A Menina Que Escrevia Fanfics
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Na manhã seguinte, acordei tarde depois de uma madrugada péssima, envolta de pensamentos e sentimentos ruins. Fiz a higiene necessária e sai do quarto, para conferir se realmente estava sozinha em casa.
Para minha surpresa, Charlie e mamãe, estavam sentados à mesa, aparentemente almoçando. Fiquei com a cara no chão ao ser encarada pelos dois.
– Bom dia...? — disse eu, com certa vergonha.
– Boa tarde, meu bem! — mamãe respondeu carinhosamente, e continuou — Tudo bem com você?
– Sim, mãe... — sorri sem graça, e respirei fundo — Desculpa por ontem, eu não estava muito bem e acabei me alterando. — os dois trocaram um olhar cúmplice e sorriram, mãe veio até mim e me abraçou forte.
– Tudo bem, Helô! — nos desvencilhamos, e senti-me no dever de falar alguma coisa, mas não subi o que, então sentei-me à mesa e me servi de macarronada.
O silêncio se instalou, e tudo o que se ouvia era o barulho dos talheres, então resolvi falar:
– Sabe, ter uma criança em casa pode ser bom... — sorri, mexendo com o garfo e enrolando o macarrão, logo o levando para boca.
E bastou essa frase para desencadear conversas sobre bebês. Nunca imaginei que, um dia, estaria falando de como poderia ser divertido ter uma irmãzinha para poder ensinar mais do mundo feminino (como se eu realmente soubesse, mas deixe isso quieto), de como seria incrível ter um minininho correndo pela casa e essas coisas de moleques. Argh... Cara, como ando bipolar! Até, sei lá, doze horas só o fato de ter uma criança berrando me dava nos nervos, já agora eu ó queria que mamãe e Charlie fossem felizes, da maneira que for, vou apoiar!
Como faltava apenas dois dias para a primeira das cinco provas mais importantes da minha vida, precisei estudar e para minha decepção, eu precisava abrir a sacada do meu quarto, a mesma que tranquei na noite passada (coisa que nunca havia feito).
Entrei em meu quarto, após o longo almoço, e descobri ser 15h, a hora que eu costumava fazer uma boa xícara de café e me sentar na melhor parte da casa para ler algum romance bobo, na esperança que David aparecesse e me arrancasse daquele tédio que minha vida se tornara.
Quando dei por mim, eu estava caminhando de um lado pro outro no quarto e roendo o cantinho da unha, argh!, como sou patética! Que se dane caso Clark esteja na sacada de seu quarto, hora ou outra vamos nos encontrar e isso não significa que, necessariamente, tenhamos que conversar.
Com raiva de mim mesma, andei firme até a porta de vidro coberta por uma cortina escura e a abri. Juro que não fiz por mal, mas quando abri a maldita porta precisei olhar para onde costumávamos tomar chá, e lá estava ele. Sentado, com as mãos no rosto e sem camisa, David estava lá, e por algum motivo, eu estava estática o olhando, mal respirava. E quando me recompus, seus olhos, agora abertos, se encontraram com os meus e prendi a respiração sem ao menos me dar conta.
Os segundos que nos encaramos pareceram séculos, e quando eu caí na real, tratei logo de desviar o olhar para mesinha com livros na minha sacada e dei dois passos para alcança-los.
– Heloise? — ouvi David me chamar e estremeci por um motivo não identificado — Têm um minuto pra mim?
Não, nem meio minuto David Clark! Juro que iria falar isso, se ele não tivesse feito aquela carinha de 'por favor, por favor, por favor'.
– Fala. — quando vi eu já havia dito, e ferrado completamente com a pose de durona e em um salto, David estava a minha frente, na minha sacada, no meu território. Hey, eu dito as regras aqui, mocinho! Quase o empurrei, mas então respirei fundo e tentei me manter sobcontrole.
– Me desculpe por ter sido um completo idiota com você ontem... — pegou as minhas mãos e acariciou com os polegares, me senti estranha. Ele continuou — Brincadeiras daquele tipo não são meu forte, e também, sempre acabo falando o que não devo. — ah, é sério? Ninguém percebeu. Ok, parei de graça, até porque estava constrangedor David falando e olhando nos meus olhos.
– Pode ter sido brincando, mas você falou o que pensa. — constatei e subitamente puxei minhas mãos, separando das suas. Porque aquele homem, cheiroso e gost... digo, bonito estava ali, feito um cão sem dono, me pedindo desculpas e sem camisa mesmo? Assim os meus hormônios não aguentam! Desculpem a franqueza, mas é verdade. Voltando ao principio...
– Claro que não! Eu só queria entrar na brincadeira e bom, fui interpretado errado até pelo Alexander, que só faltou me espancar depois que você foi embora. — David falou e deixou um sorriso triste pairar no canto de seus lábios. Quis abraça-lo, morde-lo, mas optei por continuar durona.
– Ok, já falou o que queria? — o encarei irritada — Pode ir ligar pro seu amiguinho rindo da adolescente idiota, que acreditou que uma amizade sincera pudesse nascer entre ela e o vizinho! — acho que eu estava levemente alterada, porque David estava com os olhos arregalados. Mas quem se importa? Jogar a verdade na cara dos outros é bom as vezes. Relaxa.
– Para Heloise! — me segurou pelos ombros, fazendo-me ficar bem próxima dele. — Você está se ouvindo? Acho que não! — Dave negou com a cabeça, afirmando o que dissera — Helô, por favor, vamos esquecer essa briguinha idiota! Eu adoro você e só de pensar que não vou mais ter com quem dividir meus pensamentos, nem as xícaras de chá nessas tardes frias dessa cidade, ou quem poder abraçar quando as lembranças ruins surgirem, um nó se forma na minha garganta, e... — respirou fundo, pegando novamente uma das minhas mãos e com outra acariciando meu rosto — Heloise, você se tornou a melhor pessoa que conheci nesses últimos anos! — pareceu que David acabara de admitir algo para si próprio, e aquilo me afetou. Ele sorriu por fim.
Ok, o que eu falaria ou faria depois de tudo o que acabei de ouvir? Minha vontade era (mais uma vez) de abraça-lo, mas e a "pose de durona"? Eu não podia baixar guarda tão fácil, se não ele iria achar que pode fazer/falar o que quiser e vai ficar por isso mesmo. Pô, tenho orgulho próprio! Apesar de ter consciência de que esse drama todo é desnecessário, por que afinal, foi uma coisa idiota, né? Sendo assim eu podia estar abraçada nele, tipo como estava nesse exato momento né? Mas juro que Dave que tomou a iniciativa e me puxou para ele, apertando-me forte e de forma gostosa. Me derreti. Que droga!
– Odeio você! — murmurei com a cabeça em seu peito, sentindo seu cheiro natural, que me deixava entorpecida, e lhe dei um soquinho.
– Também te amo, menina! — riu e me deu um beijo na testa, e então nos desvencilhamos.
Depois do nosso 'draminha básico', ficamos conversando sobre coisas do nosso interesse em comum e acabei não estudando... E sim, tomamos café ao invés de chá das 5h.
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