A Menina da Lua
2 ➷ A Primeira Vista ➷
Notas iniciais
Caminho pelo quarto ajeitando meus cabelos em um rabo de cavalo enquanto olho atentamente para os lados para ter certeza que não estou esquecendo nada. Sinto-me nervosa todos os dias antes de ir para ao colégio, é estranhamente esquisito sentir-me assim mesmo frequentando o mesmo colégio há mais de um ano.
Tentar soar aceitável para todas as pessoas ao mesmo tempo mexe comigo de forma inaceitável. Isso não deveria acontecer assim, mas eu faço o máximo que posso para me divertir lá. Alguns dias são bons e outros são espetaculares. Espero poder divertir-me hoje, ao menos um pouco.
— Anastásia, vamos logo. — Lilly grita batendo na porta e eu reviro os olhos.
— Vá embora! — Digo firme.
— Eu vou contar para a mamãe, sua bruxa!
Odeio sentir-me controlada por essa pequena peste que sequer atingiu um metro e meio. Ela me irrita, ela mexe nas minhas coisas e, ela é tudo aquilo que eu nunca pedi para ter na minha vida. Pequena criança maquiavélica que eu terei que acompanhar até escola daqui para frente, graças a Maggie que arrumou um emprego diferente.
Aproximo-me do espelho ignorando os gritos da pequena mostrenga e fecho os botões abertos do meu uniforme certificando-me de que eles estão exatamente presos. Eu não quero outro ataque maluco de Vitória, a garota mais louca que eu poderia conhecer.
Todos as vezes que nós estamos brincando eu sempre saio com alguma parte do corpo exposta, é claro que eu dou um jeito de descontar, mas estou começando a achar que minha amiga tem sérios problemas comigo ou as roupas que uso ou... ela sabe demais. Isso seria loucura.
Corro para pegar minha mochila e abro a porta encontrando a monstrinha do outro lado, abaixo a cabeça e encaro-lhe. Lilly cruza os braços e bate o pé encarando-me de cima a baixo.
É horrível ter um miniprojeto seu com o mesmo cabelo e a mesma roupa.
Odeio que ela seja tão parecida comigo!
Estreito os olhos para ela e fico esperando que ela saia na frente, mas antes que ela vá ganho um nariz franzido e uma careta, apenas depois disso Lilly se vira e sai correndo. Reviro os olhos e tranco a porta do quarto indo atrás dela, mas eu paro sentindo meu mal humor sumir quando vejo Nick e Alex correndo na minha direção com seus pijamas de pandas.
— Ana. — Gritam abrindo os braços.
— Oi, baixinhos. — Sussurro sorrindo.
Abaixo-me para recebe-los e além dos seus abraços apertados, também ganho alguns beijos cheios de baba e muito carinho dos meus pequenos irmãos.
Nick e Alex têm apenas dois anos, eles são dois garotinhos baixinhos de cabelos castanhos.
Eles são gêmeos, mas tem algumas diferenças. Nick é mais baixinho e Alex tem o cabelo menor, isso ajuda um pouco na hora de diferenciá-los. É engraçado quando eles tentam me enganar, trocando de lugar e eu finjo acreditar apenas para não decepcioná-los.
Eles são os que menos me irritam, na verdade, acho que só tenho uma relação boa mesmo com Nick e Alex. Eles não costumam estressar-me, sequer mexem nas minhas coisas ou dizem quando estou atrasada. Tudo o que eles fazem é me encher de abraços, invadirem minha cama todas as noites e às vezes xixi na roupa, mas isso não é muito importante.
— Sejam bonzinhos hoje. — Digo me levantando e eles me encaram rindo. — Okie Dokie?
— Okie Dokie. — Dizem juntos e eu sorrio.
— Adeus, Nick e Alex.
— Adeus. — Falam acenando com a mão.
Aceno de volta e desço as escadas atrás da pequena monstra, assim que chego a sala avisto Lilly sentada no sofá fazendo caretas enquanto tenta amarrar seu tênis. Maggie está atrás da ilha com Cecília em um braço e usando a mão livre para preparar algo.
— Bom dia, Anastásia.
— Bom dia. — Murmuro caminhando em direção a porta.
— E o café?
— Estou sem fome.
— Pegue uma maçã.
— Eu não...
— Agora!
Respiro fundo e caminho até a fruteira, forço um sorriso e pego uma maçã jogando dentro da mochila, mas quando Maggie se vira aproveito para roubar a fralda de Celi, talvez isso me ajude em algo. Jogo na mochila e caminho novamente em direção a porta.
— Anastásia espere por mim! — Lilly grita e eu paro na porta estreitando os olhos para ela. — Não ouse me deixar para trás de novo.
— Eu não tenho culpa se você não sabe amarrar o cadarço.
— Anastásia, não provoque a sua irmã! — Maggie ordena. — Ajude-a com a o cadarço e segure firme a mão dela.
Reviro os olhos e vou ajudar Lilly, abaixo-me em sua frente e seguro seus cadarços apertando-os com força. Ela faz uma careta de dor e cerra os punhos para me ameaçar, mas apenas sorrio e amarro bem apertado antes de me levantar, Lilly se levanta logo em seguida, me empurra e corre para ir pegar sua mochila ao lado da bancada da cozinha.
— Anastásia. — Maggie chama e eu viro em direção a ela. — Segure a mão dela.
— Está bem. Tchau, Tchau, Celi.
Celi me lança um sorriso banguela e acena para mim.
Caminho até Lilly e fico esperando que ela saia, quando ela faz isso eu lanço um olhar para Maggie e saio logo em seguida. Já na rua, eu seguro a mão da minha pequena ‘irmã’ e nós vamos caminhando pela calçada evitando ao máximo de nos comunicarmos.
Eu me sinto uma criança por agir assim, o pior de tudo é o sentimento de raiva que tenho por Lilly. Tudo o que eu queria as vezes é que ela não existisse. Talvez ela pense o mesmo sobre mim, nós nunca nos demos bem e ela sempre foge de mim. No fundo acho que ela tem medo que eu a machuque.
Talvez eu também tenha medo disso.
Afasto meus pensamentos quando chegamos ao foral, está fechado para nós e eu fico olhando os carros passarem rapidamente. O pé de Lilly batendo no chão me faz virar a cabeça e lhe encarar, logo uma ideia idiota surge e eu solto a sua mão de súbito assustando-a.
Lilly me encara preocupada e eu mordo os lábios encarando-lhe com atenção para poder ver a sua reação. Eu gosto de olhar para as pessoas e ver atentamente o medo ou pânico tomando conta de cada célula do seu corpo. Lilly evita ficar comigo porque sempre a faço sentir assim. Com medo.
— Segura a minha mão! — Lilly pede com a voz falha. — Por favor.
— Por quê?
— Nós estamos na rua, Anastásia! Segure a minha mão.
Lilly estende a mão e eu dou um passo para trás mordendo os lábios, ela avança, mas novamente recuo. Lilly para começando a ficar desesperada e olha para as poucas pessoas ao nosso lado que nos olham com certa curiosidade.
— Você não é um bebê, Lilly. — Sussurro sabendo que isso não é verdade.
Ela é um bebê, o bebê de Maggie e do meu pai. Ela sempre vai ser a garotinha que precisa ser protegida por tudo, mas que não está longe de mim o suficiente para se manter segura. Lilly sabe disso, mas não sei se isso assusta mais a ela do que eu.
— Eu tenho cinco anos, não posso atravessar sozinha.
— É só atravessar. — Sussurro e Lilly encara-me com pavor. — Vai, Lilly, atravessa.
— Você ficou maluca? O sinal está fechado e você sabe que eu não posso. A mamãe falou...
— A sua mamãe não está aqui. — Digo abaixando-me um pouco. — Atravessa.
— Ana...
— Apenas atravesse, Lilly.
— Para, para com isso! — Grita começando a chorar. — Eu não vou atravessar.
— Atravessa. — Digo firme. — Vamos, atravesse.
— Pare. Pare. Pare.
— Vai, atravessa, vamos ver se você é corajosa, querida.
Seus olhos estão tomados por uma nuvem de lágrimas não derramadas enquanto ela me encara com pavor evidente, sua respiração é alta e posso notar a sua ansiedade quando ela começa a bater o pé. Ela vai atravessar. Agarro a alça da sua mochila quando ela coloca o pé para fora do meio-fio e as pessoas nos olham assustadas.
Puxo-a e Lilly caí sentada no chão chorando alto para que todos possam ouvir.
Droga! Odeio quando ela faz escândalos.
Abaixo-me e seguro o seu rosto apertando suas bochechas, isso é o suficiente para ela se calar em menos de cinco segundos.
O medo ainda está estampado em seu rosto e isso de alguma forma me acalma, mas eu também me sinto horrível e por mais que queira parar, parece ser mais forte do que eu... como uma ação automática. Como um corpo em movimento tende a continuar em movimento.
— Você não pode atravessar sozinha, Lilly.
— Por que você faz isso comigo? — Lilly pergunta soluçando.
— Eu não gosto de você e da criança mimada que você é. Agora engula esse choro porque a sua mamãe não está aqui para te pegar no colo. Levante-se e vamos logo.
Levanto-me e fico esperando ela levantar, ela o faz, engolindo seu choro e usando as mãos para tirar a poeira da roupa. Agarro sua mão quando terminar de limpar, e ela se encolhe, mas não recua ou diz nada então eu espero o sinal abrir e atravesso a rua com Lilly ignorando as pessoas que nos olhavam.
Só gastamos mais cinco minutos e logo chegamos ao colégio. Lilly solta a minha mão com alívio e corre para a sua professora e colegas. Deixo-a e vou embora em direção ao outro prédio.
Eu não gosto de agir assim com ela, na maioria das vezes não entendo como me irrito tão fácil com Lilly ou o porquê de testá-la em algo sempre que ela me provoca, talvez na maior parte do tempo eu aja no automático, eu sinto que entro em transe todas as vezes que ela me provoca. E quando ela chora com tanto medo, eu sinto de alguma forma que mamãe está aqui.
Me engrandecer sobre o medo das pessoas me faz ser como ela, mas ela me disse que isso era certo, mas depois do meu pai, tudo o que era certo se tornou errado e as coisas erradas são certas. Isso é confuso demais.
Por uma noção mínima de segundos sinto meu mundo de pensamentos cair com o impacto do meu corpo no asfalto, aperto meus olhos e quando os abro vejo Vitória encima de mim com a sua cara de Elfa Maldita me encarando e seu sorriso maligno já formado em seus lábios.
— Que bom que chegou.
Estreito meus olhos para Vitória e me contenho para não lhe empurrar. Eu estou caída com as pernas abertas, usando uma saia que já é curta o suficiente e Vitória está no meio das minhas pernas escondendo a parte que quase todos estão tentando ver.
— Vitória, se você queria ir para um quarto era só falar. — Provoco e ela gargalha. — Posso saber o motivo desse seu ataque que eu sequer poderia esperar? Atração por mim é claro que não é.
— Como você é dramática.
Vitória se levanta rindo e eu fecho as pernas rapidamente antes de levantar-me com a sua ajuda. Sorrio ao ver Mia, Kate e Milly se aproximando, todas com sorrisos de quem estão muito a fim de aprontar hoje. Cruzo meus braços e fico esperando que elas cheguem. Talvez elas me ajudem a tornar meu dia melhor.
— Que caras são essas? — Pergunto e Mia solta um longo suspiro. — O que aconteceu?
— Nós temos teste hoje e eu não estou afim. — Diz cruzando os braços.
— E não estudou. — Milly acusa.
— Qual é? Meus pais viajaram de novo e eu não consegui me concentrar em nada. Se eu tirar outra nota baixa, meu irmão vai me matar.
— Seu irmão não pode ser tão ruim. — Kate diz dando de ombros.
— A gente está falando do cara que me deixou sem celular por dois meses porque eu fui mal na prova. — Mia diz bufando. — E eu nem moro com ele.
— Ele fez o mesmo comigo. — Vitória sussurra encolhendo os ombros. — Mas por terem me pegado beijando um cara escondido.
— Ok. Eu tenho um plano. — Digo mordendo os lábios e elas me olham sorrindo. — Mia, eu vou dar um jeito de anular o teste, mas vocês sabem que eles vão passar algum trabalho por cima, não sabem?
— Nós podemos fazer um trabalho bobo juntas. Nós temos já até temos um para fazer. — Vitória diz. — É melhor do que ficar aqui e morrer com os testes de álgebra.
— Ok, eu vou precisar que vocês atrasem o Sr. Edward. Milly, desmaia na frente dele.
— Eu? Por que eu? — Pergunta com pavor e eu me seguro para não rir. — Isso não vai dar certo.
Milly é a mais certinha de todas nós, mas ela sempre se envolve nas nossas loucuras e é apenas graças a ela que não nos encrencamos na maioria das vezes. Nenhum professor teria uma visão diferente da aluna exemplar e nota dez. Ela é a favorita de quase todos os professores.
— Você é a queridinha, ele não vai acreditar se for a Kate. — Aponto.
— Ana... eu não vou conseguir.
— Vai, e eu tenho uma ideia.
Abro minha mochila e tiro a fralda da mochila empurrando-a em frente ao nariz de Milly. Ela fica pálida na hora e empurra a minha mão começando a tossir, talvez com vontade de vomitar. Na verdade, tenho certeza que ela está com muito nojo.
— Oh, meu Deus! O que é isso?
— Fralda de gorfo. — Digo e as meninas começam a rir. — Você está pálida o suficiente. Vão logo, tirem ele da sala.
— Você é maléfica, Anastásia. — Milly murmura enquanto as meninas a levam para longe.
— Eu sei. — Grito deixando um riso escapar.
Mordo os lábios novamente rindo da cara delas, mas tenho que deixar isso de lado então guardo a fralda na mochila e corro para o lado de trás da escola. Abaixo-me quando chego as janelas das salas dos professores, passo fazendo o mínimo de barulho possível e paro embaixo da janela do Sr. Edward.
Posso ouvir as meninas conversando com ele numa tentativa de distraí-lo e logo a porta da sua sala bate. É agora! Levanto-me e abro a janela pulando para o outro lado, corro até a mesa do professor e abro seu laptop, mas me irrito ao ver que há senha.
Droga!
Certo, Ana, você conhece alguém que pode resolver isso.
Pego meu celular e envio uma mensagem tendo a resposta em segundos.
Agente T
Ana: preciso de um acesso para o computador do Sr. Edward.
T: Para que precisa disso?
A: Segredo de garota
T: Ana...
A: Vamos, estou sendo boazinha
Sorrio quando ele me manda o acesso e rapidamente consigo acessar o conteúdo das provas. Reviro os olhos quando vejo o quanto as respostas são babacas. Mia iria se dar muito bem, mas tudo bem, eu ainda quero me divertir. Tiro uma foto de tudo rapidamente e ouço passos se aproximando da porta.
Fecho os arquivos e depois o computador e corro para a janela, pulo-a e tranco-a antes que o professor entre. Sento-me abaixo da sua janela e entro no meu e-mail anônimo para enviar as respostas para todos da escola, até mesmo os professores. Segundos depois posso ouvir o grito furioso do Sr. Edward, seguro uma gargalhada e espero que ele saia da sala para voltar lá.
Vamos nos divertir mais um pouco.
Acesso o computador do Sr. Edward mais uma vez, mas dessa vez dou uma atenção maior a pasta com o nome “Querida Aluna”. Dentro há fotos dele e Leila juntos em momentos bem íntimos.
Sento-me em sua cadeira mordendo os lábios e acesso seu e-mail vendo todos os e-mails que ele mandou a ela ameaçando-lhe com as fotos, tudo para ela continuar transando com ele.
Homem idiota, ele não sabe que mulheres se unem?
Leila não é ruim, apenas apaixonada pelo cara errado, mas eu vou dar um jeito nisso para ela porque nenhuma garota merece ser ameaçada e usada dessa forma.
Pego todas as fotos e e-mails e envio para a diretora, a polícia e a mãe do Sr. Edward, depois disso levanto-me e caminho até o armário que eu sei que ele guarda álcool e outros utensílios. Pego o álcool e desejo em seu computador, esvazio a lixeira, tirando qualquer papel ou plástico e jogo o computador lá.
Vou até a mesa novamente e encontro um isqueiro na gaveta, acendo-o e jogo-o sobre o Macbook vendo-o pegar fogo logo após uma pequena explosão.
— Não se ameaça uma garota, Sr. Edward. — Sussurro antes de correr para fora da sala.
Sorrio ao ouvir os alarmes de incêndio dispararem enquanto ando pelos corredores e vejo os professores guiando os alunos para fora das salas. Ah, mas que pena. Teste cancelado, a polícia chegará em alguns minutos e provavelmente ficaremos sem aulas por alguns dias. Que coisa tão triste!
Aproximo-me do refeitório e vejo as meninas sentadas no banco, mas quando avisto Leila, desvio das minhas amigas e caminho até ela.
— Leila. — Chamo e ela me encara preocupada.
— Ana, aconteceu algo?
— Toma isso. — Digo lhe enviando uma mensagem. — Você vai bloquear seu e-mail de uma vez por todas e poder criar uma nova conta, assim como para o seu celular.
— Isso são números. — Diz confusa olhando a tela do celular.
— Números que vão te proteger de um certo professor idiota. É um código de bloqueio impossível de ser quebrado.
— Como você sabe?
— Mulheres sabem das coisas. — Sussurro agora ouvindo as sirenes da polícia. — Seja esperta, não diga que gostava dele, diga que ele te obrigou.
— Eu...
— Não precisa agradecer.
Sorrio e lhe dou as costas indo em direção as meninas, mas paro quando Leila chama, viro-me e lhe encaro. Ela está sorrindo e tem um brilho nos olhos, eu gosto quando as pessoas têm brilhos nos olhos, nunca fui muito acostumada a ver isso.
— Eu vou me lembrar disso. Mulheres sabem das coisas, certo?
— Certo. — Digo rindo.
Sento-me ao lado das meninas enquanto vejo a polícia e os bombeiros entrarem no colégio e a diretora berrando para os alunos correrem para fora.
— O que você fez? — Kate pergunta curiosa.
— Resolvi nossos problemas. — Dou de ombro. — Nós não tínhamos um trabalho para fazer? Vamos aproveitar nosso tempo livre.
— Você me assusta. — Mia diz, mas sei que está falando num bom sentindo. — Por que eu acho que nós não veremos mais aquele professor?
— Meninas, andem, saiam daqui! — A diretora grita para nós antes que eu possa responder Mia.
— Mandando alunas saírem da escola, mas que confuso. — Sussurro com malícia enquanto encaro a diretora.
— Saia, Steele!
— Está bem. — Sussurro saindo com as meninas.
Todos os alunos estão se reunindo do outro lado da calçada tentando ver o que aconteceu, mas eu me afasto um pouco enquanto minhas amigas vão para lá, pego meu celular e disco um número.
— Você precisa apagar umas imagens da câmera da escola para mim. — Digo e ouço apenas um suspiro. — Você não quer que eu seja exposta, quer?
— Que horas?
— Da última meia hora e eu quero que você apague definitivamente os e-mails que Leila Williams enviou para o Sr. Edward.
— Anastásia, você não está se envolvendo em perigo, está?
— Claro que não, T.
— Por que eu não consigo acreditar nisso?
— Confie em mim, T. Se algo acontecer, é seu dever me proteger, lembra?
— Maldita hora que aceitei esse emprego.
Mordo os lábios rindo antes de desligar o telefone e correr para perto das minhas amigas, segundos depois o Sr. Edward está sendo levado pela polícia enquanto os bombeiros correm provavelmente para a sua sala.
— Ana, o que você fez? — Milly pergunta me encarando. — Era só um teste.
— Não, não era tão simples. — Sussurro perdendo meu sorriso. — Pessoas más não merecem ser safar por tanto tempo.
— O que você quer dizer com isso? — Vitória pergunta preocupada.
— Nós não tínhamos que fazer um trabalho? — Volto a insistir nisso. — Minha casa com tantas crianças é fora de cogitação.
— A mamãe não vai gostar de ver tantas meninas lá. — Kate diz encolhendo os ombros.
— Nem a minha, ela odeia bagunça e eu odeio quando ela se faz de gentil e todo mundo gosta dela. — Milly diz cruzando os braços.
— Bem, nós podemos ir para a casa do Christian, ele deve estar trabalhando. — Vitória sussurra. — Acho que ele não vai se importar.
— A Vih, tem razão, com tanto que seja para estudo, nosso irmão não vai se importar. — Mia afirma. — E a mamãe ficaria louca se levássemos alguém lá na sua ausência.
— Por isso nós nunca levamos ninguém. — Vitória diz chateada. — Eles nunca estão em casa.
Suspiro tentando evitar toda a questão sentimental da ausência do Sr. e Sra. Grey, então prefiro mudar de assunto:
— Certo, vamos para a casa do Christian.
Digo isso rindo, mas isso faz meu coração disparar por algum motivo ridículo.
Você está sendo louca, querida... de novo.
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