A Menina Que Escrevia Fanfics
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Depois de outra ducha gelada e pensamentos irritados, coloquei uma roupa qualquer e desci para a sala de jantar, onde Charlie e mamãe já estavam.
– Já ia lhe chamar, filha! — minha progenitora sorriu assim que me viu adentrar o cômodo — Fiz strogonoff, sua comida favorita!
Sentei-me e sorri para ela, em forma de agradecimento.
– Que inclusive, também é meu prato predileto! — comentou Charlie, sentado na cadeira da ponta da mesa.
Após nos servirmos, jogarmos um pouco de conversa fora sobre como foi o dia (ok, eu, praticamente, só ouvi o que eles haviam feito no dia), minha mãe se manifestou, parecendo agitada demais para permanecer sentada, apesar de estar.
– Hm, este jantar têm um propósito, certo? — concordamos, e ela tratou de prosseguir — Eu fiz alguns exames, e bom, eu tenho notícias para vocês dois, minha família linda! – mexeu com os dedos na mesa e logo coçou a nuca, enrolando-nos. Respirei fundo.
– Fala logo, mãe!
– Fale, Marri!
Eu e Charlie pedimos quase juntos, e ela riu nervosa.
– Não é nada grave, e acho que vamos tirar de letra, mas precisamos estar todos juntos, porque eu não faço ideia de como será encarar uma gravidez nessa altura do campeonato! — mamãe disse, e sabe o que ouvi? Bla, bla, bla, um bebê irá berrar nos seus ouvidos a noite inteira e pedir colo bla bla bla.
Eu desaprendi completamente como se respirava, e meu celebro doía. Era muita coisa para absorver em só um dia, quando me dei conta eu já estava batendo a porta do meu quarto e me atirando na cama, gritando alto contra os travesseiros como se fosse resolver algo.
Mas cara, qual era o problema dessas pessoas? Primeiro, David acha que entende algo da porra da minha vida e acha, veja bem, SÓ acha que pode 'brincar' com o que bem entende e espera que eu faça o que? Ria da sua estupidez, assim como as peitudas com que ele se deita? Não, eu não sou esse tipo, alias, eu não sou um "tipo", sou uma garota e tenho 17 anos mesmo, qual o problema? Pelo menos tenho muito mais maturidade do que qualquer uma que ele já usou, se não mais maturidade que o próprio, que se faz de "viúvo dramático", mas que não se importa em transar com uma qualquer no quarto da sua falecida esposa! Belo exemplo de homem mesmo, não me admira ele ter escrito aquele livrinho sobre o 'romance colorido' que tiveram! Mas quer saber? Foda-se o 'Senhor-Fodão-Da-Casa-Ao-Lado', ter um amigo me pareceu legal a primeira vista, mas depois de meses ouvindo sobre a merda que ele tornara a própria vida, realmente, estava me cansando. Há males que vem pra bem, não é? Assim, nessas, situações conhecemos as pessoas, vovó sempre dizia que alguém que queria se "aparecer" quando na frente dos outros e não lhe trata como faz sozinho, não merece uma amizade de verdade. E então, novamente, ele era só o meu vizinho desconhecido. Só isso. Só!
Segundo fato do dia que foi o estopim, a gota d'água e o adjetivo que queira: uma gravidez. Minha mãe, aquela que me deu a luz, me cuidou e criou, iria ter um bebê? Que pegadinha era aquela? De muito mal gosto, por sinal. Tudo bem, minha mãe é nova, se casou novamente e estava construindo uma nova vida. Aguentei muita coisa durante anos para vê-la feliz, e agora um neném? Eu poderia aguentar também? Tudo mudaria, provavelmente, até nós nos mudaríamos de novo! Mas tudo bem, afinal, não tenho mais 10 anos. Sou forte e posso superar, assim como fiz com o término do casamento dos meus pais e com todas as outras mudanças, ainda sim, seria fácil lidar com um novo membro e evitar drama sem sentido, como o que eu fizera ao sair correndo da cozinha.
Respirei fundo, e senti minha cabeça girar. Minha vida estava uma confusão de novo.
Qual é o meu problema, afinal?
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