A Menina da Lua

20 ➷ Não Deixe Que Me Toquem, mamãe ➷


Notas iniciais
Boa Leitura ♥ ➷

Caminho com cuidado pelo salão tentando não me incomodar com a roupa que estou usando. Não há problemas, mamãe disse que não, mas eu sinto medo, as lágrimas ainda estão em meus olhos e eu sei que se derramá-las vou estar sendo fraca.

Avisto o homem parado no centro do salão, ele está usando um terno preto. Terno são elegantes, mamãe sempre fala isso. Aproximo-me com insegurança e toco suas costas, então ele se vira e encara-me com cuidado.

Mamãe disse que eu deveria usar esse vestido, ele é transparente e cheio de babados, ela disse que ele iria gostar.

Seus olhos castanhos estão presos em mim enquanto ele me encara, ele abaixa na minha frente e sorri.

— Você é uma bela garota.

Abaixo a cabeça e fico esperando que ele diga mais alguma coisa, mas ele não diz nada.

Sua mão é fria e ele toca meu pescoço com ela descendo até meu decote. Agarro sua mão e lhe encaro, seu olhar fica bravo e ele levanta a outra mão batendo em meu rosto. Caio no chão com o impacto e me encolho enquanto ele vem para cima de mim e começa a rasgar meu vestido.

— Mamãe! — Grito apertando meus olhos. — Mamãe, por favor.

As portas se abrem e os homens de terno começam a entrar. Fecho meus olhos quando ouço um disparo e o corpo pesado cai em cima de mim.

— Tudo bem, Elizabeth, mamãe está aqui. — Sua voz me faz parar de chorar. — Tirem esse lixo de cima dela.

Logo estou livre, mas completa nua, meu vestido está em pedaços, mas mamãe não parece brava, ela abaixa ao meu lado e encaro meu rosto alisando-o.

— Boa garota, Elizabeth.

Preparo-me para gritar, mas Fred cobre minha boca com a sua mão fazendo meus gritos se tornarem gemidos inúteis e quase inaudíveis. Debato-me tentando soltar-me, mas é inútil. O desespero começa a me tomar e eu só consigo pensar na minha mãe, eu queria tanto que ela estivesse aqui agora.

Ela iria entrar com seus homens e dar um fim nisso, mas ela não está.

Por favor, mamãe.

Minhas orações são inúteis, eles começam a me arrastar para o depósito. Fred continua me segurando e eu me apavoro ainda mais quando Jack se aproxima com um sorriso malicioso.

— Vamos ver se você é tudo isso, não é?

Balanço a cabeça apavorada, minha visão está embaçada pelas lágrimas e o desespero já se apossou de todo meu corpo, mas se torna pior quando Jack começa a rasgar minha camisa. Debato-me com desespero tentando inutilmente me soltar, mas agora, Fred e José me seguram.

Eu sinto nojo de mim mesma quando Jack começa a beijar meu colo, meu pescoço. Quando ele chupa meus seios. Aperto os olhos apavorada e imploro para que mamãe apareça, para me tirar daqui.

A esperança lampeja em meus olhos quando a porta se abre de súbito, o olhar cinza se encontra ao meu e eu finalmente Fred me solta. Caio de joelhos no chão, me sentindo suja, imunda. Um grito escapa dos meus lábios quando sinto os braços de Christian ao meu redor.

Eu quero sair daqui, fugir para longe de tudo isso. Eu não quero que ele me toque, mas seus braços estão firmemente ao meu redor enquanto grito de desespero ao mesmo tempo que vejo Taylor e mais homens socando os meninos sem piedade.

Eu quero que eles morram!

— Por favor, eu sinto muito. — Christian sussurra. — Eu estou aqui, amor. Eu estou com você.

— Christian, por favor, me tira daqui. — Imploro agarrando sua camisa. — Eu não quero voltar aqui, por favor.

Christian me solta por alguns segundos e arranca seu blazer colocando ao meu redor, ele se levanta e me toma em seus braços. Christian me segura como se eu fosse tão pequena, tão indefesa e pela primeira vez eu quero tanto isso, eu não quero que ele me solte. Ele não é como os outros... Christian me ama.

As vozes dos alunos são altas, mas eu não quero olhar para nenhum deles. Meu rosto está contra o peito de Christian e meus cabelos servem como cortina. Eu me sinto horrível, suja, eu não acredito que isso aconteceu. Ah, meu Deus.

Ele anda pelos corredores comigo e eu posso ouvir as meninas gritando desesperadas, discutindo com alguém, mas não consigo olhá-las.

O frio gelado bate em meu rosto e eu sei que não estamos mais na escola, ouço a porta do carro abrir e Christian me coloca sentada no banco, então sou tomada pelo pavor. Ele está me deixando.

— Não! — Grito agarrando sua gravata. — Você não pode me deixar sozinha!

— Anastásia...

— Por favor. — Imploro com desespero. — Não me deixe, Christian.

— Me desculpe. — Implora ajoelhando ao lado do carro e eu me curvo envolvendo meus braços em seu pescoço. — Eu nunca mais vou deixar isso acontecer, entendeu?

— Me tira daqui.

— Ana, amor, olha para mim.

Christian segura meu rosto e eu encaro seus olhos cinza através da neblina de lágrimas que deixa tudo um pouco embaçado, mas ele está aqui. Ele me salvou disso.

— Eu amo você. — Christian diz e eu sinto tudo começar a se acalmar dentro de mim. — Eu nunca, nunca, nunca mais vou deixar ninguém encostar em você, entendeu?

— Sim.

— Eu te amo tanto. — Repete me puxando para seus braços.

Fecho meus olhos me sentindo tão mais calma... eu não posso acreditar no poder que suas palavras têm sobre mim, mas eu sinto que tudo está se acalmando dentro de mim e, por mais difícil que seja entender, Christian me ama, e ele está aqui comigo.

Christian está ao meu lado na cama, nós acabamos de sair do banheiro, ele me lavou por inteiro e secou cada uma das minhas lágrimas. E agora ele está aqui, olhando-me com cuidado enquanto acaricia meu rosto. Eu me sinto tão frágil ao lado dele, mas... eu gosto disso, gosto quando ele cuida de mim. É tão assustador.

— Eu me sinto tão idiota por tudo o que aconteceu. — Sussurro tocando meu rosto. — Eu nunca mais vou deixar você e as meninas voltarem lá.

— Eu queria poder estudar em casa. — Confesso baixinho. — Não sei se vou me sentir confortável voltando para qualquer escola.

— Tudo bem.

— Sério?

— Sim, eu vou achar a melhor professora de Seattle e você vai terminar a escola em casa. — Diz com um pequeno sorriso. — E quanto as meninas, eu posso oferecer o mesmo ou mudá-las de escola. Aquele colégio já prejudicou vocês demais.

— E Lilly?

— Ela está descansando agora, eu não contei o que houve, apenas disse que você estava indisposta.

— Você não deve dizer nada disso a ela. — Suspiro pesadamente. — Eu quero que ela fique em outra escola, uma melhor, apenas para crianças.

— Tudo bem, eu dou um jeito nisso.

— Obrigada, Christian.

Christian abre a boca para falar algo, mas desiste quando alguém bate na porta, ele respira fundo me fazendo sorrir e vai até lá. Meu coração dispara ao ver Lilly entrar com Nick e Alex, os três completamente sujos de tinta, mas segurando alguns cartões.

— A gente fez para você. — Lilly sussurra tímida. — Para você não ficar mais triste, Ana.

— Obrigada. — Sussurro deixando algumas lágrimas caírem. — Eu adorei.

Pego os cartões das mãos deles e sorrio emocionada. São as marcas das mãos deles e corações colorido e há até glitter por toda a parte, mas é a coisa mais bonita que eu já recebi. Coloco os cartões de lado e ajudo meus irmãos a subirem na cama aconchegando eles no meu colo, os três, bem juntinhos do meu peito.

— Eu acho que nós deveríamos fazer um bolo. — Christian diz e eu lhe encaro confusa. — Um bem bonito para a Ana.

— Bolo de morango? — Lilly pergunta rindo.

— Que tal metade chocolate e metade morango?

— Certo.

— Você fica aqui quietinha. — Christian sussurra me encarando. — Nós vamos fazer seu bolo.

— Está bem. — Digo sorrindo.

Christian me dá um beijo e saio do quarto com as crianças, solto um logo suspiro e fico encarando a porta. Sorrio quando o furão, Cereal, entra pela porta e começa a vir na minha direção. Vitória o trouxe de volta há alguns dias, eu acho que posso me acostumar com ele.

Curvo-me e pego o pequeno furão que começa a se aconchegar entre as cobertas, sorrio para ele e acaricio sua cabeça. Até que ele não é tão ruim, mas ainda me traz tantas lembranças... eu queria que não fosse assim.

— Ei. — Levanto a cabeça e vejo Christian entrando no quarto. — Vocês viraram amigos?

— Acho que sim. — Sussurro abrindo um pequeno sorriso. — Pensei que você ia fazer um bolo.

— Eu ia, mas... eu queria saber se você quer me ajudar.

— Claro.

Christian sorri e segura os cordões do casaco que estou usando para me puxar, seus lábios tocam os meus com cuidado e eu sou tomada por uma pontada de medo, mas ignoro isso. Está tudo bem agora. Arrasto-me para fora da cama e pego o Cereal que se enfia no bolso do casaco.

Seguro a mão de Christian e nós vamos para fora do quarto. Não consigo segurar o riso quando chegamos a sala e eu avisto Lilly, Nick e Alex sentados em cima do balcão mexendo algo, Gail está ajudando eles. Percorro meus olhos pela sala e encontro Celi brincando no cercadinho.

Mia e Vitória não estão aqui hoje, elas foram ficar com Elliot. As duas ficam pouco com os pais agora, elas estão sempre revezando entre aqui e a casa de Elliot e eu imagino que isso deva ser horrível às vezes, mas os irmãos Grey amam tanto aquelas meninas.

— Sonhando acordada? — Christian pergunta roubando o furão do meu bolso e eu sorrio. — Vitória irá pegá-lo hoje.

— Por quê?

— Ela adora ele, e não quero que você se sinta desconfortável.

— Eu não me sinto.

— Você está se esforçando, mas sei que ele te traz lembranças ruins, vamos apenas evitar isso. Vitória ficará com ele agora, quando ela estiver aqui, ele vem junto. É melhor assim.

Não consigo dizer nada em relação a isso. Christian está se esforçando, se esforçando muito e isso me abala de forma inexplicável, ninguém nunca se esforçou tanto para me ver feliz.

Fico na ponta dos pés e dou um beijo rápido na bochecha de Christian antes de ir ajudar as crianças que já estão fazendo a maior bagunça e, pelo resto da tarde nós ficamos assim, tentando fazer um bolo e eu não me importo se isso não der certo, só de estar ao lado deles torna tudo especial.

Meus olhos não conseguem observar outra coisa que não seja Christian e Lilly no meio da sala. Ele está segurando as mãos dela enquanto ela pisa sobre os pés deles e ambos dançam juntos. Nick e Alex estão ao meu lado e Celi nos meus braços.

Esses momentos têm se tornado tão especiais, mas ainda é tão confuso tentar absorver isso. Há quase três meses nós estávamos em casa, com Maggie e tudo o que eu fazia era brigar com Lilly... hoje em dia, quase não falamos sobre Maggie e Christian e eu somos tudo o que eles têm. Ainda não me acostumei com o fato de que eles dependam tanto te mim, mas estou feliz que estamos juntos e que nossa relação tenha evoluído tanto.

Só queria que Maggie estivesse aqui para ver isso, ela ficaria tão feliz.

— Ai, ai. — Christian diz rindo e ganha a minha atenção.

Ele está caído no chão e Lilly está em cima dele enchendo-o de beijos, rapidamente Nick e Alex correm para cima dele também e entram na brincadeira. Troco um olhar com Celi e ela joga a cabeça para trás gargalhando. Aproximo meu nariz do seu e ela sorri de forma larga, acaricio sua bochecha rosada e nós ficamos assim por alguns segundos, num momento só nosso.

Pego Christian nos olhando, mas ele é atacado e por almofadas e acaba tento que desviar o olhar de nós para se defender. Às vezes eu sinto que ele gosta de estar com as crianças, ele é atencioso, outras vezes eu sinto que ele queria que fossemos apenas nós, eu posso estar confusa, mas tudo ultimamente é confuso de entender.

Se Maggie estivesse viva eu nunca teria vindo para cá e talvez não houvesse Christian e eu, mesmo que já estivéssemos nos visto, talvez nunca estaríamos juntos. É tão complicado entender tudo isso, eu ainda consigo me assustar.

Acho que eu realmente preciso de uma conversa com Flynn, ele disse que eu começaria a ver o que é amor, mas não me disse que isso seria tão assustador. O amor é completamente assustador.

Anastásia Pequena

Notas finais
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