A Menina da Lua
28 ➷ Diga Adeus, Querida ➷
Notas iniciais
As portas do elevador se abrem e Christian continua segurando meu braço firmemente. Kate e Millie estão aqui com os gêmeos e Celi, mas sequer tenho tempo de cumprimenta-las, Christian solta meu braço e quando abro a boca ele me joga sobre seu ombro dando uma palmada forte na minha bunda que me faz gritar de raiva.
As meninas apenas gargalham enquanto ele me leva escada acima. Deixo minha raiva falar mais alto e dou um tapa em sua bunda enquanto ele anda pelo corredor em direção ao quarto de jogos, mas isso o faz rir e sei que não é de felicidade.
Christian abre a porta sem esforço algum e me coloca no chão olhando-me com raiva.
— Tire a roupa. — Ordena.
— Me obrigue!
Um pouco de diversão lampeja em seus olhos e posso ver a sombra de um sorriso antes de ele avançar na minha direção e rasgar meu vestido sem esforço algum. Olho-o horrorizada, mas ao mesmo tempo que tento me fingir de chocada o desejo começa a me tomar de forma avassaladora.
— Agora, você vai se debruçar sobre aquela mesa e eu vou bater em você. — Sua voz sai incrivelmente sexy e minha boca fica seca. — Ou quer ajuda para tirar mais alguma coisa?
— Não, senhor. — Sussurro abaixando o olhar.
Viro-me calmamente e caminho até a mesa no centro do quarto debruçando-me sobre ela. A madeira gelada faz a minha pele toda ser tomada por um arrepio e um gemido baixo escapa dos meus lábios. Ouço atentamente os passos de Christian pelo quarto, aperto meus olhos tentando suprir a raiva que se mistura ao desejo.
— Você sabe por que está aqui, Anastásia?
Sua voz está perto, e eu sei que ele está atrás de mim quando sua mão percorre minha coxa.
— Sim, senhor. — Sussurro.
— Por quê?
— Porque eu pedi, porque eu quero e, porque eu sei te deixar com raiva.
Levo uma palmada forte na bunda que cessa qualquer vontade de rir, abro os olhos e vejo Christian colocar um chicote ao meu lado, ele dá um passo a frende roçando sua ereção em mim e posso sentir que ele não está usando mais calça ou cueca.
— Você está aqui porque adora me contrariar e me enlouquecer. — Murmura com a voz controlada. — E por que me bateu. Foi gentil me bater, Anastásia?
— Você vai me bater porque eu te bati? — Pergunto e levo outra palmada, agora mais forte. — Não, senhor.
— Espero que você aprenda a lição, certo?
— Sim, senhor. Vou me esforçar para isso.
— Ah, Anastásia... por que me provoca tanto?
— Porque eu posso.
Sinto seu sorriso quando novamente ele se afasta, agora levando o chicote, respiro fundo e logo sinto o chicote bater contra a minha bunda fazendo-me gemer. Minha pele arde onde ele bateu, mas meus músculos se contraem e o desejo se torna maior.
— Isso é por você ter me batido. — Christian sussurra e bate outra vez, agora mais forte. — Isso por você ter me contrariado e dirigido feito louca.
Engulo em seco, mas já é impossível conter meu desejo, a mão de Christian escorrega entre minhas pernas e ele alcança meu sexo por cima da calcinha. Sem dificuldade ele enfia o dedo dentro da calcinha e me penetra.
— Ah, você está tão molhada. — Sussurra e minhas bochechas queimam com um rubor. — Tão pronta para mim.
Christian arranca o dedo fazendo gemer frustrada e me bate outra vez.
— Isso por me contrariar e esse — bate forte me fazendo gritar — por causa das multas que eu provavelmente vou levar por sua causa. Agora, eu vou me divertir com você.
Ouço o chicote cair no chão e rapidamente Christian puxa minha calcinha, mas ele não está tirando-a, está rasgando toda a renda em pedaços. Sou virada de forma bruta, mas isso sequer me incomoda, eu só quero sentir Christian dentro de mim e esquecer todos os problemas.
Ele agarra meus quadris e me levanta colocando-me sentada sobre a mesa, na altura exata.
— Por que você tem que me desafiar tanto?
— Porque eu posso... — Sussurro e um sorriso se forma em seus lábios.
Ele me puxa para frente penetrando-me e um grito escapa dos meus lábios, apoio as mãos na mesa e jogo a cabeça para trás enquanto ele me penetra com força, indo e vindo, fazendo com que todo meu corpo seja dele, cada pequena parte.
Seus lábios tocam a minha pele deixando pequenos beijos gelados, sua boca fria contra a minha pele quente causa um efeito enlouquecedor. Christian continua os beijos até chegar nos meus mamilos, ele coloca um na boca e suga com força me fazendo arfar. Seguro firmemente seus cabelos e o puxo trazendo sua boca para a minha, sua língua encontra a minha sem dificuldade em segundos tudo o que somos são duas almas buscando desesperadamente se encontrar.
Seu corpo dança ao mesmo ritmo que o meu e logo atingimos o ápice, Christian desaba em cima de mim sobre a mesa e agora noto como estou mais calma. Ele é o culpado disso, ele me acalma, Christian é a minha paz, meu porto-seguro.
— Você me enlouquece, garota. — Sorrio ao ouvir sua voz. — Estava sentindo falta dessa Anastásia.
— Não se preocupe, ela está bem aqui.
Seus braços se apertam ao meu redor com cuidado e eu fico acariciando sua cabeça, brincando com seus cabelos até que começo a pegar no sono.
➷
Abro os olhos assustada e sento-me rapidamente, eu estou no quarto de Christian, mas ele não está aqui. Já é dia e a luz do sol invade o quarto e, pela primeira vez em tanto tempo eu sinto-me completamente descansada. Arrasto-me para fora da cama e vou tomar um banho, depois me visto e saio do quarto.
As crianças não estão na sala como de costume e me assusto ao ver que já são duas da tarde. Também não encontro Gail, os seguranças ou meu padrinho e isso começa a me deixar preocupada, mas ao ver Christian descendo as escadas sou tomada por uma onda de alívio.
— Olá, dorminhoca. — Christian diz e eu sorrio, ele se aproxima e me abraça. — Como você está?
— Bem. Onde estão todos?
— Gail está de folga e os seguranças também e... seu pai levou seus irmãos para verem Lilly... ela acordou.
Sinto meu coração disparar com a notícia, mas tento não transparecer nada.
— Isso é bom. — Digo sorrindo e me afasto indo em direção ao balcão. — O que tem para comer?
— A Gail deixou seu café pronto. — Christian sussurra e posso notar sua confusão. — Você não quer ir ver Lilly?
— Sabe que não? Todos estão lá, Raymond, os irmãos dela e eu aposto que as meninas também. Então eu prefiro ficar aqui, o pai dela terá que vir aqui buscar as coisas dela antes de levá-la, eu vou ter tempo de vê-la.
— Ana, amor... não aja assim.
— Não vamos falar sobre isso. A noite foi maravilhosa, eu descansei bastante e quero fazer algo bom hoje, não ficar sofrendo por besteira.
— Mas é a sua irmã.
— Sim, e entre nós, é um alívio não ter que cuidar mais deles.
Christian parece surpreso com as minhas palavras, ele se aproxima e segura meu rosto olhando-me de forma intensa, então a vontade de chorar chega... ele sabe que estou mentindo. A primeira lágrima escorre e ele me puxa para seus braços apertando-me com cuidado.
— Tudo bem, eu sei que você vai sentir falta deles.
— Eu não quero isso, mas eles têm que estar seguros.
— Não se preocupe, eles não irão para sempre, eu sei que logo vocês vão estar juntos.
— É, você tem razão.
— Tome café, ok?
— Está bem. — Digo sorrindo.
➷
Uma Semana Depois...
Coloco os últimos brinquedos de Nick e Alex nas caixas e suspiro enquanto as lágrimas escorrem. Eu nunca imaginei que poderia ser tão difícil ter que deixá-los ir, mas eu preciso saber que eles vão estar bem. Seco as minhas lágrimas e fecho a caixa, levanto-me e olho em volta do quarto deles.
Tudo se foi... os brinquedos, as roupas... os sapatos que ficavam espalhados. A colcha de avião que eles tanto gostavam, tudo já foi mandado para onde eles vão ficar e o pior de tudo é não saber... eu não vou poder vê-los, não vou poder falar com eles. Isso está me matando, mas eu já arrisquei muitas coisas assim, entender que os amo é entender que eu não posso estar perto deles, não enquanto mamãe estiver solta.
Respiro fundo e meus pensamentos se vão para Lilly, eu sei que a magoei não indo visita-la no hospital, mas eu não quero lhe dar falsas esperanças, eu apenas... apenas quero que ela fique bem, tudo bem se eu não voltar a vê-la, ela só tem que ficar bem.
— Anastásia...
Viro-me sorrindo ao ver meu padrinho entrar no quarto com alguns homens, eles pedem licença e começam a pegar as últimas caixas.
— Raymond... está lá embaixo, ele quer saber se você irá dizer adeus.
— Claro. — Digo forçando um sorriso. — Eu... vou sim, em um minuto.
— Ei, querida.
Taylor se aproxima e segura minhas mãos e com seu pequeno gesto eu deixo o resto das lágrimas desabarem, ele se aproxima e planta um beijo suave na minha testa arrancando-me um sorriso.
— Eles precisavam ficar seguros.
— Eu sei, padrinho, eu sei.
Enxugo minhas lágrimas e saio do quarto, a casa está tão... sombria, vazia, em silêncio. Eu não posso ouvir as gargalhadas de Celi enquanto Vitória imita vozes idiotas, não posso ouvir os gritinhos de Nick e Alex enquanto Kate e Mia correm atrás deles brincando de monstros, não há mais nada disso... porque eles estão me deixando.
Sigo para o elevador e desço sozinha até o hall do edifício, meu coração se parte quando me aproximo da saída e vejo as crianças já dentro do carro, a porta está aberta e todos estão aqui se despedindo deles, mas o que me mata é ver Lilly, depois de tudo... ela está indo embora e eu não fui capaz de vê-la, de dizer o quanto ela era importante para mim.
Aproximo-me com cuidado e o olhar de Lilly encontra o meu, as lágrimas começam a cair e ela desce correndo do carro, dou um passo para trás quando seu corpo impacta contra o meu em um abraço.
— Anastásia... — Lilly diz chorando.
Sua voz faz as batidas do meu coração falharem miseravelmente... depois de tanto tempo sem ouvi-la, ela está bem aqui, dizendo meu nome.
— Eu sinto tanto. — Confesso baixinho. — Me desculpe por não ser uma boa irmã, por não poder cuidar de você.
— Não, não diga isso! — Lilly grita começando a me estapear. — Você é a melhor irmã do mundo.
Eu não tenho forças, enquanto ela grita me batendo e chorando eu simplesmente não encontro forças para abraça-la. Caio de joelhos na sua frente pedindo baixinho para que eu nunca tenha sido a Elizabeth, eu só queria poder ser a Ana, desde quando eu nasci, a Ana que ama a Lilly e assim nós nunca iriamos nos separar.
— Você não pode me deixar ir, por favor. — Ela implora agarrando minha camisa e nossos olhares se encontram. — Eu vou ser boazinha, eu prometo. Eu não te provoco mais, eu juro que não Ana. Eu como o que você pedir, até chocolate, só não me manda para longe de você.
— Lilly... eu sinto muito, eu não posso.
— Não. — Ela grita e começa a me bater de novo. — Diz Ana! Diz, diz que eu posso ficar, eu prometo que não fujo mais para a sua cama, nem mexo nas suas coisas, eu amarro meu cadarço sozinha, eu juro. Só me deixa ficar.
Encaro-a com o coração já em pedaços, as lágrimas já tomam todo meu rosto e eu não tenho forças para dizer nada. O pavor começa a se apoderar de mim quando vejo Ray se aproximando.
— Não. — Lilly grita me abraçando e eu envolvo-a em meus braços com força. — Não deixa ele me levar, por favor.
— Ana... eu sinto muito. — Ray sussurra e eu apenas balança a cabeça. — Lilly, nós temos que ir.
— Não papai, não! — Lilly grita me apertando mais. — A Ana precisa de mim, ela precisa dizer, papai. Eu vou ficar e cuidar dela e ela vai me amar.
Papai respira fundo e se abaixa agarrando a cintura de Lilly.
— Não! — Ela grita tentando se segurar.
— Eu sinto muito... — Sussurro em seu ouvido. — Eu amo você, Lilly.
Solto seus braços de mim e papai a leva enquanto ela grita de forma desesperada.
— Não, Ana! — Lilly implora enquanto papai a leva para o carro. — Eu amo você, não me deixa ir.
Seus gritos continuam, mesmo quando Raymond entra no carro e sei vai, eu posso ouvi-la por muito tempo e eu sei que, daqui em diante, seus gritos serão os meus piores tormentos. Eles se foram... Lilly... Celi... Nick e Alex. Eles se foram, para longe de mim.
Fale com o autor