sala.
— Você acha que ele gosta de você?
Respire, Anastásia.
Essa diretora acabou de iniciar uma brincadeira da qual não vai sair ganhando.
Desbloqueio a tela do meu celular e me viro novamente para ela, segurando o celular atrás das costas.
— Você acha que alguém como Christian Grey ficaria com uma garotinha como você?
— O que? Como eu? — Sussurro com incredulidade. — Claro que não, ele é Christian Grey, eu não sou nada.
— Exatamente, você não é nada! Eu sou apaixonada por ele! EU! — Grita fazendo-me dar um passo para trás. — Eu tento há anos fazer com que ele me note, e eu não vou deixar uma garotinha como você acabar com isso.
— Longe de mim querer afastar você dele, Sra. Diretora.
— Você nunca iria conseguir, nós temos uma conexão, algo que uma garota como você não entenderia.
Semicerro os olhos tentando controlar a minha raiva. Se eu não posso entender, talvez possamos encontrar alguém que faça isso. Aproximo-me mais da mesa e encaro a diretora.
— É mesmo?
— Sim!
— Certo, eu vou te ajudar a chamar a atenção dele. Eu posso ligar agora mesmo para ele e dizer ‘MEU DEUS, CHRISTIAN, CORRE AQUI PORQUE A MINHA DIRETORA É LOUCA PARA TE DAR. — Grito e ela me olha horrorizada. — O que? Não é isso?
— Você acha que seria a primeira vez? Nós já estivemos juntos! E ele gostou.
— Claro, eu tenho certeza disso. E o que houve? Ele te levou na casa dele ou foi aqui? — Pego com sarcasmos. — Ele te jogou nessa mesa e fodeu você enquanto você fingia ser uma diretora exemplar?
— Ele me ama, garota tola! Só não percebeu isso ainda! E não vai ser você a atrapalhar isso.
— É mesmo? E o que você vai fazer?
— Eu vou acusar você de me machucar. — Ela grita jogando um vaso no chão. — Vou dizer que você tentou me matar. A polícia vai vir, vamos ver se eles vão acreditar em você, ou não diretora machucada.
— Diretora maluca. — Sussurro sorrindo. — Eu adorei a história, mas a aula nesse momento é de biologia, a menos que você queira conversar sobre como dissecar uma cobra eu não posso ficar, sua cascavel!
Abro um sorriso para ela e saio da sala antes que ela possa dizer qualquer outra coisa.
Mas que vadia!
Respiro fundo e pego meu celular, digito uma mensagem para Taylor e logo consigo o que eu quero, então acesso a rádio da escola e em segundos a voz da diretora está em todos os autofalantes da escola.
Você não me disse nada sobre gravações, Christian.
Saio andando pelos corredores enquanto vejo os alunos saírem das salas, e até mesmo os professores, apenas para ouvir a diretora. Entro na sala de biologia sorrindo e todos me encaram enquanto escutam a nossa discussão. Caminho até a minha mesa e começo a pegar minhas coisas.
— Onde você vai? — Kate pergunta segurando meu braço.
— Ver o show. — Sussurro sorrindo.
Encaro Fred que me olha completamente pasmo, mas eu não dou atenção, pego minhas coisas e saio da sala como a maioria dos alunos estão fazendo. O corredor já está repleto de alunos que estão rindo enquanto escutam tudo o que ela falou, então eu a vejo, vindo com um furacão empurrando todos os alunos.
Não faço nada, apenas espero ela chegar, então eu sinto forte o tapa que ela me dá, isso faz com que meu rosto vire. Todos param de rir e de falar. Seguro meu sorriso e levanto a cabeça lhe encarando. Está vendo, Christian? Ela destruiu sua carreira sozinha.
E como mágica, pensar em Christian faz com que ele apareça. Eu o vejo, parado atrás da diretora, seu olhar é furioso e eu acho que ele seria capaz de matar uma pessoa nesse momento com as próprias mãos.
— Bom dia. — Christian murmura e o medo passa pelos olhos da diretora. — Anastásia, Kate, Mia, Milly e Vitória. O carro está esperando vocês lá fora. Senhora Diretora, nós temos que conversar.
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