Ajeitei os óculos de grau em meu rosto e afastei uma mecha de cabelo para trás da orelha. Já era fim de tarde e devia ser a terceira ou quarta xícara de café que eu ingeria. Aquele livro, sem dúvidas, era o mais lindo que já li — A Culpa É Das Estrelas -, só naquela tarde, cerca de 70 páginas foram devoradas. Simplesmente apaixonante!

Me frustrei quando vi que o café havia acabado e o frio começara a aparecer. De má vontade, levantei e entrei em meu quarto, logo saindo com uma coberta fina, voltando ao meu posto: sentada na cadeira da sacada, que há alguns dias descobri ser o melhor e mais calmo lugar para ler e, de repente, escrever algo de proveitoso.

Inclinei-me para pegar o livro e dei de cara com um homem, sentado na sacada vizinha, que é relativamente próxima da minha. Estranhei, pois nessas semanas que me mudei, nunca vi ninguém por ali.

O cara teclava freneticamente no notebook a sua frente e pareceu não notar minha presença, mas isto durou pouco. O provável vizinho me olhou e simplesmente sorriu de forma simpática. Sem nenhum motivo, aparentemente, senti todo meu sangue se depositar em minhas bochechas; corei. Me senti sem graça, mas tentei retribuir o sorriso.

– Você é a nova vizinha? – ele perguntou de forma tranquila, e manteve seu sorriso nos lábios.

– Sim! — sorri e mordi o lábio, sempre faço isso; mania chata, eu sei. — Você mora há muito tempo aqui? — perguntei por pura curiosidade e falta do que falar. Tirei meus óculos, que são só de leitura e os deixei na mesinha a minha frente.

– Hm... Você vai gostar daqui! — afirmou sorrindo, e pôs-se de pé e apoiando-se na sacada. — Moro há uns cinco anos aqui. — respondeu pensativo, e me vi assentindo, fazendo-o prosseguir – A propósito, me chamo David. — sorriu e estendeu a mão para mim, me inclinei o máximo que pude e a apertei.

– Sou Heloise. — sorri, me ajeitando na cadeira novamente.

– Você por acaso é de Paris? — o tal David perguntou direto, com um sorriso no canto dos lábios.

– Tá muito na cara assim? — perguntei e sem querer, senti um biquinho se formar em meus lábios.

– Seu sotaque... — ele respondeu de forma risonha, beirando a graciosidade.

Continuamos ali conversando. A noite caiu, mas isso pareceu não incomodar David. Engatamos em assuntos dos mais variados tipos. Dentre eles, descobri que, apesar de aparentar ter no máximo 25 anos, David Clark (esse é o seu sobrenome completo) têm 30 e sabe qual é sua profissão? Yey! Ele é escritor, e inclusive já lançou um livro e está trabalhando no segundo; um romance, que prometeu me dar cópias do que já há escrito. Adorei, de verdade.

Uma grande amizade estava nascendo. Cultivada pouco a pouco, em conversas que pareciam banais, mas na verdade eram importantes para quem está só a tanto tempo.

Notas finais
Capítulo pequeno, porém 'divisor d'águas' para toda fanfic em si, afinal, precisamos de um começo para tudo! hehehe Sou péssima em notas, desculpem. Favorite, recomende, e acompanhe! ♥