A Menina da Lua
14 ➷ Experimentando Coisas Novas ➷
Notas iniciais
As portas do elevador se abrem e eu saio sem esperar Christian, mas ele me alcança quando chegamos as portas duplas, olho para ele e apenas franzo o nariz correndo para a escada enquanto ele vai em direção ao seu escritório. Idiota! Aquela vadia me fala coisas absurdas e eu sou culpada por expô-la. Eu quero mais é que ela vá para o inferno. Eu não posso acreditar que Christian gritou comigo por causa dela!
Chego ao quarto e uso toda a minha força para bater à porta, escondo o rosto entre as mãos e solto um grito tentando estabilizar toda a minha raiva, mas é impossível. Eu só quero socar alguém até que essa pessoa morra.
Começo a andar de um lado para o outro tentando me controlar, mas eu não consigo, a cada passo que eu dou em uma nova direção a minha raiva fica maior.
Eu preciso sair daqui. Preciso pensar.
Jogo minha mochila no chão e corro para fora do quarto, não vejo Christian ou qualquer outra pessoa, então corro para o elevador. Chego ao hall do edifício e passo correndo pelo saguão ignorando as pessoas que me olham de forma curiosas. Logo alcanço a saída e corro pelas ruas tentando aliviar a raiva que estou sentindo, mas não consigo.
Isso é o inferno!
Corro pelas ruas sabendo exatamente para onde ir, então em algum momento eu paro vendo que estou na escola.
O carro da diretora está estacionado aqui, mas eu sei que não há outras pessoas. Entro no escola e começo a andar pelos corredores vazios, é silencioso aqui sem alunos. Acho que eu gosto disso.
Continuo andando e chego a sala da diretora, mas não a vejo. Vou até a sua mesa e pego suas chaves e seu celular, guardo tudo no bolso do meu casaco e corro para fora da sala. Uso o celular dela para conectar aos rádios, mas dessa vez eu coloco O Fantasma da Ópera para tocar. Aumento o som no último volume e ando pela escola trancando as portas.
Ninguém me falou sobre brincar de assustar.
Pego meu celular e uso alguns códigos para conseguir acessar as câmeras da escola. Caminho em direção ao ginásio enquanto vejo a diretora andar pela escola completamente apavorada. Então começo a acessar as trancas automáticas para prendê-la em alguns lugares.
Isso é pelo tapa, vadia!
Sento-me na arquibancada e fico vendo-a correr para todos os lados desesperada.
Ligo o microfone do seu celular e conecto ao rádio.
— Achei que gostasse de brincar, diretora. — Sussurro e minha voz ecoa pelos autofalantes. — Você não vai conseguir se esconder na dispensa.
Ela olha apavorada para as câmeras e começa a correr, então tranco a porta do refeitório. Vou abrindo as portas que dão caminho ao ginásio, e como um ratinho ela vem seguindo, porta por porta, corredor por corredor. Assim que ela entra no ginásio eu começo a trancar as portas e apago as luzes.
— Anastásia! — Ela grita. — Isso não tem graça alguma.
Eu estou na última fileira da arquibancada, olhando-a enquanto ela corre pelo ginásio.
— Teve graça me dar um tapa? — Sussurro e novamente me voz ecoa nos autofalantes. — Teve graça quando você disse que eu não era o suficiente?
— Me desculpe, eu estava errada! — Grita e noto sua voz embargada.
— Minha mãe me dizia que uma pessoa com medo fala qualquer coisa, principalmente que está arrependida..., mas ela também me ensinou a não acreditar em pessoas com medo.
— Por favor, pare com isso! Eu não vou contar a ninguém.
— O que você diria? Que eu invadi a escola? — Gargalho e o som ecoa pelos autofalantes. — Em quem eles vão acreditar? Na aula toda machucada, que quase foi afogada na piscina do ginásio... ou na diretora que tem acesso as câmeras, portas... está tudo no seu celular.
— Por favor, para com isso! Eu sumo daqui! Você nunca mais vai saber de mim.
— Eu não vou mesmo, porque eu vou matar você. — Sussurro e agora sinto minha raiva começar a se estabilizar. — Depois... eu vou jogar seu corpo na piscina, vou deixar você nua. Essa vai ser a visão que seus alunos vão ter amanhã.
— Não! — Ela grita desesperada. — Por favor, só para com isso. Eu faço o que você quiser.
— O que eu quiser, diretora? — Pergunto sorrindo.
— Sim, qualquer coisa.
— Tire a sua roupa. — Ordeno e acendo uma das luzes sobre ela.
— O que?
— Você disse o que eu quiser! Tire sua roupa, agora! — Grito e ela se encolhe.
Fico olhando atentamente ela tirar a sua roupa, como tantas vezes eu fui obrigada a fazer, mas olhando assim e com a raiva que estou sentindo, isso se torna divertido. Querida, Elizabeth, quanto mais medo eles tiverem de você, melhor. As palavras de mamãe soam suaves em meus ouvidos.
Logo a diretora está apenas em peças intimas no meio da quadra e eu abro a porta do ginásio que dá para fora da escola.
— É só sair. — Sussurro.
— Não! — Ela grita apavorada. — Eu não vou fazer isso.
— Saia! — Grito e ela se encolhe.
Ela começa a chorar apavorada enquanto anda até a porta, então eu tranco a porta fazendo com que ela se encolha. Gargalho e começo a descer da arquibancada com cuidado, aproximo-me a passos calmo e paro atrás dela. Minhas mãos estão penduradas ao lado do meu corpo, meu cabelo está caindo com cascata pelo meu rosto.
Levanto meu celular e coloco batidas de filme de terror para tocar, então ela se vira e me encara.
— Você quer jogar um jogo? — Pergunto e ela começa a ficar pálida. — Estou assustando você?
— Por favor...
— Vamos ver se você é rápida. — Sussurro abrindo a outra porta do ginásio.
Ela me olha por alguns segundos e começa a correr, mas eu não fecho a porta dessa vez, começo a segui-la, mas antes apago tudo do seu celular e o jogo na piscina.
Ando pelos corredores ao mesmo tempo que vou desligando as câmeras. Eu sei que Taylor pode estar me rastreando nesse momento.
Aumento o volume do som e ela continua correndo e gritando por socorro. Vou abrindo as portas até que ela chegue a saída, então ela corre para fora da escola gritando com desespero.
Fecho a porta e uso meu celular para apagar todos as imagens das câmeras de segurança, desligo o som e corro para a os fundos da escola. Assim que saio abro todas as portas e me certifico de que apaguei todas as imagens, jogo as chaves dela na grama e então caminho até o outro prédio. Entro e vou em direção a sala de Lilly, paro na porta e seu olhar encontra o meu e até então, ela sorria, mas seu sorriso se desfaz.
— Posso ajudar? — A professora pergunta.
— Sim, eu preciso levar a Lilly, emergência familiar. — Sussurro.
— Certo.
A professora me olha com pena, ela deve imaginar que eu estou sofrendo, mas não é nada disso.
O pavor de Lilly se torna maior quando sua professora vai até ela e pede que ela arrume suas coisas. Ela já está chorando nesse momento, mas eu estou apenas olhando-a, vendo atentamente ela arrumar a mochila e vir na minha direção.
Seguro sua mão e lhe encaro.
— Vamos brincar, Lilly?
— Ana, por favor.
— Vai ficar tudo bem, Lilly.
Sorrio para a professora e começo a andar em direção a saída com Lilly. Ela está apavorada, chorando e eu não digo ou faço nada para acalmá-la. Saio da escola com ela e nós seguimos pela rua até o parque, está vazio hoje, imagino que seja pelo frio e por ser horário de aula.
Caminho até o balanço com Lilly e mando ela se sentar. Ela solta a sua mochila no chão e se senta no balanço, paro atrás dela e seguro as correntes.
— Você me ama, Lilly? — Pergunto.
— Sim...
— Quando eu tinha sete anos... eu conheci um garoto. — Sussurro começando a empurrá-la no balanço. — Foi o primeiro menino que eu conheci, ele disse que em amava. Nós éramos melhores amigos, como você e a Mika.
— O que aconteceu com ele?
— Minha mãe o levou para brincar. — Digo rindo e uma lágrima escapa, Lilly ameaça descer do balanço, mas eu seguro seus ombros.
— Eu quero o Christian. — Diz apavorada.
— Você acha que eu vou te machucar, Lilly?
Solto o balanço e dou a volta baixando em sua frente, ela me olha desesperada. Seu rosto está repleto de lágrimas, assim como o meu nesse momento. É por isso que ela não pode me amar! Ninguém pode. Porque eu sou exatamente como a minha mãe.
— Eu não quero que você me ame. — Sussurro deixando as lágrimas escorrem. — Porque eu não sou boa.
— Não. — Lilly diz chorando. — Você é boa, é boa.
— Eu não sou, Lilly. A Maggie se foi por minha causa.
— Não é verdade, não foi sua culpa.
— Eu sou uma pessoa má.
— Não, não é! — Lilly grita descendo do balanço e me abraça. — Você não é má, não é. Eu não me importo com o que você faça. Eu vou continuar te amando!
— Por quê? — Pergunto lhe afastando. — Por que você quer me amar?
— Porque é isso que família faz, ela ama. Você é minha família, o Nick, o Alex, a Celi... nós precisamos de você. Nós amamos você.
— Eu sinto muito, Lilly. Me desculpe, me desculpe.
Lilly me olha com pavor e volta a me abraçar, então eu me sinto como uma criança. Uma criança triste e sem amor. Eu não sou o que ela precisa, mas eu preciso dela, eu preciso do amor da minha irmã, porque o amor dela me traz para a luz.
Eu estou envolvida por seus pequenos braços e sinto que estou sendo cuidada por ela. Eu sou um monstro, como a minha mãe, mas Lilly me ama. Ela não vê o monstro em mim, ela não sabe o que eu sou capaz de fazer... e ela me ama.
— Vamos para casa. — Lilly sussurra acariciando meu rosto. — Vamos fazer biscoitos, só nós duas.
— Sim. — Sussurro secando seu rosto. — Nós duas, e então vai ficar tudo bem, não é Lilly?
— Sim, Ana. Vai ficar tudo bem.
Puxo-a para os meus braços novamente, sem entender a vontade de tê-la aqui, tão perto aquecendo o meu frio coração. Pego a sua mochila e me levanto sem tirá-la de perto de mim. Seguro-a firmemente em meus braços e começo a andar pelas ruas, para casa.
➷
Lilly está dormindo em meus braços quando atravesso as portas duplas, paro e encaro Christian andar de um lado para o outro na sala. Ele está... desesperado e eu sinto que é por minha causa. Seu olhar encontra o meu ele para de andar, sua expressão fica calma, aliviada, e então ele respira fundo.
Ele corre na nossa direção e me puxa para seus braços, deixando Lilly entre nós. Eu não sinto mais raiva, na verdade, depois de tudo isso eu em sinto vazia... vazia como uma fera pode ser.
— Eu fui um idiota. — Christian murmura beijando o topo da minha cabeça. — Eu nunca mais vou gritar com você. Não suma assim, por favor. Não vá embora e não leve Lilly de mim.
— Eu sinto muito. — Sussurro levantando a cabeça e lhe encaro. — Eu fui uma idiota.
— Você só quase matou a diretora de susto, mas Taylor vai resolver isso.
— Eu estou encrencada?
— Não, eu só quero cuidar de vocês agora. Eu não me importo com essa merda toda.
Christian toma Lilly com cuidado dos meus braços e a aconchega contra seu peito, então ela acordada assustada e encara ele, depois em encara.
— Está tudo bem. — Sussurro e ele se curva encostando as nossas testas. — Me desculpe.
— Eu amo você, Ana. — Lilly sussurra tocando meu rosto. — Tudo bem.
— Eu tenho uma surpresa para você, Lilly. — Christian sussurra depois de alguns minutos. — Venham comigo.
Troco um olhar com Lilly e enquanto Christian a leva eu vou seguindo-os. Ele a coloca sentada em frente a bancada onde há vários pratos todos cobertos. Sento-me ao lado da Lilly tentando entender o que Christian está aprontando.
— Eu conversei com a médica que examinou você, você lembra dela? — Christian pergunta e Lilly ri.
— Sua mãe.
— Sim. Ela me receitou algumas vitaminas, para você tomar. Essas vitaminas vão ajudar sua imunidade a melhorar assim como a falta de nutrientes.
— É mesmo? — Pergunta curiosa.
— Sim, e eu já compre as vitaminas. — Christian diz animado. — Então, a minha mãe me disse que nós poderíamos dar doces a você, doces que não lhe fariam mal. Eles têm açúcar, mas é o suficiente para que você continue bem.
Christian começa a destampar os pratos e então Lilly começa a me olhar com pavor. Graças a sua imunidade baixa e a falta de vitaminas, ela tinha uma alimentação mais rígida, que não continham doces. Os médicos não sabiam ao certo o que ela tinha, então preferiram evitar o açúcar e acostumá-la a aceitar alimentos com mais nutrientes.
— Você quer experimentar, Lilly? — Christian pergunta e Lilly lhe encara. — Foram feitos especialmente para você.
Lilly sorri e me encara, então encara Christina, ela sobe no balcão ignorando os pratos e vai até Christian lhe pegando de surpresa com um abraço.
— Ursinho bonzinho. — Lilly sussurra. — Obrigada.
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