A Menina da Lua
8 ➷ Cuidando de Você ➷
Notas iniciais
Tudo o que eu vejo é o rio lá embaixo e posso ouvir os gritos de Lilly.
Tomo o pouco de coragem que ainda tenho e abro a porta do carro pulando para fora. Continuo caindo até chegar a água, afundo mais rápido do que consigo entender ela começa a entrar pela minha boca roubando-me todo o ar. Minha cabeça se choca contra algo e eu já não tenho mais forças para lutar. Sou tomada pelo frio, pela falta de ar e principalmente pelo desespero, então tudo fica escuro rapidamente.
Eu estou caindo... caindo... tento agarrar-me a algo, mas tudo escapa da minha mão. Ouço gritos, vozes distorcidas que parecem chamar por mim e por mais que eu lute para chegar até elas, é impossível. Algo pressiona forte o meu peito, gritando meu nome.
Novamente a pressão e eu quero gritar de dor, de frio, mas não consigo.
Então meu peito é pressionado novamente e posso ouvir a voz de Christian. Sinto lábios frios tocando os meus.
Abro os olhos assustada e tenho uma visão distorcida de Christian em cima de mim, viro-me imediatamente para o lado e começo a cuspir toda a água que sobe pela minha garganta. Sento-me confusa e encaro todos a minha volta, olhando-me com preocupação, mas foco apenas em Lilly que corre se jogando em meus braços.
— Não vá embora. Não vá embora. — Grita com desespero. — Você não pode me deixar.
Levanto a cabeça e encaro a ponte de onde cai.
Ah, meu Deus.
Aperto meus olhos e envolvo Lilly com cuidado com medo de fazê-la passar frio. Eu estou completamente molhada e realmente está muito frio.
— Tudo bem, Lilly. Eu estou aqui. — Sussurro e agora encaro Christian.
Ele está completamente molhado, assim como eu, e está tremendo, mas o medo em seus olhos é o que me impressiona. Ele pulou... para me salvar. Ele teve medo? Por mim? Eu não entendo.
Levanto a cabeça e vejo Vitória segurando Celi, os gêmeos estão atrás dela me olhando com carinhas de choro. Estendo minha mão e os dois correm para os meus braços.
Eu não consigo entender, mas acho que agora eu sou tudo o que eles têm. Eu sou quem deve protege-los, eles precisam de mim.
Envolvo meus irmãos com os braços e sinto alguém colocar uma coberta ao nosso redor, quando procuro, encontro uma linda mulher de olhos cinzas e cabelos acobreados. É a mãe de Christian! A aparência não nega, eles são muito parecidos.
— Você é uma garota corajosa. — Diz sorrindo e acaricia meu rosto. — E muito maluca.
— Garota, quem te ensinou a dirigir? — Elliot pergunta e pela primeira vez eu quero sorrir, mas me contenho. — Você dirige melhor do que muitos policiais.
Bem, isso significa que eu aprendi bem a lição.
Apenas respiro fundo e volto a encarar Christian, ele se aproxima mais de mim e envolve seu braço em meu ombro, deito a cabeça em seu peito sentindo o cansaço me tomar, de repente tudo se torna uma nuvem escura e eu me entrego a ela sem esforços.
➷
Sinto um toque quente no meu rosto e um beijo suave na testa. Tento abrir meus olhos, mas não consigo, o cansaço que estou sentindo é tão grande. Mas ainda assim, posso ouvir vozes.
— Você não precisa ficar em cima dela.
Reconheço a voz de Grace, mas não sei com quem ela está falando, e não tenho tempo de descobrir. Sou tomada por uma nuvem e novamente pego no sono.
Meus pensamentos estão todos sobre Maggie, sobre as crianças e isso me faz abrir olhos, olho assustada em volta vendo que estou num quarto, o mesmo que estava antes na casa de Christian. As luzes estão apagadas e pela falta de claridade da janela, posso notar que lá fora já é noite.
Desço da cama caminhando para fora do quarto e vou em direção as escadas, agora ouvindo a voz das crianças... elas estão rindo? Isso me arranca um sorriso. Desço os degraus sem fazer barulho e quando já estou na sala vejo todas as minhas amigas aqui, sentadas em frente ao sofá com meus irmãos que estão sendo atacados por cócegas.
A mãe de Christian está aqui também, sentada ao sofá.
— Ana. — Alex grita e todos se viram para me olhar.
— Ana... — Vitória sussurra se levantando.
— Oi. — Encolho os ombros e me abaixo para receber Alex em um abraço. — Oi, baixinho.
— Ana... a mamãe. — Alex sussurra preocupado.
— Olha só... a mamãe não pode vir agora. Por enquanto, eu vou cuidar de você, ok?
Alex faz beicinho se preparando para chorar e isso me chateia. Vai ser difícil agora, porque ele vai chorar por Maggie e ela não vai estar aqui. Eu não sei o que fazer então seguro suas mãos e lhe encaro ganhando toda a sua atenção.
— Você não precisa chorar, ok? Eu também estou com saudade da mamãe, mas nós temos que ficar bem. — Digo lhe encarando. — Eu vou cuidar de você, ok?
— Okie Dokie. — Diz manhoso e se aproxima me abraçando.
— Como você está? — Vitória pergunta quando me levanto com Alex em meus braços.
— Bem. Por quanto tempo eu dormi?
— Um dia inteiro.
Respiro fundo e me aproximo do sofá encarando Lilly, ela abaixa a cabeça e fica encarando suas mãos.
Certo... ela ainda tem medo de mim.
Caminho até o sofá e me sento aconchegando Alex em meus braços.
— Por que eu estou aqui? O que aconteceu com Elliot? — Pergunto preocupada e até mesmo a mãe de Christian me encara. — Isso não parece ser bom.
— Christian... — Mia diz encolhendo os ombros. — Ele conseguiu a sua guarda e das crianças.
— O que?
— Ele está no escritório com nosso pai e Elliot. — Vitória explica.
Ah, meu Deus.
Isso não é nada bom, se eu ficar com Christian, de qualquer forma eu vou estar sendo exposta... e isso fará com que minha mãe chegue até nós. Isso não é bom. Mas... será que ele já sabe que estou em um programa de proteção? Se ele souber também não tornas as coisas mais fáceis. Eu não quero alguém me interrogando.
— Seus irmãos não quiseram comer.
Levanto a cabeça e vejo que foi a mãe de Christian que falou, ela está me encarando preocupada.
— Eu achei que talvez você conseguisse convencê-los.
— Eu não sei se vou conseguir, Sra. Grey. — Sussurro com pesar. — Maggie era a única que conseguia fazer eles comerem.
— Pode me chamar de Grace, querida. Nós podemos tentar, não acha?
— Acho que sim.
— Bicoitos. — Alex sussurra próximo ao meu ouvido e eu sorrio.
— Ei, e que tal um pouco de comida? Depois a Ana faz biscoitos. — Sussurro e ele me encara pensativo. — A mamãe vai ficar brava se a gente comer biscoitos antes da comida, não é, Lilly?
Lilly sequer me olha, ela apenas balança a cabeça e isso realmente me chateia.
Eu sempre fui tão horrível com ela e ainda não consigo me sentir confortável com isso, mas agora eu não posso trata-la da mesma forma, agora eu sou a pessoa que deve protege-la de todas as maldades.
É tão estranho ter que ser alguém para ela, alguém fora a pessoa que eu costumava ser. A quem sempre estava lhe chateando ou lhe fazendo chorar. Eu não sei ser diferente e isso está começando a me assustar.
Levanto-me e coloco Alex no chão, aproximo-me de Lilly e sento em sua frente segurando seu rosto, ela me encara e seus olhos rapidamente se enchem de lágrimas e posso ver o medo.
— O que foi? — Pergunto olhando seus olhos azuis.
— Eu tive tanto medo, Ana. — Sussurra abaixando o olhar.
— Lilly, olhe para mim. — Ordeno e ela o fez. — Já passou, ok? Não precisa mais ter medo.
— Mas a mamãe e...
— Nós não podemos mudar isso, não podemos mudar o que aconteceu. Nós temos que ser fortes agora, pela mamãe, ok?
— Ok...
— Eu quero que você coma algo agora, você e os outros.
— Está bem, Ana.
Solto seu rosto e ela usa suas pequenas mãos para enxugar suas lágrimas. Levanto-me e ela faz o mesmo encorajando Nick e Alex a segui-la.
— Eu mostro a cozinha. — Mia diz se levantando com Celi nos braços.
— Obrigada. — Sussurro tomando minha irmã dos seus braços.
Saio da sala com Mia e as crianças e ela nos guia até a cozinha, uma cozinha enorme por falar nisso. Todos os eletrodomésticos são da cor prata, os armários são brancos e o balcão é de mármore clara. Não há puxadores nos armários e eu logo deduzo que seja preciso apenas pressionar a ponta.
Lilly senta em frente à mesa e Mia ajuda os gêmeos a fazerem o mesmo, entrego Celi a ela e encaro tudo em volta tentando decidir o que fazer.
— Por que eles não comem? — Mia pergunta preocupada.
— Todos eles mamavam. — Explico. — Maggie nunca ficou tanto tempo ausente.
— Sinto muito.
— Tudo bem, Mia. Não diga tanto isso. Eu vou cozinhar alguns legumes para eles, você pode me mostrar onde estão as coisas?
— Claro.
Mia vai me explicando onde está tudo e eu vou tentando me ajustar a cozinha para fazer algo que meus irmãos comam. Cozinho carne e alguns legumes juntos, eles costumavam comer quando eu fazia em casa, espero que seja assim aqui também.
Enquanto a carne cozinha eu faço purê de maçã para Celi. Ela não vai ter leite agora e sei que já pode começar a experimentar coisas novas, não há oportunidade melhor que essa.
Deixo Mia dar o purê para Celi e sirvo os outros, sento-me em frente a eles e pego um pedaço de batata com a colher levando até a boca de Lilly.
— Abra. — Peço e ela abre a boca, coloco a batata e ela me encara. — Sem veneno, pode mastigar.
Lilly abre um sorriso a contragosto e começa a mastigar a batata. Me controlo para não rir e começo a dar para Nick e Alex. Dou uma olhadinha e vejo Celi abrindo bem a boca enquanto Mia lhe oferece o purê.
— Acho que eles gostam da sua comida.
Levanto a cabeça e encaro Grace parada na porta da cozinha. Sorrio e continuo dando a comida para os meus irmãos sem dizer nada, mas a verdade é que eu realmente estou feliz que eles estejam comendo algo que eu fiz.
— Eu só fiz o que a mãe deles faria. — Sussurro encarando as três crianças com a boca aberta na minha frente. — Eles estão famintos.
— A Celi também. — Mia diz rindo. — Acho que ela quer mais.
— Eles costumavam comer assim? — Grace pergunta e eu lhe encaro.
— Na verdade... Maggie ainda amamentava todos eles. Lilly é quem come melhor, ela tem a imunidade baixa, então... o leite materno ajudava, assim como a dieta que a pediatra passou.
— Entendo, mas você está fazendo um bom trabalho. — Diz e eu balanço a cabeça. — Quantos anos vocês têm?
— Eu tenho 17, Lilly tem cinco, Alex e Nick fazem 3 dentro de um mês e a Celi tem sete meses.
— Você é uma boa irmã.
Lilly franze o cenho e encara Grace, eu sei que ela quer rir, eu quero rir também. Eu nunca fui uma boa irmã, eu nem entendo o que isso significa. Eu sempre fui má com Lilly e na maioria das vezes com os outros. Eles eram fofos até começarem a chorar.
Prefiro não dizer nada, apenas continuo dando comida para as crianças. Eles continuam com fome, sirvo-os, mas dessa vez deixo que eles comam sozinhos, fico apenas encarando-os, pensando em como será daqui para frente. Eu provavelmente vou enlouquecer, mas eu sei que eles precisam de mim, e eu vou estar aqui.
Um pouco louca, mas ainda assim, aqui.
— Eles estão comendo. — Kate diz animada entrando na cozinha com Milly e Vitória. — E se sujando.
— Um ou dois. — Vitória sussurra. — Ou a comida da Ana é muito boa, ou eles estão com tanta fome que estão comendo qualquer coisa.
— Que maldade. — Sussurro e todas gargalham.
— Meninas, nós temos que ir para casa. — Grace sussurra encarando Vitória e Mia. — E deixar suas amigas em casa também, a Anastásia e as crianças precisam descansar.
— Ah, mamãe. — Vitória diz fazendo beicinho. — Nós vamos deixá-la sozinha?
— O Christian vai estar aí.
— É, Ana. Você vai ficar sozinha. — Mia diz e eu apenas sorrio. — Nós voltamos amanhã cedinho, ok?
— Ok. Por favor, descansem e não se preocupem comigo, eu me viro.
— A gente sabe, piloto de fuga. — Vitória diz e agora não consigo segurar a gargalhada. — Boa noite, Aninha.
— Boa noite. — Sussurro.
Mia me entrega Celi e me dá um beijo, depois beija meus irmãos e todas as outras repetem os beijos. Grace apenas acena da porta e eu aceno de volta para ela. Talvez ela esteja curiosa sobre o fato de um dos filhos dela ter praticamente adotada meus irmãos e eu. Na verdade, eu também estou curiosa.
Mas talvez possa ser melhor assim. Eu não tenho certeza se vou encontrar meu pai e, tudo o que eu preciso fazer é não chamar a atenção até que ele entre em contato.
— Minha baliguinha está mui cheia. — Alex diz e eu sorrio. — Pozi come bicoitos agona?
— Vamos descansar a barriguinha um pouco, ok? Biscoitos só amanhã.
— Fomos enganados. — Lilly diz balançando a cabeça e eu reviro os olhos.
— Ok, seus pestinhas, saiam daqui.
Lilly levanta rindo e ajuda os gêmeos a descerem das cadeiras, depois sai correndo com eles para debaixo da mesa. Reviro os olhos novamente, sabendo que eles não vão ficar longe de mim, não estando em uma casa diferente, principalmente sem Maggie aqui.
Coloco Celi no chão e deixo ela brincando com a colher enquanto retiro a mesa e vou lavar a louça.
— O que você está fazendo?
Viro-me e vejo Christian parado a porta encostado ao batente. Ele joga a cabeça um pouco para o lado e encara as crianças embaixo da mesa, depois volta a me encarar. Balanço a cabeça e volto a lavar a louça ignorando-o.
— Então?
— Eu estou lavando a louça, imaginei que fosse óbvio, para quem tem pelos menos um terço de cérebro.
— Tão engraçada.
— É, você não viu nada. — Sussurro olhando-o por cima do ombro. — Você vai me dizer por que estou aqui?
— Nós podemos conversar depois... longe deles.
— Boa sorte em tentar.
Coloco o último prato no escorredor e enxugo minhas mãos. Vou até Celi e a pego do chão indo em direção a porta, paro na frente de Christian e encaro seu olhar cinzento. Seus olhos brilham enquanto ele me encara e um sorriso idiota sem forma em seus lábios.
— Obrigada. — Sussurro de forma sincera. — Por me salvar.
— Me agradeça de outra forma. — Diz e posso notar seu tom de malícia.
Semicerro os olhos e não digo mais nada, passo direto por Christian.
Caminho pela grande sala em direção ao sofá e noto as crianças me seguindo.
Eu me sinto completamente deslocada aqui, esse não é meu lugar e eu quero entender o porquê de estar aqui, mas acho que Christian não vai dizer assim tão fácil.
Sento-me ao sofá e me curvo colocando Celi para brincar no chão, mas ela se deita e fica me encarando dando alguns sorrisos. Ela realmente está de barriga cheia.
Nick e Alex sentam ao lado de Celi e Lilly vem sentar ao meu lado de forma tímida.
— Vocês todos são sempre tão quietos? — Christian pergunta e nós nos viramos para encará-lo sentado no outro sofá. — E tem essa sincronia também.
— Eles não vão sorrir se é isso que está esperando. — Murmuro encarando Lilly que encolhe os ombros. — Eles estão cansados e estranhando a nova casa. Nick e Alex perderam seus bichinhos de pelúcia, Celi perdeu a cobertinha e Lilly não dorme longe de Maggie. Vai ser uma noite longa.
Christian me encara por alguns segundos e depois encara as crianças. Ele se levanta de súbito e sai da sala sem dizer nada, troco um olhar com Lilly e encolho os ombros. Lilly se aproxima e coloca as mãos no meu ouvido formando uma concha, então aproxima seus lábios da concha.
— Ele é muito grande. — Sussurra e eu me seguro para não rir. — Ele é o seu namorado?
— Não. — Sussurro me afastando.
Lilly se afasta mais quando Christian entra na sala.
Jogo a cabeça para o lado ao vê-lo segurando dois ursinhos, uma cobertinha e uma boneca de pano.
— O que é isso? — Pergunto confusa.
— Não é nada demais. — Diz encolhendo os ombros. — Acho que pode ajudar eles.
— Você pode tentar.
Christian me oferece um pequeno sorriso e se aproxima sentado ao lado das crianças. Celi que estava deitada, rapidamente se senta e encara ele. Ele estende a coberta rocha para ela que encara por alguns segundos com pouco interesse.
Fico olhando atentamente para Celi, esperando que ela vá aceitar, mas ela não aceita. Diferente do que eu imaginava, ela começa a caminhar em direção a Christian e deita a cabeça na perna dele. Christian fica parado, sem reação alguma.
Viro-me e encaro Lilly que sorri, ela desce do sofá com cuidado parecendo um bichinho medroso, e se aproxima de Celi para acariciar as costas dela. É isso que Maggie fazia com Celi, a colocava deitada em sua perna e acariciava suas costas até que ela pegasse no sono.
Sorrio quando noto que Celi já dormiu e Christian ainda está parado sem reações. Lilly se vira para me olhar e sorri completamente feliz.
— Ela dormiu. — Diz com empolgação. — Nós podemos colocá-la no berço.
— Não há berço aqui. — Explico e ela faz beicinho.
— Na verdade... nós temos um. — Christian diz e eu franzo a testa confusa.
— Eu não vou nem perguntar o porquê.
Levanto-me e caminho até Celi, pego-a com cuidado e ela resmunga, mas não acorda e isso me enche de alívio, levanto-me e Christian faz o mesmo. Ele me olha por alguns segundos e vejo que não é mais o mesmo cara que me convidou para ir transar em seu carro. Não, esse é diferente.
Seu olhar está apagado, sem qualquer resquício de malícia e ele parece triste com algo, mas eu não posso perguntar por que, isso realmente não é da minha conta. Eu não quero de forma alguma me intrometer em sua vida.
Ele vai andando na frente e sei que quer que o siga, faço isso e meus irmãos novamente estão atrás de mim, praticamente colados nas minhas pernas. Seguimos pelo corredor e Christian para em uma das portas, ele abre e eu fico pasma ao encontrar um quarto para bebê, todos decorado.
Os moveis são marrons escuros e o resto é tudo rosa, lençóis, cortinas, tapetes e até mesmo o abajur.
Encaro Christian, mas não falo nada apenas arqueio as sobrancelhas e entro no quarto.
Olho em volta atentamente e vejo que está tudo limpo, perfeitamente limpo e o cheiro de lavanda apodera todo o quarto, é maravilhoso. Mas por que ele tem esse quarto? Ele é tão novo para filhos e não imagino que tenha um e eu não posso pensar tanto sobre isso, não é da minha conta.
Caminho até o berço e coloco Celi deitada, vou até Christian pego a cobertinha para deixar com a bebê, cubro-a com cuidado e ligo o mobile que começa a rodar enquanto toca uma música bem irritante. Mas Celi parece gostar, sua expressão fica mais serena e ela abraça a cobertinha.
Viro-me e encaro o quarto vendo que há uma cama encostada em uma das paredes, talvez para quando o bebê for mais velho.
Recosto-me no berço e encaro Christian e meus irmãos.
— Hora de dormir. — Sussurro para as crianças.
— Mas e o mamá? — Nick pergunta fazendo beicinho. — Mamãe zá xigou?
— Não, Nick, a mamãe não chegou, mas eu vou fazer um mamá para você, ok? Vá deitar na cama, vocês dois também.
— Sem beijinho de boa noite? — Lilly pergunta fazendo beicinho.
— O Christian vai dar.
Lanço um olhar para Christian que o faz suspirar, ele caminha até as crianças e abaixa na frente deles.
— Olha, eu sei que a mamãe de vocês não está aqui e que vai ser difícil dormir sem seus bichinhos, mas vai ficar tudo bem logo, ok? Nós podemos ler um livro.
— Lorax. — Alex diz abrindo um grande sorriso, ele se aproxima de Christian com cuidado e pega um dos ursinhos. — Fofinho.
— Fofinho. — Nick repete pegando o outro ursinho.
Lilly encara Christian quando ele lhe estende a boneca, mas se afasta correndo para trás das minhas pernas. Ele suspira, talvez chateado, mas não diz nada. Se levanta e segura a mão dos gêmeos indo para a cama com eles. Cruzo meus braços e encaro minha irmã, ela se encolhe com medo, achando que vou lidar uma bronca.
Sorrio e estendo minha mão fazendo com que sua expressão fique mais suave.
— Quer me ajudar a fazer os mamá?
— Eu posso? — Lilly pergunta com os olhinhos brilhando.
— Sim, pode.
Ela agarra minha mão sorrindo e eu dou uma olhada para Christian antes de sair do quarto. Sigo para a cozinha com Lilly e a coloco sentada no balcão, pego as quatro mamadeiras no escorredor e o leite no armário. Começo a preparar todos os mamá e Lilly vai me ajudando a colocar as tampas e sacudir.
É diferente tê-la me ajudando, acho que desde que a conheço essa é a primeira vez que fazemos algo junta.
Acho que posso me acostumar a isso.
Ajudo-a a descer do balcão e ela corre com as duas mamadeiras azuis, pego as rosas e vou atrás dela. Paro na porta do quarto e vejo Christian fazendo gestos com as mãos enquanto lê Lorax. Os gêmeos parecem se divertir bastante e imagino que seja por ter um homem por perto.
Christian continua lendo e eu lhe encaro curiosa. Bem, se ele tem um quarto assim é provável que tenha livros infantis. Estou começando a ficar muito curiosa sobre tudo isso.
Fico esperando Christian terminar e assim que ele se levanta vou para a cama com Lilly, ela entrega as mamadeiras dos gêmeos e vai deitar na outra ponta da cama. Lhe entrego seu mamá e cubro os três.
— Durmam bem. — Sussurro encarando-os.
Pela primeira vez sinto algo me abalar. Ver os três aqui, tão longe de casa, sem Maggie. Eles deveriam estar em casa dormindo na caminha deles depois de Maggie os amamentar. Então nós iriámos acordar na manhã seguinte, Nick e Alex na minha cama, Lilly me provocando... então nós desceríamos e encontraríamos Maggie atrás do balcão preparando o café ao mesmo tempo que estaria segurando Celi.
Nunca mais será assim... nunca.
— Eles estavam cansados. — Christian murmura e agora vejo que eles já dormiram.
— Eles estão com saudade dela. — Sussurro me levantando. — Mas isso não importa muito, ela não vai voltar. E eu realmente estou curiosa, Sr. Grey.
— Sobre o que, garota fogosa?
— Por que eu estou aqui, Christian?
➷
Grace e Carrick

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