A Menina da Lua
9 ➷ Nada Sobre Mim➷
Notas iniciais
Sigo Christian pelos cômodos da casa e deixo um sorriso escapar quando ele para na porta do seu escritório abrindo-a para eu entrar. Balanço a cabeça e passo por ele entrando no escritório, caminho até a sua mesa e senta na ponta dela lhe encarando.
Ele fecha a porta e se aproxima parando entre as minhas pernas. Mordo o lábio inferior sorrindo e rapidamente envolvo minhas pernas em sua cintura, prendendo-o bem perto, o suficiente para sentir sua crescente ereção roçar contra meu sexo.
Suas mãos sobem para as minhas coxas, apertando-as por debaixo da camisola tão curta que estou usando. Apoio as mãos em seus braços esquecendo o motivo de estar aqui, eu quero que ele me beije, quero esquecer toda essa merda que está acontecendo e sei que Christian é a melhor forma para isso.
Aproximo-me mais do seu corpo, subindo as mãos até seu pescoço, mas assusto-me quando meus pulsos são agarrados e Christian afasta-me com um sorriso nos lábios.
Que inferno ele está fazendo?
— O que você pensa que está fazendo? — Pergunto lhe encarando.
— Vamos conversar, lembra?
— Eu não quero conversar.
Desço da mesa e dou um passo em sua direção, mas ele recua levantando as mãos e novamente sorri. Ele quer estressar-me, apenas isso. Eu não posso acreditar que esse idiota está fazendo isso comigo. Não sou uma criança, eu não preciso sentar e conversar sobre isso. É claro que ele me trouxe apenas aqui porque ele quer algo, mas eu não entendo esses joguinhos idiotas.
— Você não queria saber por que está aqui?
— Mudei de ideia. — Digo avançando, mas novamente ele recua rindo.
— Eu não vou tocar em você, garota. Não aqui. Não agora.
— Ah, falou o cara que queria me levar para o carro.
— Você é maluca, sabia? Eu gosto de te ver nervosinha assim, mas nós realmente precisamos conversar sobre você estar aqui.
— É óbvio para mim. — Murmuro cruzando os braços. — Ficou óbvio quando você me beijou, bem aqui nessa mesa, e depois foi até a minha casa com uma desculpa idiota quando poderia ter deixado suas irmãs com qualquer empregado, e então me convidou para o seu carro. Eu não sou uma criança, Christian! Sei o que você quer.
— Você está enganada, sobre mim. — Sussurra com pesar. — Eu não te trouxe apenas por sexo.
— Ah, não? Então você não ficou vendo-me dançar de calcinha e sutiã apenas porque eu te deixei excitado? Não rastreou a porra do meu número para pedir-me para dançar para você, nem mesmo quando eu estava praticamente nua na sua sala e depois você me trouxe aqui, me beijou. Isso não foi apenas por sexo?
— Não, não foi.
— Você é um idiota. E quer saber? Eu estou indo dormir, que se foda o motivo de você ter me trazido aqui, se você não vai dar o que eu quero, eu não tenho porque te ouvir.
Ando em direção à saída, mas sou barrada por ele quando chego ao seu lado, Christian segura meu braço com força e eu lhe encaro sentindo a raiva me invadir.
— Eu sinto muito que sua mãe tenha morrido. Sinto muito que tenha que cuidar dos seus irmãos quando você nem tem uma relação de verdade com eles, mas você não pode descontar a sua raiva em mim. Você é muito mais do que sexo.
— Ela não era a minha mãe. — Sussurro prendendo as lágrimas. — Eu não me importo com o que você pensa, eu vejo tudo o que está acontecendo. Eu conheço homens como você, não sou ingênua. Eu nunca fui.
Puxo meu braço e passo por ele indo em direção a saída.
— Eu me importo com você. — Ele diz e eu paro de andar. — Você é gostosa para caralho, é sim! Mas se eu fui capaz de pular da porra de uma ponte por você, é porque você é bem mais que sexo.
— Eu não pedi para você pular de lugar algum.
Abro a porta e saio do escritório batendo-a atrás de mim. Recosto-me novamente na parede ao lado, ofegante como na primeira vez, mas agora eu não me sinto feliz. Eu me sinto suja, com medo. Eu não deveria me sentir assim e isso não pode ser verdade. Christian não pode se importar comigo, ele não sabe nada sobre mim.
Eu não quero que ele se importe comigo, não quero que ele sinta nada por mim além de atração.
Christian não pode gostar de mim... isso seria loucura.
A porta do escritório se abre e Christian se de dentro, ele se vira e cruza os braços me encarando.
— Você não quer conversar, tudo bem, mas você vai me ouvir. — Diz firme e eu apenas reviro os olhos. — Você pode pensar sobre o que quiser, eu te trouxe para cá porque realmente me importo com você. Mas o que pensar de uma garota que está em um programa de proteção, não é mesmo?
— Isso não é da sua conta. — Sussurro deixando as lágrimas caírem. — Você não tinha que se meter nisso, menos ainda me trazer para a sua casa. O que você achou? Que eu iria correr te abraçar só porque você me salvou? Que eu ia cair aos seus pés morrendo de amores? Você não me conhece, não sabe nada sobre mim. Eu não saio por aí, te questionando sobre você ter um quarto de bebê, então não se intrometa na minha vida.
— Você acha que eu já não sei de tudo? Sobre quem você é.
— Não, você não sabe.
Aproximo-me e paro em sua frente, encarando seu olhar cinza.
— Se você soubesse você não me deixaria aqui. Se você soubesse, ao menos um pouco sobre quem eu era, Sr. Grey, você se quer teria pulado daquela ponte. Você não é do tipo que coloca as pessoas que você ama em risco. Se você soubesse quem eu sou e quem é a pessoa que está me procurando, você me mandaria embora agora.
— Eu não me importo. — Diz firme. — Não me importo com quem você era, ou quem está atrás de você. Eu não vou deixar que te machuquem.
— Você acha que é capaz de fazer isso? Me proteger? Se fosse tão simples meu pai teria feito.
— Eu não sou o seu pai, coloca isso nessa sua cabecinha. Quando eu quero, eu consigo e agora — Christian começa a dar alguns passos, logo estou presa entre ele e a parede. — te proteger se tornou uma missão muito pessoal para mim.
— Você não sabe o que está...
Sou calada quando ele cola seus lábios aos meus, invadindo a minha boca sem cerimônia alguma. As lágrimas rolam livremente pelo meu rosto e em quatro anos essa é a primeira vez que me sinto tão vulnerável. A confusão que está se formando na minha cabeça me sufoca, eu jamais vou entender o que ele está fazendo.
Christian se afasta e segura meu rosto apertando-o um pouco, obrigando-me a encará-lo.
— Você pode ter sido a pior pessoa do mundo, eu não me importo. Eu vou te proteger, entendeu?
Apenas balanço a cabeça e isso faz com que ele aperte mais meu rosto.
— Diga.
— Sim. — Sussurro chorosa.
Eu odeio me sentir assim, frágil, como uma garotinha em perigo. Eu não estou em perigo. Maggie estava... e agora ela está morta. As crianças estão, Christian está. Eu não tenho medo do que mamãe fará comigo, o meu medo é descobrir que eu gosto o suficiente de alguém para que ela possa destruir essa pessoa na minha frente... até não restar mais nada que eu possa gostar.
“O amor é fraqueza, Elizabeth”.
Suas palavras soam em meus ouvidos, como se eu pudesse ouvi-la tão perto. Aperto meus olhos controlando a vontade de chorar, mas a vontade logo cessa quando sinto os braços de Christian ao meu redor, tomando-me com cuidado. Eu me sinto protegida e agora, tudo o que eu também sinto é medo, porque de repente, a ideia de alguém machucando Christian, acaba comigo.
Ele se afasta e segura minhas mãos.
— Eu preciso que você saiba de algo.
— O que?
— O corpo da sua mãe já foi liberado, eu estou organizando o enterro dela.
— Enterro... — Sussurro sentindo um peso cair sobre as minhas costas. — Tudo bem... faça o que tiver de fazer, mas não diga nada perto das crianças. Nick e Alex não entendem o que houve, Celi muito menos. Lilly também não precisa ver.
— Está bem. Eu realmente acho que é melhor você descansar agora, você pode dormir comigo, ou ficar com o quarto lá em cima.
— Eu quero ficar perto dos meus irmãos. — Digo encarando seus olhos. — Não quero que eles fiquem sozinhos, eu realmente preciso cuidar deles.
— Está bem, você pode ficar no meu quarto, eu durmo lá em cima.
— Está bem.
Christian se afasta e agarra minha mão levando-me novamente para a área dos quartos, passamos pelo quarto onde as crianças estão e ele abre a porta ao lado dando espaço para eu entrar. Entro e arregalo os olhos apavorada ao ver algo se mexer em sua calma.
— O que é aquilo? — Pergunto sem conseguir me mexer.
— Esse... — Christian diz rindo e vai até a sua calma pegando-o. — É o Cereal.
— Você tem um furão.
As palavras quase não saem da minha boca, sinto como se um nó estivesse prendendo todas elas.
— Sim, eu ganhei da Vitória, ela dizia que eu andava muito sozinho, foi ela que escolheu o nome também. — Christian explica enquanto o furão sobe pelo seu braço até seu pescoço. — Você está bem?
— Eu estou apavorada. — Sussurro. — Você pode apenas tirá-lo daqui?
— Claro, mas ele não vai machucar você.
— É, eu não estou com medo disso. Apenas o leve.
— Está bem.
Christian tira o furão do seu pescoço e passa por mim indo em direção a porta, ele se vira e me encara.
— Durma bem.
— Eu vou tentar. Obrigada. — Sussurro puxando o ar.
Ele balança a cabeça e fecha a porta.
Respiro fundo e caminho até a cama sentando-me na pontinha. Tenho que puxar o ar algumas vezes para tentar me acalmar, então me jogo para trás sobre a cama fechando os olhos. O sono e o cansaço emocional começam a pesar e eu vou me entregando lentamente, então tudo se torna escuro e assustador.
— Elizabeth?
Abro os olhos assustada e olho em volta. Eu estou em casa, usando meu vestido vermelho e meus sapatos pretos. Mamãe está me chamando.
— Elizabeth, onde você está? — Ela pergunta e eu subo as escadas correndo.
Se ela ver o furão ela vai brigar comigo, ela não gosta de bichinhos, mas eu o achei sozinho. Eu já tenho cinco anos, posso cuidar dele direitinho.
Entro no quarto correndo e tranco a porta. Os passos de mamãe ficam mais próximos e eu rapidamente corro para a minha cama colocando o furão embaixo do travesseiro, sento-me e encaro a porta atentamente sabendo que a qualquer segundo ela vai entrar.
A porta se abre e meu coração dispara, mamãe entra. Ela está usando sua roupa preta hoje e luvas... suas luvas estão sujas de sangue.
— Oi, querida. — Diz sorrindo e fecha a porta. — É verdade que o Mike deixou você sair?
— Ele me deixou brincar na floresta... só um pouquinho. — Sussurro encolhendo os ombros. — Você machucou o Mike, mamãe?
— Ele foi um homem mal, você sabe o que acontece com homens maus, não sabe?
— Sim, mamãe.
— Você não vai me dizer o que achou lá?
Prendo as lágrimas e viro para o lado envergonhada, puxo meu travesseiro e encaro o furão.
Mamãe deixa um riso escapar e se aproxima abaixando na minha frente.
— Eu posso cuidar dele, mamãe? Eu gosto dele.
— Ah, querida. Você não pode gostar desse furão, nem demais ninguém. Entendeu? Gostar leva ao amor e...
— O amor é fraco. — Sussurro deixando uma lágrima cair.
— Você está chorando pelo furão, Elizabeth?
— Sim, mamãe. — Digo envergonhada.
— Você sabe o que vai acontecer com ele, Elizabeth?
— Sim, mamãe.
— Então... — Ela segura minha mão e me entrega seu canivete.
Puxo a mão assustada e tento fugir dela, mas ela segura minha cocha apertando com suas unhas. Aperto meus olhos.
Não chore, Elizabeth.
— Você está sendo louca, querida. — Mamãe sussurra. — Mate o furão, Elizabeth.
— Sim, mamãe.
Pego seu canivete e ignoro sua mão em minha perna, pego o pequeno furão e o coloco deitado, tapando seus olhos.
— Não tape, você precisa ver o medo no olhar dele.
— Sim, mamãe. — Sussurro deixando outra lágrima cair.
Seguro o furão, prendendo-o na cama, ele me olha assustado e eu levanto o canivete.
Adeus, pequeno furão.
Acordo com um sobressalto e olho para os lados assustada. As lágrimas estão escorrendo pelo meu rosto e minhas costas queimando como um inferno.
Apenas um sonho bobo, Anastásia. Apenas um sonho bobo.
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Cereal

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