A Menina da Lua
15 ➷ Muito Mais Que Uma Aposta ➷
Notas iniciais
Christian olha atentamente enquanto Lilly encara o chocolate, decidindo entre ele e um pedaço de torta. Ela estica o braço e pega o chocolate e isso faz com que Christian sorria amplamente. Fico olhando com ansiedade enquanto minha irmã morde um pedaço do chocolate.
Ela franze o nariz enquanto mastiga e faz uma careta cuspindo o chocolate no guardanapo.
— Isso não é bom. — Murmura e eu gargalho com a surpresa de Christian. — Eu quero morangos, nós temos morangos?
— Morangos?
— Sim.
— Eu tenho uma ideia. — Sussurro me levantando.
Vou até a geladeira e acho os morangos já lavados, volto ao balcão e coloco o pote em cima da mesa.
— O que você vai fazer? — Christian pergunta confuso.
— Chocolate com morango. Se você quer que ela se acostume com doces, vamos misturar eles com as coisas que ela gosta de comer.
Pego o chocolate e vou derrete-lo enquanto Christian tenta convencer Lilly a comer outros doces, mas ela se recusa, ela está feliz comendo os morangos... morango também era minha fruta favorita quando eu era criança, na verdade, acho que ainda são.
Às vezes me impressiona a forma como Lilly e eu somos parecidas, mas eu gosto disso, gosto que sejamos parecidas e que ela tenha uma vida feliz.
Volto ao balcão com o chocolate já derretido, arranco da mão de Lilly o morango que ela ia levar até a boca e melo no chocolate. Levo o chocolate até a sua boca e ela vira o rosto. Semicerro os olhos e Lilly começa a rir, mas usa as mãos para esconder a boca.
— Vamos, abra. — Peço e ela balança a cabeça. — Vai, isso é bom.
— Então come você. — Lilly diz e eu mordo o lábio para não rir. — Vai, se você comer eu como.
— Eu não gosto de chocolate.
— Eu também não.
— Me dá! — Christian diz arrancando o morango da minha mão e enfia na boca.
Lilly começa a gargalhar alto e isso me impressiona... é a primeira vez que ela ri assim desde a morte de Maggie. Sorrio e pego outro morango entregando a ela. Acho que a missão dar doces a ela já era, mas eu estou feliz por ela estar se divertindo, estar aqui, sorrindo tanto e se alimentando.
Minha garotinha, que me ama mesmo quando sou má.
Levanto a mão e toco o rosto de Lilly pegando-a de surpresa, ela me encara e sorri inclinando a cabeça para o meu toque. Sorrio emocionada e percorro minha mão em sua mandíbula por alguns segundos, mas para quando Christian começa a nos olhar atentamente.
Lilly encolhe os ombros rindo e traz um morango até a minha boca, aceito e isso a torna mais feliz ainda.
— Xigamos!
Sorrio ao ouvir a voz de Alex, então me viro vendo Taylor entrar na sala com os gêmeos e Celi em seu braço. Celi abre um sorriso enorme quando me vê e isso me faz ir até ela, tomo-a dos braços de Taylor e lhe dou um beijo rápido na testa.
Nick e Alex sequer ligam para mim, eles passam correndo e eu os acompanho com o olhar até ver Christian se abaixar e agarrar os dois começando a beijá-los. É isso agora. Essa é a nossa vida, e eu não quero estragar nada disso. Eu gosto do fato de Christian cuidar de nós, ele tem mudado nossas vidas.
— Nós podemos conversar, Ana? — Taylor pergunta e eu lhe encaro, balanço e o sigo até seu escritório.
Sento-me em frente à mesa e aconchego Celi em meus braços, balançando-a com cuidado enquanto ela brinca com os botões da minha camisa.
— Eu conversei com seu pai ontem.
— Meu pai! — Digo surpresa sentindo meu coração acelerar. — O que...
— Ele não pode vir agora.
— Por quê?
— Sua mãe está atrás dele, colocou homens para segui-lo.
Respiro fundo e fecho meus olhos tentando conter o medo. Eu nunca tive uma relação com meu pai, mas Maggie sempre falou tão bem dele e eu sinto medo por ele, medo que mamãe faça alguma coisa com ele..., mas às vezes eu sinto que papai ainda é o ponto fraco dela, que apenas isso a impede de feri-lo.
— Taylor... você acha que ela teve alguma coisa a ver com aquele incêndio que matou Maggie? — Pergunto enquanto encaro Celi, ela sorri ao ouvir o nome da mãe.
— Sinto muito, Ana, mas eu realmente acho que sim.
Balanço a cabeça e suspiro olhando para a parede. Maggie deveria estar segura, as crianças deveriam, se mamãe vier eu sei que ela vai ataca-los, ela não se importo em feri-los, mas eu vou fazer o que for preciso para que eles fiquem bem.
— Existe alguma chance de que ela nos encontre?
— Eu acho que não, nós fizemos um bom trabalho com você. Você não é mais uma garotinha ruiva de olhos verdes... e Ray foi esperto em colocar em você o nome da Ana. Vocês teriam a mesma idade hoje.
— Será que mamãe não desconfia que meu pai não conseguiu salvar minha tia?
— Acho que não, acho que ela jamais vai saber disso, a Ana morreu há muito tempo, mas Raymond tomou todas as medidas para que ninguém soubesse disso.
— Entendo... — Sussurro encolhendo os ombros. — Essa deveria ser a vida dela, não é mesmo? Ela deveria estar aqui agora, com as crianças... Christian.
A ideia aperta meu peito de forma assustadora. Eu não consigo imaginar outra pessoa no meu lugar, mas isso tudo era da minha tia... ela cresceu bem, feliz... enquanto ela tinha cinco e brincava de bonecas eu fazia coisas horríveis. Mas então ela morreu, morreu por estar doente, eu só soube da sua existência tempos mais tarde, quando Ray me contou que eu assumiria a identidade dela para a minha segurança.
Eu nunca conheci meus avós, mas sei que Ray quem cuidou da Ana, Ray e Maggie... até ela morrer.
Isso tudo é tão confuso.
— Não pense tanto isso, esse é o seu lugar, e acho que a sua tia ficaria feliz em te ver segura e bem. — Taylor murmura e eu balanço a cabeça. — Como você está?
— Confusa com tudo, mas acho que estou bem. Eu gosto daqui.
— E o Sr. Grey, ele te trata bem?
Ruborizo com a pergunta de Taylor e ele gargalha.
— Eu estou surpreso por ele gostar de alguém depois de Leila.
— Leila? — Pergunto confuso e Taylor me olha com preocupação. — Quem é Leila, padrinho?
— Eu gosto quando você me chama assim.
— Você está mudando de assunto.
— E você está me chamando assim porque quer tirar algo de mim, não me venha com essa.
— Eu descubro sozinha. — Sussurro sorrindo. — Eu vou ir dar banho em Celi.
— Ana, só mais uma coisa.
— O que?
— Nós vamos ter que mudar você de escola se, você aprontar outra dessa. Você se safou por sumir com as imagens, a diretora está num psicólogo agora, ela acha que sofreu ataques de uma invocação maligna.
— Ela é maluca, padrinho. — Sussurro mordendo o lábio inferior. — Tudo bem, eu não vou aprontar mais com ela.
— O que ela te disse que deixou daquele jeito?
— Não importa mais.
Levanto-me e encaro Taylor por alguns segundos.
— Se meu pai ligar, diga que as crianças sentem falta dele.
— Eu direi.
— Obrigada.
Balanço a cabeça e saio do seu escritório com Celi, volto a sala e sorrio ao ver Christian sentado em frente ao sofá com as crianças, Lilly também está com ele agora, brincando e enchendo a boca dele de morangos. Dou um passo na direção deles, mas paro ao ouvir a voz das meninas.
Viro-me rapidamente para Vitória ver que eu estou com Celi nos braços, ela entra rindo e joga a cabeça para o lado fazendo um beicinho, mas seu beicinho se vai quando a bebê começa a gritar e se jogar para ela.
— Celi! — Vitória grita animada e corre para pega-la.
Assim que Vitória pega Celi eu vejo Kate, Milly e Mia entrando na sala com quatro garotos e no meio deles está o novo aluno. Encaro as meninas confusa, mas não digo nada. Isso vai ver engraçado.
— Anastásia, não é? — Fred diz e eu balanço a cabeça confirmando. — Você também é irmã do Sr. Grey?
— A Anastásia e o Christian são namorados. — Lilly diz e eu viro a cabeça para fuzilá-la.
— Namorados? — Vitória e Mia perguntam arregalando os olhos.
— Namorados? — Agora é Milly e Kate que repetem.
— Eu tenho que trocar a fralda da Celi. — Murmuro pegando a minha irmã novamente.
— Tem mesmo. — Christian diz se levantando. — Eu ajudo você.
— Nada disso! — Vitória grita. — Que história é essa de namorados? Era por isso que você estava com aquela cara de bem comida na escola, vocês transaram?
— Vitória! — Digo firmando olhando para as crianças. — Ficou maluca?
— Ah, meu Deus! Que nojo! — Mia grita horrorizada. — Você e o nosso irmão?
— Acabou o show? — Christian pergunta se aproximando.
Ele toma Celi dos meus braços e encara suas irmãs, isso é o suficiente para elas se calarem e começarem a ficar envergonhadas.
— Vocês podem usar a sala para estudar, eu não quero bagunça. — Christian murmura lançando um olhar para Vitória. — Nada de gracinhas, fiquem longe dos botões da Anastásia, não a jogue no chão. Anastásia, vista algo que nenhuma delas possa tirar.
— Ok. — Sussurro mordendo o lábio, me contendo para não rir da cara de espanto dos meninos. — Vou colocar um short e um top. Vih, você não tem muito o que tirar.
— Anastásia! — Christian diz firme e eu começo a gargalhar. — Você é tão engraçadinha.
— Eu? Não!
— Alguém está sendo irônica. — Lilly murmura e eu me viro para lhe encarar. — Eu não disse que era você.
— Engraçadinha.
— Chega. — Christian diz estressado. — Vá trocar de roupa, eu vou ficar com as crianças lá em cima enquanto vocês estudam.
— Eu nem sabia que a gente ia estudar.
Suspiro derrotada com o olhar que ele me lança, então vou até os meus irmãos e agarro Nick e Alex pela cintura fazendo eles rirem. Lilly se levanta e corre para dar um beijo nas meninas, depois segue Christian e eu para o andar de cima.
Deixo eles no chão e Christian se senta com eles. Vou até o closet e visto uma calça de moletom e uma rega preta, quando volto a o quarto Christian me olha de cima abaixo e logo seu olhar fica escuro. Meus músculos se contraem e eu desvio o olhar rapidamente. Isso deveria acontecer fácil assim?
Balanço a cabeça e saio do quarto sem dizer nada. Volto a sala e suspiro ao encontrar as meninas e seus amigos já sentados, com vários livros abertos. Eu queria poder ficar com Christian e as crianças essa noite, seria uma noite agradável.
Não sei se consigo me lembrar o nome de todos os meninos. Acho que Bradley, José e Jack, fora Fred. Tudo o que eu consigo ver quando olho para eles é um grande monte de bosta que está estragando a minha noite.
Sento-me ao lado de Vitória e lhe encaro.
— Desde quando você obedece a alguém? — Pergunta olhando para a minha roupa.
— Desde quando esse alguém fode gostoso. — Murmuro e vejo todos me olharem incrédulos. — Eu estou brincando, só troquei de roupa porque estava usando aquele uniforme horrível. E falando sobre coisas horríveis, por que, diabos, vocês estão aqui?
— Meus pais estavam... discutindo. — Vitória sussurra encarando suas mãos. — Acho que seria melhor revisar a matéria para o teste de sexta.
— Se tiver teste. — Fred sussurra. — Eu fiquei sabendo que a diretora teve um surto quando estava na escola. Encontraram ela vagando na rua, só de peças intimas. Ela disse ter visto uma presença maligna.
Em perfeita sincronia Vitória, Mia, Kate e Milly viram as cabeças e me encaram horrorizadas. Encolho os ombros já imaginando que elas estão deduzindo que fui eu.
— E daí? — Pergunto encarando-as. — Eu odeio aquela mulher.
— Você fez isso? — Jack pergunta me encarando com admiração.
— Claro, eu dei meu corpo para a Annabelle usar no intuito de assustar a diretora. Fui muito legal, Annabelle e eu somos superamigas.
As meninas explodem em gargalhada quando os meninos me olham assustados. Reviro os olhos e pego minha bolsa no sofá tirando meus livros de dentro.
— Vamos começar a estudar antes que a Annabelle se manifeste de novo. — Milly diz e eu sorrio. — Ana, peça a outra Anna que nos deixe em paz enquanto estudamos.
— Vocês estão brincando, não é? — Fred pergunta e Kate gargalha.
— Não seja sonso, novato. Ela está brincando.
Reviro os olhos e abro o livro de álgebra, então logo eu estou explicando a matéria para o aluno novo e eu ainda me pergunto o porquê de ele estar aqui, mas ignoro esse pensamento como tantas outros. Enquanto estou estudando Fred vem sentar ao meu lado e eu posso ver de soslaio as meninas de graça com os outros três meninos.
Grande noite, Ana!
Sinto meu corpo queimar e olho assustada para as escadas vendo Christian parado lá, olhando feito um gavião para Fred que está mais debruçado em cima de mim. Umedeço os lábios com a língua e me afasto um pouco, então Fred sorri sem notar a presença de Christian, ele se aproxima mais e eu me desespero.
Uma lembrança ruim me atinge... eu tenho dez anos novamente e estou tentando me esquivar de um homem.
— NÃO! — Grito assustando todos, me levanto a encaro Fred. — Aprenda a estudar com uma garota, sem se jogar em cima dela.
— Eu sinto muito eu só...
— Ana, está tudo bem? — Christian pergunta preocupado e começa a se aproximar, então Fred se cala.
— Sim. — Falo ríspida. — Eu não quero mais estudar, isso tudo é uma grande merda, vocês nem estão estudando, só estão me usando para fugir da porcaria dos seus problemas. Eu cansei de vocês. E olha só, Sr. Salmon, se você se aproximar assim novamente de mim, eu vou fazer questão que você não sobreviva para contar a alguém.
— Ana... eu sinto muito.
— É Anastásia para você. E com esses seus amiguinhos aí, meia boca, eu tenho absoluta certeza que você já entrou na maldita aposta também, não é?
— Que aposta? — Christian pergunta encarando Fred com raiva, mas nem ele, nem ninguém diz nada. — Que porra de aposta?
— Os meninos da escola... fizeram uma aposta para tentar levar a Anastásia para a cama. — Mia sussurra envergonhada. — Todos eles... eles queriam ter certeza que ela é virgem.
— Não se preocupe, pode avisar que eu não sou mais! — Grito. — Vai lá correndo e diz que o seu irmão já me comeu.
— Já chega! — Christian diz agarrando meu braço e me leva para fora da sala.
Ele me arrasta até seu quarto e assim que entramos bate à porta, puxo meu braço e lhe empurro começando a andar de um lado para o outro. A raiva parece voltar de forma descomunal e eu queria muito não sentir vontade de fazer cada um desses garotos pagarem por isso, pagarem por achar que eu sou alguém tão fácil assim.
Cerro meus punhos e sufoco um grito, encaro Christian com raiva, muita raiva, pronta para gritar com ele, mas então ele se aproxima e segura meu rosto colando seus lábios. Subo as mãos até seus braços para ter apoio enquanto ele me empurra na parede até prensar-me.
Sua mão fica firmemente segurando meu rosto enquanto a outra escorrega pelo meu corpo até chegar a barra da minha camisa, ele enfia a mão por dentro e começa a subi-la. Sua língua dança contra a minha de forma enlouquecedora e alguns segundos já são o suficiente para que eu o deseje de forma incontrolável.
Gemo quando ele alcança meu seio e o apalpa.
Levo as mãos até o seu peito e lhe afasto completamente confusa. Encaro seu rosto tentando entender o que ele vê em mim, eu sou apenas a garota digna de uma aposta idiota, onde os meninos querem apenas me levar para a cama.
— Você é muito mais que uma aposta. — Christian murmura me pegando de surpresa. — Você é forte, determinada, e esse seu jeito explosivo, é uma das coisas que eu amo em você.
— Ama... — Sussurro ganhando um pequeno sorriso.
— Sim, agora não fique brava, eu vou acabar de uma vez por todas com esses garotos!
— O que você vai fazer?
— Mostrar do que as mulheres realmente gostam.
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